Pelo Flamengo bom

Publicado  sábado, 1 de dezembro de 2012


Sempre digo que este blog é de futebol e não de um torcedor. Evito falar como um, mas hoje peço licença. Espero que vocês entendam.

Não sei exatamente quando me tornei flamenguista. Sei que não me tornei fanático de um dia para o outro e que torcer pelo Flamengo é algo que se confunde com a pessoa que sou. Sempre achei que ser rubro-negro era um quê de rebelde com causa de ideologia vermelho-preta. Somos 40 milhões de eternos inconformados com o status quo.

Não tenho medo de dizer: gosto mais do meu time do que de futebol. Assim como Mauro Beting e outros caras que respeito muito. Isso não me torna pouco apaixonado pelo esporte bretão ou incapaz de comentar outros times. A maior evidência de saber separar as coisas foi o número de vezes que fui xingado por torcedores do meu time ou exaltado pelos de outro.

Convenhamos, não foi também algo difícil criticar o time da Gávea nos últimos tempos. Dona Patrícia ajudou muito nesse sentido. E todas as vezes que tentei deixar o torcedor de lado na hora de criticar essa gestão, não conseguia fazer o mesmo com o pesar que sentia.

E a menos de dois dias das eleições do Clube de Regatas do Flamengo eu me pego pensando em todo o desafio que percorri até aqui. Todos os conflitos que tive, todas as vezes em que me perguntei se valia a pena e todas as vezes que já sabia a resposta antes de terminar a pergunta.

O problema é que não sou um cara que se comforma fácil. Não consigo deixar pra lá e seguir em frente. Pudesse, seguiria com o blog e criticaria as coisas na distância jornalisticamente adequada em busca da imparcialidade confortável. Não tomaria partido, cruzaria os braços e faria o que faço melhor: escrever. Um sujeito que respeito muito nas redes sociais me avisou que deveria ficar na minha. E deveria mesmo.

A questão é que não consigo.

Eu não consigo ver tanta gente vilipendiando um time que é um pedaço da minha identidade. Não aceito ver pessoas usando o Flamengo para suas ambições mesquinhas enquanto gente tão rubro-negra quanto eu em outras regiões desse Brasil sofre com esboços de planejamento e vexames. Eu não vou deixar pra lá enquanto entender que tem gente disposta a usar a paixão que divido com 40 milhões de irmãos e irmãs para se locupletar.

Não posso cruzar os braços enquanto o nosso Flamengo se apequena cada vez mais.

Muita gente me perguntou porque me envolvi tanto, porque gastei dinheiro, abri mão de oportunidades profissionais e segui em frente. São tantos sacrifícios - e acabo sacrificando gente como a minha esposa (Isabelle, te amo!), mãe, irmão e amigos por isso.

"É só um time de futebol. Você acha que eles ligam para você?" - Não importa porque eu ligo. E não vou deixar pra lá. Todos nós podemos fazer alguma diferença se pensarmos globalmente e agirmos localmente. Tem quem lute por seu prédio, sua comunidade ou seu país. Eu vou lutar pelo Flamengo. Há quem diga que é pouco, mas tem quarenta milhões de pessoas que discordam. E é nessas pessoas que eu penso.

É no porteiro do meu prédio, nos amigos que fiz nas redes sociais, nos flamenguistas do meu colégio e da faculdade. Eu não vou me conformar por tudo o que o Flamengo representa pra gente. Eu vou lutar, parafraseando Olga benário: pelo Flamengo bom, pelo Flamengo justo e pelo melhor Flamengo que há nesse mundo. Seja na terra, seja no mar.

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