Quais reforços você contrataria para 2013?

Publicado  sábado, 29 de dezembro de 2012

2012 não acabou, mas 2013 é logo ali. Executivos e dirigentes já se movimentam para manter ou buscar o topo com a contratação de reforços. Não sou empresário e nem profissional do mundo da bola, mas vou dar meus pitacos de boas opções para cada posição. Não me preocupei com custos financeiros, mas evitei sonhos irreais como Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar, por exemplo.

Então vamos à lista:

Técnico: Mano Menezes não foi bem na seleção, mas seu histórico em clubes é de técnico de ponta. Tite merece todos os méritos pelo momento corintiano, mas me pergunto o quanto o dedo do seu compatriota gaúcho não o ajudou. Seria o grande nome para qualquer clube que precise de um comandante.

Goleiro: Hélton há anos no Porto, parece ser um típico caso de jogador que pode estar com saudades do Brasil. Ele jamais fez o tipo saudosista e nem o Vasco, com quem tem ligações mais fortes, ensaia esse retorno. Mas eu arriscaria...

Lateral-direito: Fágner atravessa seu melhor momento no Wolfsburg, mas já esteve perto de ser encostado. Vale olhar com carinho para ele assim como o ótimo Mariano (ex-Fluminense). Em tempo: nenhum dos dois demonstrou uma vontade firme em retornar, mas a carência na posição pode mudar isso. Outras opções são Cicinho (Sevilla) ou o "genérico": seu xará da Ponte Preta.

Zagueiros: Anderson Martins é muito subestimado por ter jogado ao lado do mito Dedé, mas é ótimo zagueiro e já deu indicações firmes de que deseja voltar para o futebol brasileiro. Da mesma forma, o uruguaio Lugano não está feliz na Europa e não deve voltar às raízes no Morumbi, já que o SPFC contratou Lucio.

Lateral-esquerdo: O Fluminense já está de olho em Reinaldo, do Sport. Talvez uma das poucas opções para jogar de forma defensiva e ofensiva. Times que gostam de liberar os laterais como alas podem investir em Julio César (Grêmio) ou em Magal (Flamengo), jogadores com bom potencial ofensivo mas péssimos na marcação. Douglas Santos (Náutico) é outra boa aposta após o melhor ano da sua vida.

Volantes: Com as saídas no elenco vascaíno o volante Wendell pode ser uma boa escolha assim como seu companheiro Nílton. Bolatti, Diguinho e Correa, em baixa no Internacional, Fluminense e Palmeiras, são outros nomes para a posição. O incansável Willians, eterno líder em roubadas de bola quando atuava por aqui, já dá indícios que não fica na Udinese.

Meias: Gosto muito de Diego (Wolfsburg), que esteve perto de voltar ao Brasil este ano. Vander (Bahia) teve muito azar nos últimos anos, mas me parece um caso de jogador prestes a explodir. O mercado sul-americano sempre tem bons nomes na posição, ao contrário do futebol brasileiro como Lorenzetti (LaU). Cleiton Xavier (ex-Palmeiras), Giuliano (ex-Internacional) e Alex (ex-Corinthians) são jogadores "sumidos" que certamente gostariam de voltar. E o ex-corintiano e "chuta-chuta" Bruno César já deixou esse desejo bem evidente.

Só não deem mais chances para mascarados como Morais e Valdívia em 2013. O argentino Bottinelli pode ser contratado por qualquer clube pelos valores dos seus salários.

Atacantes: Vargas (Nápoli) e Carlos Eduardo (Rubin Kazan) já andam cotados para voltar ao Brasil assim como dizem que Dagoberto não fica em Porto Alegre no próximo ano. Thiago Ribeiro (Cagliari), Araújo (Náutico) e Maikon Leite (Palmeiras) são outros exemplos de jogadores rápidos que atuam mais pelos lados. Para a posição de goleador sempre gostei muito dos jovens Kieza (Náutico) e Willian José (SPFC), mas é Alan Kardec (Benfica) que considero o melhor nome disponível e quer retornar ao futebol brasileiro.

A lista será atualizada até os primeiros dias de janeiro. Listem nos comentários as suas sugestões por posição e vamos discutindo. E um feliz 2013 para todos. :)

Faça um favor para Suzy Hamilton

Publicado  sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


Três Olimpíadas (1992, 1996 e 2000) em que defendeu os EUA, maior potência olímpica, nas provas de média distância do atletismo não bastaram para Suzy Hamilton - a atleta tem "Favor" como sobrenome mais iemdiato. Ontem, a ex-atleta revelou que vinha se prostituindo.

Cobrando até pouco tempo um cachê de 600 dólares, a velocista evita se identificar como vítima e explica, de forma vaga, o porquê de entrar nessa vida difícil. "Me senti atraída pela prostituição especialmente porque me dava mecanismos de sobrevivência quando eu vivia momentos muito difíceis na minha vida e no meu casamento", revelou.

Estamos falando de um país organizado, que não costuma esquecer seus ídolos e com várias oportunidades de emprego no mundo dos esportes. Ainda assim, Suzy não foi capaz de refazer sua vida após sua primeira morte. Agora, imagine quantas histórias iguais ou piores não existem no  Brasil?

Que o COB faça um favor para cada Suzy Hamilton: ajude o esporte a se desenvolver e massificar. E traga dignidade por quem suou a camisa pelo País.

Como será o 2013 do Vasco?

Publicado  segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Com a proeza de não conseguir ser mais interessante a um jogador em início de carreira do que o Náutico, o Vasco também já conseguiu perder seu goleiro e sua estrela Juninho Pernambucano. A primeira coisa que cada dirigente cruzmaltino deve  saber é que o próximo ano será difícil.

Muito difícil.

Torcida e times se unem em um elo resistente demais para ser quebrado nos piores momentos da instituição. O Vasco precisa saber agora que irá passar por um desses ao invés de varrer a crise para debaixo do tapete.

Se este ano, a necessidade de renovações era condicionada à títulos em 2013 as saídas de tantos jogadores, a falta de credibilidade e de dinheiro indicam um Vasco enfraquecidíssimo com o imprevisível Carlos Alberto como referência e o maestro Felipe em fase final de aposentadoria como o único meia-armador.

Mais uma vez: o que todos os vascaínos precisam é que o presidente e ídolo Roberto Dinamite reconheça o momento difícil. Acertar os atrasados, liberar os insatisfeitos e montar um time ganhando em dia com jovens valores e jogadores baratos a busca de um lugar ao sol. É o único caminho para evitar que a crise piore.

O que a final do Mundial ensina ao Brasil?

Publicado  


A derrota do Santos para o Barcelona em 2011 ensinou ao futebol brasileiro a dura lição que teimávamos em não aprender com o sucesso do Muricybol. Ficou descarado que soluções fáceis e aposta em personagens folclóricos - seja o "papai Joel" ou o "turrão Muricy" - não fariam o futebol brasileiro voltar ao topo. O caminho rumo ao topo é difícil.

O Corinthians aprendeu isso quando manteve Tite, mesmo após perder o brasileiro de 2010 na última rodada e a queda para o Tolima. Apostou não só na continuidade, mas no amadurecimento de um dos maiores estudiosos de esquemas táticos do Brasil. Curiosamente, em seu pior momento a imprensa esportiva chegou a tentar rotulá-lo em uma espécie de adepto do lazaronês.

Hoje, o futebol brasileiro volta ao topo pela evolução tática. E é difícil pensar em quantos técnicos além de Tite são capazes de pensar em novidades no cenário raso do futebol brasileiro. De dentro para fora, o técnico corintiano professa uma lição ainda difícil para o futebol brasileiro, que prefere Felipão à Guardiola: é indispensável olhar para o futebol em todo o mundo ao invés de apostar em chavões e clichês. Que 2013 confirme que apreendemos isso, com ou sem título Mundial

O todo-poderoso Corinthians

Publicado  domingo, 16 de dezembro de 2012


A cabeçada de Guerrero e o 1X0 corintiano não fazem jus ao momento do alvinegro. A Fiel sabe exatamente o que vive na ascensão meteórica dos últimos três anos: conquista. Não só a do futebol Brasileiro, da Libertadores ou a do Mundial. De tudo.

Há não muito tempo, o clube vivia o fundo do poço com o rebaixamento. Se reergueu e não parou mais de evoluir. Parte disso em um centenário difícil e sem nenhum título marcante, mas com um clube unido em torno do objetivo de internacionalizar o clube.

E o Corinthians conseguiu. Com a maior verba de marketing entre os clubes da série A, o time mais competitivo e, talvez o melhor técnico do futebol brasileiro o clube do Parque São Jorge faz todos os seus loucos bem felizes. E 2012 marca não um apocalipse, mas o nascimento de um deus todo-poderoso do futebol brasileiro. Haverá limites para o Timão?

Porque torcer pelo Corinthians no Mundial

Publicado  terça-feira, 11 de dezembro de 2012


O Timão talvez seja, há algum tempo, o clube mais odiado no Brasil em contraste com a sua gigantesca torcida. Odiado? Talvez o mais politicamente correto seja chamá-lo de o mais influente. Hoje, o que acontece com o Corinthians influi todo futebol brasileiro e, consequentemente, mundial.

Há quatro anos, o time do Parque São Jorge recolhia seus cacos para disputar a segunda divisão após uma queda sofrida e um vice-campeonato da Copa do Brasil. Parecia o fundo do poço e um horizonte distante mesmo quando a torcida entoou "o coringão voltou" pelas ruas de São Paulo após a volta à primeira divisão. Não era.

Quatro anos fazendo o beabá da gestão esportiva, o Corinthians superou cada rival no cenário regional e nacional. Fez o que cada torcedor quer para o seu clube e chegou onde todo mundo que ama um time sonha: no topo. E uma conquista do Mundial torna  o Timão maior, mas não transforma nenhum time grande em timinho.

É até compreensível que  todos os torcedores que não sejam corintianos não liguem para isso e torçam contra. Mas é uma questão de amar mais o seu time do que odiar um rival. O bi mundial alvinegro forçará cada time brasileiro a rever seus conceitos.

Será que qualquer torcedor não gostaria de ver isso? Com a palavra, os apaixonados.

Cinco técnicos para o Brasil melhores que Felipão

Publicado  sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Já critiquei a escolha de Felipão aqui, mas pensei em um exercício para comprovar o tamanho do erro de José Maria Marin em chamá-lo para a missão: listar cinco opções melhores. Vale lembrar que o blogueiro não concorda com o resultado pelo resultado e gostaria de ver um projeto que recuperasse a escola brasileira de drible e jogo ofensivo para a seleção, algo que não vemos desde 1986, com Telê Santana.

Vamos aos nomes e razõe:

Abel Braga: O cara já foi campeão mundial, da Libertadores e brasileiro. Abelão não costuma promover o tipo de esquema que gostaria de ver na seleção, mas dentro do futebol de resultados é um técnico mais preparado. E olha que não torço pelo Fluminense...


Vanderlei Luxemburgo: Vanderlei teve uma passagem ruim pelo Brasil, mas é um nome com muito mais regularidade do que Felipão. No cenário nacional se acostumou a brigar na ponta todos os anos enquanto Luiz Felipe Scolari jamais emplacou uma sequência convincente no Palmeiras, fora o título da Copa do Brasil, e teve uma carreira pouco honrosa após passar por Portugal.

Há dúvidas sobre a honestidade de Luxemburgo, que jamais foram comprovadas devidamente na esfera da justiça. Não duvido que sejam reais, mas usar isso como motivo para limitá-lo em um país onde todos os dirigentes são alvo de desconfianças piores e temos um presidente da CBF que embolsou uma medalha (literalmente) não é lá muito coerente.


Sampaoli: Jorge Sampaoli talvez fosse a aposta mais ousada entre esses cinco, mas o futebol total de LaU torna seu nome algo irresistível. Imaginem a qualidade de Neymar atuando na mesma posição que o bom Vargas ou o craque Oscar na mesma posição que Lorenzetti? O técnico me faz ter muita vontade de ver o Chile jogando. Será que não faria o mesmo pela seleção?

Guardiola: A má vontade com técnicos estrangeiros na seleção é tão grande que se perpetuou uma bobagem de que o espanhol só daria certo com Iniesta e Messi vestindo a amarelinha. Curiosamente, os autores de tal bobagem não pedem que Felipão use a máquina do tempo e traga Ronaldo, Kaká e Ronaldinho de 2002. Critério.

Pep Guardiola está acostumado a um trabalho de longo prazo e em priorizar times que tomem a iniciativa de jogo. É um nome respeitado e adorado. Seria ótimo ver a CBF acreditando em um nome desses, embora ele jamais desse certo com essa "estrutura".
Tite: O técnico do Corinthians talvez seja o nome mais promissor quando falamos de evolução tática no Brasil, assim como Mano Menezes anos atrás. Ao seu favor, uma honra inabalável e parece lidar melhor com a pressão que o Brasil impõe a qualquer um. Se o objetivo fosse um profissional nascido e criado aqui, seria a melhor escolha.

Eu & a eleição no CRF

Publicado  quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


"Vamos ganhar, mas será sofrido", o mantra citado por mim dezenas de vezes a cada seguidor no twitter, leitor, amigo ou fã de página que me perguntava se ainda estava confiante. Mesmo sabendo que as estimativas divulgadas na coluna de Renato Maurício Prado eram totalmente realistas já que havia acompanhado o processo de perto.

Ainda bem que eu e cada integrante que trabalhou no dia 3/12, em diferentes horários (e até das 6h da manhã até a apuração às 23h) pensou o mesmo. "Erramos" na projeção estimada - a vitória veio com 53% ao invés dos 50,4% projetados anteriormente - mas eu não cravei a minha estimativa de votos de Patrícia Amorim. Com  mais de 900 votos ao contrário dos, no máximo, 700 que acreditava, ela mostrou, para tristeza geral da torcida, que será uma personagem fortíssima na política rubro-negra nos próximos anos, ainda que agora diga que não será mais candidata. Os ventos da política mudam.

Como mudaram a favor da chapa Azul, de Wallim Vasconcellos e Eduardo Bandeira de Mello. Na primeira vez que ouvi a respeito da possibilidade da candidatura da chapa Azul, confessei ao meu aamigo Rafael Strauch, o grande herói dessa eleição, que se ajudaríamos a surgir os novos personagens naquela eleição ao invés de nos unirmos aos que já estavam lá contra Patrícia todos nós precisaríamos fazer deles os favoritos. Não fiz absolutamente nada sozinho desde então. Tive a companhia de gente que ama o Flamengo da mesma forma solidária e tão empenhada quanto eu.

Não vale a pena entrar em detalhes, mas como você pode imaginar há sempre o jogo sujo nas eleições do clube. O que considero lamentável e espero que mude. O que posso dizer é que todos entramos naquele Dia D, em uma operação liderada pelo gerente Fred Mourão, preparados para um ambiente hostil. Foi tudo o que vivemos, sem a violência temida por muitos torcedores que insistiram em nos alertar dias antes.

As horas finais desse dia com o interesse pelas parciais que concretizavam o que esperávamos, foram bem diferentes do que eu esperava. Mesmo exausto, a adrenalina pelo resultado me energizou até o fim. Só quem esteve lá pode explicar.

Outra coisa que me fez ir em frente foi reencontrar uma amiga de faculdade e um amigo que fazia a cobertura do processo. Todos flamenguistas. Gente cujo apreço pela amizade foi uma das minhas cargas para me envolver nos rumos dessa política.

Nessa reta final, caminhamos juntos como fizemos nos quatro anos de PUC-Rio para o ginásio onde houve a apuração. Tomamos caminhos diferentes antes de entrar por lá - mas sei que vou reencontrá-los outras vezes  - e nessa etapa algumas pessoas vieram me parabenizar pelo trabalho que expliquei em várias reuniões com sócios. "Vai ser o que você falou mesmo", me disse um deles.

Outros agradeceram em um exagero generoso como se eu tivesse grande participação. Sem um pingo de falsa humildade digo que não tive. Fui mais um. Fiz tudo o que podia e isso as vezes não é muito, mas é o máximo que podemos fazer. Posso ser um dos mais populares nas redes sociais, mas acreditem: a mobilização para essa vitória contou com muitos mais nomes do que cabem neste post. Uma autêntica operação overlord pelo bem de do mais querido do Brasil.

O que faço melhor nessa vida é escrever. E não há ato mais solitário do que o da escrita. Por isso, acredito tanto na mobilização das redes sociais e nos amigos que ganhamos com ela. E é por isso que digo que essa luta não começou comigo e que nunca estive sozinho nela. Porque dá muito orgulho ter isso em mente. Dá enorme orgulho de fazer parte de um grupo como o Sócios Pelo Flamengo.

Afinal de contas, pra quê vencer um jogo de futebol quando não temos amigos com quem comemorar? Que Eduardo Bandeira de Mello e o grupo Fla Campeão do Mundo nos dêem outros motivos para celebrar.

Pelo Flamengo bom

Publicado  sábado, 1 de dezembro de 2012


Sempre digo que este blog é de futebol e não de um torcedor. Evito falar como um, mas hoje peço licença. Espero que vocês entendam.

Não sei exatamente quando me tornei flamenguista. Sei que não me tornei fanático de um dia para o outro e que torcer pelo Flamengo é algo que se confunde com a pessoa que sou. Sempre achei que ser rubro-negro era um quê de rebelde com causa de ideologia vermelho-preta. Somos 40 milhões de eternos inconformados com o status quo.

Não tenho medo de dizer: gosto mais do meu time do que de futebol. Assim como Mauro Beting e outros caras que respeito muito. Isso não me torna pouco apaixonado pelo esporte bretão ou incapaz de comentar outros times. A maior evidência de saber separar as coisas foi o número de vezes que fui xingado por torcedores do meu time ou exaltado pelos de outro.

Convenhamos, não foi também algo difícil criticar o time da Gávea nos últimos tempos. Dona Patrícia ajudou muito nesse sentido. E todas as vezes que tentei deixar o torcedor de lado na hora de criticar essa gestão, não conseguia fazer o mesmo com o pesar que sentia.

E a menos de dois dias das eleições do Clube de Regatas do Flamengo eu me pego pensando em todo o desafio que percorri até aqui. Todos os conflitos que tive, todas as vezes em que me perguntei se valia a pena e todas as vezes que já sabia a resposta antes de terminar a pergunta.

O problema é que não sou um cara que se comforma fácil. Não consigo deixar pra lá e seguir em frente. Pudesse, seguiria com o blog e criticaria as coisas na distância jornalisticamente adequada em busca da imparcialidade confortável. Não tomaria partido, cruzaria os braços e faria o que faço melhor: escrever. Um sujeito que respeito muito nas redes sociais me avisou que deveria ficar na minha. E deveria mesmo.

A questão é que não consigo.

Eu não consigo ver tanta gente vilipendiando um time que é um pedaço da minha identidade. Não aceito ver pessoas usando o Flamengo para suas ambições mesquinhas enquanto gente tão rubro-negra quanto eu em outras regiões desse Brasil sofre com esboços de planejamento e vexames. Eu não vou deixar pra lá enquanto entender que tem gente disposta a usar a paixão que divido com 40 milhões de irmãos e irmãs para se locupletar.

Não posso cruzar os braços enquanto o nosso Flamengo se apequena cada vez mais.

Muita gente me perguntou porque me envolvi tanto, porque gastei dinheiro, abri mão de oportunidades profissionais e segui em frente. São tantos sacrifícios - e acabo sacrificando gente como a minha esposa (Isabelle, te amo!), mãe, irmão e amigos por isso.

"É só um time de futebol. Você acha que eles ligam para você?" - Não importa porque eu ligo. E não vou deixar pra lá. Todos nós podemos fazer alguma diferença se pensarmos globalmente e agirmos localmente. Tem quem lute por seu prédio, sua comunidade ou seu país. Eu vou lutar pelo Flamengo. Há quem diga que é pouco, mas tem quarenta milhões de pessoas que discordam. E é nessas pessoas que eu penso.

É no porteiro do meu prédio, nos amigos que fiz nas redes sociais, nos flamenguistas do meu colégio e da faculdade. Eu não vou me conformar por tudo o que o Flamengo representa pra gente. Eu vou lutar, parafraseando Olga benário: pelo Flamengo bom, pelo Flamengo justo e pelo melhor Flamengo que há nesse mundo. Seja na terra, seja no mar.