Porque Felipão é ruim para o Brasil

Publicado  quarta-feira, 28 de novembro de 2012


Caso seja confirmado na seleção, o ex-técnico do Palmeiras será mais um erro da era Marin, assim como a demora em demitir Mano Menezes (que deveria ter ocorrido após o decepcionante fim dos Jogos). Quem me acompanha sabe que vejo com simpatia o nome de Felipão em clubes, acho que ainda é um técnico de ponta, mas definitivamente não é o que se esperava para a Copa de 2014.

O Brasil precisa recuperar sua escola e jeito de jogar. Perdemos isso em algum lugar entre as duas últimas Copas. E mesmo em 2002 e 94 não vimos o jeito brasileiro em ação. Felipão representa o desespero da CBF em conseguir a taça e não o mais importante para a cultura esportiva brasileira, algo que a instituição deveria estar preocupada.

Se o hexa em copas vier, eu, você e todo torcedor brasileiro vamos comemorar. A questão é: a que preço? A cada ciclo que optamos pelo caminho mais fácil do resultado, adiamos o desafio de recuperar o futebol solto e alegre que sempre tivemos. Até lá, a Espanha merece muito mais o rótulo de país do futebol do que nós merecemos.

Fernandão foi a demissão mais previsível do ano!

Publicado  terça-feira, 20 de novembro de 2012


O cara critica o elenco e nenhum dirigente vem apoiá-lo, mesmo com esse grupo superestimado do Internacional. Há anos devendo. Antes disso, ajudou a derrubar um técnico que era seu subordinado, quando já havia boatos sobre um vestiário indolente.

Nesse cenário todo, houve mesmo alguém que não soubesse que Fernandão acabaria desempregado no final do ano?

Não existem inocentes em uma história onde o diretor assume o cargo do técnico que demitiu. Não existe um único culpado em um elenco que vence uma Libertadores e derruba três técnicos na sequência para não conquistar nenhum título.

Nada mais previsível que essa saída e o sentimento de amargura da torcida colorada. O Internacional, refém do grupo que reergueu o clube do ostracismo dos anos 90, joga mais um ano fora.

O Palmeiras impotente

Publicado  domingo, 18 de novembro de 2012


O rebaixamento do Palmeiras ocorrer horas depois de um empate frustrante com gol de um ex-ídolo é só mais um detalhe dos requintes de crueldade da temporada de 2012. Renascimento e morte em um mesmo ano com a Copa do Brasil e um rebaixamento, algo raríssimo para um time grande.

E sim, o Palestra não deixa de ser imenso mesmo na série B. O que talvez deixe para trás - ainda que temporariamente - seja o "imponente" de seu título para a rima do título deste post. Contrariando as (minhas) previsões mais otimistas, o ótimo trabalho de Gilson Kleina e uma das folhas salariais mais altas do campeonato não salvaram o clube.

Mais do que reconstruir o clube para 2013, torcida e sócios precisam entender que as lições do último rebaixamento nunca foram assimiladas corretamente. O Palmeiras viveu os últimos dez anos como aquele estudante que sempre passa se arrastando e termina formado sem muita instrução.

Com uma honrosa exceção, o clube jamais pareceu saber o significado de termos como "planejamento" e "gestão profissional" depois da Era Parmalat. Se perdeu essa oportunidade na Gestão Belluzzo, com muitas boas intenções e poucos resultados decentes.

É hora do Porco apostar em menos soluções fáceis e reunir quem defenda o clube com profissionalismo e amor na mesma medida. A Fanfulla talvez represente esta esperança. Um grupo político preocupado com a torcida ao invés de políticos preocupados com a Mancha Verde.

Recuperar o "imponente" de seu hino é uma tarefa fácil, mas a meta deve ser impedir que ele se perca novamente. Palmeirenses já sofreram o bastante, mas o momento pede que se arregace as mangas e se trabalhe duro. Daqui para frente, tudo precisa melhorar.

O que esperar de Ricardo Gomes no Vasco?

Publicado  sábado, 17 de novembro de 2012

O histórico do ex-zagueiro responde isso.

Sua carreira é de um técnico fraco, com duas fases muito boas (uma no Vasco e a outra pelo Vitória). É improvável que isso se repita em um cargo que não ocupa há anos (Ricardo foi diretor-executivo do Paris Saint Germain anos atrás), em um clube dividido politicamente e com um elenco inferior ao que ele comandou em 2010.


A perspectiva desse retorno é ruim. Seja pelo contexto vascaíno, seja pelo talento de Gomes.

Vale a pena ler: Pedrada

Publicado  quarta-feira, 14 de novembro de 2012


Tive a chance de ver nascer um blog muito bacana nos últimos anos: o Pedrada Rubro-Negra, de um sujeito que aprendi a chamar de amigo chamado Henrin. Sempre se destacou em comentários ácidos e criativos - discordei de pelo menos metade deles - lá no Flamengonet, talvez a maior referência na blogosfera rubro-negra.

Na última semana, Henrin escreveu sobre o golpe sofrido pela Chapa Azul do Flamengo, a qual apóio e trabalho como já expliquei por aqui. Por estar na campanha, tenho optado por não falar muito do clube por aqui, mas prometo que ao final das eleições farei ponderações de tudo o que aprendi neste 2012.

Até lá, recomendo que você leia O Golpe.

Fluminense e os recalques de um título

Publicado  domingo, 11 de novembro de 2012



Dois brasileiros em 2010 e 2012 com a melhor campanha do segundo turno entre os títulos. O Fluminense, favorito a tudo no início do ano, confirma sua vocação para melhor time deste início de década e leva mais uma taça para casa.

Haverá quem diga que o campeão é a Unimed, como se fosse pecado ter um patrocinador forte. Pergunte a qualquer palmeirense se ele se considerou menos campeão em 93 e 94 por ver a "Parmalat" responsável direta pelas equipes daquele bicampeonato. E será o Corinthians menos campeão da Libertadores por ter mais dinheiro da TV Globo?

Um recalque bobo e injustificável. Se Celso Barros ajudou a formar um grande time, que os adversários corram atrás do time de guerreiros. Arranjem um mecenas ou trabalhem com mais competência.

Também já havia quem falava da ajuda da arbitragem, justamente na era em que a CBF se converteu em uma extensão da Federação Paulista de Futebol. Quis o destino que o Fluminense fosse campeão enquanto o Galo empatava com a ajuda de um pênalti maroto. O lance fez parte das teorias conspiratórias?

O Fluminense caminha para ser o papa-títulos da década. Tem uma divisão de base eficiente, o melhor diretor-executivo do Brasil e um patrocinador com gosto de "quero mais". Que rivais e outros times não embarquem no discurso enganador. O tricolor carioca tem tudo para gritar "é campeão" mais vezes nos próximos anos.

Porque o Botafogo deve ter Oswaldo em 2013

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Refém de velhas apostas, o Botafogo viveu em 2012 não um apocalipse particular, mas um ano de transição. O trabalho de Oswaldo Oliveira foi bom, mas cometeu o pecado de não conquistar títulos que o alvinegro não vê desde o distante 1995. Parte do jejum vem da falta de continuidade em anos de trabalho.

Apesar disso, a Estrela Solitária pode começar 2013 com opções fortes como Lodeiro, Seedorf, Andrezinho e Fellype Gabriel. São três jogadores capazes de manter o nível em duas posições e um capaz de desequilibrar. Ainda existe o jovem Cidinho que pode assumir o lugar do irregular Vitor Junior, mais um da escola Jóbson de evolução no futebol.

Defesa e ataque eram individualmente fracos no alvinegro desde o início do ano. As revelações Dória e Bruno Mendes já se tornaram referências e mantidas no elenco tornam o Botafogo um time para fazer frente ao Fluminense, cada vez mais campeão brasileiro, em 2013. Manter Oswaldo é a garantia de um técnico que conheça melhor o elenco e mantenha o critério que acertou com esses jogadores - e que errou com o crucificado Rafael Marques - e manter a evolução.

É chato ver os alvinegros esperarem mais um ano. Mas tudo aponta para mais felicidade em 2013. Na era dos pontos corridos, adeptos do longo prazo sempre vencem os impacientes.

Vale a pena ler: Ruy Castro

Publicado  quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O texto do colunista da Folha é um resumo firme e sincero sobre Adriano. O ex-imperador é vítima de clubes despreparados para tratar gente com seu problema, de torcedores insensíveis ao homem e atentos apenas a um ídolo que não existe mais e, é claro, de si mesmo.

Já tratei o assunto mais de uma dezena de vezes por aqui com a mesma firmeza. Mas me faltou a qualidade do escritor e a propriedade para abordar o assunto. Ruy é alcoolatra e sabe que a doença exige o mesmo preço da liberdade: a eterna vigilância.  De si mesmo.

Em busca de um relaxamento ilusório, Adriano segue se enganando ao invés de buscar tratamento. O final da história, Garrincha e outros atletas já nos contaram. É torcer para que dessa vez haja uma zebra.


Marcelo Oliveira: vítima de Dinamite!

Publicado  segunda-feira, 5 de novembro de 2012


A gestão de Roberto Dinamite conseguiu salvar o Gigante da Colina da aterrorizante (indi)gestão de Eurico Miranda e acabar com um ciclo horrível do clube. Desde então, o Vasco seguiu oscilando a passos lentos de uma reconstrução que nem mesmo Rodrigo Caetano parecia ser capaz de acelerar. No início de 2011, a torcida vascaína chegou a exibir a faixa: "tua imensa torcida quer voltar a ser feliz".

Veio o título da Copa do Brasil e parecia que finalmente as boas intenções do presidente e a competência do diretor haviam emplacado. No final do ano, Dinamite esnobou uma renovação com Caetano, pela qual deveria lutar com unhas e dentes. Assim como deveria ter trabalhado por patrocinadores, melhorias na base (solicitação corriqueira do ex-diretor-executivo, prestes a ser campeão brasileiro pelo Fluminense) e salários em dia.

Com toda essa preguiça e crise política, Marcelo Oliveira, que parecia a aposta ideal para o clube pediu demissão após seis derrotas seguidas. Tudo porque o  Vasco que o contratou não é mais aquele de 2011, que caminhava a passos largos para se consolidar novamente no cenário nacional. Em 2012, mês após mês, aquele time vibrante e brioso foi enfraquecendo e perdendo o brilho mesmo com muita luta.

E sem técnico, diretor e em crise política vai recomeçar do zero em 2013 uma longa caminhada. Tua imensa torcida ainda terá muitos desafios pela frente.

André Santos e a globalização

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Após trocar de camisa com Van Persie, o lateral-esquerdo André Santos (ex-Corinthians e Flamengo e com passagens pela seleção brasileira) viu sua temporada na Terra da Rainha ficar mais difícil. A situação, que já é vista com banalidade no Brasil, não foi digerida pelos torcedores. Até Ray Parlour, ex-jogador do Arsenal, criticou a situação que ocorreu no intervalo como "uma piada".

Pode parecer bobagem, os torcedores do Arsenal passarem a odiar Van Persie por trocar a equipe londrina pelo Manchester United. Mas convenhamos, não é algo que o torcedor brasileira costuma levar numa boa também. A confusão é tão imensa que André Santos pode nem ser relacionado para o próximo jogo (vale lembrar que ele perdeu três dos quatro jogos em que entrou como titular).

Com tudo isso, Suélem Leal dos Santos, esposa do lateral, resolveu defender o jogador com o pedido de que "os ingleses deveriam entender melhor a cultura brasileira antes de julgar alguém”. É um argumento que fala mais sobre nós, brasileiros, do que o comportamento britânico.

André Santos não está mais no Brasil. Se mudou para ganhar salários maiores em ligas mais organizadas, competitivas e com muito mais popularidade. Tudo isso por sua escolha mesmo em uma situação confortável no Corinthians, onde era titular absoluto. Com tantas vantagens adquirididas, não são os ingleses que deveriam tentar entender a cultura brasileira nos gramados britânicos.

O que o casal Santos precisa compreender é que a maioria dos choques culturais deixaram de ser supreendentes desde que o bicho Globalização passou a ser citado em qualquer aula de geografia do ginásio. Qualquer profissional que se mude em busca de melhores salários, oportunidades ou visibilidade sabe o preço que esses benefícios cobram. Ou deveria saber.

Suelen e André parecem querer manter todas as vantagens e ainda serem compreendidos quando fizerem coisas que não são bem vistas pela torcida local. Seria menos mimado se ambos pedissem desculpas e admitissem seu erro por mera ignorância. E da próxima vez, que cada atleta brasileiro se prepare melhor quando quiser mudar de pátria. Ganham muito bem para isso.

Jornalismo esportivo: nem mulheres nem fontes

Publicado  quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pesquisa internacional analisa a forma como os jornais de vários países cobrem o esporte

Por Ciro Barros, da Agência Pública

Ao redor do mundo, o jornalismo esportivo tem o costume de simplesmente ignorar temas como política esportiva, financiamento do esporte, esporte amador e, no caso do Brasil, até os preparativos para os megaeventos que o país vai sediar nos próximos anos. Também não costuma consultar mais de uma fonte para seus artigos e mantém uma hegemonia masculina, tanto nos autores quanto no foco das matérias.

Essas são algumas das conclusões da pesquisa “International Sports Press Survey” (ISPS, sigla em inglês para Pesquisa Internacional sobre a Imprensa Esportiva numa tradução livre), feita pelos acadêmicos alemães Jörg-Uwe Nieland, da German Sport University, e Thomas Horky, da Macromedia University for Media and Communication, em parceria com o Danish Institute for Sport Studies (Idan) – instituto de pesquisa esportiva independente, financiado pelo Ministério da Cultura da Dinamarca. No estudo, foram analisadas 18.340 matérias de 81 jornais, em 23 países, de abril a julho de 2011. Os países analisados foram: Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Inglaterra, França, Alemanha, Grécia,  África do Sul, Índia, Malásia, Nepal, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, Romênia, Escócia, Cingapura, República Eslovaca, Eslovenia, Suíça Francesa, Suíça Alemã e Estados Unidos.
A pesquisa ainda não foi publicada na íntegra, mas alguns dados e conclusões iniciais foram divulgados no último dia 24, no seminário “Mega-eventos e democracia: riscos e oportunidades”, parte da conferência internacional Play The Game de transparência e democracia no esporte.

Segundo o estudo, três assuntos dominaram os jornais analisados neste período: resultados ou crônicas de jogos ou partidas (de futebol ou não); performance esportiva de atletas ou times (quebra de recordes, período de invencibilidade de uma equipe) e prévias de competições (prognósticos a respeito de resultados de um torneio, quem tem mais chances, quem tem menos, etc.). Juntos, chegaram a 77,7% das matérias publicadas. Política esportiva e financiamento do esporte corresponderam a apenas 5,8% do conteúdo publicado em todo o mundo.

O futebol foi a modalidade mais noticiada pelos jornais, com 40,5% das publicações do período. O tênis, segundo esporte mais abordado pelos jornais em todo o mundo, ficou com o índice de apenas 7,6%. Em regiões como América do Sul, Europa e África do Sul, o futebol chegou a atingir índices entre 50 e 85% de predominância em todos os artigos esportivos.

Outro dado importante é que essa cobertura é feita quase que exclusivamente por homens: apenas 11% dos artigos analisados foram escritos por mulheres. E a concentração de gênero não se restringe aos autores dos textos, mas também ao objetivo deles. Cerca de 85% das matérias focaram em um atleta homem.

 Segundo a pesquisa, os jornalistas esportivos também não costumam escutar muitas fontes. Em mais de 40% dos artigos analisados, apenas uma fonte foi ouvida e uma em cada quatro matérias não usou fonte alguma. Técnicos e atletas representam quase a metade das fontes ouvidas. Pessoas ligadas ao governo e pesquisadores acadêmicos tiveram índices quase inexpressivos.

No Brasil

A pesquisadora Tatiane Hilgemberg, especialista em gestão do esporte pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), reuniu alguns dados a respeito da mídia brasileira para a International Sports Press Survey. Tatiane analisou três tipos de jornais: um nacional, um regional e um tablóide. Os jornais avaliados foram O Globo (nacional), Tribuna de Minas (regional) e Meia-Hora (tablóide), também no período entre abril e julho de 2011.

Por aqui, o futebol foi tema de 74,6% das matérias analisadas sendo, de longe, o mais abordado. O segundo esporte mais veiculado foi a Fórmula 1, com 3,3%.

“As conclusões preliminares mostraram que o futebol está massivamente presente na mídia analisada, e os temas giram sempre em torno das performances e resultados de partidas”, constata a pesquisadora. “Os preparativos, tanto para a Copa quanto para os Jogos Olímpicos, estiveram presentes na análise, porém ambos perderam espaço para a cobertura do Campeonato Brasileiro ou da Libertadores”, explica. Segundo os dados, 72% das matérias publicadas a respeito de esporte focaram prévias de jogos, competições, torneios, resultados e relatos de jogos ou competições e a performance de jogadores e times.

Mesmo em um momento decisivo na preparação para os megaeventos, alguns aspectos importantes para uma fiscalização correta parecem ter sido ignorados. O financiamento público do esporte, por exemplo, foi um tema que apareceu apenas em 0,9% das matérias esportivas. Política esportiva apareceu em 0,8% dos textos. Juntos, esses temas não chegam nem a dez por cento do que foi destinado a resultados de jogos e de competições. A cobertura específica a respeito dos megaeventos teve um índice de apenas 2,6%.

O modelo se reflete nas fontes utilizadas pelos jornais. Políticos ou instituições governamentais foram ouvidos em apenas 1% das matérias. “Percebi também que a maioria das matérias de esporte não estão assinadas”, completa Hilgemberg. “E as que estão assinadas são, em sua maioria, de autoria masculina.” Nos artigos assinados, 93% eram feitos por um homem e somente 7% por uma mulher. No mundo, o índice foi de 88% das matérias assinadas por homens e apenas 11% por mulheres.

Diante das conclusões da parte brasileira do estudo, a pesquisadora aponta que a imprensa vem deixando de exercer o seu papel de “cão-de-guarda” de um patrimônio cultural, político e econômico tão importante quanto o esporte. “Há pouquíssima informação sobre política, economia ou transparência. Ou seja, a imprensa não tem cumprido seu papel de fiscal”, conclui.