Sobre derrotas e amarelões

Publicado  sábado, 4 de agosto de 2012



Se a cada quatro anos cometemos nossa pá de injustiças, também notamos em todo ciclo olímpico uma certa dose de falta de autocrítica de alguns atletas. Todos nós sabemos das dificuldades que passam - e que já conhecem quando optam por seguir a vida no esporte - mas nem sempre elas explicam uma derrota.

Diego Hypóllito jogou duas participações nas Olimpíadas no lixo perdendo para ele mesmo. Atletas de alto rendimento não tem o direito de errar de forma tão infantil, seja um brasileiro ou uma russa. Ao explicar não recuou e disse a verdade: "eu amarelei". Vai ter que enfrentar o peso dessa derrota e da sinceridade quando buscar patrocínio nos próximos anos e deixa a certeza de que é ruim para o esporte no Brasil ter insistido com ele nesse ciclo olímpico ao invés de ter preparado um ginasta mais novo para a Rio 2016.

Fabiana Murer também deve enfrentar consequências e críticas ainda piores por ter escolhido o caminho das desculpas. Culpou o vento forte por não passar nas eliminatórias, mas não conseguiu explicar o porquê de só ela ter sido vítima de Zéfiro. Talvez não tenha faltado treinamento ou azar, mas com certeza algumas miligramas do simancol. Há coisas que não se explica ou se justifica, apenas se constata. A saltadora falhou nos seus dois primeiros saltos e desistiu do terceiro. Só.

Nossos atletas refugam não apenas pela falta de apoio ou de cancha internacional. Fabiana treina com um dos melhores técnicos do mundo, por exemplo. Começamos a investir pesadamente em apoio esportivo há quase seis anos, especialmente desde o Pan de 2007. Formamos uma geração de olímpicos melhor preparada, mas vai levar mais do que o dobro desse tempo para vermos os heróis que esperamos. Gente preparada e ciente de que os Jogos Olímpicos são a grande competição que disputam, mas acostumada com esse tipo de competição.

Aguarde mais quinze anos pelos efeitos de investimentos desse porte e melhor direcionado (impressionante o quanto gastamos para sustentar burocracia) até chegarmos perto de sermos uma potência olímpica. No mínimo. Até lá, quem entra na pista, na quadra ou em qualquer competição precisa assumir as próprias falhas para não banalizarmos o termo "falta de apoio". Fabiana e as meninas do vôlei (que confundem críticas com falta de torcida) precisam aprender essa lição, assim como outros.

Precisamos aprender a explicar o que é consequência dos problemas que o esporte brasileiro vive e o que é falha individual, seja azar ou hesitação. Mauro Vinicius da Silva, o Duda, não culpou o vento e nem a falta de apoio ao falhar em sua terceira tentativa de salto (com seu melhor desempenho nos jogos, disputaria medalha até então). Disse que arriscou e não levou, mas que tem tempo pra ir melhor em 2016. Já conseguiu mais em uma Olimpíada do que o superestimado Jadel Gregório, que até já se atrasou em competição e se confundiu com índices olímpicos. Esse é o espírito.

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