O que você faz pelas Olimpíadas?

Publicado  quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Não adianta.  A cada quatro anos lá estamos na frente da telinha torcendo e cornetando cada atleta. A cobertura da imprensa nem sempre ajuda. O cara que não tem chance, vira alguém que tem e muitas, o que está entre os dez primeiros vira favorito pra medalha e o que tem chances de medalha se torna um ouro provável. Não é de graça que em todos os Jogos Olímpicos a gente termina chamando uma pá de atletas de amarelões, pipoqueiros, etc.

Esse ano, a gente já viu um pouquinho de melhora proporcional ao pouquinho de investimento que os atletas receberam (não confundir com a verba pública às confederações, que nem sempre chegam neles), mas ainda estamos lá frustrados. E não entendemos que para o Brasil virar uma potência olímpica é necessário gerações recebendo alto investimento. Só assim você escolhe um atleta de ponta entre mil (no caso da China é um em um milhão) ao invés de um entre dez ou cem.

Pense um pouco no que cada um de nós faz para mudar esse cenário. Você já procurou saber como é o esporte na escola pública da sua região? Se a instituição tem piscina, ela é usada? Será difícil mobilizar as pessoas para comprar uma bola de handebol (esporte coletivo com altíssima adesão em nossos colégios, mas que devido a décadas de um trabalho ruim forma  poucos atletas) ou até uma mesa de ping pong? Ou você acha que termos Hugo Hoyama com quarenta anos participando de sua enésima Olimpíada é sinal de sucesso da categoria no nosso País?

Mais do que isso: esporte também é cidadania. Você pode e deve cobrar do seu vereador, deputado ou senador o que ele tem feito a respeito. Reclame do campo da sua praça não ter uma cesta de basquete, crie um blog com o nome do seu bairro ou da sua cidade e mobilize cada protesto, twitaço ou afins (tenho mais de três mil seguidores no twitter e ajudo qualquer movimento desse tipo, se precisarem) para que seus políticos façam algo mais do que estádios que ninguém sabe se serão usados a partir de 2017.

Cobrar dos atletas é fácil. Eles são a última ponta de uma cadeia que envolve planejamento, preparação, investimento e muito, muito trabalho. E nem sempre recebem o apoio que deveriam. Mesmo no caso do judô, onde o panorama melhorou demais, vamos precisar de gerações bem preparadas para formarmos atletas não só de ponta, mas acostumadas a competir (três mulheres do esporte tem idade pra competirem em 2016 por medalha). E todos nós podemos fazer algo por isso. 

Mãos à obra?


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