Ceni: o mito é mortal

Publicado  quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Rogério Ceni é daqueles ídolos indiscutivelmente identificados mais com o clube do que com o esporte em si. Talvez lembrem mais dele pelo São Paulo do que por ser um goleiro. Mesmo quando era presença certa nas convocações da seleção, pagava por ser tão ligado ao tricolor com a antipatia da torcida brasileira pelo clube.

E isso não veio de graça. Sempre foi um atleta de mais trabalho do que brilho. Um operário do gol. E com isso  se tornou um goleiro de altíssimo nível nas defesas e com uma saída de bola que mudou o jeito de jogar na posição no Brasil. Além de tanta dedicação, veio a postura firme e de liderança de sempre exigir mais do grupo para vitórias. Com Muricy Ramalho e Paulo Autuori, técnicos avessos a preleções firmes e de ferver o sangue, isso foi imprescindível para uma libertadores, um mundial e três brasileiros.

Nem mesmo o Santos de Pelé e o Flamengo de Zico conquistaram tanto em apenas quatro anos. Foi o auge de um líder e de uma gestão do SPFC.

Desde então, Ceni entrou no ciclo normal de todo atleta. Vieram as primeiras contusões, o excesso de tempo para se recuperar e quando volta... As falhas! Qualquer goleiro tem seu histórico de frangos, mas Rogério passou a ver sua lista aumentar rápido demais. Sinal evidente de declínio.

Tão próximo dos 40 anos, ele pode optar por aumentar seus rendimentos em algum centro menos competitivo de futebol nas arábias ou simplesmente encerrar sua carreira aqui, enquanto seu melhor momento ainda é tão memorável. Determinado, essa decisão não virá tão facilmente. Mas tomara que um ídolo tão relevante para o tricolor paulista e para o futebol brasileiro tenha essa percepção. E deixe de ser um mito mortal, para entrar de vez na galeria de ídolos que não ocupam mais o centro das atenções, mas são eternos nas nossas memórias.

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