O efeito Fernandão

Publicado  sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Com um rendimento pior do que o seu antecessor, o técnico do Internacional é uma pergunta a cada crítico esportivo que viu em Dorival Jr. a culpa pela oscilação colorada neste ano. Pior. A efetivação de Fernandão de gerente para professor foi vista como um exemplo de ousadia, algo inimaginável se César Sampaio substituísse Felipão ou Zinho assumisse as funções no lugar de Joel Santana, por exemplo.

A verdade é que mesmo a contratação do ídolo pele-vermelha já não obedecia a critérios técnicos, mas políticos. A cultura de idolatria ao time campeão do mundo em 2006 trava o Beira-Rio e desde a chegada do novo gerente já se previa que ele e o técnico fracassariam em trabalhar juntos. Pior para o time e para a torcida.

Refém do julgamento de resultados e das limitações do elenco que ele mesmo montou, Fernandão tem muito a superar para não manchar sua história de ídolo. Desde a demissão de Alexandre Gallo em 2007, muito se fala sobre a influência do ex-jogador no vestiário. Agora, seu egoísmo em ganhar mais poder e visibilidade no Internacional pode ter sacrificado uma temporada inteira.

Porque estou com Wallim

Publicado  segunda-feira, 27 de agosto de 2012

No Brasil ainda não é comum (só lembro do Estadão fazer o mesmo), mas em outros países é bem  comum que um veículo de imprensa anuncie seu apoio a um candidato durante as eleições. Não tira de ninguém o dever com a verdade e o compromisso com o leitor, mas é transparente e melhora o julgamento do conteúdo. É o que quero com este post.

Me associei ao Clube de Regatas do Flamengo em 2009, insatisfeito com os erros de uma das melhores gestões que o clube teve em sua história recente. Temia, mas não acreditava que a então candidata Patrícia Amorim pudesse se eleger. Quando isso ocorreu previ que tempos difíceis viriam. Não fazia parte de nenhuma chapa ou grupo político e muitos disseram que eu exagerava, que era preciso dar tempo a presidente. Com a vinda de Zico cheguei a pensar nisso, mas não deu

E agora, surge uma candidatura apoiada pelo ídolo-mor do clube.

Conheci Wallim Vasconcellos há alguns meses. Além de contar com o apoio de Arthur Antunes de Coimbra, conta com executivos de renome e sucesso em sua chapa. Qualquer um deles em qualquer chapa seria um grande sinal para o clube.

Todos eles juntos é o grupo que qualquer rubro-negro sempre sonhou. Eu inclusive. Estive em conversas com todos e me envolvi com a campanha por essa afinidade. Queremos um Flamengo profissional, que respeite os seus funcionários e seja respeitado. Um clube que não seja apenas campeão, mas nos dê orgulho todos os dias do ano ao invés de toda semana ser sinônimo de salários atrasados, contratos rompidos, baderna, atrasos em treinamentos e afins.

Não será com Patrícia Amorim que veremos isso.

E se precisamos de uma oposição unida e olhando o futuro do clube, Wallim já avançou mais nisso do que outros candidatos  - comentei meses atrás que Ronaldo Gomlevisky, então o candidato com quem mais simpatizava, falhava nisso. Os ex-presidentes Márcio Braga e Kléber Leite já anunciaram seu apoio, sem nenhuma troca de cargos negociada abertamente.

Em apenas alguns dias de campanha, a união da oposição em torno de Wallim já é mais fácil do que com todos os outros candidatos. As aspirações e sonhos da Nação rubro-negra também. Temos os melhores profissionais do mercado e o apoio de Zico, que costuma se distanciar da política do clube. O que mais um flamenguista pode pedir?

É por isso que estou com Wallim Vasconcellos e estarei no Cine Leblon nesta terça-feira, às 19h, para apoiá-lo e trabalhar por sua eleição. Peço a cada um que lê este blog, confia em mim e torce pelo Flamengo que faça o mesmo.

O Vanilla Sky de Lance Armstrong

Publicado  domingo, 26 de agosto de 2012



O remake estrelado por Tom Cruise - o original Abre Los Ojos é melhor, embora menos conhecido - tratava de David Aames (Cruise), um editor que saía de uma vida plena para uma marcada pelas consequências de um acidente. Se tem alguém que não viu o filme, vale parar de ler este post agora.

Durante a história, Aames descobre que a vida em que se curou das cicatrizes de um acidente é uma mentira. E que ele está em uma realidade virtual, em estado criogênico, enquanto aguarda que a medicina encontre a cura para seu estado. Lentamente, ele passa a preferir viver a sua cruel realidade ao invés da doce mentira virtual, em que tem um corpo perfeito e vive com a mulher perfeita.

E no nosso mundo real, descobrimos que Lance Armstrong, o cara que venceu um câncer, criou uma fundação que ajudou dezenas de pessoas e deu exemplo a outras centenas recorreu ao expediente mais sujo do esporte: o doping. Pior: o atleta se beneficiou e passou anos quietinho, até que os laboratórios evoluíssem e conseguissem detectar sua fraude. Ainda consentiu com sua culpa ao abrir mão de sua defesa, perdendo seus sete títulos da clássica Volta da França. Não é que nosso herói tenha pés de barro. Ele é bem mais sujo do que isso.

Apesar de toda a confusão que é ver um sujeito que nos acostumamos a ver como exemplo se tornar um case bizarro de vilania, a Usada (Agência Antidoping dos EUA) nos faz o favor de conhecer a realidade. Nem sempre isso rima com felicidade, mas é bem melhor do que qualquer opção.

Armonstrong vai poder continuar vivendo no seu Vanilla Sky particular - e já deu sinais de que vai preferir viver em negação. Nós vamos poder saber o que aconteceu e quem competiu com ele terá alguma justiça, embora nenhum título desses se compare a um recebido na hora e com mérito. E é por isso que devemos esquecê-lo ao mesmo tempo que lhe damos a posteridade que ele merece.

Por que correr é bom?

Publicado  quinta-feira, 23 de agosto de 2012



Talvez seja pelo exercício ou porque é o único momento nosso. Quando corremos não precisamos cumprimentar ninguém, entregar um relatório ou responder um email urgente. Só correr.

Tem quem diga que consegue pensar melhor correndo. Sou daqueles que a mente esvazia, voa, esboroa, circula, mas quase sempre vazia. Apenas o próximo passo e o que sinto no percurso importa. Sem nada mais pela frente além do meu caminho.

E você?

Os três desafios de Adriano

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A primeira batalha que o ex-Imperador precisa enfrentar é não se machucar. Em seus últimos dois clubes, ele contabiliza três lesões graves além de uma série de problemas musculares. Sem contar com a misteriosa bolha que o afetou no fim de 2009 e o atrapalhou por boa parte do início de 2010. Não será azar se houver outra contusão no Flamengo. Será estatística. Cabe a Adriano mudar essa conta que se repete há dois anos.


Depois disso é conseguir entrar em uma forma minimamente aceitável. Assim, ele é capaz de vencer qualquer jogo sozinho. Parece fácil, mas não é. Desde um pequeno período em 2009, ele não chega a esse patamar. No ano do hexacampeonato rubro-negro ter chegado perto de seu auge físico graças aos treinos na seleção (no clube o atacante evitava treinos físicos) bastou para vencer uma série de jogos e se manter competitivo até o fim do brasileiro, quando sua forma física foi nitidamente piorando. O contraponto foram as atuações medíocres na reta final, mesmo antes da bolha, como no jogo contra o Goiás. Esse texto fala bem deste momento e aqui você vê alguns números que corroboram isso.

E a partir daí o terceiro desafio é manter a linha. Talvez seja o mais difícil porque quando as coisas começam a dar certo, Adriano se perde e acredita que pode voltar a relaxar.  E não pode. O futebol profissional exige um alto grau de motivação e cuidado o tempo todo. Ou é abrir mão de jogar em alto nível. Há pelo menos sete anos ele não consegue essa regularidade.

Então é ir por etapas.Cada uma delas recupera um jogador que não existe há dois, três e sete anos. Cabe ao centroavante provar que ele ainda pode voltar a ser algo próximo do que já foi. Você acredita?

Sobre o retorno de Adriano

Publicado  terça-feira, 21 de agosto de 2012


Na roda gigante que é o futebol há notícias que fazem parte de um museu de velhas novidades. Adriano é uma delas. Qualquer texto que tenha escrito nos últimos dois anos ainda é atualíssimo porque ele não mudou. E há quem diga que agora vai, mas com fé eu não discuto.

Enquanto você se decide se é bom ou ruim, convido você a reler alguns dos posts que escrevi sobre o jogador:

A lição que Adriano deveria aprender com Juninho

O fim de Adriano pode ser um novo começo

Adriano não é aposta

Toda culpa que Adriano tem

Ele veio, viu e venceu

Oswaldo e o Botafogo querem ir para... ?

Publicado  segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Muito legal ver um técnico brasileiro tentando implantar um esquema parecido com o da Espanha no Brasil. Meias em abundância, volantes, laterais e zagueiros em quantidade normal e nada de atacantes de ofício. Movimentação, passes e bola girando até o gol sair. Muito legal.

O problema é que isso leva tempo para dar resultado. A Fúria teve uma Eurocopa e Copa do Mundo oscilantes, em que a sorte que faltava em outros anos ajudou. No Botafogo nada vem fácil e os resultados andam minguando, mas está lá Oswaldo de Oliveira e seu 4-2-4-0 com muitos passes, nem tantos gols e menos vitórias. Vai levar tempo, alguns zagueiros e mais opções no ataque (como já falava por aqui) para esse esquema render os títulos que a Estrela Solitária persegue.

E é aí que fica a pergunta: clube e técnico sabem o que querem? Se a idéia é preparar um time forte para 2014 - este blogueiro é favorável - o caminho é o correto, mas a torcida dificilmente vai ter essa paciência. E se for para conquistar o brasileiro, cabe ao técnico mudar suas convicções e a instituição trazer um atacante que resolva, como Loco já foi capaz.  O problema é se cada lado tem uma percepção diferente do termo "a longo prazo".

Vasco e a parte que lhe cabe neste brasileiro

Publicado  domingo, 19 de agosto de 2012


É impossível qualquer time que brigue pelas primeiras colocações perder tantos jogadores relevantes sem cair de produção. O gigante da colina viu Diego Souza, Rômulo e Fágner saírem. E ainda teve que se contentar com o superestimado Alecsandro (costuma enganar nas boas fases a realidade de um centroavante limitado) e com a má fase de Éder Luís. É meio time.

O Vasco seguiu competitivo enquanto a outra metade se superou, mas não é razoável esperar isso em todo jogo. Especialmente no clássico dos milhões. A derrota para o Flamengo machuca, mas é um resultado comum em qualquer cenário. Ainda mais no contexto vascaíno de remontar um elenco no meio do brasileiro.

Cabe ao time de São Januário seguir brigando pelo G4 e a classificação para a Libertadores. Um improvável título na superação pode ser sonho do torcedor, mas não dos dirigentes. Estes precisam entender porque não conseguiram manter um elenco em um brasileiro que parecia tão próximo. E lutar para salvar o ano.

Vitória no clássico pode redefinir o Flamengo

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Com tantos erros em 2012,o Flamengo não tinha mesmo o direito de querer muito mais do resto do ano além de começar a preparação para o próximo. A chegada de Dorival Junior foi o grande acerto da pífia gestão Patrícia nesse ano. Com trabalho no sobrenome, o técnico conseguiu mudar a bagunça de Joel para um time mais competitivo.

Ainda é pouco, mas para quem tinha nada já é o dobro. Não parecia muito para pensar em G4, mas veio o clássico contra um Vasco com uma colocação e time melhor. E a vitória. Se foi capaz de vencer um clássico como esse, quem pode limitar o papel do time neste brasileiro?

Sem nenhum planejamento, a vitória pode redefinir o rubro-negro. Colocando jovens para ganhar bagagem em 2013, o Flamengo pode acabar se surpreendendo ainda em 2012. Título é quase impossível, mas uma classificação à Libertadores já soa mais viável depois de hoje. E o Flamengo é daqueles times que insistem em provar que o improvável é certo. Será?

O esporte pede desculpa!

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Vi o vídeo lá no Blog do Birner.

O Fluminense minimalista

Publicado  sábado, 18 de agosto de 2012


Com ou sem desfalques, jogando ou não bem, fazendo muitos ou poucos gols... Está lá o Fluminense sempre brigando na ponta. O 4-1-4-1 de Abel Braga segue sem empolgar (exceto quando as vitórias são aos 40 do segundo tempo), mas pra lá de competitivo e sem deixar os torcedores do (empolgante) Galo se animarem demais. O time de guerreiros vem aí.

Não tem surpresa. Pelo menos não para quem apostava no tricolor desde o início do ano apesar das oscilações. O Fla-Flu vencido no primeiro turno do brasileiro foi a deixa para uma equipe que pode não jogar tudo o que seus nomes indicam, mas sempre dá seu jeito para resolver os jogos.

Aliando um esquema pragmático e jogadores individualmente capaz de desequilibrar, o tricolor carioca ainda não ganhou a crítica esportiva. Normal diante de um líder tão avassalador quanto o Atlético-MG. Mas escrevam: se precisar fazer mais para ganhar, o Fluminense fará. É difícil ver um time com mais cara de campeão de pontos corridos como esse.

Torcedores de Botafogo, Vasco e Fluminense apóiam Patrícia Amorim

Publicado  quinta-feira, 16 de agosto de 2012


No print acima (aqui em resolução melhor) você pode conferir um tópico da fanpage de Patrícia Amorim. Tive a ousadia de fazer uma pergunta pertinente: por que pessoas que não torcem para o Flamengo, querem que a senhora continue presidente? A resposta veio deletando meu comentário e me banindo da página.

Curiosamente o motivo da pergunta segue por lá. Neste tópico, um vascaíno e um torcedor que diz que o Flamengo é um time pequeno conseguiram um espaço que este blogueiro (flamenguista e sócio do clube, diga-se de passagem) não tem. Fui bloqueado também no twitter, mas não sem antes ver um perfil voltado para a torcida do Fluminense pedir a permanência de Patrícia no cargo. O perfil chegou até a retwitar este elogio de um torcedor do tricolor carioca (a Fox Sports fez um post a respeito). O comentário acima do quadro vermelho é de um botafoguense (" é nós patrícia! tamo junto!" e recebeu um like da candidata a vereadora. Basta clicar no perfil e conferir a preferência esportiva do torcedor.

Enquanto isso diversos flamenguistas que criticaram o seu papel em três anos do clube foram banidos e impedidos de comentar. E é aí que pergunto para pessoas como os irmãos Hypóllito e demais base aliada da dirigente: se tantos torcedores rivais do Flamengo querem que ela permaneça lá, como alguém que diz amar o clube pode querer também? E acham mesmo que se ela se reeleger os próximos três anos vão ser bons para o clube e para eles?

Ceni: o mito é mortal

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Rogério Ceni é daqueles ídolos indiscutivelmente identificados mais com o clube do que com o esporte em si. Talvez lembrem mais dele pelo São Paulo do que por ser um goleiro. Mesmo quando era presença certa nas convocações da seleção, pagava por ser tão ligado ao tricolor com a antipatia da torcida brasileira pelo clube.

E isso não veio de graça. Sempre foi um atleta de mais trabalho do que brilho. Um operário do gol. E com isso  se tornou um goleiro de altíssimo nível nas defesas e com uma saída de bola que mudou o jeito de jogar na posição no Brasil. Além de tanta dedicação, veio a postura firme e de liderança de sempre exigir mais do grupo para vitórias. Com Muricy Ramalho e Paulo Autuori, técnicos avessos a preleções firmes e de ferver o sangue, isso foi imprescindível para uma libertadores, um mundial e três brasileiros.

Nem mesmo o Santos de Pelé e o Flamengo de Zico conquistaram tanto em apenas quatro anos. Foi o auge de um líder e de uma gestão do SPFC.

Desde então, Ceni entrou no ciclo normal de todo atleta. Vieram as primeiras contusões, o excesso de tempo para se recuperar e quando volta... As falhas! Qualquer goleiro tem seu histórico de frangos, mas Rogério passou a ver sua lista aumentar rápido demais. Sinal evidente de declínio.

Tão próximo dos 40 anos, ele pode optar por aumentar seus rendimentos em algum centro menos competitivo de futebol nas arábias ou simplesmente encerrar sua carreira aqui, enquanto seu melhor momento ainda é tão memorável. Determinado, essa decisão não virá tão facilmente. Mas tomara que um ídolo tão relevante para o tricolor paulista e para o futebol brasileiro tenha essa percepção. E deixe de ser um mito mortal, para entrar de vez na galeria de ídolos que não ocupam mais o centro das atenções, mas são eternos nas nossas memórias.

Velhos medalhões fracassam no Flamengo

Publicado  quarta-feira, 15 de agosto de 2012


Quando retornou ao Flamengo, Ibson foi anunciado com pompas de reforço de altíssimo nível, o que reflete o nível profissional do departamento de futebol do clube. Não houve critério técnico para trazer mais um volante (posição com mais jogadores no elenco), apenas a necessidade de acalmar a torcida, insatisfeita com a campanha irregular.

Campanha que é resultado do péssimo planejamento e de escolhas dos dirigentes desprovidas de... Critério. Dá para entender muita coisa daí, não?

O meia-volante surgiu com muita promessa, concretizou pouco até seu segundo retorno quando ainda parecia ser um jogador para a seleção brasileira e voltou pela terceira vez sem jamais se firmar como o craque que muita gente sempre achou que seria (eu inclusive). No Santos, foi titular por quase o mesmo tempo que reserva e pediu para voltar ao Rio de Janeiro, talvez prevendo onde seu futebol ganha ares maiores do que realmente já teve.

É uma coincidência que acompanha o veterano Léo Moura. Ao lado do camisa 7 são dois jogadores que mais falharam na era Dorival Junior com duas expulsões e atuações sempre abaixo de um time jovem que até vem evoluindo. Nos dois casos são atletas que só na Gávea ganharam status de estrelas de primeiro nível enquanto fracassaram em todos os outros clubes. Não conseguem segurar as pontas e ainda jogam piores do que outros mais jovens ou com salários menores.

Ainda que os ares do clube façam bem aos dois, também fica cada vez mais claro que seu auge já passou. E que só a fama que ganharam no rubro-negro justifica sua permanência. Se o Flamengo quer alçar vôos mais altos em 2013 precisa se livrar dessas referências e apostar em jogadores como Cáceres para equilibrar a geração vencedora da Copa São Paulo de Juniores em 2011.

E cada torcedor deve se perguntar: se foi contra a saída de Léo Moura (recebeu propostas do Cruzeiro, imediatamente recusadas) e a favor do retorno de Ibson (que trazia mais ressalvas do que os torcedores aceitavam), qual será a postura diante de uma negociação com o eterno problema Adriano? Há alguma chance desse outro retorno dar certo?

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Na contramão, o também veterano Renato consegue manter a regularidade e ajudar mais do que atrapalhar seu time. Com contrato acabando no final do ano, uma permanência dele parece mais indicada do que insistir com Ibson ou com Léo Moura. Mas o ideal era que o time pudesse prescindir dos três e começasse desde já a montagem do time para 2013.

Campelo, ministro do TCU, relator das obras da Copa: “Investimento pesado é do Estado”

Publicado  terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ministro contesta discurso da 'Copa da iniciativa privada', tem o Pan de 2007 como exemplo negativo e se preocupa com a demora para o financiamento de obras de mobilidade urbana

Por Andrea Dip e Ciro Barros (Agência Pública)

Antes de deixar o governo, Lula definiu a Copa de 2014 como “a Copa da iniciativa privada”. Ainda em fevereiro de 2011, meses após a declaração, o TCU soltou um relatório que apontava que 98,56% dos então R$ 23 bilhões orçados para a Copa do Mundo (hoje a estimativa de custo é de R$ 27,4 bilhões) seriam bancados pelos cofres públicos. O discurso do ex-presidente é contestado pelo ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Valmir Campelo, relator das obras da Copa do Mundo. “O recurso pesado realmente é financiado pelo próprio Estado”, admite, porém acreditando que isso é bom para o país.
Apesar do tom didático que adota na maioria das respostas e mais preocupado em dizer a quem compete cada coisa do que em dizer como a coisa anda, Campelo deixou claro que tem os Jogos Pan-Americanos de 2007, que custou dez vezes mais do que a estimativa inicial, como um modelo a não ser seguido na Copa de 2014 e para isso se apega à Matriz de Responsabilidades – documento assinado pela União, estados e municípios que define as áreas prioritárias para investimento em infraestrutura para a Copa e o papel de cada signatário nos investimentos. O próprio TCU, no entanto, disse em março desde ano que a Matriz se encontra desatualizada com relação a prazos e valores. Quatro meses depois, a Matriz ainda não foi atualizada. “Já existe um acórdão nosso alertando os órgãos do Poder Executivo quanto a isso. O TCU também exerce uma função educativa e pedagógica com relação a isso”, afirma.
Sobre o preço final da Copa de 2014, Campelo diz que ainda não é possível estimar os custos totais, porque ainda faltam outras Matrizes de Responsabilidades como segurança pública, telecomunicações e turismo. Mas os custos vêm subindo. Se em fevereiro de 2011 as estimativas estavam em 23 bilhões, hoje já se fala em 27,4 bilhões como custo total do megaevento.
Outro ponto que preocupa é o fato de que o financiamento disponibilizado pela Caixa Econômica Federal para obras de mobilidade urbana está quase intocado. “Em alVejo um tempo muito curto para que algumas obras sejam concluídas”, diz. Ainda sim, Campelo garante que o TCU tomará as providências cabíveis, caso as obras não saiam do papel.

Na época do anúncio da Copa no Brasil, o então presidente Lula afirmou que o evento seria feito basicamente com investimento privado. O que aconteceu?
Em primeiro lugar, eu não posso dizer porque que o presidente disse isso ou deixou de dizer, tá certo? Isso foi o presidente que disse, os senhores terão que indagar do presidente. Eu sei que uma Copa do Mundo, que é um evento internacional, mundialmente conhecido como um dos maiores eventos do planeta, não se faz exclusivamente com recurso privado. Mesmo porque não tem como investir em melhoria direta, totalmente, 100%, em benefício da sociedade, não existe isso, em lugar nenhum. A iniciativa privada quer o retorno dela, porque senão ela quebra. Agora, o recurso pesado realmente é financiado pelo próprio Estado. Porque é o Estado que vai ficar com o benefício, com o patrimônio.

É verdade que nos próximos meses três cidades-sedes da Copa de 2014 vão ter obras de mobilidade urbana paralisadas?
A Matriz de Responsabilidades é uma sugestão do TCU para haja um planejamento do que se pode gastar, do que se vai gastar na Copa do Mundo. O TCU examina a regularidade dos recursos dos empréstimos quando é para os estados, principalmente a parte de mobilidade urbana, na parte de vias, de ampliação de vias, de construção de viadutos… Nessa parte, o TCU examina a sua regularidade. Quem examina as obras físicas, no caso de mobilidade urbana, são os tribunais de contas dos estados ou municípios. Agora, quando se trata de obras do Governo Federal, aí sim, essa parte é fiscalizada pelo TCU. Para se examinar, por exemplo, como é o caso dos portos, dos aeroportos, dos BRTs (Bus Rapid Transit), dos VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), dos metrôs quando é o caso. Aí essa fiscalização é diretamente nossa. Nós também verificamos a regularidade do empréstimo não só do Governo Federal, como também do BNDES. Agora, quem pode dizer se vai sair alguma obra da Matriz de Responsabilidades é o Governo Federal. É óbvio que nós alertamos o governo de que, provavelmente, como o desembolso da Matriz de Responsabilidades para as obras de mobilidade urbana principalmente da Caixa Econômica Federal está muito baixo, até agora não se liberou mais do que 6 a 8% do total, nós ficamos preocupados e alertamos o Governo Federal de que poderá haver algum atraso e que algumas obras poderiam não ser concluídas dentro do prazo para a Copa do Mundo. Porque, como você sabe, as obras que são feitas, executadas através do RDC (Regime Diferenciado de Contratações) vão ser iniciadas, como também aquelas que não entram no endividamento do estado ou do município, elas terão que ser iniciadas e concluídas antes da Copa do Mundo. Se não, o próprio estado ou município terá de arcar com a continuidade da obra. E a nossa preocupação é que fique algum encalhe. Ao invés de melhorar o trânsito, por exemplo, poderá ficar alguma obra que não venha a ser concluída e o estado ou município não tenha recursos suficientes para conclusão daquela obra. E passa-se a integrar como o endividamento da dívida. E vai subir o teto do endividamento, ou do estado ou do município. Nós alertamos, mas não compete ao TCU retirar ou colocar obras na Matriz de Responsabilidades, isso é de exclusiva competência do grupo da Copa e do Ministério do Esporte.

Mas a pergunta era se havia a possibilidade de essas obras não saírem do papel, pelas análises que o TCU vem fazendo.
Olha, a possibilidade é essa que eu já alertei. Algumas obras, como o desembolso está muito pequeno, eu vejo um tempo muito curto para que essas obras sejam concluídas. Uma das obras, por exemplo, é a do VLT de Brasília. O VLT, depois de construído, tem um período de experiência, de viagem com pesos, de testes, de quatro a seis meses. Então como ele estava muito atrasado e verificamos que, provavelmente, outros estados poderão estar na mesma situação, nós alertamos. Agora compete o ajuste da Matriz de Responsabilidades. Nós apenas vamos fiscalizar porque se não forem concluídas as obras, o TCU adotará as providências de responsabilidade de quem não deu prosseguimento.

O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, admitiu em junho que pelo menos 15 das 22 obras de mobilidade urbana em cinco das seis cidades-sede da Copa das Confederações de 2013 não ficarão prontas a tempo. Essa possibilidade existe? Há relação com esta decisão de cancelar as obras de algumas cidades?
Quem tem que dizer isso é o Ministério dele. Eles são os fiscais da obra física. Se ele disse isso, é porque, certamente, ele está com o número certo.

Se estas obras forem canceladas, o que ficará para a população como legado? Em entrevista, o senhor afirmou que temia essa falta de herança para o povo brasileiro para além do evento. Pode falar um pouco sobre isso?
As obras de mobilidade urbana, como a melhoria do sistema de ônibus, são o maior legado a ser deixado para a sociedade. Como também os aeroportos não deixam de ser. Todos nós sabemos como está hoje a situação dos aeroportos no nosso país…

Já é possível fazer uma estimativa total para os investimentos públicos na Copa? Qual era a estimativa inicial?
Não é possível ainda porque falta a apresentação de outras Matrizes de Responsabilidades. Falta entrar ainda a parte de segurança pública, a parte de telecomunicações, a parte de turismo, são estágios posteriores.

Ministro, o Pan-Americano de 2007 custou quase dez vezes mais do que a estimativa inicial (o orçamento era de R$ 390 milhões e o custo final foi de aproximadamente R$ 3,7 bilhões). Há o risco disso acontecer com a Copa do Mundo também?
Olha, eu não fui o relator, mas não houve o planejamento prévio, com a Matriz de Responsabilidades, para o Pan-Americano. A situação de hoje é uma situação diferente. O que nós tomamos através da Matriz de Responsabilidades foram exatamente medidas que visam prevenir, evitar que possa acontecer o que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos. Então o TCU está se antecipando. O TCU executa um trabalho educativo, pedagógico. Exatamente no sentido de evitar o desperdício e que haja desvio do dinheiro público. Por isso é que nós já economizamos quase 600 milhões de reais.

Em março deste ano, o TCU criticou a Matriz de Responsabilidades para a Copa do Mundo classificando-a como “desatualizada” com relação a prazos e valores. A Matriz já foi corrigida? Há o risco de entrarem projetos que não têm relação com a Copa na Matriz de Responsabilidades?
Estamos ainda aguardando a atualização da Matriz de Responsabilidades, já existe um Acórdão nosso alertando os órgãos do poder Executivo quanto a isso. O TCU fiscaliza o emprego do dinheiro público e a responsabilidade dos gestores que cometam algum tipo de desmando, de desvio. Mas o TCU também exerce uma função educativa e pedagógica com relação a isso. Antes de punir, nós temos que educar. E é isso que nós estamos fazendo.

Segundo relatório produzido pela Justiça Global, há, no projeto do Porto Maravilha, a construção de uma sede do Banco Central. Qual é a relação da construção do banco com as Olimpíadas?
O Porto Maravilha é uma obra que não integra a Copa do Mundo. Mas nós colocamos num livreto nosso que tem uma obra ampla, e que vai ter uma utilidade, apesar de não estar, não constar na Matriz de Responsabilidades, é uma obra ampla e que vai beneficiar também para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. É uma obra hoje em que está previsto um convênio com o Ministério das Cidades, contratos de repasse para a Caixa, convênios com o Ministério do Turismo, construção da sede do Bacen. É uma área portuária e está prevista toda a revitalização do Porto para o Rio de Janeiro. Mas essa obra não consta na Matriz de Responsabilidades. O PPM é uma operação urbana consorciada entre a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Governo Estadual, Federal e a iniciativa privada. É um projeto que prevê uma série de melhorias para o entorno, com o custo em torno de 72 milhões de reais.

Olimpíadas confirmam péssima gestão de Patrícia

Publicado  segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Um bronze (em que se esperava um ouro), um doping e mais uma vez um atleta perdendo a competição para si mesmo. Se durante três anos, Patrícia Amorim tentou dividir o Flamengo em futebol e esportes olímpicos para justificar o fracasso de um com a preferência por outro, os Jogos comprovaram que os erros não se resumem ao carro-chefe do clube.

A medalha de bronze de César Cielo é tão honrosa quanto qualquer outra, mas impressiona a distinção de tratamento entre Thiago Pereira e o nadador do Flamengo. O nome "Corinthians" (clube sem nenhuma tradição olímpica) apareceu dezenas de vezes de forma articulada pelo atleta ou até mesmo espontaneamente. Tudo o que o terceiro colocado nas provas de 50 metros fez foi posar para fotos com a presidente do clube. Afinal, paga-se para que ele agregue valor à Instituição ou para atuar como cabo eleitoral?

Essa pergunta pode ser feita a vários investimentos nos esportes olímpicos que são insustentáveis, carecem de patrocínio ou planejamento. Pergunte a qualquer conselheiro quantas pessoas ligadas a esses esportes votam fundamentalisticamente a favor das medidas patricianas, por mais absurdas que sejam.

Escorregadia, Patrícia sequer foi capaz de comentar sobre o doping da remadora Kissya Cataldo. É mais um caso clássico de algo que deveria elevar a imagem do Flamengo ao invés de desgastá-la como se viu nesses três anos. Impressiona que ainda haja apoiadores da presidente que não percebam que isso pode até resultar com a reeleição dela no fim deste ano, mas não vai acabar bem. Edmundo Santos Silva que o diga.

Era Mano fracassa além da Prata

Publicado  domingo, 12 de agosto de 2012


Não foi simplesmente a perda da medalha de ouro, que seria normal em outras perspectiva. Mano Menezes em dois anos de trabalho demonstrou pouco para se manter no cargo mais importante da CBF na Copa mais importante deste século para o Brasil. Após parecer ter encontrado seu caminho, o técnico disputou um Olimpíada inteira sem demonstrar a convicção de uma proposta de jogo eficiente.

Para o torcedor, seu tempo na seleção passou. Vale lembrar que a troca pode até atender a ânsia destrutiva do torcedor, mas não na formação de um time eficiente para 2014. Escolhas podem piorar a situação, como uma possível opção pelo superestimado Muricy Ramalho, por exemplo, em que veríamos uma equipe priorizando a defesa e não o ataque no País do futebol.

Por outro lado, sem conseguir fazer o Brasil apresentar um futebol confiável diante de adversários minimamente competitivos, fica difícil esperar que Mano permaneça. E caso isso ocorra, é dever dele reconhecer que até aqui seu trabalho é um fracasso não só em resultados, mas também no futebol. Algo precisa mudar, seja o técnico ou não.

Este sábado, torne-se também um sócio do Flamengo

Publicado  sexta-feira, 10 de agosto de 2012

11 de agosto, Dia Nacional de Mobilização Rubro-Negra. Associe-se, vote nas eleições de 2015 e faça parte do Flamengo que você quer ver.

Há algumas semanas foi publicado simultaneamente em vários sites e blogs rubro-negros o texto convocando para o Dia Nacional de Mobilização Rubro-Negra, em que tentaremos atrair o maior número possível de rubro-negros para se associarem ao Flamengo, a tempo de votarem nas eleições de 2015. De lá pra cá, foram milhares de visitas ao site da campanha e muita gente manifestando seu apoio. Pois bem: o dia é este sábado, dia 11 de agosto. Você vai participar?

Se você está satisfeito com o Flamengo atual, associe-se e você pode ajudar a manter como está. Se não está satisfeito e acha que muito precisa mudar, saiba que é tornando-se sócio que você poderá realmente participar da transformação que quer ver.


Lembrando: o prazo final para se associar nas categorias Sócio Contribuinte, Sócio Patrimonial ou Sócio Off-Rio e poder votar em 2015 é o dia 31 de agosto. Clique aqui e saiba quais são as categorias disponíveis, suas características e seus preços.

Se você não é sócio e é do Rio, vá à Gávea e associe-se. Se é de outra cidade, pode tornar-se Sócio Off-Rio. E, se já é sócio, pode ajudar convencendo outros amigos rubro-negros a também fazerem parte do clube. O boca-a-boca é muito importante para todos entenderem a importância, para o destino do Flamengo, de ter mais torcedores participando de suas decisões.

Todas as informações sobre como e por que se associar ao Flamengo estão no site www.sejasociodoflamengo.com.br. Esta é uma campanha na qual se engajaram grupos de sócios, blogs, Twitters, sites e Embaixadas Rubro-Negras; clique aqui e veja quem está fazendo parte.

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Será que você estudou com um Arthur Zanetti?

Publicado  segunda-feira, 6 de agosto de 2012


No site do brasileiro, medalha de ouro em argolas:
 
  Por indicação do professor e com autorização da mãe, Arthur fez o teste no clube SERC Santa Maria em São Caetano do Sul. Foi aprovado e representa o clube até hoje.
O professor de Educação Física detectou no aluno, Arthur Zanetti, qualidades e características físicas apuradas que correspondiam com aquelas procuradas pelos profissionais do alto rendimento na ginástica artística.

E eu pergunto: quantos de nós tivemos um professor de educação física com a mesma aptidão? Quantas escolas estão preparadas para essa triagem? Estudei em uma escola que tinha material para ginastas, mas quantos tiveram a mesma oportunidade?

Educação física no Brasil, infelizmente, costuma ser alguns exercícios, time contra time (e vem daí nossa "aptidão" a esportes coletivos) e só. Quantos Zanettis já não perdemos? E quantos ainda perderemos?

PSG, Lucas e Manchester

Publicado  domingo, 5 de agosto de 2012


No Manchester United, o Meia do SPFC trabalharia com sir Alex Ferguson e passaria pelo mesmo processo que Cristiano Ronaldo passou na carreira. O técnico teria capacidade de aprimorar suas qualidades, melhorá-lo taticamente e torná-lo um jogador melhor do que ele realmente é.

Até porque Lucas, hoje, ainda é um jogador superestimado. Mas nada impede que evolua e se torne alguém que faça a diferença, algo que ainda não consegue no tricolor paulista. Desde que faça as escolhas corretas. Robinho, por exemplo, não fez.

No Paris Saint Germain, o meia fará parte de uma revolução no mercado europeu e jogará em um grande time. Isso ajuda. Mas ninguém sabe bem por quanto tempo o clube francês seguirá essa linha de altos investimentos e Carlos Ancelotti ainda não comprovou ser um técnico capaz de melhorar seus jogadores dessa forma. Perdendo dinheiro ou não, Lucas deveria escolher ser um atleta de Ferguson.

Por que Bolt?

Publicado  


A primeira imagem da esquerda para a direita no template deste blog demonstra bem a minha admiração por Usain Bolt, o homem e alenda. É um dos poucos casos em que o ídolo supera qualquer patriotismo ou você duvida que muita gente é incapaz de torcer para o velocista carismático? E não demora muito mais do que os menos de dez segundos que ele fez hoje para entender o porquê.

Não é só a simpatia que explica tanto carinho pelo corredor.  Há atletas que nos atraem pelos lances mágicos e outros pela determinação irrefreável. Bolt é um meio termo de um herói capaz de largar mal e misticamente vencer ("Meu técnico me disse para eu parar de me preocupar com o início e me concentrar no final").

E tudo isso sempre de forma traquila e divertida. Como se tudo fosse uma enorme brincadeira.

Com um físico de jogador de basquete, mas uma velocidade que não engana qual é a sua especialidade, Bolt é o atleta que nos encanta por não deixar nenhuma pressão se tornar aparente. Se nós brasileiros nos espantamos com tantos atletas "refugando" na hora "h", o jamaicano encontrou a solução que todos gostaríamos de ver. Um herói que lida com a pressão de ser melhor simplesmente com um sorriso generoso, dançinha e brincadeiras. Não precisa nascer na Jamaica para torcer por alguém assim.

Sobre derrotas e amarelões

Publicado  sábado, 4 de agosto de 2012



Se a cada quatro anos cometemos nossa pá de injustiças, também notamos em todo ciclo olímpico uma certa dose de falta de autocrítica de alguns atletas. Todos nós sabemos das dificuldades que passam - e que já conhecem quando optam por seguir a vida no esporte - mas nem sempre elas explicam uma derrota.

Diego Hypóllito jogou duas participações nas Olimpíadas no lixo perdendo para ele mesmo. Atletas de alto rendimento não tem o direito de errar de forma tão infantil, seja um brasileiro ou uma russa. Ao explicar não recuou e disse a verdade: "eu amarelei". Vai ter que enfrentar o peso dessa derrota e da sinceridade quando buscar patrocínio nos próximos anos e deixa a certeza de que é ruim para o esporte no Brasil ter insistido com ele nesse ciclo olímpico ao invés de ter preparado um ginasta mais novo para a Rio 2016.

Fabiana Murer também deve enfrentar consequências e críticas ainda piores por ter escolhido o caminho das desculpas. Culpou o vento forte por não passar nas eliminatórias, mas não conseguiu explicar o porquê de só ela ter sido vítima de Zéfiro. Talvez não tenha faltado treinamento ou azar, mas com certeza algumas miligramas do simancol. Há coisas que não se explica ou se justifica, apenas se constata. A saltadora falhou nos seus dois primeiros saltos e desistiu do terceiro. Só.

Nossos atletas refugam não apenas pela falta de apoio ou de cancha internacional. Fabiana treina com um dos melhores técnicos do mundo, por exemplo. Começamos a investir pesadamente em apoio esportivo há quase seis anos, especialmente desde o Pan de 2007. Formamos uma geração de olímpicos melhor preparada, mas vai levar mais do que o dobro desse tempo para vermos os heróis que esperamos. Gente preparada e ciente de que os Jogos Olímpicos são a grande competição que disputam, mas acostumada com esse tipo de competição.

Aguarde mais quinze anos pelos efeitos de investimentos desse porte e melhor direcionado (impressionante o quanto gastamos para sustentar burocracia) até chegarmos perto de sermos uma potência olímpica. No mínimo. Até lá, quem entra na pista, na quadra ou em qualquer competição precisa assumir as próprias falhas para não banalizarmos o termo "falta de apoio". Fabiana e as meninas do vôlei (que confundem críticas com falta de torcida) precisam aprender essa lição, assim como outros.

Precisamos aprender a explicar o que é consequência dos problemas que o esporte brasileiro vive e o que é falha individual, seja azar ou hesitação. Mauro Vinicius da Silva, o Duda, não culpou o vento e nem a falta de apoio ao falhar em sua terceira tentativa de salto (com seu melhor desempenho nos jogos, disputaria medalha até então). Disse que arriscou e não levou, mas que tem tempo pra ir melhor em 2016. Já conseguiu mais em uma Olimpíada do que o superestimado Jadel Gregório, que até já se atrasou em competição e se confundiu com índices olímpicos. Esse é o espírito.

"Jênia" do dia: Patrícia Amorim

Publicado  


O torcedor do Flamengo precisa ter mais paciência. Eles querem tudo para ontem e a pressão acaba atrapalhando ainda mais as coisas.

Assim falou Patrícia Amorim, que recebeu um clube campeão brasileiro, com o maior patrocínio do Brasil e dívidas equacionadas e lutou para não cair em dois anos de mandato, não conseguiu um só ano de patrocínio sozinha e sequer consegue pagar a conta de telefone do clube de maior torcida do Brasil.

O problema, Nação, é paciência. Então tá.

Martha & cia. perdem pelos mesmos erros!

Publicado  sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Bernardinho passou anos ganhando quase tudo o que poderia pela seleção feminina de vôlei até passar a trabalhar com Giba & cia. e repetir seu desempenho. Aí você pensa que o técnico mais bem sucedido após trabalhar com as jogadoras de futebol do Brasil é... René Simões. Isso explica boa parte da derrota de hoje.

Martha, Formiga e outras tem seus deméritos. A melhor do mundo jogou uma partida injustificável para o seu nível, mas algo que costuma ocorrer com qualquer jogador. De Pelé a Messi. O indesculpável fica por conta do fraquíssimo esquema de Jorge Barcellos, que parece ter qualidades como líder e motivador, mas nenhum conhecimento tático.

Com falhas aberrantes de marcação, o Brasil se despede contra uma seleção pouco brilhante e precisa finalmente buscar evoluir. Barcellos foi campeão no Pan 2007, em uma campanha belíssima, e recebeu a honrosa medalha de prata em 2008, quando perdeu justamente para uma seleção taticamente melhor. Ainda estar no cargo tanto tempo depois foi um erro e fez a seleção parar de evoluir ao mesmo tempo que as cobranças aumentaram. Desse jeito, apenas com onze Marthas para ganhar sem organização defensiva ou com cada um sabendo o que deve fazer em campo.

Em 2007, a CBF teve a chance de fazer a modalidade crescer e se tornar uma febre no Brasil. A Confederação desperdiçou e após a pior campanha em Olimpíadas, tenho um enorme medo do futuro do futebol feminino no país do futebol e do resultado. É torcer para que as escolhas difíceis que o esporte precisa sejam feitas.

O que você faz pelas Olimpíadas?

Publicado  quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Não adianta.  A cada quatro anos lá estamos na frente da telinha torcendo e cornetando cada atleta. A cobertura da imprensa nem sempre ajuda. O cara que não tem chance, vira alguém que tem e muitas, o que está entre os dez primeiros vira favorito pra medalha e o que tem chances de medalha se torna um ouro provável. Não é de graça que em todos os Jogos Olímpicos a gente termina chamando uma pá de atletas de amarelões, pipoqueiros, etc.

Esse ano, a gente já viu um pouquinho de melhora proporcional ao pouquinho de investimento que os atletas receberam (não confundir com a verba pública às confederações, que nem sempre chegam neles), mas ainda estamos lá frustrados. E não entendemos que para o Brasil virar uma potência olímpica é necessário gerações recebendo alto investimento. Só assim você escolhe um atleta de ponta entre mil (no caso da China é um em um milhão) ao invés de um entre dez ou cem.

Pense um pouco no que cada um de nós faz para mudar esse cenário. Você já procurou saber como é o esporte na escola pública da sua região? Se a instituição tem piscina, ela é usada? Será difícil mobilizar as pessoas para comprar uma bola de handebol (esporte coletivo com altíssima adesão em nossos colégios, mas que devido a décadas de um trabalho ruim forma  poucos atletas) ou até uma mesa de ping pong? Ou você acha que termos Hugo Hoyama com quarenta anos participando de sua enésima Olimpíada é sinal de sucesso da categoria no nosso País?

Mais do que isso: esporte também é cidadania. Você pode e deve cobrar do seu vereador, deputado ou senador o que ele tem feito a respeito. Reclame do campo da sua praça não ter uma cesta de basquete, crie um blog com o nome do seu bairro ou da sua cidade e mobilize cada protesto, twitaço ou afins (tenho mais de três mil seguidores no twitter e ajudo qualquer movimento desse tipo, se precisarem) para que seus políticos façam algo mais do que estádios que ninguém sabe se serão usados a partir de 2017.

Cobrar dos atletas é fácil. Eles são a última ponta de uma cadeia que envolve planejamento, preparação, investimento e muito, muito trabalho. E nem sempre recebem o apoio que deveriam. Mesmo no caso do judô, onde o panorama melhorou demais, vamos precisar de gerações bem preparadas para formarmos atletas não só de ponta, mas acostumadas a competir (três mulheres do esporte tem idade pra competirem em 2016 por medalha). E todos nós podemos fazer algo por isso. 

Mãos à obra?


Às viúvas de Loco

Publicado  

O elenco é o mais forte da história do clube em pontos corridos, há um reforço de renome internacional e um técnico com décadas de comprovada competência. Ainda assim, a torcida alvinegra repete um erro semelhante à do rival Flamengo em 2011: se preocupa mais com quem não está no clube do que com o seu próprio time.

Mesmo com a derrota para o Palmeiras pela sul-americana e a oscilação no Brasileiro, o Botafogo segue com um time forte em busca de voltar a reinar na ponta dos grandes campeonatos. Não é fácil. Seria mais difícil ainda com uma estrela incapaz de jogar no esquema do técnico, que exige intensa movimentação e ultrapassagem.

Com idade avançada, Loco Abreu é lento e incapaz de arrancar de trás. Seu jogo é como pivô ou aproveitando cruzamentos para a área, algo que o novo reforço, Rafael Marques, também pode fazer (embora com bem menos técnica). A presença do uruguaio mais atrapalhava do que ajudava e se ele está bem no Figueirense, que briga para não cair, é muito pouco para se lamentar sua falta. Cabe aos botafoguenses prestigiar Seedorf & cia. por uma campanha em alto nível neste brasileiro.

Não vi Pelé, mas vi Phelps

Publicado  quarta-feira, 1 de agosto de 2012


O motivo mais relevante de me alegrar em ter visto Michael Phelps se tornar o maior medalhista de todos os tempos não é apenas pelo seu desempenho fantástico nas piscinas. É porque acho quase impossível assistir o nadador que irá superá-lo.

O norte-americano não tem a aura de um Alexander Popov, mas superou abissalmente outro mito, o australiano Ian Thorpe. Mais do que reescrever a história, Phelps já pôs um enorme capítulo com o seu nome onde qualquer citação ao polêmico caso da maconha, será banal diante do que ele conquistou, tão próximo de se aposentar.

Em baixa, Ganso não pode ser prioridade

Publicado  


Desde 2009, o estilo cerebral e técnico do jogador encanta o Brasil que previu um craque, que ele já demonstrou que ainda não é.  Apesar disso, Paulo Henrique Ganso segue como uma das referências para a camisa dez não só para o Santos mas para a seleção brasileira. Para não falar do interesse de Flamengo e Internacional em contar com o craque.

O potencial do meia é extraordinário. Ele é capaz de cadenciar o jogo, lançar um atacante de forma precisa (Neymar teve que evoluir muito para deixar de ser apenas flecha sem seu arco no time santista) e até de marcar gols com ótima finalização. Nada disso importa se não consegue entrar em campo, como mais uma vez ocorre com o Brasil, ou se seus dois joelhos tem cada vez menos eficiência.

Em seu pior momento na carreira, Ganso precisa focar em se tratar com os melhores médicos e encontrar o caminho mais viável para voltar ao seu auge. Essa deve ser a sua prioridade. E o meia-armador não pode ser tratado como estrela, nem pelo seu clube ou por sua seleção até que repita suas melhores atuações.