Por que o Flamengo não é um Corinthians?

Publicado  quarta-feira, 18 de julho de 2012


Em 1981, a pergunta deste post era a inversa. O questionamento era da revista Placar, então na sua melhor fase editorial comandada pelo jornalista  e conhecido corintiano - e qual o problema? - Juca Kfouri. Naquele ano o Flamengo era campeão do mundo enquanto o Timão amargava a segunda divisão (ou taça de Prata). Pouco mais de 30 anos depois, o rubro-negro não ganhou mais nem libertadores ou mundial enquanto o clube paulista caminha para sua segunda conquista do mundo (a primeira com algumas controvérsias).

Não é só: o Sport Club Corinthians segue para uma imensa valorização de sua marca (ainda que haja dúvidas do quanto os números divulgados valem) e consegue manter um time em altíssimo nível desde que retornou a primeira divisão em 2009 (justamente o último título relevante do clube carioca). Sua política interna está sob controle, o elenco ganha em dia e CT e estádio já são uma realidade não apenas palpável, mas cada vez mais orgulhosa.

Enquanto isso, a maior torcida do Brasil vive sob a humilhação de crises constantes em que cada conselheiro-síndico quer a sua visão do melhor time e ninguém se entende. O CT é uma realidade próxima, mas ninguém se fala em estádio ainda que haja quem use a folclórica frase de "a nossa casa é o Maracanã", estádio que não tem nenhum vínculo oficial com o clube. Os 35 milhões de torcedores não bastam para o Flamengo ter mais do que a quinta maior arrecadação do futebol brasileiro, demonstrando o péssimo trabalho do Departamento de Marketing rubro-negro em detrimento da competente gestão corintiana nessa e em outras áreas.

O Flamengo não repete os ótimos resultados do Corinthians pelo amadorismo em sua raiz, que insiste em definir seu futuro. O rubro-negro tem jeito e pode ser uma instituição como seus torcedores querem. Basta que haja menos política e mais planejamento, mais amor e menos egoísmo e mais desapego e menos vaidades. Ou simplesmente, mais profissionalismo e menos amadorismo.


Após a publicação daquela revista, Juca recebeu do sociólogo Adílson Monteiro Alves, então diretor de futebol corintiano, um comentário a respeito: "o Corinthians não é um Flamengo porque não quer ser, porque quer ser muito maior." No ano seguinte, nascia a democracia corintiana e 30 anos depois, o time com a segunda maior torcida do Brasil obtém resultados iguais ao da melhor geração rubro-negra. Qual a resposta que o clube carioca dará?

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Para quem não entendeu: o título se refere aos resultados no retrospecto recente. O blogueiro não vê o Flamengo como menor que o Corinthians ou vice-versa. Enxergo apenas uma gritante incompetência de um lado em contraponto a bons resultados do outro.

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