O cinismo de Joel

Publicado  segunda-feira, 9 de julho de 2012

 Que Joel Santana está sendo fritado, ninguém pode negar. Parte da crítica esportiva lamenta a postura do Flamengo - que é mesmo lamentável - e de Patrícia Amorim. Não assisti a transmissão na TV aberta pela Globo, mas se falou em críticas até de Galvão Bueno. É realmente um processo vergonhoso, mas tenho muita dificuldade em ter pena do folclórico natalino.

 Em primeiro lugar, Joel passa exatamente pelo que passou seu antecessor Vanderlei Luxemburgo. Além de saber exatamente onde estava se metendo foi co-responsável pela situação anterior ao aceitar o cargo. Mais do que isso: o técnico se beneficia de seu empresário, Leo Rabello, ser patrocinador da campanha da presidente do clube. Já inclusive indicou um zagueiro com o agente em comum. Não há inocente no futebol.

Pior do que tudo é o lado cínico do clube, no qual Joel é cúmplice. O técnico insiste em afirmar que seu time está indo bem, mesmo após não conseguir dar uma cara com quase seis meses de trabalho. Já brigou com a imprensa diversas vezes sempre tentando impor sua visão da realidade.

Ao negar a realidade, seu objetivo é evitar admitir a demissão e obter a milionária multa prevista em contrato. Afinal, ele já caiu aos olhos de imprensa, jogadores e técnicos. Para quê insistir? Direito de Natalino, assim como a diretoria tem em sondar seus substitutos. E os dois lados negam que o técnico esteja com a corda no pescoço e esticam esse desgaste até onde der. Se Joel não é o único culpado pela situação do Flamengo, também não pode ser eximido de sua responsabilidade.

Ao lado de Patrícia, Michel Levy e outros segue participando da farsa de que está tudo bem e que seu trabalho é digno. Por mais que tenha direito ao dinheiro me pergunto se a essa altura da vida Joel não deveria ter um pouco mais de respeito próprio, mandar a multa às favas e ir para casa.

Caso contrário, não me peçam para ter compaixão da pressão que sofre. Pena eu sinto da torcida rubro-negra. Pobre Flamengo de tantos loucos e moinhos. De cada amor de torcedor, só herdas o cinismo dos dirigentes. Nem Cartola faria um samba tão triste.

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