O mártir Zico

Publicado  terça-feira, 5 de junho de 2012

O imbróglio Ronaldinho revela uma das posturas mais desprezíveis que a gestão Patrícia Amorim trouxe ao Flamengo. O expediente baixo e sujo de “fritar” um profissional para forçar sua saída espontânea. Nesse tipo de confusão vale todo tipo de intimidação. Cercar o carro, tentar coagir e depois avisar para a imprensa que o cara tem seguranças armados e por aí vai.

Não foi só com Ronaldinho. Vanderlei Luxemburgo enfrentou dúzias de situações semelhantes que incluem até um dirigente que criticou um reforço do gerente-técnico para repórteres. O técnico do Grêmio tem longa passagem pelo futebol mundial e sabe bem do que ele é feito. Não afinou e se segurou no cargo até o fim. Foi recompensado com uma multa rescisória que lhe deu aproximadamente R$ 4 milhões. Ronaldinho também se segurou como pôde, mas optou por outro caminho. Infelizmente, não era o que a diretoria esperava. Uma rescisão nada amigável.

E nesse cenário, lembramos de Zico e sua saída.

Arthur Antunes Coimbra, como alguns preferem chama-lo, cometeu uma pá de erros em sua gestão. Contratou muito mal quando se falou em jogadores (Val Baiano e Borja são os melhores exemplos) e foi muito pior em relação à comissão técnica ao apostar em um fraquíssimo Silas, insistir no despreparado Rogério e aceitar a substituição da comissão fixa do clube. Pouco se fala no boicote que sofreu de dirigentes, o que ficou foram seus erros.

E com tudo isso, Zico pediu para sair. Hoje, pouca gente se lembra, mas todos os dias havia denúncias que jamais foram comprovados: lucro com a transação X, filho recebendo Y e por aí vai. Mesmo procedimento: vamos fritar quem queremos que saia. Com o clube brigando na parte de baixo, Arthur saiu para se tornar novamente Zico. Levou consigo as denúncias, não trouxe nenhum prejuízo com sua rescisão e saindo, as denúncias desapareceram. Talvez porque Luxemburgo - uma figura acima de qualquer suspeita, certo? – assumiria em seguida.

Rei morto. Rei posto.

E hoje, quando vemos sair o camisa dez que não aguentou o peso de um manto, mas quis roubar outro tanto lembramos de quando quem servia de escudo não virou uma espada contra o Flamengo. Vamos lembrar de quem ainda hoje é taxado por alguns de covarde, fujão, incompetente e jamais responde, impedindo que o debate se prolongue. Que o escudo CRF se manche mais. Lembremos mais uma vez do mártir Zico.

Porque nas lembranças o Flamengo jamais envergonha. Porque os torcedores só lembramos das coisas boas. Que seja assim com Arthur, o mártir Zico.

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Texto meu publicado originalmente no Flamengo Eternamente.

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