A Espanha parnasiana

Publicado  sexta-feira, 22 de junho de 2012


"Invejo o ourives quando escrevo Imito o amor/ Com que ele, em ouro, o alto relevo/Faz de uma flor/Imito-o. E, pois, nem de Carrara/A pedra firo/O alvo cristal, a pedra rara/O ônix prefiro" com essas palavras na poesia Profissão de Fé, Olavo Bilac falava de sua forma de escrever em prosa. Membro do parnasianismo, Bilac assim como os demais adeptos acreditava na arte pela arte. Não importava o sentimento poético ou o conteúdo e sim a beleza de suas formas e estrofes. Como um vaso que vale mais pelo seu design do que pelo que tem dentro.

No futebol, o objetivo é o gol. É o orgasmo do esporte e o que define todos os campeonatos. Mas para a Espanha, o gol é um detalhe. Não da forma como o técnico Carlos Alberto Parreira deixou a entender quando disse o mesmo anos atrás. Para a Espanha, o jogar é o mais importante. Que importa a bola na rede? Melhor um passe, um drible e um toque de efeito. Mesmo quando vence com assustadores percentuais de posse de bola, obtém placares modestos.

Para a Espanha o belo é a razão de ser. E não o gol. De certa forma, é um parnasianismo mais valioso que o da literatura, tradicionalmente desvalorizado nas aulas de literatura. O jogo de passes infinitos, dribles mil e poucos gols da Fúria é parnasiano. O belo pelo belo, o drible pelo drible, o passe pelo passe. Se nas palavras o objetivo era a forma, no futebol é jamais perder a bola.

Como um ourives, a Espanha esculpe um eterno diagrama com o caminho que a bola toma de pé em pé. Sorte de quem admira esse jogo, quando ele acaba no gol.

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