Por que amamos Balotelli?

Publicado  sábado, 30 de junho de 2012


As conquistas na carreira ainda são poucas, apesar da pouca idade e mesmo pela sua seleção ele ainda não justificou sua fama com gols. Mario Balotelli em termos técnicos é, incontestavelmente... Um bom jogador. Talvez ainda se torne um ótimo e, quem sabe, um craque. Mas está longe de chegar nesse patamar. Mesmo depois de Pirlo, o melhor jogador da Eurocopa, ainda pode ficar atrás de referências como Cassano e não supera a saudade de ídolos como Del Piero.

Com todas essas carências, Balotelli é autêntico. Diz que não comemora gols porque nenhum carteiro celebra a entrega da carta. Ele sorri mais com as brincadeiras de treino do que com uma jogada inacreditável. É um misto de marra e inocência muito diferente dos perfis insípidos de craques que querem sempre posar de robôs infalíveis. É pouco pra qualquer análise séria qualificá-lo como um grande jogador. Mas pra quem simplesmente gosta de futebol e não quer traçar uma tese a cada jogo (culpado!) é muito.

Ele é aquele personagem que sempre aparece em algum quadro de gols e reportagem de estilo. Qualquer criança que não tem paciência para ficar parado por 90 minutos em frente a uma TV vai sempre ver aquele moicano loiro como referência de craque. Isso inclui não só seus filhos, mas o menino(a) que você já foi. O atacante é daquela estirpe de Heleno, Paulo César Caju, Geraldo Assoviador e outros. Bola e polêmica que o tornam mais apaixonantes do que jogadores até melhores no campo, mas menos carismáticos fora dele.

Pessoalmente, não sei se gostaria de ter Balotelli como meu amigo, genro ou mesmo craque do meu time ou da minha seleção. Imagine se em qualquer cargo desses ele comete um de seus deslizes (de sair no tapa com seguranças de uma boate stripper a incendiar sua casa)? Mas eu quero muito ver o futebol sempre com alguém assim: espontâneo, irreverente e, acima de tudo, verdadeiro. Pensando bem, devo ter uma dúzia de amigos assim, mas nenhum deles joga pela Itália.

Dizem que não há forma melhor de conhecer alguém do que pela sua atuação em um esporte. Sem nunca  ter sido apresentado ao centroavante italiano sinto que o conheço. Mais do que isso, gosto dele. Quer saber? Balotelli, vou torcer por você nessa final da Eurocopa, meu camarada. De todos os meus amigos, ninguém merece mais. Você é o cara. Não me decepcione. 

Pirlo, Balotelli e mística ampliam limites da Azurra!

Publicado  quinta-feira, 28 de junho de 2012


O técnico Joachim Löw treinou uma das mais competitivas seleções da Eurocopa e a favorita para este blogueiro, mas não deu. A Alemanha jogou a sua pior partida ou enfrentou uma seleção melhor? O tempo vai dizer, mas este cronista não acredita em coincidências e vê a equipe germânica mais fraca em momentos decisivos como na Copa do Mundo e nesta competição. Sinal de imaturidade.

Fato é que com um Balotelli disposto a aproveitar sua chance e seu ponto de virada e com um jogador como Pirlo, a caminho de ser o melhor da Eurocopa, a Itália é capaz de se nivelar a qualquer time superior. Fez isso com a Alemanha, com sua melhor geração em anos, e foi a seleção que mais criou dificuldades para a Espanha.

Mais do que isso: a equipe de Cesare Prandelli demonstra clara evolução do jeito italiano de jogar. Mantém a marcação típica da Azurra e sabe dominar, atacar e se impor. Diante de uma Fúria estagnada, é a Itália que pode consolidar sua evolução com um título não apenas por um bom atacante e um excepcional volante, mas também pela misteriosa mística azul. Capaz de desbancar qualquer favorito e ganhar qualquer taça.

Corinthians obtém empate heróico, mas um resultado mediano

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O Timão tem feito tudo certo para conquistar sua primeira libertadores e essa noite voltou a apresentar várias virtudes de um campeão continental. No primeiro tempo, foi frio e segurou o lendário Boca Juniors. Porém, no segundo tempo sentiu a ausência do atacante Jorge Henrique, misto de ponta e volante, e passou a se contentar com um empate. Errado.

Por incrível que pareça, hoje era o melhor dia para o Corinthians conseguir um resultado para garantir o título. Time copeiro, o Boca costuma conseguir fora de casa o que não faz dentro. Não tem medo e é imprevisível, por isso a melhor forma de vencê-lo é agir do mesmo jeito. O alvinegro não teve medo, mas não foi imprevisível. Agiu como um típico time que busca o empate fora de casa, ao contrário do que fez no primeiro jogo contra o Santos.

Cabe à torcida corintiana e à equipe de Tite manter a invencibilidade e a média de gols no Pacaembu. A final está aberta, mas é bom não esquecer que é o mortal, inclusive fora de casa, Boca do outro lado.

Vale lembrar que as entrevistas dos jogadores fora de campo são condizentes com esse espírito. Nem mesmo Romarinho, a estrela da noite, parecia excessivamente empolgado. Todos serenos e cientes que ainda não venceram nada. O Corinthians está no caminho certo se entende que esse empate ainda não é bom.

Portugal mostrou como jogar contra a Espanha

Publicado  quarta-feira, 27 de junho de 2012

Virou quase uma regra imutável no futebol: ao enfrentar um adversário tecnicamente superior, reforce ao máximo sua defesa e tente achar um gol. Sorte dos lusitanos e do futebol, que Portugal não tomou conhecimento dessa lei e enfrentou a Espanha de igual para igual.

Com uma linha de quatro marcando no ataque, o técnico Paulo Bento jogou pressão em cima da Fúria, que encontrou dificuldades para atacar e resolver. As duas linhas de três que jogavam atrás da linha do meio de campo, sempre recebiam a recomposição de um ou dois jogadores que acompanhavam a saída de bola espanhola. Impressionou a aplicação dos lusitanos que fortaleceram sua boa técnica com superioridade tática que, por pouco, não levou a seleção à vitória.

Fica a lembrança na Eurocopa de Portugal ter chegado muito, muito perto da final e de que Cristiano Ronaldo jogou bem na competição. Infelizmente, o jogador do Real Madrid vai penar mais uma vez a falta de títulos com a camisa lusitana. Por outro lado, a seleção lusitana mostrou evolução e capacidade de ir longe em 2014.

A Azurra voltou!

Publicado  domingo, 24 de junho de 2012

Mesmo que a Alemanha vença a semifinal, a Itália já pode se considerar campeã nesta Eurocopa. Após uma campanha medíocre na última copa, a Azzurra volta a ser vista com respeito e, principalmente, com toda mística que sua camisa evoca.

Sempre marcada por ter jogadores fabulosos como Baggio ou Rossi, a Azzurra volta a ter em Pirlo e Balotelli a esperança de gritar "é campeão" novamente. Ao menos o brasileiríssimo "ôoo... O time tal voltooou" os italianos já podem aprender a cantar. Com um time aguerrido e forte no esquema tático e peças que brilham, a Itália invoca seus melhores momentos.

Ainda não tem jeito de ser campeã, mas é difícil imaginar uma seleção que consiga usar melhor a força da sua tradição para se impor. A Itália dificilmente chega com cara de time vencedor e raramente sai sem dar medo em muitas seleções melhores. Na Eurocopa, mais duas podem sofrer esse efeito. Os alemães, talvez o melhor time da competição, que se cuidem.

Vitória do Galo exibe desafios para Cuca e RG49

Publicado  sábado, 23 de junho de 2012

No incontestável 5x1 em cima do Náutico, o Atlético-MG demonstrou o seu melhor e alguns problemas que precisa superar em busca da regularidade para acabar 2012 feliz como nunca. Por um lado, a velocidade e efetividade dos meia-atacantes Bernad e Danilinho resolveu o jogo para o Galo assim como o bom centroavante Jô, que todos os dias indica que poderia ter rendido mais pelo Internacional.

Por outro lado, apesar do placar o time de Cuca segue com problemas na marcação. Usualmente, suas equipes marcam sobre pressão e, quando o cansaço chega, cedem espaço demais criando viradas épicas do adversário. No Galo, o técnico parece ter melhorado isso com os jogadores marcando melhor atrás da linha da bola. Ainda assim, o Atlético-MG cede muitos espaços permitindo ao adversário que toque demais a bola. Não foi o suficiente para o Náutico, mas times mais competitivos, padrão da série A, criarão mais dificuldades.

No ataque, o padrão ofensivo atleticano é forte. Danilinho e Bernard buscam as pontas e trocam de lado o tempo todo, confundindo a marcação adversária. O eficiente Jô pode ser trocado pelo jovem André, centroavante promissor que ainda não confirmou o que se espera dele desde os tempos de Santos. A formação no entanto depende demais de um armador eficiente e regular, algo que Ronaldinho não demonstrou no Galo. Mesmo no Flamengo seu brilho foi inconstante, como comentei aqui.

Nesse caso, Cuca pode recorrer ao meia Escudero para equilibrar a armação, mas tirando o entrosamento da dupla de jovens meias formados no clube. É mais um problema para o técnico, que outra vez começa um brasileiro com chances reais de título assim como no Cruzeiro.

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A arbitragem deu uma mão ao Galo dando um pênalti inadmissível em cima do atacante Jô. O lance é tão descaradamente falso, que fica a sensação de que seria bom ver esse tipo de malandragem punida pela justiça desportiva.


Roth, Cruzeiro e expectativas

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Já havia falado que Celso Roth era o melhor nome para o Cruzeiro neste 2012. O técnico conseguiu comprovar isso essa noite ao ganhar com autoridade do Vasco e assumir a liderança do Brasileiro. Com um elenco absolutamente enfraquecido e composto por alguns veteranos sem espaço em outros clubes (como Souza e Tinga), o clube celeste pode ser vítima da sua própria campanha.

Assim como em outros anos, Roth vem desempenhando um papel muito acima das expectativas que o elenco poderia gerar. Como eu e outras pessoas já notaram: o técnico consegue fazer seus times jogarem mais do que podem e é cobrado por isso. Em 2007, chegou a liderar o brasileiro com o Gigante da Colina e foi demitido após uma série de derrotas. No ano seguinte, o Vasco foi rebaixado com boa parte do mesmo elenco. Com o Grêmio em 2008, pegou um elenco fraquíssimo e chegou à vice-liderança do Brasileiro, melhor campanha do Imortal na competição há anos. No Galo em 2009, foi quinto colocado no brasileiro em sua melhor campanha nas últimas décadas. Demitido pelo vice Alexandre Khalil, que viu seu time lutar contra o rebaixamento nos dois anos seguintes.

O técnico tem lá sua dose de erros indesculpáveis, mas no geral paga o preço de suas convicções táticas: é retranqueiro. Fato inegável. Mas coleciona trabalhos mal compreendidos por boa parte da torcida e da imprensa esportiva. No Cruzeiro, tem um elenco que cairá de produção com sua média de idade alta e fortes limitações. Cabe aos dirigentes e torcida não se enganarem. A Raposa não pode almejar muito mais do que permanecer na série A.

Qualquer coisa além disso, é lucro e mérito do técnico. Título? Seria um milagre, mérito de Roth, dirigentes e da torcida. Que todos na Toca sonhem, mas com os pés no chão.

A estagnação da Fúria

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Muita posse de bola, inversões de pé em pé e lances que empolgam. Mas poucos gols. A Espanha parnasiana segue encantando, mas com os mesmos defeitos. Muito toque e pouco chute, embora sufoque o adversário raramente faz o torcedor levantar da cadeira.

Contra a França, a Espanha entrou em um sólido 3-4-3 onde alguém do trio da frente sempre dava o primeiro combate na saída adversário somando pelo menos cinco no meio ou oito na defesa. Atrás, a trindade sempre recebia a companhia de um ou dois companheiros, dependendo do ataque. Todos sabem o que fazer. Mas parece que ninguém aprendeu a chutar dependendo sempre da inevitável entrada do vaga-lume Torres para tornar o ataque mais incisivo.

Tão impressionante quanto o esquema versátil do técnico Vicente Del Bosque, é a falta de evolução dele. Há quatro anos a Espanha vence as competições que disputa, mas sofre com os mesmos defeitos. Dizem que não se mexe em time que está ganhando, mas as seleções que perdiam estão melhorando. A Alemanha - favorita para fazer a final da Eurocopa - é um time melhor em relação à última Eurocopa assim como França, Inglaterra, Itália e Portugal. Será que a Fúria continuará vencendo sem melhorar?

O limite francês

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Ao contrário da última Copa, a França não deu vexame desta vez. Desde 2010 com uma postura exemplar, Les Bleus seguem em seu processo de reconstrução que, sabemos, não é rápido. E já demonstra frutos com um bom time capaz de chegar às quartas de final da Eurocopa, mas incapaz de passar de uma seleção de ponta como a Alemanha ou Espanha.

Com uma campanha digna e demonstrando o máximo que pode fazer, a França vira seus olhos para o horizonte de 2014. O que falta para a campeã mundial de 1998 melhorar em competitividade? Encontrar um parceiro mais solidário para Benzema e um articulador que não deixe o time tão dependente dos lampejos do ótimo Ribery, quando enfrentar uma marcação mais eficiente.

É nítido as evoluções técnicas que a seleção francesa precisa alcançar. Talvez o maior problema esteja fora dele. Com uma derrota indesculpável para a Suécia e uma crise abafada no vestiário, o técnico Laurent Blanc tem o desafio de impedir que vaidades internas impeçam um time com alguns bons valores individuais não jogar tudo o que pode. Apenas atingindo seu limite os franceses podem sonhar com dias de mais orgulho no futebol.

A Espanha parnasiana

Publicado  sexta-feira, 22 de junho de 2012


"Invejo o ourives quando escrevo Imito o amor/ Com que ele, em ouro, o alto relevo/Faz de uma flor/Imito-o. E, pois, nem de Carrara/A pedra firo/O alvo cristal, a pedra rara/O ônix prefiro" com essas palavras na poesia Profissão de Fé, Olavo Bilac falava de sua forma de escrever em prosa. Membro do parnasianismo, Bilac assim como os demais adeptos acreditava na arte pela arte. Não importava o sentimento poético ou o conteúdo e sim a beleza de suas formas e estrofes. Como um vaso que vale mais pelo seu design do que pelo que tem dentro.

No futebol, o objetivo é o gol. É o orgasmo do esporte e o que define todos os campeonatos. Mas para a Espanha, o gol é um detalhe. Não da forma como o técnico Carlos Alberto Parreira deixou a entender quando disse o mesmo anos atrás. Para a Espanha, o jogar é o mais importante. Que importa a bola na rede? Melhor um passe, um drible e um toque de efeito. Mesmo quando vence com assustadores percentuais de posse de bola, obtém placares modestos.

Para a Espanha o belo é a razão de ser. E não o gol. De certa forma, é um parnasianismo mais valioso que o da literatura, tradicionalmente desvalorizado nas aulas de literatura. O jogo de passes infinitos, dribles mil e poucos gols da Fúria é parnasiano. O belo pelo belo, o drible pelo drible, o passe pelo passe. Se nas palavras o objetivo era a forma, no futebol é jamais perder a bola.

Como um ourives, a Espanha esculpe um eterno diagrama com o caminho que a bola toma de pé em pé. Sorte de quem admira esse jogo, quando ele acaba no gol.

A irresistível Alemanha

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Ninguém pode pará-la. Com um esquema sólido, um técnico inteligente e jogadores tecnicamente incontestáveis, a Alemanha se deu ao luxo de usar um ataque reserva e passar com autoridade, embora com alguma dificuldade, pela valente Grécia.

Sempre eficiente no ataque, com lances plásticos e eficientes bem longe do básicão europeu, que nos acostumamos décadas atrás, a Alemanha é um time fascinante. Irresistível. Hoje, os alemães tem o mesmo papel que a Espanha, diversas seleções brasileiras e a Holanda de 74. Este blogueiro prefere inclusive o efeito de jogo que alia eficiência e ofensividade à técnica quase parnasiana da Fúria.

Se nenhum telespectador resiste, o que será que fará a Eurocopa? Será que vai se render ao encanto alemão e tornar o país líder do futebol europeu assim como conduz a economia do continente?

A culpa é do Neymar?

Publicado  quinta-feira, 21 de junho de 2012


Pouco se comenta hoje, mas em 2011 Neymar superou não apenas seus limites mas o de um Santos fraquíssimo apoiado no melhor Muricybol. Naquele time, eram dez que defendiam e esticavam uma bola para o camisa onze resolver. Ainda havia um "consolo" chamado Zé Love como parceiro de ataque, tornando tudo mais difícil.

Muricy havia tirado a sorte grande, ao se demitir do Fluminense e pegar um Santos, menos santástico - forma como ficou conhecida a formação ofensiva e eficiente de Dorival Jr. - mas ainda conservava suas melhores características de ofensividade e encanto. Sem Ganso, o técnico se sentiu livre para imprimir seus esquemas calcados em muitos defensores, bicões e, quem sabe, solitários gols. Se funcionou no Brasileiro com um São Paulo com Aloísio e Dagoberto, fatalmente funcionaria com Neymar e Ganso. Mas seria pouco para ir além de uma já incrível Libertadores.

Desde então, o trabalho de Muricy é ruim. Desperdiçou um semestre para perder de forma incontestável para o Barcelona. Em 2012, o presidente Laor cometeu outros erros ao confiar demais na base que havia conquistado o vice mundial. Não percebeu o evidente declínio físico de Elano e liberou Ibson para o Flamengo, ignorou a falta que Maikon Leite, reserva à altura de Neymar, faria e não conseguiu notar até aqui como o trabalho de Muricy é absolutamente mediano e previsível. Em confronto com dois técnicos de ponta - Tite e Guardiola - perdeu sem conseguir jogar melhor que o adversário.

Com todos esses erros, será Neymar que levará a culpa pelos erros na montagem do elenco e de um time que em dois confrontos entrou treinado para se defender e deixar que o ataque se virasse. Pior para o Santos, que precisa resolver esses erros para salvar sua temporada (é enorme a chance de terminar o centenário melancolicamente fora da Libertadores de 2013). Pior também para o futebol brasileiro, que precisa aprender a parar de exaltar técnicos quase folclóricos como Muricy e passar a discutir menos o resultado e mais o jogo.

Corinthians ensina a vencer uma Libertadores

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O time do Parque São Jorge jamais venceu uma, mas fez tudo o que se deve fazer para conseguir. Começou em 2009, com a chegada de Ronaldo. O Corinthians retornava do pior momento de sua história e queria voar alto. Calar de uma vez por todas a ausência da Libertadores. Com um técnico acostumado ao cargo e o melhor time do semestre, venceu de forma incontestável a Copa do Brasil.

Jogou o semestre seguinte no lixo, mas se ergueu para ser o melhor time da fase de grupos da Libertadores e cair frente ao Flamengo, então campeão brasileiro. Disputou o Brasileiro, mas foi prejudicado pela saída de Mano, trabalho ruim de Adílson Baptista e percebeu em Tite o técnico ideal para ficar mais tempo. Bancaram o comandante no frustrante 2010, no péssimo início de 2011 e foram recompensados com o Brasileiro naquele ano. Era o suficiente para insistir com Tite esse ano.

Hoje, de longe, é o melhor técnico do futebol brasileiro com um trabalho tático impressionante, que deve deixar as diretorias de Grêmio e Internacional lamentando sua saída. Além disso, Tite comanda um grupo que chega na sua quarta libertadores com o frio Danilo já tendo conquistado uma. Ronaldo saiu, Adriano não se enquadrou e o clube segue preservando o coletivo em detrimento de estrelismos individuais.

É a receita certa para se ganhar uma Libertadores, título que o Corinthians jamais conquistou e que não é certo que vença agora. Mas faz tudo certo para tornar sua terceira participação consecutiva no inédito título. E ganhando ou não, outros clubes deveriam aprender a equação corintiana: preservar o grupo, confiar em um grande técnico e participar de muitas libertadores. Pode não ser igual à taça, mas é uma variável bem próxima disso.

O Timão está há dois jogos de vencer sua primeira libertadores.





A culpa de Arshavin

Publicado  terça-feira, 19 de junho de 2012

Com uma eliminação surpreendente e que nivela tecnicamente por baixo a competição, a Rússia  se despediu de forma melancólica. Merecedor de elogios na estréia e alvo de críticas na saída, o meia Arshavin reagiu ao ser cobrado por torcedores por alguma desculpa:

Pedir desculpas? Por quê? Se não cumprimos com a expectativa de vocês, francamente, o problema é seu.
Bom de bola, o russo lembra aqueles jogadores cerebrais que confundem fazer a bola correr com jamais correr por ela e por sua camisa. Genioso, é famoso por sua irregularidade e em não assumir suas responsabilidades em campo com frequência. Por isso, sempre será o segundo maior responsável por esses vexames, logo atrás de quem cometeu o erro de confiar demais nele para ser a referência de uma seleção.

Eufemismo da semana: Lucas

Publicado  domingo, 17 de junho de 2012


Atrapalha ter um jogador expulso, ainda mais o nosso artilheiro e capitão. Mas é o jeito dele. Ele quer a bola, reclama por ela. É difícil mudar isso nele. Se não mudou após 31 anos, não vai mudar agora. Temos de entender, mas ele precisa se cuidar mais.
 Disse o jovem e bom meia Lucas, que com 20 anos demonstra mais maturidade do que o experiente atacante Luiz Fabiano. E caminha para conquistar mais títulos pelo São Paulo, o que não é tão difícil já que o artilheiro das expulsões ganhou muito pouco.

Oswaldo: a estrela que não precisa ser solitária

Publicado  sábado, 16 de junho de 2012

Loco Abreu não é mais o mesmo, Herrera jamais será mais do que um jogador esforçado e Andrézinho não é nada muito além de um atleta com algum talento. Fellype Gabriel e Vítor Júnior, eternos reservas ou promessas em Flamengo e Corinthians não serão os protagonistas alvinegros. Esse papel cabe ao técnico Oswaldo de Oliveira.

Em uma semana tensa após uma derrota vergonhosa para o Botafogo, foi o técnico que fez as mudanças necessárias. Insistiu com o argentino Herrera e mantendo Loco fora do time e tirou os superestimados Elkesson e Maicossuel, para as entradas de Vítor Júnior e Fellype Gabriel, este versáil e fiel às ordens de Oswaldo.

É pouco. Mas já é mais do que o alvinegro teve em temporadas recentes. Se a possível contratação de Seedorf se confirmar só vai faltar uma coisa: que a torcida botafoguense apóie o time pelo que ele pode fazer ao invés de vaiá-lo pelo que não fez nos últimos 17 anos. Oswaldo pode mudar esse Botafogo, mas não vai conseguir isso sem o apoio dos alvinegros.

Um mistério chamado Dorival Jr.

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Gosto do Dorival Jr.. E acho o técnico um sujeito talentosíssimo. Com potencial pra ser o melhor da geração dele, assim como Mano Menezes. Só que o fato é que ele tem um time que não joga  tudo o que pode e fez de tudo para perder para o Botafogo nesta noite. Conseguiu.

É difícil entender como o mesmo técnico do "Santástico" - que chegou a escalar até Marquinhos ou Ganso de volantes, em alguns momentos - também é o comandante que coloca o Internacional jogando no contra-ataque em pleno Beira-Rio. O mesmo que barrou Neymar por disciplina, se torna cada vez mais dependente do mascarado Dagoberto.

Por melhor que Dorival Jr. seja, cedo ou tarde, os resultados vão depor contra sua carreira como já fizeram com outros nomes promissores como Adílson Batista, Cuca e Caio Jr. Não dá para negar a série de títulos (vários estaduais, uma Copa do Brasil, uma recopa e uma sul-americana) no currículo, mas é impressionante como o cara não consegue emplacar trabalhos a longo prazo. Tudo caminha pra ele sair do Inter pela porta dos fundos como no Cruzeiro, Vasco, Santos, Galo...

Cedo ou tarde, todos os clubes vão saber exatamente o que podem esperar do técnico. E isso será bom ou ruim para ele?

Balotelli e seu ponto de virada

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Com atuações ainda decepcionantes, Mario Balotelli vai aumentando a sua coleção de chances desperdiçadas com uma Eurocopa apenas regular. A boa seleção italiana segue precisando do atacante, que já chegou a dizer que poderia ser o melhor do mundo algum dia. Mas até quando?

Claudio Marchisio já lembrou que "um dia as oportunidades acabam". O volante italiano é mais um a se render ao inegável talento de Balotelli, mas também engrossa as fileiras daqueles que se preocupam que ele se torne outro jogador como Edmundo ou Maradona: memorável, mas muito longe do que poderia ser.

Com uma lesão que pode tirá-lo para o jogo contra a Irlanda, ele vai deixar seu time na mão. Outra vez. Famoso pela camisa com a pergunta Why Always me?, precisa questionar menos e afirmar mais. Ao invés de contestar as críticas, precisa entender que todas elas são dignas de um jogador de alto nível. De quem só exige porque se sabe que pode render mais.

Nos roteiros de cinema, sempre há o ponto de virada: onde o protagonista da história encontra seu desafio. Balotelli já está no seu e precisa entender esse momento. É hora de deixar de lado as polêmicas e se concentrar no que faz de melhor. Ou vai ser mais um craque que poderia ser ao invés de ter sido de fato.

Rússia caiu? Azar da Euro. E nosso...

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Dzagoev e Arshavin mereciam sorte melhor? Talvez. E a Eurocopa e seus espectadores? Sem dúvida. Sai a seleção com mais chances de surpreender as favoritas Alemanha e Espanha,. E a Rússia deixa uma vaga para a surpreendente, mas monótona Grécia, tão heróica quanto Hércules e tão divertida quanto ler um discurso de Platão gravado em concreto.

Para a seleção, fica a lição de jamais adormecer em um mata-mata. As vezes, derrotas fazem bem para grandes times, como acho que pode ocorrer agora com a Alemanha. Se Dzagoev, por exemplo, precisava mostrar competência em alto nível, agora vai precisar demonstrar maturidade no pior momento possível de uma competição desse porte: sua saída.

No mais, a Fifa tem mais um dos inumeráveis exemplos do que o futebol está se tornando. Onde o destruir acaba sendo mais efetivo que o criar. Se nós somos os grandes azarados por perder uma seleção como a Rússia para continuar vendo o fraquíssimo futebol grego em campo, como fica a competição? Pena que as necessárias mudanças no esporte, como vôlei e outros já mudaram, ainda não tenham chegado. Lamento pela Rússia e por nós.

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Vale sempre lembrar: fraco ou não, a Grécia jogou como pode. E dentro disso, foi valente e não desistiu nenhum minuto. Há beleza em histórias assim. Só preocupa que elas venham se tornando tão comuns no futebol.

Eleição 2012 no Flamengo põe desapego de ex-presidentes à prova

Publicado  quinta-feira, 14 de junho de 2012

Flavio Godinho, executivo da MPX; Rodolfo Landim, ex-executivo da BR Distribuidora e OGX; Luiz Eduardo Baptista, presidente da Sky; e Carlos Geraldo Langoni, ex-presidente do Banco Central do Brasil concordaram na última semana em participar de um conselho que projete parâmetros básicos para modernizar a gestão do gigante adormecido Flamengo.

O convite só surgiu porque ex-presidentes como Márcio Braga (foto) e Kléber Leite deram a abertura necessária, inclusive com espaço para que os excecutivos flamenguistas falassem. É muito em relação à história recente do clube, mas ainda é pouco. Mais gente com o mesmo perfil - profissionais de sucesso em suas respectivas áreas e sem nenhum interesse senão o crescimento do Flamengo - tem o interesse em se mobilizar para impedir que a gestão Patrícia siga mais três anos em compromisso com o atraso.

Mas esse tipo de gente dificilmente vai aceitar fazer parte de gestões que tem sua parcela de responsabilidade pelo eterno sono rubro-negro, marca esportiva com maior potencial e desperdício no Brasil há décadas. Se caciques e índios da tribo rubro-negra querem uma gestão mais comprometida com o profissionalismo, só o desapego por cargos e vantagens pessoais vai conseguir concretizar esse sonho. É informação e não opinião: é possível ainda esse ano ver uma chapa com muita gente boa como essa.

Márcio Braga talvez tenha sido um dos maiores dirigentes da era amadora do esporte enquanto Kléber Leite foi responsável pela maior contratação do futebol brasileiro, ao tirar Romário do Barcelona em 95. Os dois também colecionam fracassos e erros indesculpáveis, que hoje servem para a gestão Patrícia se posicionar como a "menos pior" ao invés de a melhor. Ambos podem abrir espaço para uma nova era no clube. Basta que os dois e todos os demais conselheiros e ex-dirigentes abram mão de suas vaidades para apoiar novas idéias e a reafirmação do Flamengo como um clube sério.

Caso contrário, a vitória de Patrícia seguirá provável.

A vitória que Muricy não queria

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Vão comentar que Neymar esteve apagado e que Ganso não jogou bem. Mas o grande vilão santista da noite atende pelo nome de Muricy Ramalho. No melhor estilo tenho-medo-de-perder-e-isso-me-tira-a-vontade-de-ganhar, o técnico entregou uma presa fácil para a sólida equipe de Tite.

No jogo desta noite pela Libertadores, o comandante corintiano preferiu a marcação por pressão e por zona. Sempre no campo do adversário. Enquanto isso, o superestimado Muricy optou por recuar o meio campo, impedir que os laterais adiantassem a marcação e exigindo que o atacante Neymar jogasse como um falso meia, isolando Alan Kardec na frente.

Sem ritmo de jogo, Ganso não conseguiu ser o maestro do Santos e o esgotado Elano - como Laor pôde deixar o bom meia-volante Ibson sair? - não conseguiu fazer nada. Com isso, Neymar esteve sempre contra dois ou três marcadores, em um time onde até os atacantes tem ótimas estatísticas em roubadas de bola.

Muricy sempre demora a emplacar seu estilo de jogo onde chega. No São Paulo tricampeão brasileiro era notório ele desperdiçar a Libertadores, mas triunfar no Brasileiro com seu Muricybol, esquema baseado sempre em defesas fechadas, bolas longas e centroavantes fortes na área. Com uma campanha bem melhor do que o fraco futebol que o Peixe joga na competição sul-americana, fica claro como foi bom para o Santos no ano passado essa demora. E em 2012?

O que pode parar a Alemanha?

Publicado  quarta-feira, 13 de junho de 2012


Viradas de jogo rápidas, wingers que pensam o jogo tão bem quanto oferecem a opção pelas pontas e um centroavante inteligente, forte e tecnicamente eficiente. Não basta. A defesa é segura e o goleiro é do nível da posição. Difícil demais vencer a Alemanha, como a Holanda descobriu hoje.

Desde 2010, já era previsível a força que a seleção alemã vinha se tornando. Aproveitando para formar uma base vencedora que estará no auge em dois anos, a equipe germânica é favorita para a próxima Copa do Mundo e tem tudo para conquistar a Eurocopa.

Como desafio final será o de superar a Espanha, que eliminou os alemães em um dia muito ruim da seleção na última Copa. E alguém acha que a Alemanha não consegue?

Um Botafogo sem uma estrela

Publicado  segunda-feira, 11 de junho de 2012



 Após mais uma derrota indesculpável o Botafogo volta a repetir as lembranças desde a derrota contra o River, de um time incapaz de manter um resultado positivo. Foi assim contra o Cruzeiro e insiste em ser assim há anos. Na verdade, apenas em 2010 o alvinegro pareceu mudar consolidando Loco Abreu como uma referência vencedora. Uma estrela solitária, mas vencedora ao contrário de outras referências.

Em 2011, o artilheiro já dava sinais de declínio, mas esteve nos melhores momentos de um time que tinha jeito de campeão, mas terminou fora até da Libertadores. Tudo com o indecifrável Caio Jr. fracassando em confirmar as expectativas positivas do Botafogo para aquele ano. Veio um 2012 de abatimento e com ele a confirmação: o ídolo uruguaio não é mais o mesmo. E dificilmente será. A idade chega.

Fora do grupo que participará dos Jogos Olímpicos a fase do atacante lembra até o apagão de Ronaldinho, também cortado. Cabe ao Botafogo preparar o terreno para a inevitável saída do ídolo e conseguir outras referências que levem o time a ser mais firme do que foi este ano e até mesmo em 2011. Pode ser que seja Seedorf, mas o mais importante é que seja alguém autoconfiante, vencedor e que entenda o momento difícil que o clube vive, há mais de uma década sem vencer um brasileiro. Não precisa ser louco, mas deve ser ídolo.

Felipão e o mistério alviverde

Publicado  sábado, 9 de junho de 2012

Vanderlei Luxemburgo falhou (embora tenha obtido os melhores resultados da década), Muricy Ramalho foi patético e, por fim, até Felipão fracassou. O momento é ruim e parece inevitável que o comandante do pentacampeonato caia, embora este blogueiro já tenha errado outras previsões envolvendo ele e Palmeiras antes.

Não acho que o alviverde melhore sem ele, mas independente disso é indispensável que os cartolas palmeirenses ponham a mão na consciência. Quase dez títulos brasileiros em técnicos passaram pelo Parque Antártica e não conseguiram terminar o contrato ou cumprir suas expectativas. E, com exceção de Luxemburgo na boa campanha de 2008, todos fracassaram.

Há um mistério no Palmeiras que nenhum técnico será capaz de resolver. Por mais que a torcida sempre culpe jogadores ou o técnico do momento é hora dos dirigentes assumirem sua responsabilidade. O clube precisa voltar a brigar por títulos e não por menos embaraços.

RG49 & Cuca: discreta estréia, vitória animadora

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Com bons passes, mas sem decidir o jogo, Ronaldinho deu mais trabalho ao Palmeiras do que ao Sport e Internacional, quando jogava pelo Flamengo. Sinal de que ele quer reeditar seus melhores momentos pelo rubro-negro no Galo ou apenas uma chuva de verão?

Cabe ao meia-atacante responder. Com um novo número, o "RG49" depende apenas de si para recomeçar e deixar para o rubro-negro a culpa pelas más atuações que teve desde o segundo turno do último brasileiro até alguns dias atrás. Seja o que ocorreu ou não, será a imagem que vai ficar se ele jogar bem pelo Atlético-MG, que desponta pela primeira vez em muito tempo como um time disposto a quebrar o jejum de quase meio século sem brasileiros.

Da mesma forma, o técnico Cuca precisa de um título nacional para confirmar sua ascensão desde que surgiu como um estrategista talentoso, até o seu primeiro título em 2009 e boas campanhas por diversos times. Tanto o professor quanto o jogador podem ser tão discretos quanto na vitória de hoje, mas precisam ser mais regulares. De um lado, Stival precisa ser mais sereno e não repetir 2007, quando um interessante Botafogo patinou e terminou longe do título. E Ronaldinho não pode ser o melhor jogador do primeiro turno e um dos piores no segundo.

O que o Galo precisa de ambos é amadurecimento. A torcida e instituição merecem. Que os dois saibam colocar suas ambições pessoais abaixo da necessidade do Galo.

Vitória do Flamengo deveria segurar Joel?

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O blogueiro já pediu para que o técnico encerre sua carreira e já o criticou várias vezes. Mantenho todos esses pedidos e garanto que não sofro de esquisofrenia com a minha resposta da pergunta do título: sim.

O trabalho de Joel não é convincente, ele tem razão em alegar desgaste com a imprensa e é difícil crer que o Flamengo vá longe na competição. Mais do que isso, o rubro-negro não demonstra, em momento nenhum, que comanda um time que teve dezenas de dias a mais apenas para treinar.

Ainda assim, Joel é uma opção melhor do que fazer o que os jogadores querem, como seria no caso da contratação de Renato Gaúcho. E não há nomes melhores nesse auê que o clube carioca vive. O estudioso Adílson Batista, por exemplo, fatalmente se perderia sem a capacidade de comandar. Hoje, o Flamengo precisa de alguém com experiência em pressão, que acompanhe as novidades táticas no Brasil e no mundo, com muita vontade de trabalhar e, se possível, que conheça o clube.

Há quase nenhum nome assim. O melhor deles é Dorival Junior, que parece firme no cargo no Internacional, e Jorginho saberia bem o que lhe esperaria, mas segue carreira no Japão. Há outros nomes como Levir Culpi, Paulo Autuori, mas nenhum parece disponível. E até que isso mude e os resultados ajudem, o melhor é que Joel vá ficando. Que ele aproveite o momento da melhor forma possível.

Brasil perde, mas está no caminho certo

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A seleção jogou melhor, demonstrou novidades interessantes e perdeu. Faltou o quê? A fórmula para anular o imbatível Messi ou um pouco de sorte? Nem um e nem outro, o Brasil demonstrou defeitos típicos de uma equipe em formação que começou quase do zero há dois anos e agora começa a mostrar uma cara. E as feições que esse time vai ganhando amadurecem no tempo certo para o principal objetivo da seleção canatinho nesta década: a copa de 2014.

Não dependemos mais de apenas um jogador pouco confiável fisicamente para assumir a armação do time. Ganso ainda não é realidade, mas Oscar já é e tem muito a crescer assim como Neymar. O camisa 11 da seleção, enfim, encontrou a posição que Pelé, Mourinho e outros já pediram para ele: menos ponta e mais meia. Menos flecha e mais arco. Ali, atrás dos volantes como Messi atua, jogou muito bem apesar de ter vacilado em dois lances (este cronista não viu pênalti em nenhuma das jogadas).

Além disso, a derrota tem a ressalva de termos jogado com uma zaga que dificilmente ocupará o banco na copa: o fraco Juan e o inacreditável Bruno Uvini. De resto, o vacilo de Casemiro que acabou no quarto gol de Messi é daqueles indesculpáveis e que podem marcar um jogador. O blogueiro chegou a dizer que é daqueles lances em que não se convoca mais o jogador. Explico: o volante do São Paulo cometeu um daqueles erros "à lá meião da Copa" e já é marcado por ter sido indolente quando surgiu. Não pode.

De resto, o Brasil mostra com dois anos uma equipe fiel às tradições do futebol brasileiro, algo que não vemos desde a era Telê Santana e que não tentam emplacar desde as passagens de Zagallo e Vanderlei Luxemburgo pela seleção. Ainda temos dois anos para crescer e ainda é bem difícil ver um time sub-23 com mais potencial para vencer as Olimpíadas que este. No futebol, o jogar é sempre mais importante que o resultado - ao menos para este blogueiro. Seguindo assim, a equipe de Mano demonstra estar no caminho certo para alcançar seu auge em 2014 e ser a base canarinha desta década. Não é pouco.

Projeto holandês começa mal na Euro

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Com um futebol mais pragmático, a Holanda tentou acabar na última Copa do Mundo com a sua sina de encantar e jamais vencer. Não conseguiu. E quis o destino que outra seleção, marcada da mesma forma, superasse a Laranja mais Mecânica que já vimos, a Espanha. De lá pra cá, o técnico Bert van Marwijk parece ter revisto alguns de seus conceitos e feito sua equipe voltar às raízes.

E é esse recomeço que marca a estréia ruim da favoritíssima Holanda contra a mediana Dinamarca. Em um jogo atípico, a seleção holandesa perdeu por um magro 1X0, mas mostrou um 4-2-3-1 muito objetivo, mas incapaz de vencer o dia ruim do fominha Robben e de Van Persie, em dia de André Lima no quesito finalizações. Mesmo jogando bem, a Laranja Mecânica demonstrou problemas em chutar ao gol.

Assim como a França e a Inglaterra, a Holanda também passa por um processo de reconstrução. Embora com uma equipe mais acostumada a jogar junto, é uma filosofia mais diferente. E ofensiva.

A Rússia que dará trabalho

Publicado  sexta-feira, 8 de junho de 2012

Nos pés do bom Dzagoev e sob o comando de Arshavin, a Rússia demonstrou que pode não ser favorita à Eurocopa, mas que deve ser respeitada. Com um time forte taticamente e com bons valores individuais, a goleada contra a República Tcheca demonstrou uma equipe fria e capaz de surpreender.

De preocupação, fica a oscilação do time russo no segundo tempo quando pareceu cansado demais - algo que deve ocorrer com frequência em uma Eurocopa com tantos jogadores em fim de temporada - e sofreu o primeiro gol. Ainda assim, o péssimo dia de Kherzakov deve ser levado em consideração. Que a Rússia não perca tantos gols diante de equipes mais fortes, quando vai precisar jogar além do seu limite para triunfar.

Impossível não comparar a equipe do técnico holandês Dick Advocaat com a Laranja Mecânica que encantou o mundo. Com toque de bola e paciência, a equipe russa promete dar mais trabalho do que muita gente está acostumada a ver. A Eurocopa agradece.

E o Botafogo consagra Roth

Publicado  quinta-feira, 7 de junho de 2012

A virada espetacular de 3X2 do Cruzeiro comprova fraquezas antigas do Botafogo. Mais uma vez o time perde uma vitória sólida e converte em uma derrota amargamente inesquecível. Desde aquela já distante derrota para o River em uma sul-americana, se tornou padrão. Mas o que Celso Roth tem a ver com isso?

A equipe celeste conta com um dos elencos mais fracos que já vi no Cruzeiro, fruto de uma das gestões mais atrapalhadas que o clube já teve. Roth não tem culpa de alguns reforços que ganhou, mas é capaz de montar times que joguem em seu limite e cheguem muito mais longe do que os nomes fazem parecer. Não é à toa que é o melhor nome pro time mineiro nesse momento.

A torcida mineira talvez não aceite tanta fraqueza e exija um time ofensivo e capaz de vencer o brasileiro. Infelizmente, não terá isso. Uma vitória tão espetacular pode trazer o torcedor para o lado de Roth e abraçar o limitado Cruzeiro, mas que jogará tudo o que pode. Por mais feio que seja.

O mártir Zico

Publicado  terça-feira, 5 de junho de 2012

O imbróglio Ronaldinho revela uma das posturas mais desprezíveis que a gestão Patrícia Amorim trouxe ao Flamengo. O expediente baixo e sujo de “fritar” um profissional para forçar sua saída espontânea. Nesse tipo de confusão vale todo tipo de intimidação. Cercar o carro, tentar coagir e depois avisar para a imprensa que o cara tem seguranças armados e por aí vai.

Não foi só com Ronaldinho. Vanderlei Luxemburgo enfrentou dúzias de situações semelhantes que incluem até um dirigente que criticou um reforço do gerente-técnico para repórteres. O técnico do Grêmio tem longa passagem pelo futebol mundial e sabe bem do que ele é feito. Não afinou e se segurou no cargo até o fim. Foi recompensado com uma multa rescisória que lhe deu aproximadamente R$ 4 milhões. Ronaldinho também se segurou como pôde, mas optou por outro caminho. Infelizmente, não era o que a diretoria esperava. Uma rescisão nada amigável.

E nesse cenário, lembramos de Zico e sua saída.

Arthur Antunes Coimbra, como alguns preferem chama-lo, cometeu uma pá de erros em sua gestão. Contratou muito mal quando se falou em jogadores (Val Baiano e Borja são os melhores exemplos) e foi muito pior em relação à comissão técnica ao apostar em um fraquíssimo Silas, insistir no despreparado Rogério e aceitar a substituição da comissão fixa do clube. Pouco se fala no boicote que sofreu de dirigentes, o que ficou foram seus erros.

E com tudo isso, Zico pediu para sair. Hoje, pouca gente se lembra, mas todos os dias havia denúncias que jamais foram comprovados: lucro com a transação X, filho recebendo Y e por aí vai. Mesmo procedimento: vamos fritar quem queremos que saia. Com o clube brigando na parte de baixo, Arthur saiu para se tornar novamente Zico. Levou consigo as denúncias, não trouxe nenhum prejuízo com sua rescisão e saindo, as denúncias desapareceram. Talvez porque Luxemburgo - uma figura acima de qualquer suspeita, certo? – assumiria em seguida.

Rei morto. Rei posto.

E hoje, quando vemos sair o camisa dez que não aguentou o peso de um manto, mas quis roubar outro tanto lembramos de quando quem servia de escudo não virou uma espada contra o Flamengo. Vamos lembrar de quem ainda hoje é taxado por alguns de covarde, fujão, incompetente e jamais responde, impedindo que o debate se prolongue. Que o escudo CRF se manche mais. Lembremos mais uma vez do mártir Zico.

Porque nas lembranças o Flamengo jamais envergonha. Porque os torcedores só lembramos das coisas boas. Que seja assim com Arthur, o mártir Zico.

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Texto meu publicado originalmente no Flamengo Eternamente.

Porque RG pode fazer sucesso no Galo. Se quiser...

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Craque da melhor estirpe do "se..." assim como seu xará e outros, Ronaldinho Gaúcho chega a Minas Gerais não com a expectativa de repetir as atuações pelo Barcelona, mas de provar que ainda existe um craque fenomenal naquele corpo. Há um ano eu acreditava piamente nisso e ainda creio, mas tenho mais dúvidas sobre a vontade do jogador em se recuperar.

Apesar dos exageros, o camisa 49 do Galo não fez apenas aquele jogo com a camisa rubro-negra. Jogou bem boa parte do primeiro turno do Brasileiro, em que chegou a superar o incontestável Neymar nas notas de analistas e na liderança do Troféu Armando Nogueira. A partir de problemas salariais com o clube, ele caiu de produção de forma injustificável. É bom repetir: apesar dos atrasos, a queda de Ronaldinho e sua atividade nas baladas fora de campo não se justifica.

Com tudo isso, repetindo essas atuações em dois turnos em um time que não se classifica para a Taça Libertadores há anos e tem tudo para conseguir em 2011 já será muito. Ronaldinho tem tudo para fazer sucesso entre atleticanos porque lá terá uma infraestrutura melhor, uma imprensa com um relacionamento sem tanto desgaste e, talvez, não sofra os mesmos problemas que enfrentou no Rio de Janeiro (é bom lembrar que o Atlético costuma atrasar salários também e tem outros problemas financeiros).

De qualquer forma, o que ele fez no Flamengo em 2011 ainda é pouco para seu talento, mas ele só precisa ser mais regular. E esse é o mais difícil quando se fala em Ronaldinho: ele ainda quer?

Como a seleção brasileira vai atrapalhar seu time

Publicado  segunda-feira, 4 de junho de 2012

Finalmente parece que vai! Mano Menezes conseguiu algumas vitórias animadoras onde o resultado e o adversário empolgaram menos do que o futebol jogado. De qualquer jeito, nenhum torcedor se anima muito ao imaginar quem o técnico pode convocar de seu próprio time. Afinal, com o campeonato brasileiro rolando a chance de seu time perder um jogador por uma contusão em um jogo da seleção ou até por aumentar a já desgastante maratona de jogos é grande. Para alguns é menor e para outros é beeem maior. Vamos lá:

Atlético-MG: O zagueiro Réver talvez seja o terceiro que mais mereça a amarelinha na posição, depois dos inevitáveis Thiago Silva e Dedé. Não vem aparecendo nas convocações, mas se o Galo manter a boa fase isso deve mudar. O centroavante André, que Mano lamentou ter saído do Brasil em 2010, é outro que pode perder jogos do brasileiro para esquentar o banco canarinho ao lado de Pato ou Damião.

Botafogo: Tem jovens jogadores surgindo, mas dificilmente a tempo de irem para os Jogos Olímpicos. E para o torcedor, perder Elkesson está mais para reforço que desfalque. A chance de perder Jefferson, o melhor goleiro acima de 23 anos, em muitos jogos é real. O reserva Renan é bom, mas não mantém o mesmo nível. Não perde tanto, mas o problema é que já não tem muito.

Corinthians: É o melhor dos mundos ter um time competitivo, mas sem um grande destaque técnico. Com exceção do brilhante Paulinho (que pode ser vendido para a Inter) e algum eventual reforço, não tem nenhum selecionável. Vai levar vantagem nesse brasileiro de novo e comandar a pauta da teoria da conspiração da semana: Mano é corintiano, o Sanchez manda na CBF ou a Globo é que pediu? Nada. O time tem jogadores individualmente bons, no máximo, e tem um esquema tático muito sólido. Com exceção de little Paul não é time para ajudar a seleção mesmo. Azar de quem não é Fiel.

Cruzeiro: Galera celeste parece mesmo não correr perigo nessa. Só não sei se é para comemorar. De longe, um dos piores momentos da raposa no retrospecto recente. O goleiro Fábio é quem pode faltar a alguns jogos, mas parece ter perdido espaço.

Flamengo: Se Mano não repetir aquela atrocidade chamada convocação-do-Renato-Abreu (oremos), não deve perder ninguém. Vágner Love talvez mereça uma chance, mas o momento do time não ajuda. Tem que acertar a casa de um jeito ou de outro e Mano não deve incomodar muito nisso.

Fluminense: A incógnita chamada Fred certamente não vai desfalcar o time menos jogos expondo a frágil panturrilha em amistosos por aí. Vai perder o camisa nove para o destino em algumas rodadas e para Mano em tantas outras. Quem mantém um cara com esse histórico não pode reclamar de Rafael Moura depois. Thiago Neves dificilmente vai se encaixar no 4-3-2-1 que Mano quer consolidar, mas Wellington Nem parece um convocável para as olimpíadas. Já Diguinho tem concorrentes melhores e Edinho seria tão bizarro quanto Renato Abreu (oremos). O resto do time não tem nenhum selecionável e Deco não deve voltar vestir a camisa de Portugal em qualquer jogo que não seja uma despedida oficial. Ao lado do Corinthians, leva vantagem.

Grêmio: Victor parece ter menos chances na seleção, mas o problema é que em uma eventual convocação ficará olhando Jefferson jogar. E goleiro sem ritmo de jogo é um problemaço. Imortal perde o cara nos jogos do Brasil e nos que ele vai precisar para se recuperar, caso fique muito tempo fora.

Internacional: Oscar e Damião vão se ausentar em uma pá de jogos. A boa notícia é que se o primeiro meia ainda está começando uma história, o centroavante deve estar perto do fim da sua. A qualquer momento pode ser vendido. Mas dá para achar isso melhor do que perder o cara em alguns jogos? Ainda tem a chance de perder D’Alessandro para as convocações argentinas.

Palmeiras: Desse mal o alviverde não morre. E assim como o Cruzeiro, não sei se dá para comemorar isso. O zagueiro Henrique e o bom lateral Cicinho podem chamar a atenção de Mano, mas não está pintando isso.

Santos: Opa, você torcedor do Peixe pode espernear, reclamar... Ganso, Rafael e Neymar devem fazer o seu Laor paralisar o Brasileiro em algumas rodadas de novo. Não satisfeito com isso, tá cheio de comentarista que pede o Arouca lá e eu acho que até o Alan Kardec merecia uma chancezinha, quem sabe. Já vi colunista inclusive pedindo o Muricy no lugar do Mano. Sabe aquele papo que o sucesso incomoda? Então é bom qualquer santista se sentir incomodado.

São Paulo: O tricolor deve perder Lucas e, talvez, Jádson. Mas gente como Luiz Fabiano e Ceni já não correm mais esse perigo. O grande problema é perder dois titulares que nem devem jogar. No caso do moleque do gol a coisa piora porque a chance do cara voltar das Olimpíadas sem ritmo de jogo é bem razoável.

Vasco: Rômulo tem sido o destaque nessa fase boa da seleção e vai se ausentar a um time que pode perder quase metade dos titulares na hora de renovar. Mano é um problema menor do que a demora do clube nas renovações. E não dá para desconsiderar a chance da janela levar o mito Dedé...


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Texto meu originalmente publicado no Futirinhas.

Zinho e a reação que o Flamengo pode ter

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O discurso é firme e a palavra é dada olho no olho. Cada frase de Zinho é pontuada com uma convicção que não combina com a gestão vacilante de Patrícia Amorim e outras. O ex-jogador tem cinco brasileiros e uma libertadores (mais do que a maioria dos times nacionais), fora o tetracampeonato em 94. Ele é respeitado por qualquer boleiro que sabe que ali tem alguém que já esteve do outro lado. E levou quase tudo o que disputou. É o nome da improvável reação rubro-negra.

Já falei das chances do Flamengo aqui. Mas o futebol é dinâmico e qualquer análise de futebol pode se alterar dependendo dos acontecimentos. Com todos os seus erros, Patrícia acertou na escolha de Zinho (nas redes sociais sempre achei melhor apostar em um diretor promissor que conhece o clube do que em nomes ultrapassados e em fim de carreira). E é o ex-meia quem pode simbolizar a reação rubro-negra na temporada.

O que o rubro-negro precisa é manter os salários em dia e abraçar Joel Santana. Em um esquema solidário em que todos corram, é possível - ainda que não seja exatamente provável - que o Flamengo volte a surpreender com um time que tome poucos gols e conte com o competente Vágner Love na frente. É claro: é bom que o próprio Joel se ajude e pare com escalações com quatro volantes e uma média de idade altíssima. Caso contrário, vai ter que deixar o clube.

Houve um tempo em que o Flamengo se espelhava em Zico, já se viu como Romário e teve um hiato até o imperador Adriano simbolizar o clube. Hoje, a referência está fora de campo. Se os torcedores querem alguma coisa nesta temporada, que exijam que o Flamengo seja como o trabalhador Zinho sempre foi: firme, convicto e com sede de conquistas.

Improvável almejar algo esse ano ainda? Só Deus sabe o que é provável para o Flamengo.




Oscar ou Ganso. E não os dois

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Quarenta e dois passes com apenas um errado. A estatística prodigiosa no jogo contra os EUA pesa a favor do Oscar, que há tempos já assumiu o espaço de Ganso como provável camisa dez da seleção. Mais versátil, dinâmico e regular,  o meia do Internacional vai passando a frente do jogador do Santos, às voltas com a sala de cirurgia mais uma vez.  Mas há quem acredite que os dois devem jogar juntos. Eu discordo.

Seja pelo motivo que for, o meia-armador não é uma posição exatamente comum no futebol atual. Optar por apenas um dos dois, garante ao Brasil um reserva. Escolher ambos faz Mano Menezes precisar de mais dois jogadores com perfil semelhante, onde já foi bem difícil achar essa dupla.

Além disso, em um eventual 4-4-2 com dois meias o 4-2-3-1 perderia um atacante. Se Neymar é imprescindível e precisa de um centroavante para abrir espaços, será que as boas atuações de Hulk não indicam que o atacante do Porto merece uma sequência? E o mais importante: Ganso está jogando ou, principalmente, é mais confiável do que qualquer um dos três?

E mesmo que isso não convença você: o maior mérito de Mano é tentar não se pautar pelos resultados, mas pela recuperação da escola brasileira de futebol. Quer benefício maior que ver uma seleção canarinho jogar com três atacantes?

Ronaldinho não é Fantástico

Publicado  domingo, 3 de junho de 2012


Reza a lenda que Ronaldinho Gaúcho e seu staff não gostam da Globo. O motivo? A repercussão negativa do desfecho da Copa do Mundo de 2006 (pessoas ligadas ao jogador sempre acharam que o camisa dez foi mais cobrado pela mídia que Ronaldo Fenômeno). Não sei se é verdade, mas foi com isso na cabeça que assisti sua entrevista para o Fantástico nesta noite.

Você deve lembrar de algumas entrevistas comandadas por Patrícia Poeta com Adriano (na véspera de sua chegada ao Corinthians) e a de Ronaldo (após o escândalo com travestis no Rio de Janeiro). Em ambas, o bate-papo foi melhor para o entrevistado do que para o espectador, servindo para que falassem seu lado. Nessas horas, a (ótima) jornalista cumpria seu papel de fazer perguntas incômodas, mas dificilmente incomodava os jogadores pelo formato da conversa.

Tadeu Schmidt agiu de forma semelhante, mas com uma pequena diferença. Entrevistou Ronaldinho de forma incisiva sobre casos já fartamente divulgados pela imprensa: indisciplina, falta de dedicação, saída de técnicos, etc. Ronaldinho negou todas, esperando que a sua palavra fosse a final. O Fantástico cuidou para que cada declaração fosse devidamente contextualizada, lembrando como o que ocorreu difere do que o astro diz. Teria sido mais honesto com o jogador insistir nas incoerências naquele momento, mas invariavelmente entrevistas desse tipo são vulneráveis a um assessor que interrompa o papo ou a um entrevistador que se levante com 30 segundos de conversa.

Mesmo assim, seguindo essa linha, o jornalista fez um trabalho melhor que as tradicionais entrevistas-release. Respeitou o entrevistado, mas informou ao espectador. Seria bom ver isso mais vezes na TV - e no próprio Fantástico. Parabéns a Schmidt. E que Ronaldinho perceba que daqui para frente, só a sua palavra vai convencer cada vez menos.

Update: veja a entrevista aqui.

Popó Balboa vence a última

Publicado  sábado, 2 de junho de 2012


Michael Oliveira é um boxeador talentoso (ao menos, é o que seu currículo diz), mais jovem e do tipo provocador. Popó, aposentado, recebeu o desafio e aceitou. Os adeptos do conservadorismo esportivo, como este blogueiro, questionaram pra quê o então ex-boxeador arriscaria seu irretocável prestígio em uma luta dessas. É o tipo de coisa que a gente só vai conseguir discutir depois da luta.

O cenário acima, trocando algumas letras, poderia ser a sinopse de Rocky Balboa, que não faz tanto tempo acima ressuscitou um personagem meio esquecido do imaginário coletivo. De quebra, a gente ainda tinha o filho do boxeador semiaposentado próximo ao ringue mandando algo como "bate nele, pai".

E Popó, que já tinha se despedido há tempos, se aposentou de novo dando um nocaute técnico. Dizem por aí, que a má fase midiática do boxe tem a ver com a falta de ídolos. Depois desta noite, ninguém vai poder reclamar da falta de idéias para o cinema. É difícil pensar em uma noite mais cinematográfica. Valeu, Popó!

Lucas não será Neymar. E nem perto disso

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Quando surgiu, Lucas dividiu os holofotes com o surgimento do astro absoluto Neymar. Era uma época em que ainda se discutia o talento do craque santista com cada torcedor dizendo que tinha uma revelação no mesmo nível (ouvi de um flamenguista que o meia Erick Flores jogava tanto quanto). A imprensa paulista resolveu adotar a revelação como um provável contraponto tricolor a Neymar e isso criou uma confusão que o jogador e seu staff regularmente mantém.

A comparação hoje pode parecer equivocada com o craque em má fase. Mas já tivemos Rogério Ceni apontando Lucas como até melhor do que Neymar e o próprio jogador diz que sonha em ser o melhor do mundo. Não será. Lucas é um jogador que vai brilhar e ser ídolo por diferentes clubes, como Juninho Paulista, Leonardo e outros. Mas dificilmente será a referência de uma geração ou de um ano.

Essa semana, o jogador e seu empresário pediram um planejamento para permanecer até a Copa de 2014. E lá está a citação ao craque santista: Lucas quer um plano de carreira, patrocinadores e por aí vai. Quer ser tratado de forma diferente, embora seja mais comum do que pensa. Lembra o caso clássico de Plutão, rebaixado de planeta a planeta-anão.

O meia também vai sofrer na carreira enquanto se colocar como um jogador que não é e nem será. Rápido, habilidoso e bom de finalização, mas com visão de jogo limitada e oscilante, Lucas precisa entender que pode evoluir de bom a grande jogador, mas que dificilmente será craque. Antes que comece a ser cobrado por não ser.