Cinco motivos para os fracassos do Fla na América

Publicado  quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Flamengo não tem tradição na Libertadores e vai mal em competições sul-americanas. O título de 81 e as campanhas épicas da geração Zico são uma exceção na história de um clube centenário que tem sofrido vexame atrás de vexame a cada participação. Eliminações fazem parte do jogo, mas as do rubro-negro sempre tem gosto de vergonha e deixam a imagem de que o time não foi até onde poderia.

O futebol não é uma ciência exata, mas a história de fracassos do clube encontra pontos em comum. Se mesmo times que fazem tudo certo não conseguem conquistar competições sul-americanas sempre, uma instituição que comete tantos tipos de erros só pode apostar em lampejos. Ou em uma geração de jogadores muito acima de seus dirigentes:

1- Contratações de técnicos e diretores: Não há critério profissional na escolha de quem vai gerir o clube. Pior: o Flamengo comete o erro de não ter alguém acima do treinador o time para definir o planejamento e as  contratações. Com um diretor-executivo capacitado, você garante que o time terá um elenco de alto nível, com salários em dia e satisfeito ao invés de contratar jogadores ao pedido de cada treineiro sem que o próximo tenha vontade de utilizá-lo.

Fora isso o Flamengo começou a última Libertadores com Andrade, depois Rogério e agora tem Joel Santana. Juntos, não chegaram a uma semifinal da competição e não tem nenhum retrospecto em torneios intercontinentais. O histórico de Vanderlei no torneio sempre foi medíocre também. Sem um diretor, sem estrutura e sem um técnico que conheça os caminhos... Só com muita sorte.

2- Falta de concentração e análise dos adversários: Ano após ano o campeonato carioca parece concorrer com a Libertadores. Joel Santana entrou em campo pedindo a mesma dedicação que o time teve contra o fraquíssimo Bangu. Mas não só o rubro-negro enfrentava outro time como também disputava outra competição com arbitragens muito menos favoráveis ao clube carioca. É diferente. Mas enquanto o Mengo divide suas atenções entre duas competições - o que talvez explique tantos gols ao final dos jogos com um time exaurido - os adversários priorizam a mais importante: concentrando antes, estudando minuciosamente quem vão enfrentar, e encarando cada jogo com o máximo de seriedade.

Já o Flamengo paga salários atrasados como se fosse estímulo. Patético.

3- Perfil de jogadores: Desde a era Romário, a torcida e o clube parecem gostar de jogadores com esse perfil boleiro que admitem que bebem, não escondem que gostam de farra e, supostamente, resolvem quando entram em campo. E põe supostamente nessa. A curto e médio prazo, o saldo dos Bad Boys é sempre de lampejos e prejuízos a longo prazo. Romário pode ter rendido muito bem no Vasco, mas no Flamengo, e em sua atmosfera política, foi um fracasso em termos de títulos. Importa pouco se a culpa era da instituição ( e se fora da Gávea ele emplacou gols e títulos, não é difícil saber de quem é a culpa) ou do jogador, fato é que esse casamento não deu certo.

E será coincidência que a última conquista internacional do clube tenha sido justamente após a saída do ex-Rei do Rio? Ao invés de conquistar gente como Romário ou Ronaldinho, o clube deveria pensar em jogadores sérios, como o próprio Love ou gente focada em sua profissão, como o meia Kaká, que há pouco tempo era sondado por clubes brasileiros, ou até Alex, que ainda faz sucesso no Fehnerbace.


4- União do clube: Mais desunido do que qualquer Afeganistão será difícil o Flamengo conquistar uma Sul-Americana. E quase impossível uma Libertadores. Ao menos enquanto seus dirigentes preferirem lutar pela queda de um vice de futebol e de um técnico em vez de se unir pelo título. Foi assim com Marcos Braz e Andrade e se repetiu com Vanderlei Luxemburgo.

Competições intercontinentais são pressão todo o tempo e exigem muito de quem as disputa. Uma instituição sempre tão dividida internamente, com notícias vazando do vestiário a todo instante, começa sempre em enorme desvantagem.


5- Falta de respeito pela competição: Libertadores é, feliz ou infelizmente, uma guerra. Arbitragens são coniventes com a violência, torcidas atiram objetos a vontade e chegam ao cúmulo de cometer racismo. E por aí vai. Ou você vai pronto para a batalha ou é fuzilado pelo Defensor, LaU, Olimpia ou até mesmo o Emelec.

Enquanto o ônibus do Flamengo chegar atrasado ao estádio para passar na Gávea e dar carona a sabe-se lá que dirigente, dividir o treino de um jogo eliminatório com a comemoração por alguma taça irrelevante ou houver jogadores batendo boca ou brigando no vestiário, o clube nunca vai provar que respeita o torneio. E a Libertadores também não vai respeitar o Flamengo.

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