De azarão a favorito: o Botafogo é invicto... Será campeão?

Publicado  domingo, 29 de abril de 2012


O desfalque do Botafogo parecia ser pior que o do Vasco e o time passou um segundo turno sem demonstrar a mesma evolução do primeiro. Mas contra o Bangu e o Gigante da Colina, o alvinegro voltou a evoluir e demonstrar competência para superar suas limitações individuais. Com um elenco muito mais equilibrado que rivais com folha salarial maior - o Flamengo, por exemplo, tem jogadores tecnicamente melhores, mas hoje a estrela solitária dificilmente sente a ausência de um jogador - parece que Oswaldo de Oliveira & cia. cresceram na hora certa.

Invicto no campeonato e com uma eliminação nos pênaltis contra o Fluminense, o Botafogo saiu da Taça Guanabara indicando que talvez merecesse sorte melhor. O sentimento se ofuscou com uma atuação épica do tricolor, que não aproveitou o bom resultado para embalar na temporada. Mas o Alvinegro está aí de volta: invicto e embalado e, talvez, pronto pra ser campeão.

Você pode lembrar de 2010, mas naquele ano o Botafogo foi o azarão do início ao fim, se aproveitando de trabalho duro em contraste com a falta de foco do Mengo.  Este ano, o Botafogo joga melhor, faz o máximo que seus jogadores permitem e parece mais focado, ao contrário do Flu. É o favorito para a final. Será que a Estrela Solitária está pronta para essa condição?


Renato X Dedé: quem faz mais falta?

Publicado  

Dois jogadores clássicos e que fazem da técnica e não da força, sua principal característica. Não há dúvida de que o zagueiro do Vasco hoje é mais jovem, leva vantagem na parte física e, talvez, tenha um arsenal de qualidades maior do que o volante do Botafogo. Ainda assim, é Renato quem mais fará falta no clássico.

No meio de campo, Renato atua com classe no desarme e na armação de jogadas. É difícil imaginar o meio de campo alvinegro funcionar com o mesmo equilíbrio sem ele. E é outra limitação da Estrela Solitária que faz a falta do volante ser mais sentida do que a Dedé: o oscilante ataque.

Com Loco Abreu em péssima fase e Jóbson ainda em busca de sua melhor forma - são momentos assim em Bad Boys que criam o folclore que funcionam melhor sem se cuidar do que com rigor na preparação física - a zaga vascaína tem uma missão bem mais fácil em substituir o melhor zagueiro em atividade no Brasil. O Vasco não tem Dedé, mas o Botafogo ainda não encontrou seu ataque.

Se Rodolfo e Renato Silva não inspiram confiança, dificilmente encontrarão uma final com mais chances de brilhar do que essa. A não ser que Loco chute o momento ruim para escanteio e resolva reaparecer hoje. Clássico é clássico.

Porque Guardiola não daria certo no Brasil

Publicado  sexta-feira, 27 de abril de 2012

O futebol do Barcelona é para a frente, sempre na busca incessante pelos gols e o ataque. Fala-se muito de Messi como o melhor, mas se esquece a importância que Pep Guardiola teve a frente do esquema que tornou o meia argentino brilhante. E com tudo isso, é impossível não sonhar com o ex-técnico do Barcelona a frente de um time brasileiro ou, melhor, comandando a seleção brasileira. Um sonho vão.

Ele foi o homem que afastou jogadores que eram ídolos do clube catalão, porque entendeu que o tempo deles passou e que Ronaldinho já não tinha a gana para atuar em alto nível. Aqui no Brasil jamais contaria com a paciência da maioria dos torcedores, sempre do lado dos boleiros e do resultado. Nunca da proposta de jogo por si só. No Brasil torcedores vaiam técnicos ou dirigentes que vaiem ídolos que não podem mais render ou que simplesmente passam por má fase em seus clubes.

 Guardiola é um cavalheiro, nossos torcedores preferem boleiros. Ele fala a língua dos jogadores, mas jamais seria o "paizão" que muitos gostam. E daqui do Brasil, ficamos assim: com nossa admiração justa e imensa por um sujeito que nos deu um dos maiores times de todos os tempos e, talvez, o maior de toda uma geração. No país do futebol, Guardiola sempre será querido, mas não tem o estilo que faz sucesso por aqui. Azar o nosso.

Chelsea mereceu porque o futebol não é só jogar

Publicado  terça-feira, 24 de abril de 2012

"O futebol perdeu" dirão alguns críticos diante da derrota do Barcelona. O blogueiro não discorda deste pensamento e falou dele na semana passada. Mas não dá para falar em uma injustiça tão grande diante de um fragilizado Chelsea na melhor base do fazer-o-que-podemos-fazer. O injusto é um deus pontual do futebol, raramente atende a chamados épicos. Se há alguma coisa injusta na classificação inglesa, ela deve perder espaço para a exceção em derrotar um time quase invencível com um a menos.

Com uma folha salarial talvez superior, mas com um time infinitamente pior o Chelsea jogou a partida de sua vida. Deu tudo de si com a própria imagem de Drogba dando o primeiro combate na área do blues com todo brio que um campeão deve ter. Será mesmo que isso não é futebol? Dar tudo de si para superar um adversário muito superior não faz parte do esporte? Não são dessas vitórias imprevisíveis que tornam o futebol mais imprevisível e emocionante do que outros esportes?

O Chelsea vencer pode manter a lei maldita de times que acreditam mais no resultado do que no futebol, assim como uma vitória do Barça ajudaria a sepultar isso. Mas o que os blues e sua torcida tem a ver com isso? Que comemorem uma vitória de aplicação, raça e, principalmente, superação. O bom futebol terá sua chance de reescrever essa história em algum momento.


Porque torcer pelo Bayern

Publicado  

O Real Madrid é galáctico e o segundo time de muitos brasileiros (alguns com uma boa dose de recalque pela supremacia incontestável do Barcelona). Ainda assim, o Bayern de Munique representa algo que pode ser muito melhor exemplo para o futebol mundial e brasileiro: a lição alemã.

Após sediar uma Copa do Mundo e demonstrar a seleção mais promissora do último Mundial, a Alemanha é hoje representante do melhor futebol que queremos em vários níveis. Tem a melhor liga européia com grandes jogadores, estádios lotados e nenhuma violência nas arquibancadas, o escrete com o melhor futebol e uma geração talentosíssima de alemães. O Real Madrid tem o dinheiro e as estrelas, mas o Bayern tem o trabalho e o exemplo.

Torcer pelo Bayern nesta Liga dos Campeões é defender um futebol menos calcado em cifras milionárias e mais preocupada em respeitar o esporte e o torcedor. Não queremos apenas times estelares, mas futebol e, principalmente, mais estádios com espetáculos como a Muralha Amarela. Torcer pelo Bayern hoje é acreditar que isso é possível, especialmente aqui no Brasil.

Virada vascaína demonstra maturidade

Publicado  domingo, 22 de abril de 2012

Em algum momento daquele absurdo péssimo início de ano em 2011, algo mudou no Vasco. Não dá para negar os efeitos que a saída de PC Gusmão e Carlos Alberto tiveram, mas principalmente, a guinada vascaína de um time eternamente abatido para outro incansavelmente disposto a dar trabalho em campo.

No clássico contra o Flamengo, o Vasco demonstrou que não é apenas um time com personalidade e aplicação. O rival tinha qualidade, personalidade e entrou tão motivado quanto o Gigante da Colina. E o que sobrou? Superioridade tática onde Cristóvão Borges, que vem crescendo como técnico, pôs em campo um time com muito mais consciência do que deveria fazer.

Há oscilações no Vasco pelo velho amadorismo do clube. Mas mesmo assim, já fazia tempo que o vascaíno não se sentia tão orgulhoso de seu time. O Vasco, finalista da Taça Guanabara, chega à final da Taça Rio com méritos incontestáveis.

Sem jornalismo, Arena SporTV lança candidatura de reeleição de Patrícia Amorim

Publicado  sexta-feira, 20 de abril de 2012



Durante a semana, comentei aqui o brilhante texto de André Rizek sobre a presidente do parquinho e as críticas justas e ponderadas do jornalista e de Renato Maurício Prado no Redação SporTV. Dias depois, Patrícia Amorim citou o termo "presidente do parquinho" cinco vezes na minha contagem durante sua participação no Arena SporTV, demonstrando que a crítica lhe atingiu.

Curiosamente, o tom do programa foi totalmente avesso de um jornalismo crítico, que incomoda e que cobra. Foi na linha de dar palanque para que a presidente confirmasse pela primeira vez em três anos que é candidata à reeleeição. Até mesmo o ótimo Felipe Awi encontrou dificuldades em fugir da linha release do Arena, que não contestou nenhuma das afirmações de Patrícia. Wagner Villaron chegou a duvidar que qualquer presidente do clube não priorize o futebol, demonstrando que não tem acompanhando as notícias recentes sobre o Flamengo. O âncora chegou a perguntar "qual a situação que mais chateou a senhora" em um episódio rotineiro durante o programa: levantar para a ex-nadadora Patrícia cortar.

Ao final do programa, o Arena SporTV em mais um episódio digno de programa eleitoral e não de jornalismo mostrou imagens de Patrícia como atleta, já exaustivamente exibidas quando ela foi eleita presidente. Faltou talvez imagens de Patrícia como bebê, depoimentos da família ou, quem sabe, imagens dela como uma menina com a camisa do Flamengo.

Ao final, Patrícia agradeceu o espaço no programa: "muito importante falar aqui ter esse espaço pra falar porque nada do que é dito aqui é interpretado. É tudo ao vivo." Ao vivo e em cores, o Arena SporTV serviu para Patrícia se candidatar à reeleição e até mesmo confirmar que não irá chefiar a delegação olímpica (a nota oficial foi divulgada durante o programa). Só não serviu para lhe cobrar explicações.

Meus palpites para a semifinal da Taça Rio

Publicado  



Como fiz o mesmo na Taça Guanabara não poderia deixar de fazer do segundo turno, certo? Jogo rápido então:

Bangu X Botafogo: Não dá para eleger o Bangu favorito em um jogo desses em nenhuma época recente. O problema é que o Botafogo de Oswaldo parou de evoluir no segundo turno da competição especialmente por causa de seu ataque. Nem Loco e nem Jóbson ainda confirmaram as expectativas que criaram para este ano.

Ou seja, um time que já precisava de um zagueiro melhor que o mediano Antônio Carlos para fazer dupla com Fabio Ferreira e dois laterais para disputar posição, parece também precisar de uma nova dupla de ataque. Dá quase meio time. Então mesmo sendo favorito, o Botafogo vai para um jogo difícil pela fase que vive. Do lado de lá, o Bangu evoluiu muito desde a Taça Guanabara. É um time fraco tecnicamente, mas muito forte taticamente e equilibrado. Vai dar trabalho.

Flamengo X Vasco: Quando Joel Santana chegou à Gávea cravei para vários amigos que dificilmente o Flamengo seguiria na Libertadores ou levaria o estadual com ele. A primeira parte da "profecia" já se cumpriu, mas algo mudou para a segunda. Não que natalino tenha melhorado, mas simplesmente porque os adversários do rubro-negro decepcionaram.

O Fluminense não joga no nível do seu elenco, o Botafogo, como disse acima, parou de evoluir (algo que eu apostava depois da taça Guanabara) e o próprio Vasco parece cada vez menos com aquele time empolgante de 2011. Nenhum desses times pode ser considerado carta fora do baralho, mas a questão é que sua falta de evolução tornam o trabalho medíocre no Flamengo próximo ao deles. E em clássico tudo pode acontecer.

O Vasco é o favorito para domingo enquanto a bola estiver rolando. Nos pênaltis, jamais vencerá uma disputa com o bom Fernando Prass, péssimo em defesas de penalidades máximas.

Ao abandonar Ronaldinho, Patrícia demonstra que quer continuar no poder e não mudar o Fla

Publicado  quarta-feira, 18 de abril de 2012

Patrícia amava Marcos Braz, mas flertou com o Conselhinho que abandonou por Zico que defenestrou antes de ficar com Vanderlei Luxemburgo, que não amava ninguém mas entendia de futebol. Luxa insistiu, mas Patrícia lhe abandonou para ficar com Ronaldinho, que já tinha entrado na história mas hoje já não é tudo isso em seu coração.

Esta quadrilha de Patrícia é adequada para o atual momento do clube. Depois de demitir o principal responsável pelo futebol no início do ano e pagar um dos maiores saláros do mundo sem patrocinador ou parceiro, a presidente do Flamengo põe em dúvida a permanência da principal estrela de sua gestão. Como explicar uma líder que muda os rumos da administração tantas vezes?

Há uma coerência na gestão atual do clube que só cegos insistem em confundir com indecisão. Patrícia muda a gestão do futebol em média duas vezes por ano (quatro em 2010, nenhuma em 2011 e pelo menos uma este ano) porque seu compromisso é continuar no poder. Seu comando repercurte o eco da multidão, a estatística de sua ouvidoria e o alvo midiático da semana. Tudo porque ela nunca teve uma visão de gestão do clube ou do futebol, que trata como um estorvo necessário.

Mas como todo político sem visão, Patrícia sempre teve compromisso com o poder. Por isso, faz uma carta endereçada aos beneficiados por reformas na sede social. Trata-se do que julga seu eleitorado fiel. Pouco importa as consequências que sua mudança de acordo com os ventos dos acontecimentos terá para o clube. O que Patrícia quer é permanecer onde está. Gostem ou não, ela caminha pra isso. E que seus eleitores saibam: pode demorar oito meses ou mais três anos, mas isso não vai acabar bem.

Fluminense: o mais perigoso primeiro colocado

Publicado  

Historicamente, o primeiro lugar geral da Libertadores nunca tem uma vida lá muito fácil. Que o diga   o brilhante Cruzeiro de 2011 que perdeu a vaga nas oitavas e ali todo o ano. Por isso, ser líder da competição é meio que um paradoxo maldito: ao mesmo tempo que as equipes buscam sempre vencer na fase de grupos, as torcidas temem o tabu.

Tabu? Difícil imaginar um time mais pronto para quebrá-los do que o Fluminense de guerreiros. Apesar de jogar mal contra os reservas de um mediano Arsenal, perder um pênalti inacreditável o tricolor das Laranjeiras consegue tranformar um vexame em algo épico. E será que para por aí?

Não duvide que transforme o kármico primeiro lugar na Libertadores em um título. O Fluminense insiste em ser inacreditável até quando não tem razão em sofrer.

Prós e contras da vitória do Chelsea

Publicado  

Quer vencer o Barcelona? É simples: treine a temporada inteira um time que assuma a iniciativa do jogo, faça a bola girar e faça infiltrações rápidas. Para ter a maior chance possível de vencer o Barça é preciso jogar com a filosofia catalã. Mas não adianta tentar isso de um jogo para o outro, é indispensável ter isso na cultura do time.

O Chelsea contrariou toda esta tese essa tarde. Fez o que todos os times europeus fazem: apostou em uma filosofia de jogo previsível e rezou para nunca pegar o Barça. Quando encontrou pela frente fez o óbvio: coloca o time inteiro atrás e sai em velocidade. Em dez jogos, você vai perder nove jogando assim. Hoje era o dia da exceção. Drogba é um jogador raro.

É legal ver um time tirando a invencibilidade do Barcelona e colocando um pouco de emoção em um time absolutamente superior a todos do mundo mesmo longe de sua melhor fase. O grande problema é que boa parte dos times europeus vai ver nesse resultado uma esperança quando ela deveria apontar outro caminho. De qualquer jeito, os blues não tem nada a ver com isso e comemoram ótimo resultado hoje.

Qual o Rio que Copa e Olimpíadas vão deixar?

Publicado  



"As eleições deste ano vão definir como será o Rio de Janeiro pelos próximos 30 anos". É com essa afirmação absolutamente sensata que Marcelo Freixo explica a importância do voto de todos os cariocas nestas eleições. Gaste um pouco do seu tempo para assistir. O vídeo é dica do amigo Felipe Gomes, do Melhores do Mundo.

O Palmeiras melhoraria sem Felipão?

Publicado  segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sem dúvida alguma Felipão decepcionou e contrariou minhas expectativas positivas para o Palmeiras em 2011. Este ano, não tem mais a desculpa do controverso Kléber e de um elenco dividido e apesar do bom começo do ano lá está o alviverde se perguntando se vale a pena manter Scolari no comando do time.

O Palmeiras hoje é o time paulista mais parecido com o Flamengo. Não pela história e tradição entre os dois gigantes, tão dessemelhantes. Mas pelo péssimo clima interno em que a política todos os dias bate de frente com o planejamento deixando a instituição cada vez mais atrás de seus rivais. Não justifica a má fase do time, mas torna mais difícil a vida de qualquer técnico. No Parque Antártica um Guardiola ou Mourinho teria dificuldades enormes para trabalhar.

Em um cenário desses, por pior que jogue o time ainda vejo Felipão como o  técnico mais merecedor de paciência. Não duvido que seu trabalho não é condizente com seu salário, mas duvido seriamente se ele é o problema, como Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho não foram. Demitir o técnico irá atender a ânsia destrutiva do torcedor alviverde, mas não vai melhorar o Palmeiras. Felipão hoje pode não sero técnico que o clube merece, mas é o que consegue trabalhar lá.

Romário fez mais gols do que Pelé. Será?

Publicado  

É o que a revista argentina El Grafico afirma. Romário seria o maior artilheiro de todos os tempos e tem mais: Pelé seria o terceiro colocado, atrás de do tcheco Josef Bican. Curiosamente, a marca de mil gols permaneceria inatingível com o baixinho liderando com os (ainda) impressionantes 768 gols.

Tudo vem de uma mudança de critérios. Ao invés de contabilizar tudo quanto é tento, a publicação sul-americana desconsiderou amistosos de clubes, torneios de verão, partidas amistosas de seleções contra clubes, jogos de pré-temporada, duelos que não envolvessem elenco profissional, jogos festivos, competições organizadas por clubes e, pasmem, gols marcados em seleções de base.

A polêmica pela polêmica é sempre algo insuportável. Mas a El Grafico presta um grande serviço ao jornalismo esportivo ao querer moralizar algo que ninguém se dá ao trabalho. Hoje em dia, dependemos exclusivamente dos atletas para haver essa contagem. Imagine quantas estatísticas perdemos de gente que fez história no futebol como Leônidas ou Heleno.

Isso para não falar de Túlio Maravilha se aproveitando de números pra lá de duvidosos para ser o terceiro a atingir a marca de mil gols. Curiosamente, o ídolo do Botafogo aparece na lista em nono lugar com 538 gols (a frente de Zico com 516).

Se alguém se der ao trabalho de descontar a diferença entre as contas do artilheiro falastrão e a da revista, vamos ter uma idéia do tamanho do seu exagero? Talvez. Mas é bom lembrar que dará um número próximo ao da mesma conta entre os 1208 gols do rei do futebol e os 757 tentos que El Grafico registra. Concorde você ou não com os critérios da revista, é uma chance que a imprensa e órgãos oficiais têm de buscar uniformizar os critérios. A história do futebol agradece.




Jênio do dia: Joel

Publicado  


O Flamengo jogou respeitando o campeonato, sempre colocando em campo o que tinha de melhor. Por isso, foi o melhor. Agora, como você disputa dois turnos, é o melhor em tudo e não recebe nada em troca. Ficamos 10 pontos na frente do Fluminense. O Flamengo deveria ter uma vantagem, não sei qual.

Em primeiro lugar é sensacional Joel Santana considerar uma virtude escalar os titulares durante todo o carioca. Sim, o time tem dez pontos a mais que o Fluminense, primeiro brasileiro a se classificar para a Libertadores. Qual torcedor você acha que está mais feliz?

E pra terminar: papai Joel disputa o Carioca há décadas. Por que só agora reclama da fórmula? Por que saiu prejudicado? Ah, Natalino...

As entrelinhas da carta de Patrícia

Publicado  domingo, 15 de abril de 2012

Um texto diz muito a respeito de seu autor e suas intenções. Se alguém escreve uma carta de recomendação e passa mais tempo explicando defeitos de um candidato do que sua experiência, significa que você está diante de alguém com mais a aprender do que a ensinar para o cargo. É esse o tipo de coisa que me ocorre quando leio a carta que Patrícia Amorim enviou para o jornalista Renato Maurício Prado

Contei 110 linhas na formatação em que a carta foi publicada no blog do jornalista. Destas, contei exatas catorze linhas em que Patrícia fala do futebol, carro-chefe do clube. Pouco mais de 10%. Isso diz muito sobre a importância que a presidente dá. Não é à toa que André Rizek comentou a carta em um texto com o ótimo título de A Presidente do Parquinho. É isso que a dirigente deixa claro nas entrelinhas de sua carta: ela não se importa com o futebol do clube mais do que está preocupada com as instalações da Gávea.

Quando ela escreve: "Fui eleita com a responsabilidade de administrar um clube social e esportivo com  mais de 10 mil associados, centenas de meninos em escolinhas de vários esportes e não somente um  departamento de futebol. A rica história do Flamengo está escrita também em letras de ouro por grandes campeões nos esportes olímpicos, como basquete, remo, natação e ginástica." Nesse parágrafo Patrícia deixa claro: o que fez 35 milhões de pessoas se apaixonarem e tornarem o Flamengo o que ele é se trata apenas de "um departamento de futebol". Um estorvo necessário. E não uma paixão que movimenta uma torcida que se convencionou chamar de Nação.

Para Patrícia todos os outros esportes são tão importantes quanto o futebol. Um equívoco que acabará trazendo antipatia. 35 milhões de torcedores aprenderam a se apaixonar pelo Flamengo graças ao esporte bretão. Se a carreira política da dirigente  não nasceu daí, é injusto que a torcida pague por isso. Mas no fim, explica tudo. Aos olhos de Patrícia a medida do Flamengo é a da sua régua. As outras 35 milhões de medidas que mudem ou se conformem.

São Paulo acerta em lutar por Oscar

Publicado  sexta-feira, 13 de abril de 2012

O meia dividido entre São Paulo e Internacional já mereceria ocupar o espaço cativo que o superestimado Ganso ainda tem no futebol e na seleção brasileira. Oscar hoje é a aposta mais segura para a vaga de meia de criação no Brasil e em qualquer clube. Será mesmo que o tricolor paulista deveria abrir mão ou facilitar o negócio?

Giuliano Bertolucci, empresário do jogador, começou o imbróglio ao propor  surreal aquisição de 30% dos direitos do jogador na renovação com o clube (você entende melhor a questão aqui). Em entrevista à versão impressa do Estadão na época, o agente explicou o pedido sem lógica como dever de qualquer um que defenda os interesses de jogadores. Esqueceu que qualquer jogador pode viver sem empresários, mas nenhum irá jogar sem clubes.

O São Paulo fala em defender não só seus interesses, mas do futebol brasileiro. Juvenal Juvêncio adora esse tipo de meia-verdade, mas está coberto de razão nesse caso. Oscar foi formado no clube, é um talento raro e o tricolor sai prejudicado ao não vê-lo com sua camisa. Deve mesmo brigar aguerridamente para conseguir a compensação que achar mais justa. E se isso prejudicar a carreira de um jovem talento? Oscar, assim como outros jogadores, deveria ouvir mais pessoas além de seu empresário.

Queda na Libertadores confirma erros de 2012

Publicado  quinta-feira, 12 de abril de 2012

"O Flamengo fez o certo pelos motivos errados", me disse um torcedor do Flamengo ao justificar a demissão de Vanderlei Luxemburgo este ano. Algo que discordo. Ao demitir seu técnico-manager por atrito com as estrelas, o clube enviou péssima mensagem ao grupo de jogadores. Onde o bonde manda, o máximo que haverá serão campeonatos estaduais ou lampejos quando os atletas estiverem afim. Que São Judas Tadeu ajude no resto do tempo.

Se a idéia era recomeçar do zero o clube teve a chance de fazer isso em dezembro, não no meio da competição mais importante no ano. A Libertadores é cruel com quem não a respeita e cobrou seu preço com uma eliminação que tumultuará o sono de muitos rubro-negros. Curiosamente, com uma vitória tão categórica não duvide que o fraquíssimo Joel Santana, co-responsável pela eliminação, saia fortalecido. O que leva à situação insólita de demitir o técnico que classifica da Libertadores e segurar o que elimina.

De qualquer jeito, em seu último ano do primeiro mandato, Patrícia, que deve se reeleger, precisará superar uma série de erros para ter um ano minimamente digno e que classifique o Flamengo para a libertadores, competição em que nas duas vezes que disputou sua gestão fez tudo para eliminar o clube. Ou pode insistir nos repetitivos erros de sempre.

Não é apenas o desgastado Willians que deve deixar o elenco ou o a estrela irregular de Ronaldinho. É indispensável recuperar a moral do clube em demitir os líderes que derrubaram Luxemburgo, se alegraram com Joel e dificilmente farão dessa democracia rubro-negro um exemplo igual ao da corintiana. Se Luxa não conseguiu frear o bonde e nem Joel dirigí-lo aos títulos, que Patrícia promova a reformulação que pode dar a este ano algumas esperanças para 2013. Ou então, 2010 se provará um ano que ainda vai demorar a acabar.

Apesar de vexame na Libertadores, Patrícia deve se reeleger

Publicado  



O cenário do título não é o mais certo, mas o mais provável. Mesmo sendo o único brasileiro  eliminado na primeira fase da Libertadores, o Flamengo deve ter a mesma presidente em 2013. Com todos os pesares, a reeleição de Patrícia Amorim ainda é provável.

Boa parte da base política da dirigente se fragmentou em sua gestão desastrosa. Há simpatizantes e eleitores que tem vergonha do apoio que deram à uma candidata que descumpriu todas as suas promessas de campanha. Ainda assim a falta de um nome de consenso para enfrentá-la nas eleições de 2012, tornam sua vitória cada vez mais provável.

Além da fraca candidatura de Ronaldo Gomlevisky - um bom candidato, mas com potencial para pouquíssimos votos - já há rumores até de um eventual retorno de Márcio Braga ao cenário político rubro-negro, por pura falta de um candidato ideal. Caso se concretize, a derrota é provável porque após tantos mandatos o ex-presidente tem um enorme desgaste entre vários sócios, que considerariam uma reeleição de Patrícia um mal menor diante de um retorno do dirigente hexacampeão. Braga ainda teria que unir uma oposição dividida desde 2009 e superar essa rejeição. Algo pra lá de improvável, embora não impossível para um hábil político que já conseguiu esse milagre antes.

Há três esperanças mais claras para quem sonha com o fim dos dias de Patrícia na presidência. A primeira é que surja um nome de consenso que una a oposição (o ex-vice de finanças José Carlos Dias, por exemplo, poderia ser uma opção, mas dificilmente aceitaria concorrer ao cargo) ou, em segundo lugar, que todos que não estejam na situação abracem a candidatura de Gomlevisky. As duas situações não têm nenhum vislumbre de ocorrerem nesse início de ano eleitoral.

A terceira possibilidade é que os resultados no campo tornem a vida de Patrícia insuportável na presidência do Flamengo. Mais preocupada em se reeleger vereadora - a própria candidatura à presidência do clube foi uma tentativa de alavancar sua carreira política, fracassada pela péssima gestão - Patrícia possivelmente abriria mão de uma reeleição com tanto desgaste. E perderia os aliados que pulam o barco com tantos fracassos.

Hoje, apostar no insucesso em campo para que a dirigente saia é a opção mais realista. Infelizmente, torcer contra o próprio time não é uma opção para verdeiros rubro-negros. Mas pode apostar que há gente no clube que faça isso. Será um ano longo para cada flamenguista.

Qual resposta Dinamite dará à Juninho?

Publicado  quarta-feira, 11 de abril de 2012

Raramente se viu Juninho Pernambucano reclamar de seus direitos. O desabafo do jogador à imprensa nesta quarta-feira sinaliza algo de podre no reino de São Januário. E o que será que o presidente do Vasco Roberto Dinamite pretende fazer a respeito disso?

O Gigante da Colina vinha numa crescente desde seu momento mais triste: o rebaixamento em 2008. Curiosamente, cometeu erros que vão minando a capacidade do time aos poucos, especialmente na saída de profissionais. A perda de Anderson Martins, por exemplo, representou uma eterna busca por um parceiro para Dedé, que nem Renato Silva e o fraquíssimo Rodolpho não conseguem. A saída de Rodrigo Caetano é mais um marco negativo.

"Sou um funcionário do clube como outro qualquer", disse Juninho ao comentar o vazamento de seu salário feito por um desses eternos conselheiros-síndicos. É bom que Dinamite comece a se questionar se tem a mesma avaliação além de defender o jogador. Mais do que dirigentes, o Vasco precisa de profissionais como Juninho.

UFC vai exigir que Cigano seja Rocky Balboa?

Publicado  

A comparação deste título veio após ler esta coluna de Guga Noblat que cita o filme americano. O UFC vem ganhando fãs pela sua credibilidade e mais do que isso: a pureza em estabelecer seus vencedores no melhor estilo Mad Max. Dois homens entram, um campeão sai. Tudo isso pode estar em risco com a luta entre Junior Cigano e Alistair Overeem, cinturão peso-pesado do UFC.

Flagrado num exame antidoping da comissão atlética de Nevada com 14 vezes mais epitestosterona no corpo do que o normal, Overeem estaria severamente punido em qualquer esporte olímpico. Talvez banido. De acordo com Noblat, Dana White não tem um plano B e pretende que a comissão dê uma inédita licença para que o lutador possa entrar no ringue contra Cigano. A decisão oficial sobre o caso sairá no dia 26.

Perceba: caso a comissão aja corretamente e ignore a súplica de White, o brasileiro já sai prejudicado ao perder tempo em sua preparação. Com o alto nível do MMA é indispensável que cada um se prepare visando aquele oponente. Por outro lado, se Overeem receber permissão para lutar o UFC exigirá que Cigano seja como Rocky no quarto filme da franquia ao lutar contra Ivan Drago, um produto da preparação mílitar e química russa.

É desigual de qualquer jeito. E em tempos de escolhas difíceis espera-se que o UFC opte pelo mais correto para o esporte.

Nada Loco Abreu & o jornalismo esportivo

Publicado  segunda-feira, 9 de abril de 2012

Na manhã desta segunda-feira todas as redações esportivas começam o dia pensando na rodada do final de semana e na escala dos jogos. É comum qualquer veículo esportivo manter uma TV ligada nos principais programas esportivos e espero que alguma delas tenha visto a participação de Loco Abreu no Redação SporTV de hoje.

"A formação de opinião está atrapalhando o torcedor a aprender o futebol. Só olham o negativo", analisou o atacante do Botafogo. O uruguaio recebeu seu apelido por muitas vezes demonstrar uma postura pra lá de ousada, como a cavadinha nos pênaltis. É surpreendente constatar sua maturidade ao perceber um dos problemas do jornalismo esportivo. E é bom lembrar que o uruguaio já trabalhou como jornalista.

Regularmente vemos alguns repórteres mais preocupados com a vida social de alguns jogadores do que com a falta de treinos táticos. O "jornalismo de confusão" ao invés do "jornalismo de futebol", pararefraseando Loco, quer apimentar o esporte mas está tirando o foco do que ocorre em campo. Resta torcer para vermos Sensato Abreu após os campos ocupando a posição de comentarista. Muita loucura?

Vasco banalizou reclamações

Publicado  sábado, 7 de abril de 2012

Não houve falha decisiva e muito menos roubo no clássico contra o Flamengo. E não sou o único que pensa assim, certo PVC? Wagner dos Santos Rosa acertou ao dar o pênalti em Leo Moura e Thiago Feltri não foi calçado na área. Ainda que errase em não dar a infração máxima, nada justifica a postura dos jogadores do Vasco ao final do jogo.

Ninguém do elenco reclamou ou manifestou uma postura de vítima da arbitragem durante o jogo. Ao partir para o confronto após o apito final, Diego Souza, Rodolfo - que é mais rápido para peitar árbitros do que em se antecipar - & cia. deram a impressão de tentarem tirar o foco para uma derrota cruel: nos minutos finais. É desnecessário.

O Vasco perdeu um clássico sem seus dois principais meias (Felipe e Juninho) e o eventual substituto de Bernardo (Carlos Alberto, em quem não levo muita fé). A derrota no estadual não elimina a equipe cruzmaltina e nem depõe contra o time. Clássico é clássico.

Por outro lado, Roberto Dinamite tem seguido um expediente perigoso. Aceitou uma taça que tenta oficializar chororô e insinua uma conspiração que não existe. Ao jogar a culpa na arbitragem, o dirigente esconde erros sucessivos que vão tornando o Vasco mais fraco. Da saída de Rodrigo Caetano ao sucateamento das divisões de base, pequenas falhas aqui e ali aos poucos tornam o vice-campeão brasileiro um time pior. Banalizar as reclamações com arbitragens não compensa isso e deixará alguém com menos argumentos cedo ou tarde.

Assumpção precisa de títulos

Publicado  sexta-feira, 6 de abril de 2012


Acho indiscutível que o Botafogo em dez anos será um clube melhor do que é hoje. Assim como na última década era uma instituição menor do que a gestão Maurício Assumpção o transformou. Salários em dia, marketing com resultados positivos e o próprio estádio, deixando a dupla Fla-Flu precisando de favor para jogar. O alvinegro tem a melhor gestão do Rio de Janeiro.

Você pode discordar se considerar títulos ou folha salarial, mas imagine as dificuldades de ser a quarta maior torcida e competir com a força da Unimed e duas torcidas diametralmente maiores. Em um contexto desigual, Maurício consegue resultados próximos aos outros três grandes do Rio sempre mantendo a rivalidade em dia.

E apesar disso tudo, é comum ver na imprensa o rótulo de fracasso em uma gestão absolutamente comprometida com o futuro do Botafogo. No país que ama o futebol de resultados é indispensável que a Estrela Solitária tenha logo a companhia de mais títulos além do épico estadual de 2010. Resta saber se investir no futuro trará resultados nesse presente. Independente disso seria bom ver Maurício Assumpção sendo julgado por mais do que taças.

Cinco motivos para os fracassos do Fla na América

Publicado  quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Flamengo não tem tradição na Libertadores e vai mal em competições sul-americanas. O título de 81 e as campanhas épicas da geração Zico são uma exceção na história de um clube centenário que tem sofrido vexame atrás de vexame a cada participação. Eliminações fazem parte do jogo, mas as do rubro-negro sempre tem gosto de vergonha e deixam a imagem de que o time não foi até onde poderia.

O futebol não é uma ciência exata, mas a história de fracassos do clube encontra pontos em comum. Se mesmo times que fazem tudo certo não conseguem conquistar competições sul-americanas sempre, uma instituição que comete tantos tipos de erros só pode apostar em lampejos. Ou em uma geração de jogadores muito acima de seus dirigentes:

1- Contratações de técnicos e diretores: Não há critério profissional na escolha de quem vai gerir o clube. Pior: o Flamengo comete o erro de não ter alguém acima do treinador o time para definir o planejamento e as  contratações. Com um diretor-executivo capacitado, você garante que o time terá um elenco de alto nível, com salários em dia e satisfeito ao invés de contratar jogadores ao pedido de cada treineiro sem que o próximo tenha vontade de utilizá-lo.

Fora isso o Flamengo começou a última Libertadores com Andrade, depois Rogério e agora tem Joel Santana. Juntos, não chegaram a uma semifinal da competição e não tem nenhum retrospecto em torneios intercontinentais. O histórico de Vanderlei no torneio sempre foi medíocre também. Sem um diretor, sem estrutura e sem um técnico que conheça os caminhos... Só com muita sorte.

2- Falta de concentração e análise dos adversários: Ano após ano o campeonato carioca parece concorrer com a Libertadores. Joel Santana entrou em campo pedindo a mesma dedicação que o time teve contra o fraquíssimo Bangu. Mas não só o rubro-negro enfrentava outro time como também disputava outra competição com arbitragens muito menos favoráveis ao clube carioca. É diferente. Mas enquanto o Mengo divide suas atenções entre duas competições - o que talvez explique tantos gols ao final dos jogos com um time exaurido - os adversários priorizam a mais importante: concentrando antes, estudando minuciosamente quem vão enfrentar, e encarando cada jogo com o máximo de seriedade.

Já o Flamengo paga salários atrasados como se fosse estímulo. Patético.

3- Perfil de jogadores: Desde a era Romário, a torcida e o clube parecem gostar de jogadores com esse perfil boleiro que admitem que bebem, não escondem que gostam de farra e, supostamente, resolvem quando entram em campo. E põe supostamente nessa. A curto e médio prazo, o saldo dos Bad Boys é sempre de lampejos e prejuízos a longo prazo. Romário pode ter rendido muito bem no Vasco, mas no Flamengo, e em sua atmosfera política, foi um fracasso em termos de títulos. Importa pouco se a culpa era da instituição ( e se fora da Gávea ele emplacou gols e títulos, não é difícil saber de quem é a culpa) ou do jogador, fato é que esse casamento não deu certo.

E será coincidência que a última conquista internacional do clube tenha sido justamente após a saída do ex-Rei do Rio? Ao invés de conquistar gente como Romário ou Ronaldinho, o clube deveria pensar em jogadores sérios, como o próprio Love ou gente focada em sua profissão, como o meia Kaká, que há pouco tempo era sondado por clubes brasileiros, ou até Alex, que ainda faz sucesso no Fehnerbace.


4- União do clube: Mais desunido do que qualquer Afeganistão será difícil o Flamengo conquistar uma Sul-Americana. E quase impossível uma Libertadores. Ao menos enquanto seus dirigentes preferirem lutar pela queda de um vice de futebol e de um técnico em vez de se unir pelo título. Foi assim com Marcos Braz e Andrade e se repetiu com Vanderlei Luxemburgo.

Competições intercontinentais são pressão todo o tempo e exigem muito de quem as disputa. Uma instituição sempre tão dividida internamente, com notícias vazando do vestiário a todo instante, começa sempre em enorme desvantagem.


5- Falta de respeito pela competição: Libertadores é, feliz ou infelizmente, uma guerra. Arbitragens são coniventes com a violência, torcidas atiram objetos a vontade e chegam ao cúmulo de cometer racismo. E por aí vai. Ou você vai pronto para a batalha ou é fuzilado pelo Defensor, LaU, Olimpia ou até mesmo o Emelec.

Enquanto o ônibus do Flamengo chegar atrasado ao estádio para passar na Gávea e dar carona a sabe-se lá que dirigente, dividir o treino de um jogo eliminatório com a comemoração por alguma taça irrelevante ou houver jogadores batendo boca ou brigando no vestiário, o clube nunca vai provar que respeita o torneio. E a Libertadores também não vai respeitar o Flamengo.

Ronaldinho: virei a casaca!

Publicado  


 Já disse que perder o seu camisa dez seria péssimo para o Flamengo. Afinal, seria a prova de que o clube é incapaz de gerir grandes craques e ter jogadores tão midiáticos quanto sua camisa pede. Também já elogiei suas atuações no ano passado e ainda me surpreende ver gente satisfeita com os seis meses de brilho de Ronaldo pelo Corinthians dizer que Ronaldinho nunca jogou bem pelo Flamengo. Já fiquei maravilhado com seu melhor momento no clube e acreditei em sua capacidade de ainda encantar. Mas tudo isso passou.

Ronaldinho nitidamente não quer mais jogar futebol em alto nível.  E é até compreensível: ele já conquistou uma Copa do Mundo, foi melhor do mundo (por duas vezes) e encantou um dos maiores times do planeta. Ainda hoje há quem diga que Messi ainda não o superou (este blogueiro discorda). Mas os cuidados para se manter em um nível compatível com sua fama e salário exigem uma vida regrada e ambição que o camisa dez perdeu em algum lugar entre a Espanha e Milão.

Hoje, o Flamengo possui um jogador de alto nível desesperado para conquistar títulos: Vágner Love. Há jogadores experientes que também querem mais como Renato Abreu, Junior César e Deivid (não se esqueça de Alex Silva, que saiu por uma situação pra lá de mal explicada) e jovens com muito talento pela frente. Nesse cenário, um Ronaldinho desmotivado e jogando apenas uma fração do que pode atrapalha e não ajuda.

Ronaldinho deveria sair para o Oriente Médio ou futebol norte-americano, centros onde sua dedicação é compatível com o brilho que ele pode ter lá. No Brasil onde o futebol é cada vez mais competitivo seu salário milionário e sua presença atrasam o Flamengo e, pior, mancham uma história tão bonita no futebol. Se ele não acorda nem mesmo com as vaias, talvez seja mesmo a hora de sair.




Busto pra Andrés Sanches é uma piada ruim

Publicado  quarta-feira, 4 de abril de 2012



Se você acha que dirigente de um clube de futebol deve fazer tudo pelo seu clube, a despeito de com quem se envolva e que código de honra possua, Andrés Sanches certamente estará entre os maiores presidentes de um clube que você pode citar. O Corinthians deve muito ao ex-presidente que ajudou a tirar o clube da série B, revolucionou o marketing da instituição, trouxe Ronaldo em uma ação da qual o Flamengo até hoje sente os efeitos e conquistou o que o torcedor realmente quer: títulos. Uma Copa do Brasil e um Brasileiro tornam qualquer gestão querida pela torcida.

Agora, mesmo com todos esses aspectos positivos dar um busto pra um dirigente desses é daquelas coisas que faz a gente pensar que a humanidade é mesmo um projeto que deu errado. Sanchez também é o cara que tornou o clube subserviente a um jogador eternamente fora de forma - e a desculpa de problemas hormonais que impediam remédios sem antidoping não sobreviveu à aposentadoria do Fenômeno - gerou um enorme prejuízo ao clube, seguiu sucateando as divisões de base e tantos outros problemas. Enfim, um dirigente talvez acima da péssima média do Brasil, mas uma piada ruim. Como tantos outros.

Homenagear um sujeito desses com um busto rebaixa moralmente o Corinthians. O clube do povo, como sua torcida gosta de chamá-lo, tem que criar estátuas para o Dr. Sócrates, Casagrande e outros heróis que foram mais do que jogadores. Foram exemplo de cada operário de São Paulo e Brasil que trabalham todos os dias, nunca roubam e zelam pelas instituições que representam ruim. São eles que devem ser eternizados pelo clube porque gente como Sanchez vem e passa. Com erros e acertos é melhor que sejam sempre esquecidos.

Milan saiu da Champions no primeiro jogo

Publicado  terça-feira, 3 de abril de 2012

Vão falar de pênalti que não foi, gol ilegal etc. O choro é livre e o mata-mata é cruel quando a arbitragem erra porque dificilmente te dá a chance de se recuperar. Por isso mesmo é tão apaixonante, chama tanta atenção e, principalmente, exige que cada equipe saiba exatamente que tipo de partida vai disputar.

Na semana passada, pra muita gente o Milan conseguiu um grande resultado ao empatar com o épico Barcelona. Mais do que isso, o time italiano chegou junto várias vezes e esteve próximo de abrir um imprescindível gol, mas fracassou. E, ao contrário do que muitos dizem, empatar com time nenhum em sua casa pode ser um bom resultado no primeiro jogo.

Tudo o que Milan conseguiu foi provar que em seus domínios poderia se equiparar ao Barcelona. Este é um fato tão óbvio que somente um quem só viu Messi jogar pode contestar. O rubro-negro italiano é um time imenso e de tradição com grandes jogadores. O problema é que se o máximo que você consegue em casa é um empate sem gols, tá claro que fora dela você vai penar.

E penou. Os escravos do resultado vão se ater a lances ao invés de pensar que em nenhum momento o Milan pareceu ter o domínio de jogo enquanto o Barcelona se impôs como deve um time de Camp Nou. Resta aos torcedores italianos serem mais exigentes com o seu time no primeiro jogo. Um gol poderia ter feito do jogo de hoje bem diferente. Azar do Milan.