Porque o Palmeiras não joga sempre com dois meias

Publicado  sábado, 17 de março de 2012

A imprensa esportiva diversas vezes desestimula e empobrece as discussões sobre futebol ao preferir o caminho fácil dos clichês e do argumento definitivo do resultado. Um exemplo disso, é a nova pauta das redações paulistas e dos setoristas que cobrem o Palmeiras: por que Felipão não coloca os meias Daniel Carvalho e Valdívia para jogarem juntos, como fez contra a Ponte Preta, ao invés de sempre optar por um ou outro?

Invariavelmente vejo repórteres caindo no caminho fácil de insinuar uma culpa das preferências (indiscutíveis) por se preocupar primeiro com em criar uma defesa alviverde que ninguém passa ao invés de um ataque mais ofensivo. Aliás, adivinhe quem tem o ataque mais positivo do campeonato? Exatamente o alviverde.

Não, isso não torna o Palmeiras um time ofensivo, mas demonstra a falta de um debate sério sobre esquemas táticos no futebol brasileiro. Ao invés de colocarem nos ombros do técnico alviverde o porquê da falta de meias, por que os repórteres não questionam Valdívia e Daniel Carvalho sobre sua falta de capacidade de marcar quando não estão com a bola? O chileno sempre perdeu lugar na sua seleção por esse e outros motivos assim como o meia que começou no Internacional perdeu espaço no futebol brasileiro e mundial na mesma medida que seus quilos foram aumentando.

O alviverde e outros times brasileiros não jogam com dois meias e dois atacantes (esta noite, Felipão só abriu uma exceção ao retirar um atacante e ainda assim contra a mediana Ponte Preta)  porque frequentemente têm um que não consegue participar da marcação. Enquanto isso, o Barcelona e LaU, que encantou o continente na última temporada, contam com seus melhores jogadores participando das roubadas de bola ativamente. De Messi a Vargas.

O futebol brasileiro, que também não anda lá muito convincente no aspecto tático, pode evoluir se a imprensa ajudar com as cobranças certas. Precisamos que as divisões de base e times parem de dividir os jogadores entre os "picas" e os "cabeças de bagre" e consigam favorecer o talento sem detrimento da preparação física e tática, essencial para um atleta de ponta.

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