Léo Rocha: o martir do Treze-PB

Publicado  quinta-feira, 22 de março de 2012




Com uma carreira marcada por passagens em times pequenos e médios (os clubes de maior destaque foram Paraná e Portuguesa) o meia Léo Rocha parecia destinado a não chamar muita atenção no mundo do futebol. Quis o destino, esse deus cruel, que atuando pelo Treze-PB, time pouco relevante no cenário nacional, ele se destacasse de um jeito não muito lá digno. No meio do caminha havia o Botafogo. Havia o Botafogo no meio do caminho.

A "falsa cavadinha" do armador em um pênalti indesculpavelmente mal batido serviu para encerrar sua passagem pelo Galo da Borborema e classificar o clube carioca. Léo Rocha e o Treze-PB conseguiram tudo o que um time pequeno quer em um jogo contra grandes: o adversário cansado - mérito da diretoria alvinegra que insiste em priorizar o carioca - e sem conseguir se impor pela técnica, a torcida jogando contra e o melhor jogador do adversário em péssima noite (Loco perdeu gols de todos os jeitos e deixa a dúvida se ainda pode ser a referência técnica da Estrela Solitária neste ano). E se complicaram no final por um misto de arrogância e incompetência técnica.

Ainda assim, ao demitir seu meia o Treze-PB age como escravo dos resultados. O clube paraibano chegou muito mais longe do que sua folha de pagamentos permite e deveria se alegrar pelos bons jogos e o ganho de mídia que obteve nessas semanas. Os dirigentes poderiam refletir melhor sobre o discurso conformado do goleiro Beto, destaque do jogo, que exaltou o empate e lamentou a saída da Copa do Brasil. Mas sem se iludir.

Ao transformar Léo Rocha e mártir, o Treze-PB tenta professar uma glória que não tem. Um time pequeno, de honestíssimas tradições regionais, não pode achar que perdeu a classificação por causa de um único jogador e rigorosamente no nível de todo o elenco. É tão patético quanto o goleiro Jefferson, que considero o melhor do Brasil, gritar "aqui não" para um jogador que nunca estará na seleção brasileira, jamais jogou em time grande e que desperdiçou a única chance de consagração que a carreira lhe deu.

Na segunda passagem pelo Botafogo e com incontestáveis convocações, Jefferson agiu como se estivesse diante de um craque consagrado - aliás, ele jamais criticou Loco Abreu por usar a cavadinha em seus pênaltis - e não diante de um jogador derrotado no jogo e, de certa forma, na profissão diante do que ele já conquistou. É algo entre o patético e o digno de pena. Que a classificação não engane o Botafogo, como os dois bons jogos parecem ter enganado os dirigentes do Treze-PB.

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