Mano tenta ser coerente em nova convocação

Publicado  terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Confundem muito a palavra "coerente" com "estar certo". Um técnico de seleção pode até acertar e ser incoerente (Zagallo era mestre nisso), mas valorizo mais a coerência do que o acerto na base de tentativa-e-erro. Em uma seleção quando o time joga uma vez por meses, isso é mais importante ainda. O bordão "seleção é momento" não respeita termos essenciais para qualquer time como entrosamento, esquema e outros.

Para Mano Menezes mais importante do que o momento é o que o jogador já fez com a amarelinha sob seu comando. Você tem o direito de concordar ou discordar, mas não é razoável querer que as convocações sejam feitas a base de enquetes populares. Nenhuma seleção é formada dessa forma. Ao menos uma seleção campeã e que dê orgulho para sua torcida.

Nessa linha de pensamento, o técnico da seleção repete a fórmula de seu antecessor na maior parte de sua passagem pela seleção. Dunga abriu mão disso poucas vezes entre elas com Adriano, que não dava problemas quando vestia a camisa do escrete canarinho, mas se afundava em problemas no Flamengo. Mano Menezes abre mão disso quando deixa Jefferson, o melhor goleiro brasileiro em 2011, e o lateral-esquerdo Cortês, mais acostumado a jogar pelo Brasil do que o jovem ala Alex Sandro, do Porto.

Por outro lado, o técnico mostra estar firma no seu propósito de ter o Brasil jogando com três atacantes em 2014. É difícil imaginar que Jonas consiga se firmar com a camisa brasileira, mas Hulk, Damião e, principalmente, Neymar já são uma realidade. Cabe a Ronaldinho mostrar seu talento e fazer o que fez no primeiro turno do Brasileiro por todo o ano de 2012.

A coerência é mais importante na avaliação de um trabalho do que agradar a torcida. Infelizmente, será a satisfação dos torcedores que pesará na permanência ou não de Mano. Mas lembre-se: o melhor futebol neste momento é jogado pela Alemanha e nos últimos vinte anos, ela não chegou a ter vinte técnicos. Nesse momento, o Brasil precisa ter paciência e valorizar menos os títulos até a Copa do Mundo, o real objetivo desta seleção.

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A quem interessar possa: o blogueiro convocaria Jefferson e acha um absurdo o jovem Oscar (com ótima passagem pela seleção de base) não ser convocado. O meia do Internacional está há pelo menos um ano jogando mais do que Ganso, de um 2011 decepcionante. Não convocaria Ronaldinho e nem mesmo  superestimado Lucas.

Mas cada torcedor tem sua seleção. É preciso buscar entender e respeitar os critérios de Mano, o que não significa concordar com eles.

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