Cinco perguntas para Patrícia Amorim

Publicado  terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Chegando ao seu terceiro ano de mandato, a presidente do Flamengo segue com uma vocação escorregadia que ainda escapa de cobranças mais firmes da imprensa esportiva. Foi necessário o papel ridículo ao reclamar do rival na perda de Thiago Neves e ainda negar a demissão de Vanderlei Luxemburgo para concretizá-la menos de 24 horas depois para que boa parte das redações acordasse. E começasse a entender que Patrícia Amorim não é um sorriso simpático, mas uma vereadora com um histórico medíocre de projetos aprovados e que há anos usa o clube em benefício próprio.

Existem perguntas que Patrícia ainda não respondeu, mesmo porque nem todas são exatamente sobre esporte. Mas foi a vereadora que misturou as estações e trouxe a política carioca para os bastidores da Gávea, então que seja cobrada por todas as editorias que cruzarem seu caminho. Deixo aqui minhas sugestões de perguntas. Os leitores podem enviar para seu setorista favorito ou para a ouvidoria do clube:


1- Qual o abismo ético entre um rival negociar com um jogador que estava sem contrato com o clube e uma presidente negar veementemente uma demissão para concretizá-la em menos de 24 horas?

Motivo: Patrícia encheu a boca para falar de uma falta de ética que Peter Siemsem jamais cometeu, já que o Flamengo nunca demonstrou interesse real em manter o jogador (nos bastidores, fala-se que a recíproca era verdadeira). Em contrapartida, a presidente negou ao vivo em entrevista à rádio Tupi para "seu padrinho", o radialista Apolinho, que fosse demitir o técnico. Em menos de 24 horas, Luxemburgo foi demitido com Patrícia insistindo que horas antes o cenário era outro. Imagine se o seu filho usasse o argumento "o contexto era outro" para cada mentira? O advogado de O.J. Simpson não seria tão cara de pau.


2- Algum membro da diretoria fará parte do comitê de campanha da sua candidatura para vereadora?

Motivo: Já houve boatos de pessoas ligadas à política do clube com cargos públicos por indicação da vereadora. Seria bom saber se apoio no clube está sendo condicionado à ganhos com dinheiro público. Não é só os torcedores do clube que deveriam ouvir uma negação firme da presidente, mas principalmente os cidadãos cariocas que pagam impostos.

3- Quais as atribuições do vice de finanças Michel Levy para o cargo, além de estar envolvido em denúncias de mau uso de verba pública?

Motivo:  Como falei: foi Patrícia quem misturou a política estadual com a interna do clube, cabe aos jornalistas não ajudá-la a manter as cobranças da forma que lhe for mais confortável (vale lembrar que nem sempre isso é opção do repórter, mas uma imposição de editores).

Veja o caso de Michel Levy, por exemplo. Em 2007, sua empresa, a Emprefour se envolveu em uma compra para material hospitalar sem licitação. Na época se falou em custos até 100% acima dos praticados em uma licitação de emergência. O governador do Rio de Janeiro na época já era Sérgio Cabral cujo partido recebeu Patrícia na legenda este ano. Como já disse aqui antes: o mundo do futebol e da política vive de coincidências.

4- Qual foi o critério para as demissões de profissionais no comando do time e do departamento de futebol em todos esses anos se na maioria o panorama piorou?

Motivo: Não é exclusividade de Patrícia, mas é óbvio que na maior parte de suas demissões houve um critério político que atende mais à politicagem barata de troca de favores do que em beneficiar o clube. A política é mais do que isso e, em seus melhores momentos, trata-se de sacrificar vaidades pessoais em nome da instituição ou Estado. Não foi o que fez Patrícia ao reestruturar todo o departamento de futebol nas duas libertadores que disputou e deixar o maior ídolo da história do clube ser ofendido diariamente sem uma defesa firme.

Até aqui, cada demissão ficou por isso mesmo. Por pior que Andrade, Marco Braz, Luxemburgo, Silas, Rogério e Zico fossem em seu trabalho ou relacionamento com a imprensa, em alguns casos tudo piorou sem eles. É curioso que justamente o profissional que mais tempo tudou nessa gestão tenha saído em seu momento mais importante: Luxemburgo deixou o clube em ano eleitoral quando a política sempre ferve.


5- Se os esportes olímpicos não tiram dinheiro do futebol, por que o Flamengo tem um elenco mais humilde em relação a Corinthians e Fluminense e como cada esporte se sustenta sem patrocinador?

Motivo: Fala-se em um total entre 700 e 900 mil de salários que César Cielo por ano recebe sem dar ao clube nenhum patrocinador. Será que as luvas de Alex Silva atrasariam sem esse custo? Se o Flamengo conta com um quadro social tão reduzido e o futebol sequer tem patrocinador-master como a instituição paga esses vencimentos sem tirar dinheiro do carro-chefe da instituição ou com empréstimos extorsivos?

Vale lembrar que boa parte da base eleitoral de Patrícia vem dos esportes olímpicos. É gente bem intencionada que pode estar feliz com o aumento de investimentos sem entender que se eles não forem sustentáveis, cedo ou tarde a fatura chega e a situação pode se tornar muito pior do que já foi.



Todas essas perguntas serão encaminhadas para o clube e se receber a resposta prometo atualizar o post com as considerações do Flamengo. Você pode desde já encaminhar o post por vontade própria e solicitar o mesmo.

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