Bernardo está entre o direito e a palavra

Publicado  quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Não sou chegado ao romantismo de que jogadores de futebol devem ser mártires que ignoram salários atrasados. Longe disso, entendo perfeitamente a desmotivação e brigar de frente com clubes que ganham milhões, mas não conseguem que o mês tenha trinta dias. Apesar disso, a postura do meia-atacante Bernardo em um litígio contra o Vasco é repleta de ambiguidades que me incomodam.

O ex-jogador do Cruzeiro está em um elenco que emocionou a torcida de norte ao sul desse País ao se comprometer e obter resultados independente de ter ou não um técnico e dos problemas com salários atrasados. Isso não impede o jovem atleta de lutar pelos seus direitos como entende, mesmo que seja uma voz dissonante dentro do clube. Só me incomoda ver Bernardo agir assim logo depois do Vasco adquirir seus direitos.

Se o Vasco jamais depositou seu FGTS, atrasou outros pagamentos e isso foi um problema para o jogador porque ele lutou para ficar ao invés de retornar para a Toca da Raposa? A constituição preserva que Bernardo tenha esse direito, mas fica a impressão que o jogador faltou com a palavra para a torcida que comprou a imagem de um atleta relegado a segundo plano no futebol brasileiro e que se reergueu em São Januário. O meia-atacante pode e deve exigir seus pagamentos em dia. Só fica a dúvida do porquê buscar isso agora.

Vale lembrar que a janela de transferências internacionais já fechou e que Bernardo já jogou a Libertadores. Dessa forma, caso consiga se desvincular do Vasco, o jogador teria dificuldades para se transferir. O imbróglio acaba prejudicando sua imagem e lhe dando poucos benefícios.

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