Wesley e a crônica do exílio palmeirense

Publicado  terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Na terra do presidente do alviverde não há sabiás e nem mesmo um trabalho digno de Palmeiras. As piadas que no terreno da ficção gorjeiam, não gorjeiam como os projetos supostamente sérios de lá. No fantástico mundo de Tirone um jogador veste a camisa palmeirense antes mesmo de assinar contrato ou ter os direitos comprados.

A quarta maior torcida do Brasil e contratos envolvendo milhões não parecem bastar para que o mandatário palmeirense monte um time forte. É preciso, nas palavras dele, "uma prova de amor" daquela torcida que não comemora um título relevante desde a Libertadores de 1999, mas que vibra e grita a despeito de gestões amadoras e indignas uma atrás da outra.

É nessa realidade paralela em que Arnaldo Tirone acha justo passar o pires para que a torcida dê seu dinheiro suado por um jogador sem nenhuma identificação com o Parque Antártica. No exílio do orgulho palmeirense não há flores no caminho da torcida, mas sem dúvida alguma há mais várzeas que Gonçalves Dias imaginou, algo compatível com o amadorismo gritante. Não permita Deus que mais palmeirenses morram, sem um dia ver o Palmeiras que conhecemos de volta.

Rivaldo não é humilde

Publicado  segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um jogador de talento valiosíssimo, Rivaldo pode não ter convencido a todos em sua carreira, mas certamente escreveu seu nome na galeria de heróis do futebol. O brilho no Corinthians, a força de seu talento no Palmeiras e sua habilidade que iluminou o La Coruña e Barcelona o tornando um jogador imprescindível para a seleção. E em todas essas passagens, Rivaldo sempre foi descrito como um jogador de talento exponencial, mas modesto.

É provável que isso já tenha sido verdade, mas mesmo antes da passagem indigna pelo São Paulo essa humildade se perdeu. Desde sua época no Olimpiakos, quando acreditava que deveria ser convocado jogando no obscuro futebol grego. Hoje, Rivaldo é um jogador que clama a humildade e usa o que já fez como justificativa para ser escalado. O meia-atacante sabe que o talento que o tempo lhe deixou aos 38 anos pode trazer lampejos impressionantes, mas são insuficientes para a regularidade de 90 minutos que grandes times exigem.

Ainda assim, Rivaldo faz o papel ridículo de eterno injustiçado. Em entrevista ao Globoesporte, se diz magoado e vítima de dirigentes (os mesmos que acreditaram em sua contratação) quando seu papel decisivo ao ajudar a derrubar Carpegianni - o melhor técnico que o tricolor teve em 2011 - foi o grande resultado que seu talento trouxe. É bom lembrar como as declarações que confundem sentimentalismo barato com profissionalismo se repetiram quando ele lamentou o veto de Felipão ao seu retorno ao Palmeiras. Imaginem como seria Rivaldo em um grupo que já contava com os problemáticos Kléber e Valdívia?

Naquela época, o técnico chegou a dizer que "experiência não é tudo". Certamente o ex-camisa dez da seleção, recebeu o comentário como uma dúvida de seu talento e importância ao invés de um comentário honesto sobre o que ele ainda pode fazer. Não duvide até que Rivaldo diga que é discriminação porque ele é pernambucano, como já fez em outra ocasião. É triste que uma carreira tão bonita tenha resultado em um homem tão rancoroso e arrogante, disposto a usar o expediente baixo da falsa modéstia para apregoar mais méritos do que merece. Rivaldo foi brilhante e deveria ter se tornado um homem capaz de não manchar isso no seu final de carreira.


Vitória em final das ironias pode ser marco para Flu

Publicado  domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Vasco classificou o Fluminense contra uma vitória que não lhe ajudou em nada na tabela da classificação da Taça Guanabara exceto em manter seu 100% de aproveitamento. Ironia cruel: o Gigante da Colina perdeu esse percentual justamente com a derrota maiúscula para o Tricolor das Laranjeiras. Também é ironia que o favorito para a final tenha perdido para o favoritíssimo da temporada na primeira vez em que não confirmou seu favoritismo. E a final das ironias talvez seja a primeira vez em que Fred, Deco & cia. confirmaram a expectativa que carregavam.

O Fluminense não teve uma atuação brilhante nos 90 minutos e fez um 2X0 injustíssimo contra um adversário que respondia sempre com a mesma intensidade. A boa atuação de Wellington Nem, a maior surpresa tricolor no ano, e o brilho de Deco desequilibraram no primeiro tempo e deixou o tricolor voltar com tranquilidade para marcar o terceiro gol e fazer um segundo tempo à altura das expectativas. Até mesmo o lateral-direito Bruno, que vinha mal, jogou bem e pode finalmente começar a mostrar uma temporada tão boa quanto a que fez no Figueirense no ano passado.

Mesmo com três gols, a desconcentração chegou a fazer parecer que o Vasco tinha chances em um heróico empate pelas mudanças que deixaram o time sem saída de bola e permitiram o abafa cruzmaltino. No final das contas, uma vitória sólida na qual não era favorito pode recolocar o time de Abel nos eixos. Se conseguir evoluir do ponto que alcançou nesta final da Taça Guanabara o Fluminense vai mostrar a solidez tática que vem faltando aliado a um elenco fortíssimo. Agora vai?

Porque o Vasco é favorito neste domingo

Publicado  sábado, 25 de fevereiro de 2012

O Vasco vem em uma crescente desde a conquista da Copa do Brasil há quase um ano. Por muito pouco, o Gigante da Colina não abocanhou o brasileiro e caminha firme para vencer a Taça Guanabara em uma campanha irretocável com 100% de aproveitamento.

Sim, o time de São Januário é o favorito para vencer o Fluminense neste domingo. Seja por suas lideranças positivas ou pela fase, mas também pelo fato do tricolor das Laranjeiras ainda não ter conseguido confirmar seu favoritismo no ano. Mais do que isso, Abel Braga ainda não conseguiu tornar o estelar elenco tricolor um time forte e conciso taticamente.

Resta a Juninho, Dedé & cia. confirmarem esse favoritismo e garantirem vaga na decisão do Estadual. Vale lembrar que estatisticamente o campeão da Taça Guanabra venceu o campeonato carioca mais vezes do que o campeão da Taça Rio. Pode ser mais um título para um time que fez certa imensa torcida ser bem feliz de novo.

Oswaldo eliminado, mas a frente de Joel

Publicado  quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012


O Botafogo não mereceu a classificação contra o Fluminense, mas jogou acima do que um time desfalcado de Maicossuel, Fellype Gabriel e Jóbson poderia. Aliás, é a tônica do trabalho de Oswaldo Oliveira: fazer um elenco com bons jogadores e outros medianos jogar absolutamente tudo o que pode. Sinal de um ótimo trabalho do técnico até este período da temporada.

O alvinegro caminha para ter um time de bons jogadores e um ataque de respeito com Loco Abreu e o "novo capetinha", mas é na contratação de Oswaldo que há a grande esperança da temporada. Desde Paulo Autuori há quase uma década, o Botafogo não tinha um técnico com tanta bagagem e possibilidades de melhorar a autoestima alvinegra.

E mesmo com o pouco tempo no clube, o ex-auxiliar de Vanderlei Luxemburgo já demonstra mais méritos do que seu companheiro de eliminação Joel Santana (com bem menos tempo de clube, mas muito mais pressão). Resta saber se ele irá repetir o trabalho de Cuca que sempre mostrava um futebol melhor com um elenco mais humilde que o rival, mas não conquistava títulos ou se vai mudar a história alvinegra dos últimos meses. De um jeito ou de outro, os botafoguenses têm motivos para dar mais tempo e torcer pelo seu novo técnico.


Classificação não pode esconder erros de Abel

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Ao contrário do Flamengo, a classificação do Fluminense não pode ocultar o decepcionante início de temporada do tricolor. Mesmo obtendo os resultados que o time precisa, Abel Braga parece ter perdido o padrão tático quase brilhante que chegou perto do título brasileiro em 2011.

Durante o clássico contra o Botafogo, o time das Laranjeiras demonstrou novamente a falta de jogada pelas laterais (que já era uma fraqueza no ano passado, mas piorou), a dependência excessiva de Deco para a criação de jogadas e a sonolência de um Fred com muito da calma de forró quando o time precisa da agressividade de um bom rock n'roll. A defesa tricolor deu menos sustos graças à atuação apenas regular do alvinegro sem Maicossuel, Fellype Gabriel e, principalmente, Jóbson.

Até aqui, mesmo com nítidos problemas táticos o Fluminense vai conseguindo ultrapassar as etapas que precisa. Resta a Abel não se enganar com o misto de sorte e individualidade e trabalhar melhor o que quer para o tricolor carioca.

Dez gols que Deivid não perderia

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Derrota no Carioca, deve sacrificar libertadores do Fla

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Não é exclusividade de Patrícia Amorim, mas a verdade é que o Flamengo tem um longo e histórico padrão de usar o campeonato carioca como água para apagar incêndios internos e externos. Esse ano, a contratação indesculpável do medíocre Joel Santana tornou óbvia a pretensão da diretoria: abafar a crise com urgência com vitórias no carioca. Infelizmente, o técnico já fracassou na metade do "projeto" e com semanas de clube já tem uma campanha com resultados piores do que seu antecessor no Estadual.

É difícil acreditar que a pior gestão em décadas no clube seja do tamanho que a expectativa da torcida precisa e compre a briga pela Libertadores. O mais provável é que Joel Santana continue encostando o time B (dificilmente Lucas, Thomás, Muralha e Luiz Antonio jogarão esse semestre mais vezes do que jogaram com Vanderlei) para usar os titulares em uma Taça Rio avassaladora pela busca de mais um estadual enquanto vai levando a principal competição sul-americana - aquela que talvez seja a segunda ou terceira competição mais difícil do Brasil - como dá. É difícil ver isso acabar bem. E não acaba aí.

Demitir Vanderlei Luxemburgo para preservar Ronaldinho passou o pior recado possível para o elenco, que curtiu o carnaval como quis. A imagem não ficou boa para a torcida, que a despeito da passividade das organizadas (algumas com líderes com relações eticamente promíscuas com membros desta diretoria) vai perdendo a paciência com seu camisa dez. A conta vem chegando e é difícil acreditar que os dirigentes do clube conseguirão tomar as decisões difíceis que o momento pede.  

A Bola Não Entra Por Acaso é o título do livro sensação de gestão esportiva no momento. Nele, o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, destaca que nenhum gol depende exclusivamente do pé de um centroavante oportunista. Seria bom que boa parte da torcida reflita que a derrota para o Vasco não pode cair apenas nas costas de Deivid e seu gol (quase) impossível de se perder.

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Publicado originalmente no Flamengonet e adaptado para este espaço.

Nau Vascaína vai bem graças a seus capitães

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A vitória do Vasco premia uma longa trajetória cruzmaltina em busca de uma vitória sobre o rival em momentos decisivos. Ela ocorre mesmo após tantos obstáculos que pareciam que fatalmente enfraqueceriam o time mais inesquecível de 2011, ofuscando o Corinthians em boa parte do campeonato.

Muito desse resultado não vem da diretoria que atrasa salários e perde seu diretor-executivo, mas de um elenco que deveria servir de exemplo para outros jogadores. Com salários atrasados ou não, com ou sem concentração e com ou sem carnaval, nenhum atleta se apresentou desmotivado ou em má forma física (apesar da atuação ruim de Diego Souza).

Juninho Pernambucano parece ter contaminado o ambiente que parecia caótico há quase um ano em um revival daquele Vasco imbatível dos anos 90. Com a parceria de Felipe e do invencível Dedé - que pôs Vágner Love no bolso neste clássico - o Vasco vem desafiando todas as lógicas do futebol moderno e caminha para derrubar mais um tabu. Ricardo Gomes tem seus méritos, mas assim como os vascaínos tem muito a agradecer a esse elenco.


Há leituras diferentes para derrotas de Inter e Fla

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Mesmo com a vitória da dupla Grêmio - Vasco, a verdade é que Internacional e Flamengo vivem momentos diferentes. O placar pode ser um obstáculo ou uma evidência, dependendo da leitura que você consiga ver dos dois times.

No caso do Flamengo, a derrota é a primeira em três anos para o rival e no Engenhão. É mais um fato que corrobora a pior gestão que o clube teve em anos. Patrícia Amorim recebeu um clube absoluto no cenário estadual, no topo do país, com ótimas perspectivas na Libertadores e maior patrocínio do Brasil (embora corintianos digam o contrário, vale descontar os valores que o clube recebia descontados da comissão de Ronaldo). Caminha para entregar o clube no pior cenário carioca em anos, sem nenhum título nacional e possivelmente fora da principal competição internacional mais um ano.

Além disso, ao perder para o Vasco e contratar o folclórico Joel Santana o Flamengo fracassa na busca decepcionante por mais um estadual para esfriar a oposição. Sem Taça Guanabara e dando tanta importância ao estadual, o Flamengo fatalmente dividirá as atenções entre Taça Rio e Libertadores, o que dificilmente resultará em duas campanhas dignas. Demitir Luxemburgo para preservar Ronaldinho passou um péssimo recado para elenco e a torcida rubro-negra, que a despeito da passividade das organizadas (algumas com líderes com relações eticamente promíscuas com membros da diretoria). A conta vem chegando.

Por outro lado, o Internacional é mais uma vítima do boato de que clássico não tem favorito. Mesmo com o melhor técnico no cenário nacional depois de Mano Menezes, o melhor elenco e pegando um adversário nitidamente enfraquecido e em crise, fracassou. Vanderlei que não é bobo, fez questão de falar na preleção e passar para os jogadores do tricolor gaúcho que estava de olho no jogo. Valeu a pena.

Apesar da derrota, dificilmente o Colorado pode temer que ela tenha consequências maiores. O Internacional não deve vencer a Libertadores, mas caminha para mais um ano forte onde deve continuar alçando vôos maiores que seu rival. O Grêmio pode se satisfazer com a vitória no clássico, mas isso ainda é pouco para o clube.

Prós e contras de Luxemburgo no Grêmio

Publicado  terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O blog pede desculpas por não conseguir ficar sem falar de Vanderlei Luxemburgo neste mês, como havia prometido. Com a confirmação do técnico no Grêmio, temos mais uma chance do misto de manager e professor reerguer sua carreira e desmentir os boatos exagerados sobre decadência.

A vontade de trabalhar e recuperar seu nome pode ajudar o técnico, assim como em certos momentos da sua passagem pelo Flamengo. Da mesma forma, Luxemburgo pode melhorar o nível das discussões de futebol, dentro da péssima gestão Odone. Sem dúvida, ele já é a pessoa mais entendida de esporte no Olímpico.

Por outro lado, Vanderlei precisará recuperar a superioridade tática que marcava seus times nos anos 90 e melhorar o aspecto defensivo em um time cuja torcida está mais acostumada a grandes zagas do que ataques mais positivos. Aliás, os torcedores do Grêmio são o principal fator contra o técnico. Vanderlei passou a década de 90 em duelos memoráveis contra Felipão e o Imortal onde se tornou freguês do tricolor gaúcho. Seria irônico - e bom para o futebol - que a camisa gremista ajudasse a vencer um título mais relevante do que estaduais.

Independente do sucesso ou não do técnico, é indispensável que a imprensa também evolua em sua avaliação. A gestão Odone tem conseguido resultados pífios e decepcionantes. Ficar entre os quatro primeiros será o ponto forte dessa época e deve ser visto de forma mais positiva. Se Luxemburgo repetir o feito.


Carnaval de SP não pode depender do futebol

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O que São Paulo assistiu hoje foi a inevitável receita de se levar a rivalidade do futebol para promover outros espetáculos. É triste que o centro econômico do País e principal capital brasileira tenha cometido o erro de dar a torcidas Organizadas mais uma fonte de renda e de poder. Afinal, essas facções já interferem na política interna de seus clubes, são beneficiadas na hora de ganhar ingresso e comandam vaias ou apupos segundo seus interesses.

É óbvio que a confusão não começou com a Gaviões da Fiel, mas com o diretor da Império da Casa Verde. Mas foi o misto de escola de Samba e torcida organizada que se encarregou de transformar o constrangimento em uma vergonha internacional ao depredar patrimônio público, incendiar carros e bloquear parte do trânsito de São Paulo. Não foi a primeira vez da escola e não será a última.

A festa do Carnaval é alegria e aceitação, quando todos os gêneros, raças e pessoas de todo naipe celebram juntos o mesmo ritmo. No Rio de Janeiro, é comum que um portelense tenha carinho pela Mocidade ou pela Beija Flor. Esse clima não ocorre mais entre torcidas de futebol onde a vitória justifica qualquer grito, roubo ou violência para muitos imbecis que se apresentam como torcedores.

Se São Paulo quer ter seus desfiles e transformar o seu desfile em algo que o Brasil repare deve deixar o samba ser grande por si só. O carnaval vem do caos alegre dos foliões ao invés do padrão embaraçoso de certas organizadas.

Ferguson: Gascoigne é a única estrela desde 66

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Eu gostaria de ter contratado Gascoigne, amaria treiná-lo. Se você olhar para o futebol inglês desde 1966, quando eles ganharam a Copa do Mundo, precisa dizer que Gascoigne foi a única estrela real que a Inglaterra produziu.
A entrevista veiculada à rádio BBC e traduzida pelo Trivela,  revela que sir Alex Ferguson coloca Paul Cascoigne como a única estrela da Inglaterra desde a copa de 66. Além de indicar uma era ruim para a seleção inglesa em termos individuais, o técnico do Manchester United descarta David Beckham como uma referência para a seleção.

O marketing sempre ajudou e, de certa forma, prejudicou Beckham em sua carreira. Ao mesmo tempo que trouxe seus holofotes fez ele muito cedo ser cobrado pela fama que tinha. O Spice Boy realmente nunca foi mais do que um bom jogador em uma seleção inglesa enfraquecida, e não merecia esportivamente o estrelato que a beleza lhe deu assim como é injusto desqualificar suas qualidades pelo marketing.

Outra declaração interessante de Ferguson na mesma entrevista é que ele coloca Wayne Rooney como um jogador capaz de alcançar o nível de Gascoigne. O blogueiro concorda. E você?

Cinco perguntas para Patrícia Amorim

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Chegando ao seu terceiro ano de mandato, a presidente do Flamengo segue com uma vocação escorregadia que ainda escapa de cobranças mais firmes da imprensa esportiva. Foi necessário o papel ridículo ao reclamar do rival na perda de Thiago Neves e ainda negar a demissão de Vanderlei Luxemburgo para concretizá-la menos de 24 horas depois para que boa parte das redações acordasse. E começasse a entender que Patrícia Amorim não é um sorriso simpático, mas uma vereadora com um histórico medíocre de projetos aprovados e que há anos usa o clube em benefício próprio.

Existem perguntas que Patrícia ainda não respondeu, mesmo porque nem todas são exatamente sobre esporte. Mas foi a vereadora que misturou as estações e trouxe a política carioca para os bastidores da Gávea, então que seja cobrada por todas as editorias que cruzarem seu caminho. Deixo aqui minhas sugestões de perguntas. Os leitores podem enviar para seu setorista favorito ou para a ouvidoria do clube:


1- Qual o abismo ético entre um rival negociar com um jogador que estava sem contrato com o clube e uma presidente negar veementemente uma demissão para concretizá-la em menos de 24 horas?

Motivo: Patrícia encheu a boca para falar de uma falta de ética que Peter Siemsem jamais cometeu, já que o Flamengo nunca demonstrou interesse real em manter o jogador (nos bastidores, fala-se que a recíproca era verdadeira). Em contrapartida, a presidente negou ao vivo em entrevista à rádio Tupi para "seu padrinho", o radialista Apolinho, que fosse demitir o técnico. Em menos de 24 horas, Luxemburgo foi demitido com Patrícia insistindo que horas antes o cenário era outro. Imagine se o seu filho usasse o argumento "o contexto era outro" para cada mentira? O advogado de O.J. Simpson não seria tão cara de pau.


2- Algum membro da diretoria fará parte do comitê de campanha da sua candidatura para vereadora?

Motivo: Já houve boatos de pessoas ligadas à política do clube com cargos públicos por indicação da vereadora. Seria bom saber se apoio no clube está sendo condicionado à ganhos com dinheiro público. Não é só os torcedores do clube que deveriam ouvir uma negação firme da presidente, mas principalmente os cidadãos cariocas que pagam impostos.

3- Quais as atribuições do vice de finanças Michel Levy para o cargo, além de estar envolvido em denúncias de mau uso de verba pública?

Motivo:  Como falei: foi Patrícia quem misturou a política estadual com a interna do clube, cabe aos jornalistas não ajudá-la a manter as cobranças da forma que lhe for mais confortável (vale lembrar que nem sempre isso é opção do repórter, mas uma imposição de editores).

Veja o caso de Michel Levy, por exemplo. Em 2007, sua empresa, a Emprefour se envolveu em uma compra para material hospitalar sem licitação. Na época se falou em custos até 100% acima dos praticados em uma licitação de emergência. O governador do Rio de Janeiro na época já era Sérgio Cabral cujo partido recebeu Patrícia na legenda este ano. Como já disse aqui antes: o mundo do futebol e da política vive de coincidências.

4- Qual foi o critério para as demissões de profissionais no comando do time e do departamento de futebol em todos esses anos se na maioria o panorama piorou?

Motivo: Não é exclusividade de Patrícia, mas é óbvio que na maior parte de suas demissões houve um critério político que atende mais à politicagem barata de troca de favores do que em beneficiar o clube. A política é mais do que isso e, em seus melhores momentos, trata-se de sacrificar vaidades pessoais em nome da instituição ou Estado. Não foi o que fez Patrícia ao reestruturar todo o departamento de futebol nas duas libertadores que disputou e deixar o maior ídolo da história do clube ser ofendido diariamente sem uma defesa firme.

Até aqui, cada demissão ficou por isso mesmo. Por pior que Andrade, Marco Braz, Luxemburgo, Silas, Rogério e Zico fossem em seu trabalho ou relacionamento com a imprensa, em alguns casos tudo piorou sem eles. É curioso que justamente o profissional que mais tempo tudou nessa gestão tenha saído em seu momento mais importante: Luxemburgo deixou o clube em ano eleitoral quando a política sempre ferve.


5- Se os esportes olímpicos não tiram dinheiro do futebol, por que o Flamengo tem um elenco mais humilde em relação a Corinthians e Fluminense e como cada esporte se sustenta sem patrocinador?

Motivo: Fala-se em um total entre 700 e 900 mil de salários que César Cielo por ano recebe sem dar ao clube nenhum patrocinador. Será que as luvas de Alex Silva atrasariam sem esse custo? Se o Flamengo conta com um quadro social tão reduzido e o futebol sequer tem patrocinador-master como a instituição paga esses vencimentos sem tirar dinheiro do carro-chefe da instituição ou com empréstimos extorsivos?

Vale lembrar que boa parte da base eleitoral de Patrícia vem dos esportes olímpicos. É gente bem intencionada que pode estar feliz com o aumento de investimentos sem entender que se eles não forem sustentáveis, cedo ou tarde a fatura chega e a situação pode se tornar muito pior do que já foi.



Todas essas perguntas serão encaminhadas para o clube e se receber a resposta prometo atualizar o post com as considerações do Flamengo. Você pode desde já encaminhar o post por vontade própria e solicitar o mesmo.

Queda de Caio Jr. confirma amadorismo de Odone

Publicado  segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Desde que assumiu a presidência do Grêmio, Paulo Odone mostrou eterna competência em delegar. Delegou a culpa do fracasso com Ronaldinho Gaúcho à Assis, delegou a responsabilidade pela campanha gremista irregular em 2011 em Renato Gaúcho, também delegou a perda do atacante Jonas quase de graça à gestão que sucedeu e agora delega - a repetição do radical é proposital - a responsabilidade pelo péssimo início de temporada do tricolor gaúcho para Caio Junior. Odone nunca teria culpa ou responsabilidade, mas sim os outros.

O fracasso de Caio Junior, grande estudioso do futebol mas sem o perfil boleiro essencial no futebol do Brasil, era previsível em uma gestão tão tumultuada e hesitante. Previ que não daria certo no twitter, mas surpreende a velocidade com que Odone foi incapaz de defender um técnico que tanto defendeu na apresentação. O presidente que vive da gloriosa Batalha dos Aflitos como uma panacéia para cada contestação é medíocre ao agir como se acreditasse em suas decisões.

Chega a ser irônico, mas com três técnicos em menos de dois anos de clube, o melhor técnico que Odone contou foi Renato Gaúcho. Não é ironia, mas emblemático que justo ele tenha sido demitido por pura politicagem. O presidente do Grêmio não teve a grandeza de aceitar um profissional contratado pelos seus predecessores e amado pela torcida. Boicotou Renato por meses inclusive na escolha de reforços e manutenção do elenco - repare: em 2011 o Grêmio começou contratando Vinícius Pacheco e perdendo Jonas e Borges. Em 2012 trouxe Marcelo Moreno e kléber.

Não se trata mais de azar ou incompetência deste ou daquele profissional, mas sim da falta de visão desta gestão. Cabe aos gremistas juntarem os cacos e tentarem um ano mais digno que encerre de vez a passagem de Odone. É tudo o que sobrou com apenas dois meses de 2012.

Leia também: Caio Jr.: vítima do futebol

Quem fará a final da Taça Guanabara?

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Flamengo X Vasco e Botafogo X Fluminense são os dois jogos da semifinal da Taça Guanaba de 2012. A expectativa e zoações dos torcedores vai dar o tom entre as notícias sobre o Carnaval, mas o blogueiro resolveu palpitar sobre quais os times devem fazer a final do primeiro turno. Vale lembrar que a avaliação é sempre feita em cima de futebol e não de folclores ou do gosto deste palpiteiro.

No confronto entre o rubro-negro e a cruz de malta, o time de Ricardo Gomes/Cristóvão é o favorito para o clássico. O Vasco fez um 2011 mais sólido e começa o ano mais pacificado mesmo com os atrasos de salários, saída de seu diretor-executivo e falta de reforços. Afinal, do outro lado o Flamengo recomeça do zero o ano, fragmentado politicamente, sob pressão e, é claro, ninguém sabe o efeito que o carnaval terá sobre o elenco. Vale lembrar de 2010 quando o Flamengo campeão brasileiro e reforçado por Vágner Love perdeu a chance de disputar uma final contra um fraco Botafogo, treinado pelo mesmo Joel. Mesmo com um histórico absoluto sobre o rival, é difícil ver o time de Joel Santana superando tantos problemas ainda que não seja impossível.

Já o outro confronto deve consagrar a seriedade alvinegra do competente presidente Maurício Assunção (o melhor de times cariocas) e do ótimo Oswaldo de Oliveira. O Botafogo cresce de produção e entre os dois é o time mais preparado nesse início de temporada, contrariando a minha expectativa com o Fluminense. Abel ainda não conseguiu encaixar um esquema sólido e uma defesa segura enquanto o elenco equilibrado e sem estrelas da Estrela Solitária vai jogando acima do que eu esperava. A grande chance do time das Laranjeiras é usar seu elenco estelar para decidir um jogo que começa em desvantagem tática.

Apesar de todos os prognósticos, é sempre bom enfatizar da máxima de que clássico é clássico. A dupla Fla-Flu já demonstrou poder de decisão acima dos rivais antes e nada impede que superem os semifinalistas alvinegros. Promessa de jogaços.

Por que Joel Santana não deixa o futebol?

Publicado  sábado, 18 de fevereiro de 2012

É direito de cada um trabalhar com o que quiser, especialmente se sempre há quem o contrate. Assim como é direito e dever deste cronista opinar quem deveria deixar o futebol em paz e abrir a entrada para novos profissionais. Com todo respeito, é o caso do folclórico Joel Santana.

Joel conseguiu mais glórias do que boa parte dos técnicos com espaço em clubes grandes. Dorival Júnior dificilmente terá o carinho que o "Natalino" goza de muitas torcidas do brasil, especialmente a de times cariocas. O futebol deu ao técnicos momentos inesquecíveis que o colocam como personagem de enorme relevância no futebol mundial como a épica classificação do Flamengo à Libertadores de 2007, o título estadual do Botafogo em 2010 e o inesquecível carioca de 1995 com direito à barrigada de Renato Gaúcho.

Esses lampejos não podem apagar o fato de Joel estar há uma década ultrapassado trabalhando com esquemas praticamente iguais e sempre na base do vamulá,porra, onde é mais importante ter os líderes do elenco entre os titulares e relacionados do que os melhores do grupo. Todos os momentos em que Joel teve sucesso já são eternos, mas podem ficar de vez para a posteridade. Basta que ele faça um favor para o futebol e se aposente. Não, não é apenas o esporte que agradeceria, mas o próprio Joel.

Estrela de comerciais e com uma centena de histórias para contar, Joel Santana pode vingar como comentarista, estrela de lançamento de produtos e outras profissões dignas nas quais seu carisma é a única coisa que importa. É a chance de fazer sucesso com aparições em folhetins ou até mesmo virando comentarista esportivo. "A Prancheta de Joel" poderia ser um de seus quadros. Já pensou?

Joel pode deixar outros escalarem de três a cinco volantes entre os titulares para outros com menos brilho e sucesso. A novela, a TV, os comentários... Há toda uma sorte de possibilidades lhe esperando. Deixa o futebol pra lá, Joel. E vem brilhar com mais pode to be?.

Fox Sports X Sky: quem tem razão?

Publicado  sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Estive ontem a noite em uma coletiva para falar do um lançamento de um novo serviço da Sky de locação de séries e filmes pela internet. Após algumas perguntas de praxe, alguém encerrou a coletiva ao perguntar sobre a Fox Sports para Luiz Eduardo Baptista da Rocha, presidente da Sky.

Cabe aqui um esclarecimento: embora seja jornalista, trabalho há quatro anos como consultor de redes sociais. Tento apurar e me manter informado fora do que é publicado na imprensa, mas não tenho condições de fazer o mesmo que um jornalista que passa o dia inteiro dedicado a isso. Falta tempo (o que explica ter publicado esse post com 24 horas de atraso). Se divulgo a opinião de Baptista aqui tem a ver também com a impressão que tenho do imbróglio.

Segundo o presidente da Sky, "a questão é muito simples". Anos atrás, a Fox falou de um canal que teria conteúdo para ser de ponta quando o assunto fosse velocidade e automóveis. Era o Speed, que jamais teve programas relevantes. Lembre-se disso quando pensa naqueles canais que você nunca vê, mas entram no pacote que você comprou ainda que você não queira. Esse tipo de coisa é um desprestígio aos pacotes e, a longo prazo, gera uma infinidade de reclamações que a operadora gerencia.

Depois disso, a Fox teria procurado a Sky uma vez falando de transformar o Speed em Fox Sports. O assunto ficou adormecido até que na véspera da competição, a Fox solicita o novo canal com uma série de exigências entre elas a garantia de um mínimo de audiência e um preço dezenas de vezes maior para cada pacote (o Esporte e Mídia fala em vinte vezes). Tudo isso sem nenhuma garantia de conteúdo além da transmissão da Libertadores.

A Fox detém os direitos de campeonatos de todo o mundo, mas vale lembrar que a ESPN transmite alguns deles. É razoável imaginar que por contrato a Fox Sports só poderia transmitir as competições em 2013 deixando o canal com quase 3 meses de vida útil. E o assinante pagando.

È a opinião da Sky e seu presidente e, como disse, me falta meios para checar. Mas tudo me parece muito mais razoável do que acreditar que a empresa de Rupert Murdoch é uma vítima das poderosas operadoras brasileiras. "Não tem santo nesse negócio", disse Baptista.

Eu concordo. E isso, é claro, inclui a Sky.

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Durante a coletiva, cobrei o presidente a respeito do post do jornalista Victor Martins, do IG. O repórter garante que a Sky já teria se acertado com a Fox Sports. O anúncio ainda não teria sido feito para evitar que assinantes cobrem a assinatura imediatamente.

Baptista e todos os diretores da Sky presente negaram com veemência. O presidente da Sky explicou que se o acerto ocorresse teria imediatamente divulgado. Justamente para atrair mais assinantes.

Além disso, é bom lembrar: até março - quando, segundo Martins, o anúncio seria feito - não haverá jogos de times brasileiros na Libertadores. De qualquer jeito, vale esperar para confirmar ou não a informação.O Radar On-Line traz outros detalhes da polêmica.

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 Vale dizer: o novo serviço que a Sky lançou garantirá a ESPN 360 para usuários com a transmissão de jogos de campeonatos europeus. Por enquanto, disponível apenas para assinantes. Mas se for liberado para outros usuários pode ser bem mais seguro que optar pelo Roja Directa.

Bernardo está entre o direito e a palavra

Publicado  quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Não sou chegado ao romantismo de que jogadores de futebol devem ser mártires que ignoram salários atrasados. Longe disso, entendo perfeitamente a desmotivação e brigar de frente com clubes que ganham milhões, mas não conseguem que o mês tenha trinta dias. Apesar disso, a postura do meia-atacante Bernardo em um litígio contra o Vasco é repleta de ambiguidades que me incomodam.

O ex-jogador do Cruzeiro está em um elenco que emocionou a torcida de norte ao sul desse País ao se comprometer e obter resultados independente de ter ou não um técnico e dos problemas com salários atrasados. Isso não impede o jovem atleta de lutar pelos seus direitos como entende, mesmo que seja uma voz dissonante dentro do clube. Só me incomoda ver Bernardo agir assim logo depois do Vasco adquirir seus direitos.

Se o Vasco jamais depositou seu FGTS, atrasou outros pagamentos e isso foi um problema para o jogador porque ele lutou para ficar ao invés de retornar para a Toca da Raposa? A constituição preserva que Bernardo tenha esse direito, mas fica a impressão que o jogador faltou com a palavra para a torcida que comprou a imagem de um atleta relegado a segundo plano no futebol brasileiro e que se reergueu em São Januário. O meia-atacante pode e deve exigir seus pagamentos em dia. Só fica a dúvida do porquê buscar isso agora.

Vale lembrar que a janela de transferências internacionais já fechou e que Bernardo já jogou a Libertadores. Dessa forma, caso consiga se desvincular do Vasco, o jogador teria dificuldades para se transferir. O imbróglio acaba prejudicando sua imagem e lhe dando poucos benefícios.

E se Teixeira cair, você vai comemorar?

Publicado  terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Boatos de redações e federações afirmam que Ricardo Teixeira prepara sua saída da CBF. A venda de imóveis e uma possível ida para Miami, onde sua mulher e filha já vivem seria sucedida pela posse de José Maria Marin, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Marin, você já conhece. É o dirigente que demonstrou preparo para a função de presidente da Confederação ao colocar no bolso uma medalha da Copa São Paulo de Juniores.

Se Teixeira sair, teremos Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, à frente de uma diretoria da instituição. Teremos Marin e tantos outros por lá. A eleição para presidente da CBF será rigorosamente igual, exigindo que seu sucessor prestigie a quantidade de times pequenos de cada competição ao invés de preocupar com os grandes que sustentam o futebol brasileiro. Dá para comemorar a queda de Ricardo Teixeira nesse universo?

Pior que dá. Teixeira não é o único culpado pelos problemas do Brasil. São os times que amamos e torcemos que o elegem (curiosamente, tem torcedor que gosta de separar as duas coisas e dizer que não torce para a "seleção de Teixeira" embora continue amando o "time do seu presidente de clube). Mas mesmo assim sua queda significa que aquele todo-poderoso que meses atrás disse "cagar de montão" para as denúncias e  críticas que sofria de toda imprensa sentiu o golpe.

Pode ser um sinal pequeno que essa luta por um futebol brasileiro mais decente, honesto e que nos dê orgulho ainda valha. Pode ser. Basta Teixeira cair.

Mano tenta ser coerente em nova convocação

Publicado  


Confundem muito a palavra "coerente" com "estar certo". Um técnico de seleção pode até acertar e ser incoerente (Zagallo era mestre nisso), mas valorizo mais a coerência do que o acerto na base de tentativa-e-erro. Em uma seleção quando o time joga uma vez por meses, isso é mais importante ainda. O bordão "seleção é momento" não respeita termos essenciais para qualquer time como entrosamento, esquema e outros.

Para Mano Menezes mais importante do que o momento é o que o jogador já fez com a amarelinha sob seu comando. Você tem o direito de concordar ou discordar, mas não é razoável querer que as convocações sejam feitas a base de enquetes populares. Nenhuma seleção é formada dessa forma. Ao menos uma seleção campeã e que dê orgulho para sua torcida.

Nessa linha de pensamento, o técnico da seleção repete a fórmula de seu antecessor na maior parte de sua passagem pela seleção. Dunga abriu mão disso poucas vezes entre elas com Adriano, que não dava problemas quando vestia a camisa do escrete canarinho, mas se afundava em problemas no Flamengo. Mano Menezes abre mão disso quando deixa Jefferson, o melhor goleiro brasileiro em 2011, e o lateral-esquerdo Cortês, mais acostumado a jogar pelo Brasil do que o jovem ala Alex Sandro, do Porto.

Por outro lado, o técnico mostra estar firma no seu propósito de ter o Brasil jogando com três atacantes em 2014. É difícil imaginar que Jonas consiga se firmar com a camisa brasileira, mas Hulk, Damião e, principalmente, Neymar já são uma realidade. Cabe a Ronaldinho mostrar seu talento e fazer o que fez no primeiro turno do Brasileiro por todo o ano de 2012.

A coerência é mais importante na avaliação de um trabalho do que agradar a torcida. Infelizmente, será a satisfação dos torcedores que pesará na permanência ou não de Mano. Mas lembre-se: o melhor futebol neste momento é jogado pela Alemanha e nos últimos vinte anos, ela não chegou a ter vinte técnicos. Nesse momento, o Brasil precisa ter paciência e valorizar menos os títulos até a Copa do Mundo, o real objetivo desta seleção.

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A quem interessar possa: o blogueiro convocaria Jefferson e acha um absurdo o jovem Oscar (com ótima passagem pela seleção de base) não ser convocado. O meia do Internacional está há pelo menos um ano jogando mais do que Ganso, de um 2011 decepcionante. Não convocaria Ronaldinho e nem mesmo  superestimado Lucas.

Mas cada torcedor tem sua seleção. É preciso buscar entender e respeitar os critérios de Mano, o que não significa concordar com eles.

Cadê você, Fluminense?

Publicado  domingo, 12 de fevereiro de 2012

De longe, o clube mais preparado e favorito para tudo na temporada, o Fluminense decepciona. A derrota no clássico contra o Vasco teve o dedo da arbitragem, mas é injusto que o tricolor resuma sua atuação assim. Com um futebol dependente demais do brilho do veterano Deco e com sérios problemas defensivos, o clube das Laranjeiras faz um início de temporada pra lá de oscilante.

Abel Braga tem um dos elencos mais fortes da história recente do tricolor se equiparando ao time campeão brasileiro em 2010 e talvez superando o elenco vice-campeão da libertadores de 2008. Culpou a arbitragem pela derrota no clássico, já disse que tem a melhor zaga do Brasil e comemorou a contratação de Thiago Neves, mas até aqui parece ter perdido o padrão de tático eficiente de 2011 quando o tricolor alcançou um aproveitamento de campeão no segundo turno do Brasileiro. Seu time depende demais da visão de Deco, com fôlego cada vez mais curto, e com uma defesa incapaz de passar tranquilidade.

No ano passado, Abel deu declarações desastrosas após uma derrota justíssima em outro clássico, desta vez contra o Flamengo. Esse ano seus depoimentos sempre têm um tom de injustiça inevitável ou de azar que não cabem. Seu currículo exige um trabalho melhor do que o que tem entregado. Praticamente eliminado da Taça Guanabara e ainda sem convencer na Libertadores, o Fluminense precisa aparecer.

O custo Neymar

Publicado  sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Santos campeão da Libertadores já perdeu o excelente lateral Danilo para o Porto e contava apenas com Leo, em declínio físico, para o outro lado. Contratou Fucile, que não vinha jogando no Porto, e Juan, que não era relacionado no São Paulo, como opções. O maior reforço do clube alvinegro ainda é a permanência de nomes como Ganso, Borges, Arouca e, é claro, Neymar.

É inimaginável as quantias que o atacante já provou valer para clubes europeus. Em contrapartida, Laor é cobrado por 8,4 milhões para o fisco enquanto briga para manter o atacante que tem contrato apenas até 2014, quando pode deixar o clube para acertar com qualquer outra instituição. Fica a pergunta: não valeria mais a pena o Santos vender o atacante, investir sua polpuda retribuição com investimentos em infraestrutura e reforços que tornassem o time melhor?

Até aqui, o Santos tem favorecido o futebol brasileiro mantendo Neymar no Brasil. Ao mesmo tempo, o clube entra em um ciclo vicioso de ser cada vez mais dependente do jogador. Terminou com o time de futsal e futebol feminino, além de ter dificuldades para poupar a enorme verba que o jogador recebe por mês. Laor não tem uma decisão fácil pela frente, mas cada vez mais fica difícil ignorar que um clube com uma arrecadação tão baixa consiga manter um jogador cada vez mais valorizado e seguir competitivo.

Caio Jr.: vítima do futebol

Publicado  sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A vitória depois de uma série negativa, a coletiva de imprensa e o desabafo. Voz embargada, olhar vacilante como se cada pupila segurasse lágrimas e o discurso de um homem que se sente eternamente injustiçado descrevendo as qualidades que tem e que deveriam notar. Mas não notam. E a falsa modéstia aliada à insegurança de um técnico que ainda não se firmou no cenário nacional deixa evidente o óbvio ululante: ele balança no cargo.

Caio Jr. é um estudioso do futebol. Já ouvi de um amigo que ainda na época de Paraná ele já procurava ver VTs de times que seu time jamais enfrentaria. Algo que a maioria dos técnicos da série A jamais fazem. Teve passagens por Palmeiras, Flamengo e Botafogo onde seus méritos acabaram ofuscados pelo final frustrante das campanhas (nas três não conseguiu chegar à Libertadores). Nos relatos dos vestiários a descrição de um técnico com competência, mas hesitante e sem pulso para dizer o que quer aos jogadores. Resumindo: um professor que não consegue se impor aos alunos.

Sempre com ar de eterna vítima da incompreensão alheia, o técnico do Grêmio deveria refletir. Se Caio Jr. precisa tantas vezes exaltar suas virtudes para esconder seus defeitos, talvez devesse tentar falar menos e trabalhar mais para emplacar bons resultados. Sem nenhum título relevante no futebol brasileiro, o técnico deve a si mesmo menos choro e mais respeito. Vítimas e inocentes no futebol são raros porque não sobrevivem.

Arrogância não cabe na Libertadores

Publicado  quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Minutos antes do Vasco entrar em campo li em um fórum um torcedor ridicularizando um narrador por se referir ao Nacional como um gigante sul-americano. O time uruguaio é tricampeão da competição. Vi depoimentos semelhantes de brasileiros durante a campanha épica do Penarol em 2011 na Taça Libertadores e pouco antes de todos os confrontos do Flamengo contra LaU, campeã sul-americana e responsável por ótima campanha na Taça Libertadores de 2010.

A maioria dos técnicos brasileiros vai mal na competição pela simples falta de acompanhar o que está ocorrendo no cenário sul-americano. Enquanto a gente vê Jorge Sampaoli e Gerardo Pelusso falando com propriedade de times brasileiros, regularmente nossas equipes entram despreparadas para o confronto. Usam três zagueiros contra times com um atacante e poucos meias, jogam para cadenciar quando o adversário é perito em acelerar o jogo e por aí vai.


Esse erro somado ao comportamento de alguns torcedores me faz pensar se essa arrogância não está enraizada no nosso sangue. O Brasil caminha para alcançar a supremacia sul-americana com mais títulos e campanhas mais sólidas (nos últimos três anos levamos uma taça e fomos vice em outra), mas mais do que aprender a jogar a competição os times precisam saber que menosprezar o adversário é começar perdendo.

Caminho para retorno de Adriano é mais fácil hoje

Publicado  quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



Ao contrário do que pensa boa parte da torcida, Vanderlei Luxemburgo não foi o maior obstáculo para o retorno de Adriano ao Flamengo. O técnico-manager poderia ser convencido se toda diretoria rubro-negra considerasse o retorno do ex-Imperador uma prioridade. Não foi o caso.

Luxemburgo nunca quis Adriano. Por outro lado, uma volta do jogador encontrava enorme resistência do então diretor Luiz Augusto Veloso e de outras pessoas ligadas à comissão técnica. Com a mudança de todo o departamento de futebol, hoje há menos obstáculos para o retorno do atacante.

Não há certeza, mas as chances aumentaram. Não porque o Flamengo queira - o que o blog não descarta - mas porque quem não queria em 2011 não está mais no comando. Patrícia nunca foi um obstáculo porque jamais é firme nessas situações. Decidirá de acordo com a vontade de sua base. Em especial o vice de finanças Michel Levy, que é ligado à torcidas organizadas que não pedem o fim das dívidas, atraso de salários ou de amadorismo, mas gostariam de ver Adriano de volta.

Não sei se o ex-imperador negocia com o clube neste momento (e também não descarto). Mas hoje seu retorno é muito mais viável do que era no início do ano. Em ano eleitoral, a volta de Adriano pode facilitar ou dificultar a situação da gestão Patrícia. Seja qual for a decisão da diretoria rubro-negra.

Zagueiro de Leo Rabello faz testes no Fla

Publicado  terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Arthur Sanches, segundo esta nota no Lancenet, foi indicado por Joel Santana. Mas é uma coincidência incrível que o empresário do técnico e um dos patrocinadores da campanha de Patrícia Amorim também seja responsável pela carreira do jogador. O site de Leo Rabello descreve toda sua carreira  e chega até a dizer que ele foi o melhor zagueiro do Rio de Janeiro em 2008, 2009 e 2010, mas em 2008, por exemplo, Fábio Luciano e Thiago Silva dividiram a honraria (ambos jogavam na mesma posição e o ex-zagueiro do Flamengo chegou a dizer que repassaria o prêmio para Ronaldo Angelim, que é quarto-zagueiro). No ano seguinte Ronaldo Angelim e Juninho (então no Botafogo dividiram a honraria) fariam a melhor dupla e, em 2010, Fábio Ferreira (Botafogo) e Thiago Martinelli (Vasco) ocupariam a função.

Apesar disso, Sanches tem uma carreira pra lá de ascendente. Ele jogou de 2007 a 2009 no Madureira. Em 2010, teve passagem pela tão gloriosa quanto equipe do Caborfriense para no ano seguinte retornar para o tricolor suburbano. Dois anos após a eleição de Patrícia o zagueiro entra em um período de testes no Flamengo. Curiosamente, o site do agente afirma que ele estaria no Atlético-PR este ano, clube que, segundo o diretor do Madureira, esteve interessado no atleta. 

Leo Rabello não é patrocinador de Patrícia Amorim só para este blog. Ele próprio já confirmou ao blog do jornalista da Placar Ricardo Perrone: “Sou sócio benemérito do Flamengo. Apoiei a Patrícia e todo mundo que apoiou doou dinheiro”. Há anos sem ligações com o clube, de 2010 para cá o empresário já colocou o meia Thiago Neves (com salários dobrados em relação ao que recebia no mundo árabe), o técnico Joel Santana e agora tem a chance de emplacar mais um jogador. O volante e zagueiro Rômulo, fora do clube desde 2007, também foi reintegrado ao elenco após passagens sem brilho algum por Paraná, Figueirense e Atlético-GO.

Atualização: o zagueiro foi contratado pelo Flamengo por um ano. Diga o que você pensa a respeito nos comentários.

Falcão e seu desafio no Bahia

Publicado  

O blog já declarou torcida aberta a Falcão no ano passado e assim segue. Não vai faltar bons fluidos do lado de cá, mas é preciso ressaltar as dificuldades que Paulo Roberto Falcão encontrará no tricolor baiano e em seu novo trabalho como técnico substituindo o folclórico Joel Santana.

Embora tenha um perfil muito diferente do atual técnico do Flamengo, Falcão terá que ser melhor do que um aproveitamento bem baixo do ex-técnico do Bahia com apenas 48,48% em 22 partidas. Se Joel contava com a simpatia da imprensa local, não deve ser difícil para o ídolo do Internacional conquistá-la com resultados melhores do que o pífio rendimento de seu predecessor. Inclusive o título baiano, taça que o clube não levanta há uma década. Aliás, há dez anos o Bahia não conquista um título, impensável para um dos maiores times nordestinos. Outro estadual - ele conquistou o campeonato gaúcho em 2010 - pode ajudar a consolidá-lo no cenário nacional.

Por outro lado, Falcão encontrará um elenco com bad boys como Souza e Morais que tem longo histórico de máscara. Técnicos se impõem pela força ou pelo conhecimento, ele precisará descobrir como trazer os jogadores para o seu lado. Reencontrar o ponta Zé Roberto pode ajudá-lo.

No Internacional, os dirigentes perceberam que Falcão era um comentarista que queria ser técnico sem todos os conhecimentos práticos que a função exige. O estudioso Julinho Camargo entrava em ação para fazer os treinamentos que concretizavam a visão do ex-profissional da Globo. A dupla deu certo, levou a taça do Estadual e só foi desfeita porque o Grêmio apostou no auxiliar para treinar o tricolor gaúcho. Curiosamente, a contratação mais atrapalhou o rival do que ajudou o imortal.

Por fim, Falcão é cria da geração de 82. Acredita no jogo para frente e bem jogado, como boa parte dos tricolores gosta. Torço muito para que emplaque e o Brasil ganhe mais um técnico. Os torcedores do Bahia agradeceriam. E o futebol também.

O lucrativo futebol russo não pode ser obscuro

Publicado  sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Com a exorbitante quantia de mais de 400 milhões de euros apenas entre os cinco maiores orçamentos de clubes locais, o futebol russo parece ser uma terra promissora mesmo se comparado a ligas mais atenção da mídia como a espanhola e italiana. Os valores nos fazem pensar como um campeonato tão lucrativo ainda perde espaço para torneios em retração como o da Itália.

E é de se pensar o quanto os obscuros bastidores da Rússia não atrapalham o desenvolvimento do futebol local. Do envolvimento com o crime organizado que mancha a credibilidade até do premier Vladmir Putin e chega a terras tupiniquins com a até hoje mal explicada relação entre MSI, Corinthians e outras fontes de dinheiro pouco louváveis.

Essa semana, Daniel Carvalho, um dos ex-meias mais promissores que o futebol brasileiro já viu, condicionou seu descontrole com peso à ingestão de anabolizantes em seu período no CSKA. Não demorou para fazer uma retratação e o caso ser deixado pra lá. Celsinho ex-jogador da Lusa e com passagens pelo Lokomotiv, não confirmou o uso de anabolizante, mas disse não saber quais foram os suplementos que tomou no país e explicou o porquê de jamais ter questionado:

Você acaba vendo aqueles jogadores daquela maneira, você acha que é normal. Então você acaba fazendo tanto para você e ao mesmo tempo você acaba fazendo para o clube, porque de repente o clube pode achar que é uma falta de respeito você não fazer certo tipo de trabalho, e você pode arrumar um problemão dentro do clube.

 O CSKA descarta processar Daniel Carvalho e sua retratação circulou nos jornais locais e teria acalmado a todos. Fica a torcida para que nenhum caso a respeito volte a ganhar o noticiário mais a frente. Até aqui, havia explicações melhores para o ganho de peso do meia do Palmeiras. A Rússia agradece se continuar assim.

O fantástico mundo de Patrícia Amorim

Publicado  quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


É uma terra muito engraçada. Não tem seriedade, profissionalismo e nem nada. No planeta da tia Paty todos os erros e desavenças se consertam com frases feitas e seu sorriso simpática de menina. Menina que rege 35 milhões de torcedores com os seus interesses e de sua base eleitoral. E a torcida? Azar o dela.

No fantástico mundo de Patrícia Amorim fazer proposta por um atacante do Palmeiras às vésperas de um jogo contra o time é lícito, mas quando o adversário faz o mesmo com um jogador que não pertence mais ao clube? Xiiii... Tia Paty para de falar com ele e rompe relações. Mais ou menos como quando desliga o celular quando é pega na mentira porque, vocês sabem, a mentira tem perna curta.

É muito mais legal viver na Patrícialândia onde o Flamengo não é o clube que saiu do topo do cenário nacional em 2009 para ser o pior clube carioca em 2012. Lá, a realidade corresponde ao que Patrícia Amorim diz e não ao que (não) faz. Exceto quando Patrícia Amorim diz que não vai demitir. Aí pode ser que não corresponda mesmo. Como já sabem Andrade, Marco Braz, Vanderlei Luxemburgo e sabe-se lá mais quem...

Salários atrasados? A culpa é SUA torcedor!

Publicado  quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012



A arquibancada faz o seu no grito, na compra pelo ingresso e, muitas vezes, ao comprar produtos oficiais do clube. Convenhamos, mesmo quem não vai a estádios costuma fazer o seu torcendo na frente da TV e evitando consumir pirataria. O problema é que toda vez que a notícia mais velha do futebol brasileiro sai, a reação é a mesma.

Por definição, torcedor torce. Na prática, o torcedor não apenas torce, mas defende, compra a briga e sempre vê o lado do clube. Infelizmente, quando a notícia é salários atrasados, nenhum arquibaldo, geraldino ou sofazeiro pensa em quem são os responsáveis, mas simplesmente em quem diabos deixou isso vazar. Não se culpa o namorado, mas o sofá como na clássica piada do pai português. E esses apaixonados acham que o culpado foi o jogador que processou, o atleta que reclamou publicamente ou o funcionário que, vejam vocês, só pediu para cumprirem com o que assinaram.

Diz o ditado que "em casa que não tem pão, ninguém tem razão". Pode ser. Mas por que só os jogadores são cobrados para serem sensatos? Se dirigentes, remunerados ou não, não pensam na instituição e no ônus que atrasar salários causa, por que os jogadores que sofrem as vaias e a pressão devem pensar? Nessas semanas o vice de finanças do Flamengo priorizou ir à Rússia, voltar com Vágner Love no braço e não esquentou com pagamentos atrasados. O presidente do Cruzeiro ironizou o atraso de salários dos jogadores com a desculpa esfarrapada de que como ganham muito não há problema em receberem atrasados (pense em quantos desses jogadores não sustentam uma família inteira ou mantém investimentos que dependem desses pagamentos). E o Vasco negocia um patrocínio maior há semanas ao invés de garantir logo o pagamento de seus jogadores.

Haverá menos notícias sobre salários atrasados quando os torcedores cobrarmos quem tem culpa no cartório. São os dirigentes que devem ser culpados por cada notícia dessa e não as vítimas dos atrasos. Afinal, se quando os de cima perdem a vergonha os de baixo perdem o respeito, nada melhor para recuperar o respeito da instituição do que fazer os mandatários se envergonharem. Eles merecem.