Eu, corredor

Publicado  segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



É difícil falar a respeito, mas a corrida é pra mim como aquela amiga que sentou ao seu lado na escola por anos e, de repente, você percebe que é apaixonado por ela. Mas é tarde porque ela já se foi.

A analogia é simples. Sempre curti correr, mas só em 2001, quando tinha 21 anos comecei a fazer disso uma atividade física constante. Já fazia musculação e queria "secar" meu corpo - vale dizer que nunca fui daquelas crianças magras, mas também nunca fui gordo - e comecei bem devagar. Na primeira semana corria apenas cinco minutos todas as vezes na semana e em meses fui aumentando até correr cerca de 50 minutos até duas vezes por dia.

Nessa mesma época eu fazia duas faculdades (jornalismo e letras, que abandonei quase um ano depois) e começava a fazer estágio. E daí, aconteceu o que é óbvio para todo mundo que conto esta história exceto para mim mesmo naqueles tempos: meu corpo não aguentou. Tive o que os médicos chamaram de abaulamento na região lombar.

Não vou entrar em detalhes, mas meu tratamento foi prejudicado por um profissional muito ruim que atendia no Méier, onde vivia, e que passou meses minimizando minhas dores como uma "inflamaçãozinha" até tentar a acupuntura - que foi meu primeiro "ponto de virada" com as dores, mas que não resolveu meu problema - até encontrar um lugar onde tivesse tratamento adequado no Centro Ortopédico Botafogo (onde curiosamente tive um primeiro péssimo atendimento, o pior da minha vida, mas que nos anos que voltei para lá confirmei que foi uma exceção dentro de um centro de excelência). De lá para cá foram idas e vindas até que duas injeções de um antiinflamatório ou cortizóide - confesso que não lembro o nome - começaram uma longa estrada entre as aulas de  hidroginástica até o ponto onde estou em que estou apto a quase qualquer atividade esportiva.

E em todo esse período - perceba: ele começa em 2001, foram mais de dez anos! - eu sentia falta de correr. Tentei várias vezes, mas é frustrante algo que deve te relaxar e fazer bem, começar com uma dor forte que você teme que piore. O auge das minhas crises de dor eram uma pontada fortíssima na região lombar que irradiava hora para baixo até os joelhos e hora para cima passando por todo meu flanco direito até um pouco embaixo do meu peito. Essa crise vinha até mesmo sem nenhum esforço, bastava eu ficar em pé sem me apoiar em nenhum lugar. Poder correr, mesmo que aos poucos, é uma das coisas que me deixa mais felizes ultimamente.

Como acredito hoje em dia que qualquer atividade física se trata de encontrar a sua meta, comecei tentando correr em 4 blocos. Ou seja, ao invés de ir direto para os 30 minutos - o tempo que descobri DEPOIS da minha contusão que era o ideal para meu biotipo - tento intercalar 4 tiros - talvez seja melhor chamá-los de 4 arremessos dada a minha lentidão - em que paro quando estou cansado e ando (se estiver com alguma dor, alongo). Tem sido bom, embora meu sobrepeso (estou a uns 20 kg do meu peso ideal) tenha feito eu sentir dores nos joelhos e tornozelos até mais do que na coluna. Não deixa de ser irônico, mas também é uma lição. O tempo e a falta de cuidados só trarão novas dores. Diminuí-las só depende do cuidado que temos conosco.

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