Adriano não é aposta

Publicado  quinta-feira, 19 de janeiro de 2012


Em geral, o torcedor é um malabarista exímio na hora de arremassar para cima lembranças ruins e trocá-las pelas boas. O problema de ontem se torna a solução amanhã nessas horas em que os dribles e gols parecem ser a única coisa de um craque-problema. Quantos vascaínos não esqueceram completamente os problemas de Edmundo? E quantos corintianos não ignoram as indisciplinas e problemas de Marcelinho Carioca para se recordar apenas dos gols do Pé-de-Anjo?

A bola da vez é Adriano e o Flamengo. Figura importantíssima no hexacampeonato de 2009, o Imperador tem desde então comprovado empiricamente que aquilo foi uma exceção. A constante de Adriano são poucos jogos, menos gols e muitos, muitos problemas. Inclusive nas páginas policiais onde figurou constantemente quando esteve em dois de seus últimos clubes. Mas para a Nação rubro-negra o que ficam são os gols daquele título e não suas partidas embaraçosas com uma queimadura no pé causada por uma lâmpada de jardim - as explicações de Adriano são a única coisa mais constrangedora que sua forma física recente - e suas ausências na Libertadores de 2010. Isso para não falar de ligações obscuras com traficantes e criminosos.

Em uma enquete no Lancenet 70% de rubro-negros o querem de volta. 70% não podem reclamar dos problemas que trará. 70% não podem reclamar da bagunça que permite ao clube aceitar jogadores descomprometidos como o ex-imperador. 70% se iludem com os lances de 2009 e não vêem a realidade.

Adriano sempre estará marcado na história do clube pela sua importância em um título aguardado há 17 anos. Mas o tempo passou e desde então ele demonstrou que o Imperador se perdeu entre aquela Copa América em que salvou o Brasil no último minuto e lampejos como em 2009. Não importa se os torcedores guardam com alegria inesquecível aqueles momentos. Acabou. E o que sobrou não é uma aposta, mas uma certeza de fracasso.

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