Philipe Coutinho e o "what if...?"

Publicado  terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Como vocês sabem, sou muito fã de quadrinhos. Uma das minhas séries favoritas é a What If...? da Marvel Comics ou, como é conhecida aqui no Brasil, O Que Aconteceria Se...? Sempre intercalada por alguma possibilidade inusitada como o Homem-Aranha no Quarteto Fantástico ou coisas do tipo. Gosto de transferir isto para o futebol e imaginar como seriam as coisas se aquele jogador não tivesse aquela contusão, se aquela bola não tivesse entrando e hoje me pego pensando... O que aconteceria se Philipe Coutinho não saísse do Vasco para a Inter de Milão?

Craque que surgiu nas divisões de base do clube e de cara foi envolvido em uma negociação bizarra em que seus direitos foram vendidos ao clube italiano antes mesmo de estrear pelos profissionais, Philipe teve pouco tempo para jogar no Gigante da Colina e crescer como outro craque de sua geração fez. Via Coutinho como um jogador do mesmo nível técnico de Neymar (com uma evidente diferença na capacidade de finalização) quando ambos surgiram. O tempo se encarregou de criar um abismo entre o destaque santista campeão da Libertadores e o jovem reserva na Inter há quase dois anos.

Philipe Coutinho está de malas prontas para a Espanha para jogar no Espanyol. O objetivo de jogar em um clube pequeno é descarado: assumir a titularidade em um elenco mais humilde, se destacar e conseguir ser convocado para as olimpíadas de Londres. Mas daqui do meu canto, eu penso o quanto ele e o Brasil não ganhariam se Philipe nunca tivesse saído do Vasco. Imagino ele amadurecendo com a temporada regular que o clube teve em 2010, sofrendo para então crescer em 2011 e talvez fazer o clube não precisar do superestimado Diego Souza e se preparando para começar a Libertadores com um elenco forte e com todos nós ansiosos por um duelo entre ele e Neymar.

Hoje, parece só um exagero. Mas futebol é sequência. Atletas e jogadores crescem, amadurecem e vão se tornando melhores enquanto conseguem errar e ir acertando. Cedo demais, Philipe perdeu a chance de crescer aqui. E eu acho que todos nós perdemos um pouco também. Tomara que ele prove isso se destacando pelo Espanyol e voltando a jogar.





2012 é o ano sabático de Rodrigo Caetano

Publicado  domingo, 29 de janeiro de 2012

 Acompanho o diretor-executivo do Fluminense desde a sua época no Grêmio. A reerguida do tricolor gaúcho da série B para uma final de Libertadores parecia improvável, mas foi construída com seu trabalho e, é claro, o do ótimo Mano Menezes. Desde então, Caetano enfrentou o desafio de reconstruir outro gigante: o Vasco. Mais uma vez sucesso com o cruzmaltino conquistando a Copa do Brasil.

E chegamos à 2012 e com ele o diretor encontra um clube que encontrou seu melhor momento recente sem ele, vem de um futebol avassalador e é o favorito absoluto entre os brasileiros para conquistar a Taça Libertadores (opinião deste blogueiro). A chegada de Rodrigo Caetano não deixa de ser um reforço, apesar do tricolor já contar com o ótimo trabalho do gerente Marcelo Teixeira. E é essa a realidade do diretor-executivo: mais do que reconstruir, conquistar um padrão melhor em um clube que passa por um momento muito superior que seus últimos clubes.

Qualquer torcedor carioca deveria ver com simpatia esse momento. Se Rodrigo Caetano elevar o nível do Fluminense, veremos uma nova realidade para o futebol carioca e um novo patamar para todos os clubes. É hora de consolidar a evolução do Rio de Janeiro e do futebol.



Cruzeiro precisa de calma e paz em 2012

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O 2011 da raposa foi daqueles anos de emoções absurdas. Começando como o melhor futebol da Taça Libertadores e terminando com uma boa dose de sorte e ajuda do maior rival para escapar do rebaixamento. É difícil entender a lógica do ano que o clube teve, mas passou.

Neste ano que começa, o Cruzeiro precisa ter menos brigas internas e rachas políticos assim como recuperar o que sempre foi padrão no clube como os salários em dia. Acima de tudo, a raposa não precisa ver seu principal jogador respondendo se vai continuar ou não na Toca.

O presidente Gilvan Tavares tem um desafio cruel de substituir os irmãos Perrela, com décadas de futebol nas costas. Não tem se mostrado à altura do desafio. O Cruzeiro que quase foi rebaixado aposta em Vágner Mancini, co-responsável pela queda de Guarani e Ceará, como comandante e em um elenco ainda muito parecido com o de 2011. Na estréia contra o fraco Mamoré a inexpressiva vitória de 2X1 revelou um time com pouco brilho apostando apenas em Montillo para resolver. E o argentino ainda sai de campo dizendo que não irá para o Corinthians. Lembra demais o ano passado.

É difícil acreditar em um primeiro semestre bom com tantas hesitações. Resta torcer para que Gilvan ajude o clube a recuperar seu foco. O Cruzeiro precisa de mais ambição.

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Algo que pode dar esperanças aos cruzeirenses pode ser o ataque. Diferente da dupla de centroavantes Anselmo Ramon e Wellington Paulista, os prováveis titulares Walter e Wallyson tem tudo para ajudar demais Montillo. Mas perceba: Walter precisa de disciplina e Wallyson de se contundir menos. O Cruzeiro de 2012 depende de muitas variáveis. E de calma e paz.

O Flamengo B empatou? Que bom...

Publicado  sábado, 28 de janeiro de 2012


Alguns minutos de correria e boa atuação contra times fracos fez criar um mito perigoso de que a solução cabal para o Flamengo é a troca dos titulares pelo misto de reservas e garotos da promissora geração campeã da copinha. Aí rola o empate com o Macaé e a tônica em várias redes sociais é que o Bottinelli não joga nada, que o Camacho é jogador de time pequeno e por aí vai. Menos.

O Rica Perrone chegou a comentar essa síndrome que assola boa parte dos flamenguistas. Qualquer goleada na Taça Guanabara faz o pessoal acreditar que no fim do ano um ataque com Lucas e Negueba vai acabar com o Barcelona na final do Mundial de Clubes. Bem menos.

O que a torcida do Flamengo - e o Vanderlei Luxemburgo - precisa entender é que o Flamengo hoje tem um elenco com boas opções para o meio campo, dois bons reservas para as laterais e titulares que têm condições de reencontrar sua melhor forma e é um time fraquíssimo de jogadores para a zaga. O ataque é formado pelo titular Vágner Love, pelo irregular Deivid e o talentoso Lucas. Enfim, um elenco com carências, logo é razoável dizer que não tem dois times. Só um.

O bom time do Macaé fez um jogo duro, poderia ter vencido, mas nesse início de temporada isso quer dizer... Muito pouco. Fica a vontade para que Lucas seja mais usado que Jael e que Camacho ganhe mais minutos no time titular. O Flamengo ideal não é o A ou o B, mas uma mescla de ambos.

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Vai soar incoerente pedir serenidade a todos e fazer um julgamento tão definitivo de um jovem, mas não levo fé nenhuma em Negueba. Jogador fraquíssimo, mas veloz tem apenas um drible baseado no tapa. Depois de 18 meses jogando nos profissionais já foi visto pela maioria dos zagueiros do Brasil. Foi constrangedor perceber que os zagueiros de um time da Região dos Lagos que não joga na série B do Brasileiro já sabiam como marcá-lo.

Ou Negueba melhora muito em fundamentos como cruzamento e finalização, que combinados à sua velocidade poderiam torná-lo um jogador mais perigoso, ou é melhor que o negociem enquanto ele ainda pode ser considerado um ex-jogador da seleção de base ao invés de um pereba.

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Publicado originalmente no Flamengonet e adaptado para este espaço.

Eu, corredor - Parte 3

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E lá fui eu de novo. A segunda corrida em menos de uma semana, já que a primeira foi em uma segunda. Dessa vez estava mais preocupado por um motivo que desde já é um péssimo exemplo: malhei perna de manhã, então não deveria exercitar o mesmo grupo muscular. De novo: está faltando um Ombudsman-Personal Trainer neste blog para comentar minhas escolhas. Até lá, a Dani Souto me disse no twitter que como uma é atividade anaeróbica e a outra aeróbica tudo bem, maaaas que eu preciso tomar cuidado com o repouso entre ambas. Ou seja: não posso tornar isso hábito para não rever o pior momento da minha vida.

Dessa vez não mudou nada em termos de batimento em relação à última vez. E percebi uma coisa: meu peso mudou em relação à última vez (perdi quase dois quilos) e preciso mudar isso no Polar, que é uma das métricas que ele usa para calcular minha pulsação ideal.

A minha coluna reagiu bem. Um pouco de dor que acho normal porque é o tipo de coisa que não acaba, você convive. A questão é a dor ser algo que faz parte do meu dia ao invés do meu dia fazer parte da minha dor, como já ocorreu. Foi o que rolou hoje. Durante a caminhada de aquecimento - sempre caminho rápido para esquentar o corpo antes de correr - senti um pouco de dor em que parava para alongar bastante a lombar. Resolveu.

Corri dois quilômetros em uma ida e volta desse percurso. De novo, mantive os dez minutos, que parece ser um tempo bom nesse recomeço. Por hora, meu objetivo é chegar aos 30 minutos duas ou três vezes por semana. Um professor de uma academia que malhei dizia ser o tempo ideal para quem fazia musculação não perder massa muscular, mas perder gordura. Ainda estou longe, mas sinceramente estou curtindo demais esse momento.




Foi certo manter Montillo? Depende do Cruzeiro...

Publicado  sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vivendo tempos estranhos em sua história recente com fuga por rebaixamento e salários atrasados, o Cruzeiro vive uma nova era com seu presidente Gilvan de Pinho Tavares que aproveitou o momento de ruptura com a história recente para romper com a prática mercantilista do clube e segurar o meia argentino Montillo após uma proposta quase nonsense do Corinthians pelo jogador.

Se acertou ou se errou, tudo vai depender da relação que o Cruzeiro passará a ter com o jogador. Montillo tinha um contrato em vigor e teve que aceitar a permanência, mas é inevitável que se desmotive e pense no que deixou de ganhar se o clube mineiro não o valorizar. Se Gilvan pensou como o presidente de um clube grande, precisa raciocinar como um pragmático gestor de uma empresa e fazer seu funcionário ter menos frustações por não ter saído e mais alegria por ter ficado. Se seu salário diminuir a diferença para o que quase ganhou, o Cruzeiro pode manter seu excepcional meia ao invés de ganhar um jogador insatisfeito.

Montillo parece um estilo de jogador diferente de outros. Jamais foge à responsabilidade ou cria desculpas fáceis. Foi o grande responsável em 2011 por manter o Cruzeiro na série A. Mas é um ser humano. Que o clube consiga fazer dele um homem mais feliz e valorizado. Vale mais a pena aumentar seu salário do que perder esse ídolo.


Jênio do Dia: Marcus Duarte

Publicado  quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Temos que ter paciência, pois só agora o mercado soube que o Flamengo foi para rua

Marcus Duarte, diretor de marketing do Flamengo,  pedindo que torcedores e imprensa esperem mais. Afinal, estamos acabando janeiro e o rubro-negro certamente não precisa de patrocinador. Lá por fevereiro ou março culparão o fechamento dos departamentos de marketing das empresas pela ausência de dinheiro.

O custo Nilmar

Publicado  terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Um amigo meu costuma falar do atacante do Villareal como um "Bebeto mais rápido e menos técnico". Sempre acho que falar do campeão do mundo em 94 é sinal de grande respeito e o fato de concordar com a comparação demonstra o que penso sobre Nilmar. Tão rápido quanto inteligente, o centroavante é excelente finalizador e dribla bem. Perigosíssimo em qualquer time do mundo.

Qualquer valor que peçam pelo atacante que Nilmar, parece justo. Hoje, no Brasil ele seria de longe um dos melhores a frente de Luiz Fabiano e Vágner Love, por exemplo. O problema é que nem sempre ele consegue ser esse atacante incisivo, mortal e quase tão veloz quanto seu pensamento. Até onde me lembro, as lesões gravíssimas que Nilmar sofreu nos joelhos está sempre voltando para o Departamento Médico.

Não é culpa do atacante. Nilmar não é do tipo que vira noites ou que não se cuida. Mas fato é que ele não possui um corpo confiável e compatível com seu custo. Será que vale a pena vermos cifras tão altas por um atacante que pode estar no Departamento Médico em uma final? Cabe ao próprio centroavante responder. De preferência, em campo.


Vale a pena ler...

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... A coluna de Renato Maurício Prado em seu retorno das férias. Conheci Renato em 2001, quando entrava na faculdade de jornalismo e ele topou dar entrevista para o meu grupo sobre sua carreira e o jornal Extra. Sempre exaltei a simpatia com que um cara tão ocupado recebeu aquele grupo de focas totalmente sem muita noção do que é esse bicho chamado jornalismo.

Desde então, troquei idéia com ele mais duas vezes quando era repórter e precisei de entrevistas. Nunca fui fã de seu estilo e já divergi de suas opiniões em vários momentos, mas essa semana o colunista de O Globo fez o que espero da imprensa há anos. Uma crítica ampla, certeira e implacável sobre a pior administração do Flamengo em anos. Aliás, dê mais três anos e esta será a pior de todas.

A suíte - texto que mostra a repercussão de um anterior - também é imperdível.

Eu, corredor - Parte 2

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Recomecei a correr no fim do ano passado. Curiosamente, quando passei alguns dias no Rio de Janeiro e não poderia ir à minha academia aqui em São Paulo. Tomei coragem, usei um tênis com amortecedor de impacto e simbora. Outra curiosidade: percorri o mesmo trajeto que fazia quando comecei. Desde então tem sido um exercício bom para mandar o estresse (e os quilos extras) embora eu tenha essa mania chata de ficar mais frustrado pelo que não tenho - meu antigo condicionamento - do que pelo que tenho - podendo correr de novo. Mas deixaissopralá.

Na semana passada chegou um presente legal para mim da Remix Idéias. Um kit do Powerade com um frequencímetro Polar e o novo Powerade ION4 (você já deve ter visto o comercial dele). Dá uma olhada aí:


Segundo o simpático cartãozinho com meu nome ali, o aparelho é o mais usado pelos atletas. Eu sempre fui adepto de "sem frescura" para esportes. Corria com qualquer tênis, malhava em qualquer academia (ainda prefiro as mais rústicas do que aquelas cheias de parafernálias) então usar um aparelho desses não estava na minha lista para correr (o tênis que amortece o impacto é essencial porque meu problema de coluna começou justamente com o impacto de corrida), mas curti a experiência.

Para começar, quero que você lembre o seguinte: conforme eu  disse, estava correndo em 4 blocos em que intercalava com uma caminhada enquanto recuperava o fôlego. Normalmente eram 4 vezes 4 minutos ou 3, dependendo de como eu acabava. Bom, dessa vez alterei algumas coisas como o trajeto (a populosa Teodoro Sampaio pela quase vazia Avenida Rebouças), o horário (manhã pela tarde) e dessa vez levei um isotônico para correr (não costumo levar nem uma garrada d'água).

Depois do alongamento, iniciei o frequencímetro ainda no elevador. Pulsação em cerca de 90. Pelo que entendi, ele calculou que com meu peso e altura o ideal era que minha pulsação ficasse entre 137 e 150. Comecei o percurso andando bem rápido o que levou os batimentos para 110 - em tempo: não faço idéia o que isso significa, se alguém souber digaê. Depois de dois minutos comecei a correr.

A partir dos 150, o aparelho começou a apitar como se me avisasse de algum exagero. Mas eu me sentia muito bem e só parava para bebericar o  novo Powerade. Meus batimentos chegaram a 170 e consegui fazer todo este trajeto em dez minutos. É isso. Não fiz os 4 blocos, fui me sentindo muito bem - isso quer dizer: nenhuma dor ou mal estar - e deu dez minutos direto um percurso maior do que o que comecei a correr anos atrás de uma forma bem mais intensa.

Não acho que a diferença tenha a ver com o trajeto. Talvez o powerade reponha energia bem mais rápido que a fórmula anterior mesmo... Já costumava usar o antigo quando ia malhar e não vi diferença no gosto. Assim que ver no mercado, pretendo testar na academia e replico aqui. O que acho que teve a influência com certeza foi ter corrido de manhã depois de uma boa noite de sono.

De qualquer jeito, fazer esportes significa pequenas, mas importantes vitórias. Perdi apenas 200 gramas do meu peso original (estou me pesando todos os dias) que devo ter recuperado no almoço e lanche, mas me senti muito bem fazendo algo que sentia muitas saudades. Sensação de dever cumprido. :)

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A Remix Idéias me mandou o produto para avaliação e quis dividir a experiência com vocês. Aproveito para convocar os demais parceiros de bem estar a contarem suas experiências para eu linkar aqui: Gustavo Jreige, Eric Messa, Guilherme Cury, Rachel Juraski, Penélope Nova, o pessoal do Papo de Homem, Danielle Cruz, Fábio Rex, Passarelli, Julia Gil, Leandro Ogalha, Tiago yonamine, Caio Caprioli, Mariana Graciolli, Raphael Pavan, Adriano Brandão, Renata Falzoni, personal trainer e a Marina Gomes.




Love não resolve problemas do Fla, mas de Patrícia

Publicado  segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



O momento em que imprensa e torcida deveriam perceber todos os problemas da gestão Patrícia surgiu logo após a demissão de Zico. Com todos os seus erros, o Galinho foi crucificado de todas as formas possíveis deixando a vereadora incólume a todos os erros de sua administração. Desde então, Patrícia Amorim tem sido ágil em aparecer nos melhores momentos e desaparecer nos demais.

Escorregadia, a presidente do Flamengo sempre parece onipresente em momentos como o da apresentação de Zico no clube - uma idéia que não partiu de seu gabinete, embora ela tenha dado a entender que sim - e a vinda de Ronaldinho Gaúcho, mas se torna invisível com as crises. Nada nunca é culpa de Patrícia. Seu erro é o de se cercar por gente pouco competente, estas sim são as culpadas. A pobre menina - o substantivo não é meu, mas de um perfil pouco criterioso ao seu respeito - é uma vítima das circunstâncias e heroína dos melhores momentos.

E é em mais um cenário de crise que Patrícia ensaia trazer Vágner Love ao clube. O atacante melhorará - e muito - o time se vier, mas não resolverá os problemas do clube. Love não pode pagar salários em dia, não fará todo o grupo se comprometer e nem mesmo resolver a falta de uma proposta para o futebol, crônica anunciada da candidatura de Patrícia.

A vinda de Love entretanto resolverá a oscilação de Ronaldinho Gaúcho e trará um ídolo para que Patrícia ganhe novos holofotes. E, com ele, os votos para sua reeleição à vereadora e possivelmente à presidência do clube. É irônico que a gestão mais descompromissada com a torcida rubro-negra ensaie os atos finais de seu mandato com ações para que justamente os torcedores do clube garantam à Patrícia mais quatro anos ocupando um cargo público e aos sócios mais um mandato. Só lamento pelas finanças de um clube que só esse ano precisa pagar mais de R$40 milhões e não prevê de onde irá tirar o dinheiro em seu orçamento. Isso Love não resolverá e Patrícia não se importa.

Eu, corredor

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É difícil falar a respeito, mas a corrida é pra mim como aquela amiga que sentou ao seu lado na escola por anos e, de repente, você percebe que é apaixonado por ela. Mas é tarde porque ela já se foi.

A analogia é simples. Sempre curti correr, mas só em 2001, quando tinha 21 anos comecei a fazer disso uma atividade física constante. Já fazia musculação e queria "secar" meu corpo - vale dizer que nunca fui daquelas crianças magras, mas também nunca fui gordo - e comecei bem devagar. Na primeira semana corria apenas cinco minutos todas as vezes na semana e em meses fui aumentando até correr cerca de 50 minutos até duas vezes por dia.

Nessa mesma época eu fazia duas faculdades (jornalismo e letras, que abandonei quase um ano depois) e começava a fazer estágio. E daí, aconteceu o que é óbvio para todo mundo que conto esta história exceto para mim mesmo naqueles tempos: meu corpo não aguentou. Tive o que os médicos chamaram de abaulamento na região lombar.

Não vou entrar em detalhes, mas meu tratamento foi prejudicado por um profissional muito ruim que atendia no Méier, onde vivia, e que passou meses minimizando minhas dores como uma "inflamaçãozinha" até tentar a acupuntura - que foi meu primeiro "ponto de virada" com as dores, mas que não resolveu meu problema - até encontrar um lugar onde tivesse tratamento adequado no Centro Ortopédico Botafogo (onde curiosamente tive um primeiro péssimo atendimento, o pior da minha vida, mas que nos anos que voltei para lá confirmei que foi uma exceção dentro de um centro de excelência). De lá para cá foram idas e vindas até que duas injeções de um antiinflamatório ou cortizóide - confesso que não lembro o nome - começaram uma longa estrada entre as aulas de  hidroginástica até o ponto onde estou em que estou apto a quase qualquer atividade esportiva.

E em todo esse período - perceba: ele começa em 2001, foram mais de dez anos! - eu sentia falta de correr. Tentei várias vezes, mas é frustrante algo que deve te relaxar e fazer bem, começar com uma dor forte que você teme que piore. O auge das minhas crises de dor eram uma pontada fortíssima na região lombar que irradiava hora para baixo até os joelhos e hora para cima passando por todo meu flanco direito até um pouco embaixo do meu peito. Essa crise vinha até mesmo sem nenhum esforço, bastava eu ficar em pé sem me apoiar em nenhum lugar. Poder correr, mesmo que aos poucos, é uma das coisas que me deixa mais felizes ultimamente.

Como acredito hoje em dia que qualquer atividade física se trata de encontrar a sua meta, comecei tentando correr em 4 blocos. Ou seja, ao invés de ir direto para os 30 minutos - o tempo que descobri DEPOIS da minha contusão que era o ideal para meu biotipo - tento intercalar 4 tiros - talvez seja melhor chamá-los de 4 arremessos dada a minha lentidão - em que paro quando estou cansado e ando (se estiver com alguma dor, alongo). Tem sido bom, embora meu sobrepeso (estou a uns 20 kg do meu peso ideal) tenha feito eu sentir dores nos joelhos e tornozelos até mais do que na coluna. Não deixa de ser irônico, mas também é uma lição. O tempo e a falta de cuidados só trarão novas dores. Diminuí-las só depende do cuidado que temos conosco.

Uma nova categoria para o blog

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Normalmente não aviso a criação de novas categorias no blog, mas vou abrir uma exceção. A idéia de Eu: Atleta é justamente falar um pouco da minha relação pessoal com esportes. Desde 2010 voltei a me exercitar e superar vários problemas como o sedentarismo, tendinites e a minha coluna (que teve um problema que está cada vez mais distante).

Ainda hoje começo os trabalhos. A idéia é falar um pouco sobre o que faço para melhorar minha forma física e que pode servir para você aprimorar seu corpo, sua saúde e sua qualidade de vida. Espero que seja interessante e, acima de tudo, que ajude você. :)


Adriano não é aposta

Publicado  quinta-feira, 19 de janeiro de 2012


Em geral, o torcedor é um malabarista exímio na hora de arremassar para cima lembranças ruins e trocá-las pelas boas. O problema de ontem se torna a solução amanhã nessas horas em que os dribles e gols parecem ser a única coisa de um craque-problema. Quantos vascaínos não esqueceram completamente os problemas de Edmundo? E quantos corintianos não ignoram as indisciplinas e problemas de Marcelinho Carioca para se recordar apenas dos gols do Pé-de-Anjo?

A bola da vez é Adriano e o Flamengo. Figura importantíssima no hexacampeonato de 2009, o Imperador tem desde então comprovado empiricamente que aquilo foi uma exceção. A constante de Adriano são poucos jogos, menos gols e muitos, muitos problemas. Inclusive nas páginas policiais onde figurou constantemente quando esteve em dois de seus últimos clubes. Mas para a Nação rubro-negra o que ficam são os gols daquele título e não suas partidas embaraçosas com uma queimadura no pé causada por uma lâmpada de jardim - as explicações de Adriano são a única coisa mais constrangedora que sua forma física recente - e suas ausências na Libertadores de 2010. Isso para não falar de ligações obscuras com traficantes e criminosos.

Em uma enquete no Lancenet 70% de rubro-negros o querem de volta. 70% não podem reclamar dos problemas que trará. 70% não podem reclamar da bagunça que permite ao clube aceitar jogadores descomprometidos como o ex-imperador. 70% se iludem com os lances de 2009 e não vêem a realidade.

Adriano sempre estará marcado na história do clube pela sua importância em um título aguardado há 17 anos. Mas o tempo passou e desde então ele demonstrou que o Imperador se perdeu entre aquela Copa América em que salvou o Brasil no último minuto e lampejos como em 2009. Não importa se os torcedores guardam com alegria inesquecível aqueles momentos. Acabou. E o que sobrou não é uma aposta, mas uma certeza de fracasso.

Muhammad Ali muito além de boxe ou MMA

Publicado  terça-feira, 17 de janeiro de 2012



70 anos de um ídolo universal. O boxeador Muhammad Ali não é só um atleta, mas um ícone. Você pode achar exageradas as homenagens para um esporte que só conhecemos pela madrugada e parece não fazer sentido nas disputar do UFC que atraem cada vez mais. Mas elas ainda são pouco.

Muhammad não lutou boxe, mas se converteu em um ídolo político que ajudou a transformar sua sociedade e seu tempo. Recusou títulos, mudou seu nome e brigou com o próprio país para não mudar quem fosse. Tanta vontade que abandonou Cassius Clay para ser mais Ali.

Em homenagem à data transcrevo um trecho de uma resenha que escrevi para o site Melhores do Mundo sobre o álbum Superman X Muhammad Ali que fala justamente desse herói.  Leia e deixe seu comentário:

O esporte é uma das maiores fábricas de heróis que existem e Muhammad Ali, ex-Cassius Clay, é um produto de um dos melhores momentos disso. Naquela época a mídia ecoava o alcance dos carismas sem reviver microscopicamente cada lance, especialmente da vida desses personagens. Naquela época ninguém comentaria do cabelo do Dr. Sócrates ou faria alguma estatística bisonha sobre um ídolo como Roberto Dinamite.

Você pode não gostar de boxe, mas Ali era muito mais do que um boxeador. Ele se tornou muçulmano em uma época nada fácil para quem ousasse discordar de governos, recusou o alistamento e fez tudo isso desafiando tudo e a todos. Imagine um jogador como Messi com mais marra que o Romário, mas acima de tudo, com um orgulho moral de nunca fazer nada que não concordasse. Parece impossível, mas ainda assim talvez seja insuficiente para explicar o que Muhammad Ali significa não só para o esporte, mas para a história da nossa sociedade.

Ali foi um herói em uma época em que todos os heróis pareciam supers. Talvez tanto quanto o que o Super-Homem significa para nossa cultura.

O Fluminense vem aí!

Publicado  sábado, 14 de janeiro de 2012

Talvez o melhor futebol do returno do Brasileiro de 2011, o Fluminense mostrou o vislumbre de um time épico. Faltando apenas o título para terminar, que talvez viesse não fosse a indesculpável derrota para o América-MG. Para este ano isso importa pouco. O tricolor das Laranjeiras chega com um futebol convincente jogado um mês atrás, o elenco mais estelar para a Libertadores e com uma infraestrutura melhor do que a de 2011 contando ainda com a contratação do ótimo Rodrigo Caetano, reforço decisivo para seu planejamento, a palavra-chave para vencer tudo na era dos Pontos Corridos. 

Perceba que o grande mérito de Peter Siemsem no primeiro ano é não ter desmontado o time campeão brasileiro, ao contrário de seu rival. No segundo mantém e reforçou pontualmente e manteve o bom técnico Abel. Em 2013, Siemsem tem tudo para entregar o Fluminense com um título importante - o que o tornará o presidente com o melhor aproveitamento no clube em décadas - e com uma base reestruturada. Não duvide até de um novo Centro de Treinamento.

De ressalva apenas que a contratação de Thiago Neves pode tirar espaço de revelações como Lanzini e Wellinton Nem, mas cabe ao meia-atacante trazer essas críticas à tona. Sem vaidade, ele pode confirmar a intenção do clube ao contratá-lo e de seu presidente até aqui: tornar o Fluminense mais forte e vencedor.

E o tricolor vem forte para 2012. Para este blogueiro, o Fluminense é o time brasileiro com mais possibilidades na Taça Libertadores. Que os adversários corram atrás do Time de Guerreiros.

Não é só Thiago Neves que o Fluminense ganhou!

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Não adianta se discutir se o meia-atacante que acaba de acertar com o Tricolor das Laranjeiras vale ou não o investimento de milhões de euros e um salário que é mais do que o dobro do que ganhava nas arábias. Fato é que a diretoria do Flamengo considerou que valia, embora ao custo de um parcelamento que não fora acordado, e tentou. Mas o Fluminense mostrou mais gana e partiu para contratar o jogador que mais fez gols em uma libertadores (aquela competição que o rubro-negro parece ter esquecido que jogará em algumas semanas).

E não foi só nesse momento.

Peter Siemsem assumiu o tricolor carioca em 2011 em situação idêntica à de Patrícia Amorim em 2010. Herdava o clube de uma gestão campeã do brasileiro. Pior: não contou com a simpatia de Roberto Horcades como a vereadora do Rio de Janeiro teve a de Márcio Braga que lhe abriu as contas e toda situação do clube semanas antes do início de seu mandato. E mesmo com tantas facilidades, quanta diferença!

Patrícia fracassou em 2010 demonstrando que nunca, absolutamente nunca, teve qualquer idéia do que fazer com o esporte que tornou o Flamengo paixão de 35 milhões de torcedores a não ser usá-lo para sustentar sua base eleitoral. Enquanto isso, Peter teve ousadia de bater de frente com Muricy Ramalho e abrir mão de uma libertadores para esperar o técnico que sua gestão gostaria. Apenas no primeiro ano o Fluminense é o terceiro melhor time do brasileiro e a equipe nacional favorita para a libertadores.

Não foi apenas Thiago Neves ou o título brasileiro de 2010 - que o Flamengo de Patrícia foi incapaz de sequer um vislumbre para defendê-lo - perdeu. Tem perdido o protagonismo do futebol carioca, a confiança de sua torcida e o respeito de toda crônica esportiva. O Flamengo de Patrícia Amorim, a vereadora que se elegeu usando o Flamengo e os inocentes tolos o bastante para acreditarem em seu sorriso gentil, é o rubro-negro das derrotas que caminha a passos largos para meio bilhão de dívidas. E amanhã ainda haverá quem diga que se critica a presidente pelo seu sexo, quando o machismo é evitar as cobranças pelo fato de ser mulher.

Enquanto o Flamengo não sabe qual será seu ataque, trabalha-se nas Laranjeiras para a estréia da Libertadores com o elenco completo. O Fluminense contratou Thiago Neves e tem vencido porque é mais compente. Simples assim.




O camisa dez da base já usa chapinha!

Publicado  sábado, 7 de janeiro de 2012

Se liga, mermão. Tá achando que a onda é usar o moicano do Neymar, mas esqueceu que o moleque teve que jogar muito pro penteado não descabelar? A chapa é quente e jogador tem que aparecer pela bola e não pelo corte bizarro que vocês acham maneiro pra cacete. Vai virar pagodeiro antes de ser craque?

Tô ligado: a grana entrou, a mulherada tá azarando em cima e a vibe é ficar bonitão e estiloso com jeitão de Jonathan Haagensen ou Cristiano Ronaldo, mas daí pra ser Fabio Ferreira é um pulo, parceiro. O papo é reto: jogador de futebol tem que aparecer pela bola e daí virar notícia pela roupa, penteado, namorada e qualquer coisa. E olhe lá. Se saiu mais vezes no Ego do que foi no Bem, Amigos dar entrevista tá errado, irmão. É vacilação.

Você ainda não é nada, não convenceu ninguém e daqui a cinco anos vai ser lembrado só pelo cara que tu mais desprezou: aquele mala lá da arquibancada. A não ser que faça alguma coisa. É comer o pão que o diabo amassou, desencanar do estilo pra night e de ajeitar o cabelo e sujar muito o calção. Tu é jogador. Só isso. E se quiser ser alguma coisa a mais, só depois que jogar muito.

Aí dá pra pensar em lançar moda. Valeu?


Toda falta que Marcão fará

Publicado  quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Hoje, vivemos tempos em que é inimaginável um torcedor admirar outro jogador, mas acredite: houve uma época em que um vascaíno achava Zico um herói, que corintianos adoravam Pelé e palmeirenses gritavam por Sócrates.  E por aí vai.

Não sei se esse tempo acabou completamente e tenho esperanças que não. Mas é fato que Marcão é legítimo representante dessa era. É um Marco, com o perdão do trocadilho,  de um sentimento que une todos os torcedores de todos os clubes pela paixão de algo muito maior do que qualquer time do mundo: o futebol.

Marcos, São Marcos, Marcão, Santo... Bendito goleiro esse. O camisa 1 do Palmeiras em alguns dos momentos mais relevantes do clube fez milagres, ressuscitou em 2008 graças à fé de Vanderlei Luxemburgo (eu, por exemplo, já o dava como aposentado) e chegou até aqui. Em 2012, se despede e deixa uma saudade incomensurável nos corações alviverdes e, acreditem, um enorme sentimento de perda por todo mundo que gosta de futebol.

E acima de toda essa saudade há também outra enorme sensação. A de gratidão. Obrigado, Marcos, Santo, São Marcos, Marcão. Obrigado.