Quais reforços você contrataria para 2013?

Publicado  sábado, 29 de dezembro de 2012

2012 não acabou, mas 2013 é logo ali. Executivos e dirigentes já se movimentam para manter ou buscar o topo com a contratação de reforços. Não sou empresário e nem profissional do mundo da bola, mas vou dar meus pitacos de boas opções para cada posição. Não me preocupei com custos financeiros, mas evitei sonhos irreais como Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar, por exemplo.

Então vamos à lista:

Técnico: Mano Menezes não foi bem na seleção, mas seu histórico em clubes é de técnico de ponta. Tite merece todos os méritos pelo momento corintiano, mas me pergunto o quanto o dedo do seu compatriota gaúcho não o ajudou. Seria o grande nome para qualquer clube que precise de um comandante.

Goleiro: Hélton há anos no Porto, parece ser um típico caso de jogador que pode estar com saudades do Brasil. Ele jamais fez o tipo saudosista e nem o Vasco, com quem tem ligações mais fortes, ensaia esse retorno. Mas eu arriscaria...

Lateral-direito: Fágner atravessa seu melhor momento no Wolfsburg, mas já esteve perto de ser encostado. Vale olhar com carinho para ele assim como o ótimo Mariano (ex-Fluminense). Em tempo: nenhum dos dois demonstrou uma vontade firme em retornar, mas a carência na posição pode mudar isso. Outras opções são Cicinho (Sevilla) ou o "genérico": seu xará da Ponte Preta.

Zagueiros: Anderson Martins é muito subestimado por ter jogado ao lado do mito Dedé, mas é ótimo zagueiro e já deu indicações firmes de que deseja voltar para o futebol brasileiro. Da mesma forma, o uruguaio Lugano não está feliz na Europa e não deve voltar às raízes no Morumbi, já que o SPFC contratou Lucio.

Lateral-esquerdo: O Fluminense já está de olho em Reinaldo, do Sport. Talvez uma das poucas opções para jogar de forma defensiva e ofensiva. Times que gostam de liberar os laterais como alas podem investir em Julio César (Grêmio) ou em Magal (Flamengo), jogadores com bom potencial ofensivo mas péssimos na marcação. Douglas Santos (Náutico) é outra boa aposta após o melhor ano da sua vida.

Volantes: Com as saídas no elenco vascaíno o volante Wendell pode ser uma boa escolha assim como seu companheiro Nílton. Bolatti, Diguinho e Correa, em baixa no Internacional, Fluminense e Palmeiras, são outros nomes para a posição. O incansável Willians, eterno líder em roubadas de bola quando atuava por aqui, já dá indícios que não fica na Udinese.

Meias: Gosto muito de Diego (Wolfsburg), que esteve perto de voltar ao Brasil este ano. Vander (Bahia) teve muito azar nos últimos anos, mas me parece um caso de jogador prestes a explodir. O mercado sul-americano sempre tem bons nomes na posição, ao contrário do futebol brasileiro como Lorenzetti (LaU). Cleiton Xavier (ex-Palmeiras), Giuliano (ex-Internacional) e Alex (ex-Corinthians) são jogadores "sumidos" que certamente gostariam de voltar. E o ex-corintiano e "chuta-chuta" Bruno César já deixou esse desejo bem evidente.

Só não deem mais chances para mascarados como Morais e Valdívia em 2013. O argentino Bottinelli pode ser contratado por qualquer clube pelos valores dos seus salários.

Atacantes: Vargas (Nápoli) e Carlos Eduardo (Rubin Kazan) já andam cotados para voltar ao Brasil assim como dizem que Dagoberto não fica em Porto Alegre no próximo ano. Thiago Ribeiro (Cagliari), Araújo (Náutico) e Maikon Leite (Palmeiras) são outros exemplos de jogadores rápidos que atuam mais pelos lados. Para a posição de goleador sempre gostei muito dos jovens Kieza (Náutico) e Willian José (SPFC), mas é Alan Kardec (Benfica) que considero o melhor nome disponível e quer retornar ao futebol brasileiro.

A lista será atualizada até os primeiros dias de janeiro. Listem nos comentários as suas sugestões por posição e vamos discutindo. E um feliz 2013 para todos. :)

Faça um favor para Suzy Hamilton

Publicado  sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


Três Olimpíadas (1992, 1996 e 2000) em que defendeu os EUA, maior potência olímpica, nas provas de média distância do atletismo não bastaram para Suzy Hamilton - a atleta tem "Favor" como sobrenome mais iemdiato. Ontem, a ex-atleta revelou que vinha se prostituindo.

Cobrando até pouco tempo um cachê de 600 dólares, a velocista evita se identificar como vítima e explica, de forma vaga, o porquê de entrar nessa vida difícil. "Me senti atraída pela prostituição especialmente porque me dava mecanismos de sobrevivência quando eu vivia momentos muito difíceis na minha vida e no meu casamento", revelou.

Estamos falando de um país organizado, que não costuma esquecer seus ídolos e com várias oportunidades de emprego no mundo dos esportes. Ainda assim, Suzy não foi capaz de refazer sua vida após sua primeira morte. Agora, imagine quantas histórias iguais ou piores não existem no  Brasil?

Que o COB faça um favor para cada Suzy Hamilton: ajude o esporte a se desenvolver e massificar. E traga dignidade por quem suou a camisa pelo País.

Como será o 2013 do Vasco?

Publicado  segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Com a proeza de não conseguir ser mais interessante a um jogador em início de carreira do que o Náutico, o Vasco também já conseguiu perder seu goleiro e sua estrela Juninho Pernambucano. A primeira coisa que cada dirigente cruzmaltino deve  saber é que o próximo ano será difícil.

Muito difícil.

Torcida e times se unem em um elo resistente demais para ser quebrado nos piores momentos da instituição. O Vasco precisa saber agora que irá passar por um desses ao invés de varrer a crise para debaixo do tapete.

Se este ano, a necessidade de renovações era condicionada à títulos em 2013 as saídas de tantos jogadores, a falta de credibilidade e de dinheiro indicam um Vasco enfraquecidíssimo com o imprevisível Carlos Alberto como referência e o maestro Felipe em fase final de aposentadoria como o único meia-armador.

Mais uma vez: o que todos os vascaínos precisam é que o presidente e ídolo Roberto Dinamite reconheça o momento difícil. Acertar os atrasados, liberar os insatisfeitos e montar um time ganhando em dia com jovens valores e jogadores baratos a busca de um lugar ao sol. É o único caminho para evitar que a crise piore.

O que a final do Mundial ensina ao Brasil?

Publicado  


A derrota do Santos para o Barcelona em 2011 ensinou ao futebol brasileiro a dura lição que teimávamos em não aprender com o sucesso do Muricybol. Ficou descarado que soluções fáceis e aposta em personagens folclóricos - seja o "papai Joel" ou o "turrão Muricy" - não fariam o futebol brasileiro voltar ao topo. O caminho rumo ao topo é difícil.

O Corinthians aprendeu isso quando manteve Tite, mesmo após perder o brasileiro de 2010 na última rodada e a queda para o Tolima. Apostou não só na continuidade, mas no amadurecimento de um dos maiores estudiosos de esquemas táticos do Brasil. Curiosamente, em seu pior momento a imprensa esportiva chegou a tentar rotulá-lo em uma espécie de adepto do lazaronês.

Hoje, o futebol brasileiro volta ao topo pela evolução tática. E é difícil pensar em quantos técnicos além de Tite são capazes de pensar em novidades no cenário raso do futebol brasileiro. De dentro para fora, o técnico corintiano professa uma lição ainda difícil para o futebol brasileiro, que prefere Felipão à Guardiola: é indispensável olhar para o futebol em todo o mundo ao invés de apostar em chavões e clichês. Que 2013 confirme que apreendemos isso, com ou sem título Mundial

O todo-poderoso Corinthians

Publicado  domingo, 16 de dezembro de 2012


A cabeçada de Guerrero e o 1X0 corintiano não fazem jus ao momento do alvinegro. A Fiel sabe exatamente o que vive na ascensão meteórica dos últimos três anos: conquista. Não só a do futebol Brasileiro, da Libertadores ou a do Mundial. De tudo.

Há não muito tempo, o clube vivia o fundo do poço com o rebaixamento. Se reergueu e não parou mais de evoluir. Parte disso em um centenário difícil e sem nenhum título marcante, mas com um clube unido em torno do objetivo de internacionalizar o clube.

E o Corinthians conseguiu. Com a maior verba de marketing entre os clubes da série A, o time mais competitivo e, talvez o melhor técnico do futebol brasileiro o clube do Parque São Jorge faz todos os seus loucos bem felizes. E 2012 marca não um apocalipse, mas o nascimento de um deus todo-poderoso do futebol brasileiro. Haverá limites para o Timão?

Porque torcer pelo Corinthians no Mundial

Publicado  terça-feira, 11 de dezembro de 2012


O Timão talvez seja, há algum tempo, o clube mais odiado no Brasil em contraste com a sua gigantesca torcida. Odiado? Talvez o mais politicamente correto seja chamá-lo de o mais influente. Hoje, o que acontece com o Corinthians influi todo futebol brasileiro e, consequentemente, mundial.

Há quatro anos, o time do Parque São Jorge recolhia seus cacos para disputar a segunda divisão após uma queda sofrida e um vice-campeonato da Copa do Brasil. Parecia o fundo do poço e um horizonte distante mesmo quando a torcida entoou "o coringão voltou" pelas ruas de São Paulo após a volta à primeira divisão. Não era.

Quatro anos fazendo o beabá da gestão esportiva, o Corinthians superou cada rival no cenário regional e nacional. Fez o que cada torcedor quer para o seu clube e chegou onde todo mundo que ama um time sonha: no topo. E uma conquista do Mundial torna  o Timão maior, mas não transforma nenhum time grande em timinho.

É até compreensível que  todos os torcedores que não sejam corintianos não liguem para isso e torçam contra. Mas é uma questão de amar mais o seu time do que odiar um rival. O bi mundial alvinegro forçará cada time brasileiro a rever seus conceitos.

Será que qualquer torcedor não gostaria de ver isso? Com a palavra, os apaixonados.

Cinco técnicos para o Brasil melhores que Felipão

Publicado  sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Já critiquei a escolha de Felipão aqui, mas pensei em um exercício para comprovar o tamanho do erro de José Maria Marin em chamá-lo para a missão: listar cinco opções melhores. Vale lembrar que o blogueiro não concorda com o resultado pelo resultado e gostaria de ver um projeto que recuperasse a escola brasileira de drible e jogo ofensivo para a seleção, algo que não vemos desde 1986, com Telê Santana.

Vamos aos nomes e razõe:

Abel Braga: O cara já foi campeão mundial, da Libertadores e brasileiro. Abelão não costuma promover o tipo de esquema que gostaria de ver na seleção, mas dentro do futebol de resultados é um técnico mais preparado. E olha que não torço pelo Fluminense...


Vanderlei Luxemburgo: Vanderlei teve uma passagem ruim pelo Brasil, mas é um nome com muito mais regularidade do que Felipão. No cenário nacional se acostumou a brigar na ponta todos os anos enquanto Luiz Felipe Scolari jamais emplacou uma sequência convincente no Palmeiras, fora o título da Copa do Brasil, e teve uma carreira pouco honrosa após passar por Portugal.

Há dúvidas sobre a honestidade de Luxemburgo, que jamais foram comprovadas devidamente na esfera da justiça. Não duvido que sejam reais, mas usar isso como motivo para limitá-lo em um país onde todos os dirigentes são alvo de desconfianças piores e temos um presidente da CBF que embolsou uma medalha (literalmente) não é lá muito coerente.


Sampaoli: Jorge Sampaoli talvez fosse a aposta mais ousada entre esses cinco, mas o futebol total de LaU torna seu nome algo irresistível. Imaginem a qualidade de Neymar atuando na mesma posição que o bom Vargas ou o craque Oscar na mesma posição que Lorenzetti? O técnico me faz ter muita vontade de ver o Chile jogando. Será que não faria o mesmo pela seleção?

Guardiola: A má vontade com técnicos estrangeiros na seleção é tão grande que se perpetuou uma bobagem de que o espanhol só daria certo com Iniesta e Messi vestindo a amarelinha. Curiosamente, os autores de tal bobagem não pedem que Felipão use a máquina do tempo e traga Ronaldo, Kaká e Ronaldinho de 2002. Critério.

Pep Guardiola está acostumado a um trabalho de longo prazo e em priorizar times que tomem a iniciativa de jogo. É um nome respeitado e adorado. Seria ótimo ver a CBF acreditando em um nome desses, embora ele jamais desse certo com essa "estrutura".
Tite: O técnico do Corinthians talvez seja o nome mais promissor quando falamos de evolução tática no Brasil, assim como Mano Menezes anos atrás. Ao seu favor, uma honra inabalável e parece lidar melhor com a pressão que o Brasil impõe a qualquer um. Se o objetivo fosse um profissional nascido e criado aqui, seria a melhor escolha.

Eu & a eleição no CRF

Publicado  quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


"Vamos ganhar, mas será sofrido", o mantra citado por mim dezenas de vezes a cada seguidor no twitter, leitor, amigo ou fã de página que me perguntava se ainda estava confiante. Mesmo sabendo que as estimativas divulgadas na coluna de Renato Maurício Prado eram totalmente realistas já que havia acompanhado o processo de perto.

Ainda bem que eu e cada integrante que trabalhou no dia 3/12, em diferentes horários (e até das 6h da manhã até a apuração às 23h) pensou o mesmo. "Erramos" na projeção estimada - a vitória veio com 53% ao invés dos 50,4% projetados anteriormente - mas eu não cravei a minha estimativa de votos de Patrícia Amorim. Com  mais de 900 votos ao contrário dos, no máximo, 700 que acreditava, ela mostrou, para tristeza geral da torcida, que será uma personagem fortíssima na política rubro-negra nos próximos anos, ainda que agora diga que não será mais candidata. Os ventos da política mudam.

Como mudaram a favor da chapa Azul, de Wallim Vasconcellos e Eduardo Bandeira de Mello. Na primeira vez que ouvi a respeito da possibilidade da candidatura da chapa Azul, confessei ao meu aamigo Rafael Strauch, o grande herói dessa eleição, que se ajudaríamos a surgir os novos personagens naquela eleição ao invés de nos unirmos aos que já estavam lá contra Patrícia todos nós precisaríamos fazer deles os favoritos. Não fiz absolutamente nada sozinho desde então. Tive a companhia de gente que ama o Flamengo da mesma forma solidária e tão empenhada quanto eu.

Não vale a pena entrar em detalhes, mas como você pode imaginar há sempre o jogo sujo nas eleições do clube. O que considero lamentável e espero que mude. O que posso dizer é que todos entramos naquele Dia D, em uma operação liderada pelo gerente Fred Mourão, preparados para um ambiente hostil. Foi tudo o que vivemos, sem a violência temida por muitos torcedores que insistiram em nos alertar dias antes.

As horas finais desse dia com o interesse pelas parciais que concretizavam o que esperávamos, foram bem diferentes do que eu esperava. Mesmo exausto, a adrenalina pelo resultado me energizou até o fim. Só quem esteve lá pode explicar.

Outra coisa que me fez ir em frente foi reencontrar uma amiga de faculdade e um amigo que fazia a cobertura do processo. Todos flamenguistas. Gente cujo apreço pela amizade foi uma das minhas cargas para me envolver nos rumos dessa política.

Nessa reta final, caminhamos juntos como fizemos nos quatro anos de PUC-Rio para o ginásio onde houve a apuração. Tomamos caminhos diferentes antes de entrar por lá - mas sei que vou reencontrá-los outras vezes  - e nessa etapa algumas pessoas vieram me parabenizar pelo trabalho que expliquei em várias reuniões com sócios. "Vai ser o que você falou mesmo", me disse um deles.

Outros agradeceram em um exagero generoso como se eu tivesse grande participação. Sem um pingo de falsa humildade digo que não tive. Fui mais um. Fiz tudo o que podia e isso as vezes não é muito, mas é o máximo que podemos fazer. Posso ser um dos mais populares nas redes sociais, mas acreditem: a mobilização para essa vitória contou com muitos mais nomes do que cabem neste post. Uma autêntica operação overlord pelo bem de do mais querido do Brasil.

O que faço melhor nessa vida é escrever. E não há ato mais solitário do que o da escrita. Por isso, acredito tanto na mobilização das redes sociais e nos amigos que ganhamos com ela. E é por isso que digo que essa luta não começou comigo e que nunca estive sozinho nela. Porque dá muito orgulho ter isso em mente. Dá enorme orgulho de fazer parte de um grupo como o Sócios Pelo Flamengo.

Afinal de contas, pra quê vencer um jogo de futebol quando não temos amigos com quem comemorar? Que Eduardo Bandeira de Mello e o grupo Fla Campeão do Mundo nos dêem outros motivos para celebrar.

Pelo Flamengo bom

Publicado  sábado, 1 de dezembro de 2012


Sempre digo que este blog é de futebol e não de um torcedor. Evito falar como um, mas hoje peço licença. Espero que vocês entendam.

Não sei exatamente quando me tornei flamenguista. Sei que não me tornei fanático de um dia para o outro e que torcer pelo Flamengo é algo que se confunde com a pessoa que sou. Sempre achei que ser rubro-negro era um quê de rebelde com causa de ideologia vermelho-preta. Somos 40 milhões de eternos inconformados com o status quo.

Não tenho medo de dizer: gosto mais do meu time do que de futebol. Assim como Mauro Beting e outros caras que respeito muito. Isso não me torna pouco apaixonado pelo esporte bretão ou incapaz de comentar outros times. A maior evidência de saber separar as coisas foi o número de vezes que fui xingado por torcedores do meu time ou exaltado pelos de outro.

Convenhamos, não foi também algo difícil criticar o time da Gávea nos últimos tempos. Dona Patrícia ajudou muito nesse sentido. E todas as vezes que tentei deixar o torcedor de lado na hora de criticar essa gestão, não conseguia fazer o mesmo com o pesar que sentia.

E a menos de dois dias das eleições do Clube de Regatas do Flamengo eu me pego pensando em todo o desafio que percorri até aqui. Todos os conflitos que tive, todas as vezes em que me perguntei se valia a pena e todas as vezes que já sabia a resposta antes de terminar a pergunta.

O problema é que não sou um cara que se comforma fácil. Não consigo deixar pra lá e seguir em frente. Pudesse, seguiria com o blog e criticaria as coisas na distância jornalisticamente adequada em busca da imparcialidade confortável. Não tomaria partido, cruzaria os braços e faria o que faço melhor: escrever. Um sujeito que respeito muito nas redes sociais me avisou que deveria ficar na minha. E deveria mesmo.

A questão é que não consigo.

Eu não consigo ver tanta gente vilipendiando um time que é um pedaço da minha identidade. Não aceito ver pessoas usando o Flamengo para suas ambições mesquinhas enquanto gente tão rubro-negra quanto eu em outras regiões desse Brasil sofre com esboços de planejamento e vexames. Eu não vou deixar pra lá enquanto entender que tem gente disposta a usar a paixão que divido com 40 milhões de irmãos e irmãs para se locupletar.

Não posso cruzar os braços enquanto o nosso Flamengo se apequena cada vez mais.

Muita gente me perguntou porque me envolvi tanto, porque gastei dinheiro, abri mão de oportunidades profissionais e segui em frente. São tantos sacrifícios - e acabo sacrificando gente como a minha esposa (Isabelle, te amo!), mãe, irmão e amigos por isso.

"É só um time de futebol. Você acha que eles ligam para você?" - Não importa porque eu ligo. E não vou deixar pra lá. Todos nós podemos fazer alguma diferença se pensarmos globalmente e agirmos localmente. Tem quem lute por seu prédio, sua comunidade ou seu país. Eu vou lutar pelo Flamengo. Há quem diga que é pouco, mas tem quarenta milhões de pessoas que discordam. E é nessas pessoas que eu penso.

É no porteiro do meu prédio, nos amigos que fiz nas redes sociais, nos flamenguistas do meu colégio e da faculdade. Eu não vou me conformar por tudo o que o Flamengo representa pra gente. Eu vou lutar, parafraseando Olga benário: pelo Flamengo bom, pelo Flamengo justo e pelo melhor Flamengo que há nesse mundo. Seja na terra, seja no mar.

Porque Felipão é ruim para o Brasil

Publicado  quarta-feira, 28 de novembro de 2012


Caso seja confirmado na seleção, o ex-técnico do Palmeiras será mais um erro da era Marin, assim como a demora em demitir Mano Menezes (que deveria ter ocorrido após o decepcionante fim dos Jogos). Quem me acompanha sabe que vejo com simpatia o nome de Felipão em clubes, acho que ainda é um técnico de ponta, mas definitivamente não é o que se esperava para a Copa de 2014.

O Brasil precisa recuperar sua escola e jeito de jogar. Perdemos isso em algum lugar entre as duas últimas Copas. E mesmo em 2002 e 94 não vimos o jeito brasileiro em ação. Felipão representa o desespero da CBF em conseguir a taça e não o mais importante para a cultura esportiva brasileira, algo que a instituição deveria estar preocupada.

Se o hexa em copas vier, eu, você e todo torcedor brasileiro vamos comemorar. A questão é: a que preço? A cada ciclo que optamos pelo caminho mais fácil do resultado, adiamos o desafio de recuperar o futebol solto e alegre que sempre tivemos. Até lá, a Espanha merece muito mais o rótulo de país do futebol do que nós merecemos.

Fernandão foi a demissão mais previsível do ano!

Publicado  terça-feira, 20 de novembro de 2012


O cara critica o elenco e nenhum dirigente vem apoiá-lo, mesmo com esse grupo superestimado do Internacional. Há anos devendo. Antes disso, ajudou a derrubar um técnico que era seu subordinado, quando já havia boatos sobre um vestiário indolente.

Nesse cenário todo, houve mesmo alguém que não soubesse que Fernandão acabaria desempregado no final do ano?

Não existem inocentes em uma história onde o diretor assume o cargo do técnico que demitiu. Não existe um único culpado em um elenco que vence uma Libertadores e derruba três técnicos na sequência para não conquistar nenhum título.

Nada mais previsível que essa saída e o sentimento de amargura da torcida colorada. O Internacional, refém do grupo que reergueu o clube do ostracismo dos anos 90, joga mais um ano fora.

O Palmeiras impotente

Publicado  domingo, 18 de novembro de 2012


O rebaixamento do Palmeiras ocorrer horas depois de um empate frustrante com gol de um ex-ídolo é só mais um detalhe dos requintes de crueldade da temporada de 2012. Renascimento e morte em um mesmo ano com a Copa do Brasil e um rebaixamento, algo raríssimo para um time grande.

E sim, o Palestra não deixa de ser imenso mesmo na série B. O que talvez deixe para trás - ainda que temporariamente - seja o "imponente" de seu título para a rima do título deste post. Contrariando as (minhas) previsões mais otimistas, o ótimo trabalho de Gilson Kleina e uma das folhas salariais mais altas do campeonato não salvaram o clube.

Mais do que reconstruir o clube para 2013, torcida e sócios precisam entender que as lições do último rebaixamento nunca foram assimiladas corretamente. O Palmeiras viveu os últimos dez anos como aquele estudante que sempre passa se arrastando e termina formado sem muita instrução.

Com uma honrosa exceção, o clube jamais pareceu saber o significado de termos como "planejamento" e "gestão profissional" depois da Era Parmalat. Se perdeu essa oportunidade na Gestão Belluzzo, com muitas boas intenções e poucos resultados decentes.

É hora do Porco apostar em menos soluções fáceis e reunir quem defenda o clube com profissionalismo e amor na mesma medida. A Fanfulla talvez represente esta esperança. Um grupo político preocupado com a torcida ao invés de políticos preocupados com a Mancha Verde.

Recuperar o "imponente" de seu hino é uma tarefa fácil, mas a meta deve ser impedir que ele se perca novamente. Palmeirenses já sofreram o bastante, mas o momento pede que se arregace as mangas e se trabalhe duro. Daqui para frente, tudo precisa melhorar.

O que esperar de Ricardo Gomes no Vasco?

Publicado  sábado, 17 de novembro de 2012

O histórico do ex-zagueiro responde isso.

Sua carreira é de um técnico fraco, com duas fases muito boas (uma no Vasco e a outra pelo Vitória). É improvável que isso se repita em um cargo que não ocupa há anos (Ricardo foi diretor-executivo do Paris Saint Germain anos atrás), em um clube dividido politicamente e com um elenco inferior ao que ele comandou em 2010.


A perspectiva desse retorno é ruim. Seja pelo contexto vascaíno, seja pelo talento de Gomes.

Vale a pena ler: Pedrada

Publicado  quarta-feira, 14 de novembro de 2012


Tive a chance de ver nascer um blog muito bacana nos últimos anos: o Pedrada Rubro-Negra, de um sujeito que aprendi a chamar de amigo chamado Henrin. Sempre se destacou em comentários ácidos e criativos - discordei de pelo menos metade deles - lá no Flamengonet, talvez a maior referência na blogosfera rubro-negra.

Na última semana, Henrin escreveu sobre o golpe sofrido pela Chapa Azul do Flamengo, a qual apóio e trabalho como já expliquei por aqui. Por estar na campanha, tenho optado por não falar muito do clube por aqui, mas prometo que ao final das eleições farei ponderações de tudo o que aprendi neste 2012.

Até lá, recomendo que você leia O Golpe.

Fluminense e os recalques de um título

Publicado  domingo, 11 de novembro de 2012



Dois brasileiros em 2010 e 2012 com a melhor campanha do segundo turno entre os títulos. O Fluminense, favorito a tudo no início do ano, confirma sua vocação para melhor time deste início de década e leva mais uma taça para casa.

Haverá quem diga que o campeão é a Unimed, como se fosse pecado ter um patrocinador forte. Pergunte a qualquer palmeirense se ele se considerou menos campeão em 93 e 94 por ver a "Parmalat" responsável direta pelas equipes daquele bicampeonato. E será o Corinthians menos campeão da Libertadores por ter mais dinheiro da TV Globo?

Um recalque bobo e injustificável. Se Celso Barros ajudou a formar um grande time, que os adversários corram atrás do time de guerreiros. Arranjem um mecenas ou trabalhem com mais competência.

Também já havia quem falava da ajuda da arbitragem, justamente na era em que a CBF se converteu em uma extensão da Federação Paulista de Futebol. Quis o destino que o Fluminense fosse campeão enquanto o Galo empatava com a ajuda de um pênalti maroto. O lance fez parte das teorias conspiratórias?

O Fluminense caminha para ser o papa-títulos da década. Tem uma divisão de base eficiente, o melhor diretor-executivo do Brasil e um patrocinador com gosto de "quero mais". Que rivais e outros times não embarquem no discurso enganador. O tricolor carioca tem tudo para gritar "é campeão" mais vezes nos próximos anos.

Porque o Botafogo deve ter Oswaldo em 2013

Publicado  

Refém de velhas apostas, o Botafogo viveu em 2012 não um apocalipse particular, mas um ano de transição. O trabalho de Oswaldo Oliveira foi bom, mas cometeu o pecado de não conquistar títulos que o alvinegro não vê desde o distante 1995. Parte do jejum vem da falta de continuidade em anos de trabalho.

Apesar disso, a Estrela Solitária pode começar 2013 com opções fortes como Lodeiro, Seedorf, Andrezinho e Fellype Gabriel. São três jogadores capazes de manter o nível em duas posições e um capaz de desequilibrar. Ainda existe o jovem Cidinho que pode assumir o lugar do irregular Vitor Junior, mais um da escola Jóbson de evolução no futebol.

Defesa e ataque eram individualmente fracos no alvinegro desde o início do ano. As revelações Dória e Bruno Mendes já se tornaram referências e mantidas no elenco tornam o Botafogo um time para fazer frente ao Fluminense, cada vez mais campeão brasileiro, em 2013. Manter Oswaldo é a garantia de um técnico que conheça melhor o elenco e mantenha o critério que acertou com esses jogadores - e que errou com o crucificado Rafael Marques - e manter a evolução.

É chato ver os alvinegros esperarem mais um ano. Mas tudo aponta para mais felicidade em 2013. Na era dos pontos corridos, adeptos do longo prazo sempre vencem os impacientes.

Vale a pena ler: Ruy Castro

Publicado  quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O texto do colunista da Folha é um resumo firme e sincero sobre Adriano. O ex-imperador é vítima de clubes despreparados para tratar gente com seu problema, de torcedores insensíveis ao homem e atentos apenas a um ídolo que não existe mais e, é claro, de si mesmo.

Já tratei o assunto mais de uma dezena de vezes por aqui com a mesma firmeza. Mas me faltou a qualidade do escritor e a propriedade para abordar o assunto. Ruy é alcoolatra e sabe que a doença exige o mesmo preço da liberdade: a eterna vigilância.  De si mesmo.

Em busca de um relaxamento ilusório, Adriano segue se enganando ao invés de buscar tratamento. O final da história, Garrincha e outros atletas já nos contaram. É torcer para que dessa vez haja uma zebra.


Marcelo Oliveira: vítima de Dinamite!

Publicado  segunda-feira, 5 de novembro de 2012


A gestão de Roberto Dinamite conseguiu salvar o Gigante da Colina da aterrorizante (indi)gestão de Eurico Miranda e acabar com um ciclo horrível do clube. Desde então, o Vasco seguiu oscilando a passos lentos de uma reconstrução que nem mesmo Rodrigo Caetano parecia ser capaz de acelerar. No início de 2011, a torcida vascaína chegou a exibir a faixa: "tua imensa torcida quer voltar a ser feliz".

Veio o título da Copa do Brasil e parecia que finalmente as boas intenções do presidente e a competência do diretor haviam emplacado. No final do ano, Dinamite esnobou uma renovação com Caetano, pela qual deveria lutar com unhas e dentes. Assim como deveria ter trabalhado por patrocinadores, melhorias na base (solicitação corriqueira do ex-diretor-executivo, prestes a ser campeão brasileiro pelo Fluminense) e salários em dia.

Com toda essa preguiça e crise política, Marcelo Oliveira, que parecia a aposta ideal para o clube pediu demissão após seis derrotas seguidas. Tudo porque o  Vasco que o contratou não é mais aquele de 2011, que caminhava a passos largos para se consolidar novamente no cenário nacional. Em 2012, mês após mês, aquele time vibrante e brioso foi enfraquecendo e perdendo o brilho mesmo com muita luta.

E sem técnico, diretor e em crise política vai recomeçar do zero em 2013 uma longa caminhada. Tua imensa torcida ainda terá muitos desafios pela frente.

André Santos e a globalização

Publicado  


Após trocar de camisa com Van Persie, o lateral-esquerdo André Santos (ex-Corinthians e Flamengo e com passagens pela seleção brasileira) viu sua temporada na Terra da Rainha ficar mais difícil. A situação, que já é vista com banalidade no Brasil, não foi digerida pelos torcedores. Até Ray Parlour, ex-jogador do Arsenal, criticou a situação que ocorreu no intervalo como "uma piada".

Pode parecer bobagem, os torcedores do Arsenal passarem a odiar Van Persie por trocar a equipe londrina pelo Manchester United. Mas convenhamos, não é algo que o torcedor brasileira costuma levar numa boa também. A confusão é tão imensa que André Santos pode nem ser relacionado para o próximo jogo (vale lembrar que ele perdeu três dos quatro jogos em que entrou como titular).

Com tudo isso, Suélem Leal dos Santos, esposa do lateral, resolveu defender o jogador com o pedido de que "os ingleses deveriam entender melhor a cultura brasileira antes de julgar alguém”. É um argumento que fala mais sobre nós, brasileiros, do que o comportamento britânico.

André Santos não está mais no Brasil. Se mudou para ganhar salários maiores em ligas mais organizadas, competitivas e com muito mais popularidade. Tudo isso por sua escolha mesmo em uma situação confortável no Corinthians, onde era titular absoluto. Com tantas vantagens adquirididas, não são os ingleses que deveriam tentar entender a cultura brasileira nos gramados britânicos.

O que o casal Santos precisa compreender é que a maioria dos choques culturais deixaram de ser supreendentes desde que o bicho Globalização passou a ser citado em qualquer aula de geografia do ginásio. Qualquer profissional que se mude em busca de melhores salários, oportunidades ou visibilidade sabe o preço que esses benefícios cobram. Ou deveria saber.

Suelen e André parecem querer manter todas as vantagens e ainda serem compreendidos quando fizerem coisas que não são bem vistas pela torcida local. Seria menos mimado se ambos pedissem desculpas e admitissem seu erro por mera ignorância. E da próxima vez, que cada atleta brasileiro se prepare melhor quando quiser mudar de pátria. Ganham muito bem para isso.

Jornalismo esportivo: nem mulheres nem fontes

Publicado  quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pesquisa internacional analisa a forma como os jornais de vários países cobrem o esporte

Por Ciro Barros, da Agência Pública

Ao redor do mundo, o jornalismo esportivo tem o costume de simplesmente ignorar temas como política esportiva, financiamento do esporte, esporte amador e, no caso do Brasil, até os preparativos para os megaeventos que o país vai sediar nos próximos anos. Também não costuma consultar mais de uma fonte para seus artigos e mantém uma hegemonia masculina, tanto nos autores quanto no foco das matérias.

Essas são algumas das conclusões da pesquisa “International Sports Press Survey” (ISPS, sigla em inglês para Pesquisa Internacional sobre a Imprensa Esportiva numa tradução livre), feita pelos acadêmicos alemães Jörg-Uwe Nieland, da German Sport University, e Thomas Horky, da Macromedia University for Media and Communication, em parceria com o Danish Institute for Sport Studies (Idan) – instituto de pesquisa esportiva independente, financiado pelo Ministério da Cultura da Dinamarca. No estudo, foram analisadas 18.340 matérias de 81 jornais, em 23 países, de abril a julho de 2011. Os países analisados foram: Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Inglaterra, França, Alemanha, Grécia,  África do Sul, Índia, Malásia, Nepal, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, Romênia, Escócia, Cingapura, República Eslovaca, Eslovenia, Suíça Francesa, Suíça Alemã e Estados Unidos.
A pesquisa ainda não foi publicada na íntegra, mas alguns dados e conclusões iniciais foram divulgados no último dia 24, no seminário “Mega-eventos e democracia: riscos e oportunidades”, parte da conferência internacional Play The Game de transparência e democracia no esporte.

Segundo o estudo, três assuntos dominaram os jornais analisados neste período: resultados ou crônicas de jogos ou partidas (de futebol ou não); performance esportiva de atletas ou times (quebra de recordes, período de invencibilidade de uma equipe) e prévias de competições (prognósticos a respeito de resultados de um torneio, quem tem mais chances, quem tem menos, etc.). Juntos, chegaram a 77,7% das matérias publicadas. Política esportiva e financiamento do esporte corresponderam a apenas 5,8% do conteúdo publicado em todo o mundo.

O futebol foi a modalidade mais noticiada pelos jornais, com 40,5% das publicações do período. O tênis, segundo esporte mais abordado pelos jornais em todo o mundo, ficou com o índice de apenas 7,6%. Em regiões como América do Sul, Europa e África do Sul, o futebol chegou a atingir índices entre 50 e 85% de predominância em todos os artigos esportivos.

Outro dado importante é que essa cobertura é feita quase que exclusivamente por homens: apenas 11% dos artigos analisados foram escritos por mulheres. E a concentração de gênero não se restringe aos autores dos textos, mas também ao objetivo deles. Cerca de 85% das matérias focaram em um atleta homem.

 Segundo a pesquisa, os jornalistas esportivos também não costumam escutar muitas fontes. Em mais de 40% dos artigos analisados, apenas uma fonte foi ouvida e uma em cada quatro matérias não usou fonte alguma. Técnicos e atletas representam quase a metade das fontes ouvidas. Pessoas ligadas ao governo e pesquisadores acadêmicos tiveram índices quase inexpressivos.

No Brasil

A pesquisadora Tatiane Hilgemberg, especialista em gestão do esporte pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), reuniu alguns dados a respeito da mídia brasileira para a International Sports Press Survey. Tatiane analisou três tipos de jornais: um nacional, um regional e um tablóide. Os jornais avaliados foram O Globo (nacional), Tribuna de Minas (regional) e Meia-Hora (tablóide), também no período entre abril e julho de 2011.

Por aqui, o futebol foi tema de 74,6% das matérias analisadas sendo, de longe, o mais abordado. O segundo esporte mais veiculado foi a Fórmula 1, com 3,3%.

“As conclusões preliminares mostraram que o futebol está massivamente presente na mídia analisada, e os temas giram sempre em torno das performances e resultados de partidas”, constata a pesquisadora. “Os preparativos, tanto para a Copa quanto para os Jogos Olímpicos, estiveram presentes na análise, porém ambos perderam espaço para a cobertura do Campeonato Brasileiro ou da Libertadores”, explica. Segundo os dados, 72% das matérias publicadas a respeito de esporte focaram prévias de jogos, competições, torneios, resultados e relatos de jogos ou competições e a performance de jogadores e times.

Mesmo em um momento decisivo na preparação para os megaeventos, alguns aspectos importantes para uma fiscalização correta parecem ter sido ignorados. O financiamento público do esporte, por exemplo, foi um tema que apareceu apenas em 0,9% das matérias esportivas. Política esportiva apareceu em 0,8% dos textos. Juntos, esses temas não chegam nem a dez por cento do que foi destinado a resultados de jogos e de competições. A cobertura específica a respeito dos megaeventos teve um índice de apenas 2,6%.

O modelo se reflete nas fontes utilizadas pelos jornais. Políticos ou instituições governamentais foram ouvidos em apenas 1% das matérias. “Percebi também que a maioria das matérias de esporte não estão assinadas”, completa Hilgemberg. “E as que estão assinadas são, em sua maioria, de autoria masculina.” Nos artigos assinados, 93% eram feitos por um homem e somente 7% por uma mulher. No mundo, o índice foi de 88% das matérias assinadas por homens e apenas 11% por mulheres.

Diante das conclusões da parte brasileira do estudo, a pesquisadora aponta que a imprensa vem deixando de exercer o seu papel de “cão-de-guarda” de um patrimônio cultural, político e econômico tão importante quanto o esporte. “Há pouquíssima informação sobre política, economia ou transparência. Ou seja, a imprensa não tem cumprido seu papel de fiscal”, conclui.



Brasileiro de 2012 já é uma decepção!

Publicado  quarta-feira, 31 de outubro de 2012


Com o aumento milionário das cotas de TV, o retorno de jogadores como Ronaldinho, Marcelo Moreno e Juan e a presença de astros já consagrados como Fred e Montillo, o campeonato brasileiro deste ano caminhava para ser um divisor de águas do futebol nacional. Infelizmente, não deu.

Com um G3 definido desde o primeiro turno e sem muitas surpresas ( o favoritismo do Flu era a coisa mais previsível que você poderia apostar em janeiro), é difícil acreditar que o tricolor carioca não leve a taça. A despeito do futebol interessante do Atlético-MG, a falta de times competitivos na ponta ao contrário de 2009, 2010 e 2011 indica que o nosso campeonato não é o que ainda poderia ser.

Este ano temos também um Z4 que dificilmente terá mudanças até o fim do ano. Não levava fé na queda do Palmeiras, mas as duas vitórias da Ponte Preta deixaram apenas o Bahia como possível rebaixado. Possivelmente, os quatro times que caírem não chegarão aos 40 pontos, evidência do baixíssimo nível técnico deste ano.

Se isso já não fosse o suficiente, 2012 talvez tenha sido o ano em que menos se falou de futebol nas discussões sobre o torneio. As teorias conspiratórias mais malucas surgiram e a mera possibilidade de um jogo ser impugnado nos fazem lembrar de anos nem tão distantes assim de viradas de mesa e coisas do tipo. A imagem acima da torcida do Galo, que disputa a liderança com o Flu, demonstra bem o rumo que o bairrismo das coberturas esportivas causou. Que 2013 seja melhor.

O Ocaso de Diogo

Publicado  segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Destaque na série B de 2007, o meia-atacante Diogo rapidamente foi adiantado para o ataque onde seguiu se destacando pela Portuguesa. No brasileiro do ano seguinte, um drible inesquecível no zagueiro Fábio Luciano e muitos gols sacreamentaram sua saída para o Olympiacos. Desde então, o jogador, favorito na lista de reforços de qualquer time paulista quando estava no auge, desapareceu.

Inacreditáveis quatro anos depois de surgir no Brasil, o atacante agora é afastado do elenco grego por "falta de vontade". Tendo confirmado a aposta de nove milhões de euros (a maior transferência do clube brasileiro) apenas no primeiro ano, ele chegou a retornar para o Brasil para uma promissora dupla com Deivid no Flamengo. Os dois decepcionaram, mas suas atuações pífias no Santos comprovam que o problema não foi exatamente o clube ou o parceiro (vice-artilheiro do rubro-negro em 2011 e se destacando agora no Coritiba).

Diogo corre o risco de ser mais um Rodrigo Fabri na história da Lusa ao invés de um novo Zé Roberto. Com a idade onde deveria estar no auge, parece acomodado pelo alto salário e desmotivado com os desafios da bola. Faz a gente pensar onde estamos errando com tantos jogadores bons que simplesmente não conseguem confirmar o que esperávamos por um sentimento de prostração incompatível com sua juventude. O tempo punirá.

O melhor Ronaldinho

Publicado  segunda-feira, 22 de outubro de 2012


Demorou, mas ele chegou lá. O meia-atacante que brilhou no Flamengo no primeiro turno de 2011 ainda não havia provado que poderia fazer o mesmo ou melhor pelo Galo. E com a atuação no Fluminense e com outras no Brasileiro isso mudou.

Ronaldinho é hoje um jogador mais regular e neste segundo turno o responsável pela ressurreição do Atlético-MG e de um campeonato que já parecia decidido. Já há algumas semanas eu dizia que sua subida de produção era fundamental para as pretenções do clube mineiro. Ele chegou lá.

A melhora do número 49 tem a ver também com seu novo posicionamento. Ainda no Flamengo, Vanderlei Luxemburgo insistiu em colocá-lo como um meia-centralizado. Ronaldinho oscilou e nem sempre ficou clara sua posição, mas parece finalmente se sentir mais confortável por ali.

Jogando o seu melhor é titular de qualquer time ou seleção do planeta. Mano Menezes acerta em buscar Kaká, uma referência bem mais confiável. Mas vai acabar cedendo ao brilho do ex-camisa dez se ele conseguir se manter em alto nível. De um jeito ou de outro, sorte do Atlético-MG que conta com o Ronaldinho que desequilibra.

Quando surge o alviverde imponente

Publicado  sábado, 20 de outubro de 2012

Nunca me convenci em ver o Palmeiras rebaixado em 2013. A campanha era ruim, o clima pior e não dava pra bater palma pela atitude covarde de Arnaldo Tirone em demitir Felipão, campeão da Copa do Brasil. Mas me parecia muito estranho ver o alviderde rebaixado esse ano.

Desenganado por cinco a cada quatro comentaristas esportivos, o Verdão resssuscitou. Especialmente graças às mudanças táticas que Gilson Kleina trouxe além de uma boa dose de motivação. Não dá para ignorar como Barcos, alvo favorito dos lançamentos de Marcos Assunção, ajudou também. É um time limitado muito além do aceitável, mas difícil de ser batido nos dias de hoje.

Em todas as projeções que fiz, o Palmeiras (assim como o Flamengo) não cai. Para a matemática casar com a realidade é indispensável que o palmeirense não se engane: será difícil. Mas times grandes nunca diminuem enquanto os pequenos jamais crescem. Pela frente, o clube paulista tem Bahia, Sport e Ponte Preta, minúsculos diante de sua expressão. Vai dar Porco.

Boleiros vereadores: por que não deu jogo?

Publicado  quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Da Agência Pública

Nas eleições municipais do último domingo (7), o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, candidato a vereador em São Paulo pelo Pc do B (Partido Comunista do Brasil) recebeu 19.739 votos, cerca de 0,35% dos votos válidos. Não se elegeu para o cargo.

Silva pediu demissão em outubro do ano passado após ser envolvido em acusações de desvio de dinheiro público do programa Segundo Tempo, do Ministério sob seu comando, que repassava verbas a ONGs para disseminar a prática esportiva entre os jovens. Segundo as acusações, o ex-ministro escolhia as entidades que receberiam o dinheiro cobrando 20% das verbas que seriam repassadas a elas.

A Controladoria Geral da União determinou que R$ 50 milhões do Segundo Tempo voltassem aos cofres públicos, pois teriam sido desviados. O Supremo Tribunal Federal abriu um inquérito ainda no ano passado e o Ministério – hoje sob comando de Aldo Rebelo (também do PCdoB) – abriu uma sindicância interna para apurar os fatos.

Assim como ele, outras figuras do esporte também se candidataram a cargos públicos e saíram derrotados: foram envolvidos em denúncias de corrupção. polêmicas ou então traziam a marca de atuações em cargos públicos sem grandes realizações.

Um exemplo é o da atual presidente do Flamengo, Patricia Amorim, que tentava seu quarto mandato seguido como vereadora do Rio de Janeiro. Ela recebeu 11.687 votos e ficou na 19ª colocação no quadro de seu partido, o PMDB. Ocupando uma vaga na Câmara desde o ano 2000, ela perdeu quase metade dos votos em relação à eleição de 2008.

Presidente do clube desde 2009, a ex-nadadora (28 vezes campeã brasileira) foi denunciada no mês passado por uma reportagem  dos jornalistas Lúcio de Castro e Gabriela Moreira, da ESPN Brasil, por ter nomeado em seu gabinete de vereadora pelo menos 25 pessoas ligadas ao clube carioca ou à sua família. Entre os nomeados estaria o presidente do Conselho Fiscal, Leonardo Ribeiro, conhecido como “Capitão Léo”. Ribeiro, ex-líder de torcida organizada, esteve empregado no gabinete entre 2003 e 2007, com salários entre R$ 4 mil e R$ 7 mil, segundo a matéria. Segundo o estatuto do clube, o Conselho Fiscal deveria ser “um órgão independente” para monitorar as ações da presidência.
Patrícia confirmou os fatos e disse não ver conflito de interesses nessa situação.

Papo de anjo

Sempre no páreo da disputa informal da torcida corintiana pelo cargo de maior nome que já vestiu a camisa do time, Marcelinho Carioca também tentou uma vaga de vereador em São Paulo pelo PSB. Na campanha, usou várias vezes o nome do ex-clube; até o número que usou (40.777) remete ao número 7 da camisa que vestia quando jogador. Seu slogan de campanha era: “Louco por ti e fiel!”, lembrando um dos gritos mais populares da torcida corintiana.

Apesar de todo o apelo, a condição de ídolo alvinegro não garantiu uma votação expressiva. Ele teve 9.729 votos, ficou em 28º lugar no quadro de sua coligação, que elegeu 15 nomes na Câmara. Para garantir votos dos torcedores, o “Pé de Anjo” como era aclamado pela torcida, usou depoimentos do técnico do Corinthians, Tite, e de atuais ídolos do time, como Alessandro, Paulinho e Emerson Sheik.
Segundo matéria publicada pelo repórter Bruno Thadeu, do Uol, Marcelinho teria enganado o treinador e os atletas, dizendo que os depoimentos seriam usados em escolas e palestras ligadas a um projeto social, e não para fins eleitorais. Marcelinho reconheceu um “engano” da produtora no caso do uso da imagem de Tite.

Essa foi a segunda tentativa do “Pé de Anjo”. Em 2010, Marcelinho concorreu ao cargo de deputado federal pelo PSB. Na ocasião, conseguiu votação suficiente para ser suplente de Abelardo Camarinha. Camarinha tirou licença do cargo por 130 dias e Marcelinho abdicou do direito de assumir a vaga, deixando-a para a terceira suplente.

Divino

Outro candidato derrotado nas urnas foi o ídolo palmeirense Ademir da Guia , conhecido pela torcida como “divino” (veja entrevista com ele feita pelo Copa Pública). O ex-atleta foi vereador em São Paulo entre 2004 e 2008. Eleito pelo PCdoB, passou para o PR, de orientação política praticamente oposta, depois de nove meses de cargo. Na Câmara, apresentou 77 projetos de lei como autor e coautor. Apenas seis foram relacionados ao esporte. Quase um terço de suas propostas (25) foram para a concessão de títulos honorários (cidadão paulistano, etc.) ou nomeação de logradouros públicos (ruas, praças, etc.).

Entre os seus projetos estão a criação da semana da conscientização odontológica; a proibição do uso de aparelhos sonoros nos veículos de transporte coletivo; a obrigatoriedade de empacotadores nos supermercados; e a distribuição de cestas básicas para pessoas idosas; e a reprodução da bandeira nacional nos uniformes dos estudantes da rede municipal de ensino.

Ademir da Guia recebeu 14.345 votos e foi o sexto no quadro de seu partido, que elegeu três nomes.

Eleitores mais conscientes?

Para o professor do Departamento de Política da PUC-SP, Lúcio Flávio de Almeida, a explicação para a rejeição aos boleiros nas últimas eleições não significam que os eleitores estão punindo candidatos com denúncias de má conduta.

Almeida analisa os exemplos de Orlando Silva e Patricia Amorim: “No caso dela, pode ter muito mais a ver com a crise do Flamengo do que com a corrupção. Além disso, como presidente do Flamengo, dificilmente os torcedores rivais votariam nela. Logo, ela tinha um eleitorado mais cativo entre a torcida rubro-negra. À medida que o Flamengo naufraga, o eleitor a abandona”, afirma. “Já Orlando Silva saiu como candidato pelo PCdoB, que tem pouca expressão em São Paulo. Em São Paulo os eleitores tucanos promoveram muito o julgamento do mensalão. Orlando Silva foi ministro do governo Lula e tem essa associação”.

No entanto, o especialista avalia que o eleitor percebe quando os candidatos têm poucas propostas. Palmeirense, ele comenta o mau desempenho de Ademir da Guia: “Eu tenho a impressão de que o caso dele, sim, foi de total falta de credibilidade. A propaganda dele era muito vinculada ao futebol. Ele fazia ‘embaixadinha’. Mas não se colocou com uma proposta do tipo: ‘Eu quero lutar pelo esporte’”, explica. “E para piorar o Palmeiras está na situação em que está.”

Lúcio Flávio de Almeida se diz ainda cético com relação ao voto consciente: “Ainda sou muito crítico com esse momento eleitoral do país, e acho que há muita gente comemorando uma certa mudança com relação a isso. Mas o que predomina é uma perspectiva moralista nas eleições.”

Para acompanhar

Entre as figuras ligadas ao futebol eleitas ou reeleitas para vereador no Brasil estão: Washington (ex-atacante de Fluminense e São Paulo) em Caxias do Sul (RS), Marco Aurélio Cunha (ex-superintendente de futebol do São Paulo) em São Paulo, Tupãzinho (ex-atacante do Corinthians) em Tupã (SP), Paulo Rink (ex-atacante do Atlético-PR) em Curitiba, Vandick (ex-atacante do Paysandu) em Belém e Tarcísio (ex-meia do Grêmio).

Para marcar em cima dessas figuras em suas vidas públicas, visite os sites das Câmaras municipais de cada cidade. Todos os projetos apresentados podem ser  acompanhados buscando pelo nome do vereador, e você pode também cadastrar seu email para receber informes periódicos. Agora, com a Lei de Acesso à Informação, cada uma das Câmaras  tem o dever de informar sobre o andamento de propostas, presença do seu candidato no plenário, e gastos com pessoal. É só fazer valer seu direito entrando em contato com elas.

 O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

******

O blog publicou o texto acima para que a discussão não se perca. A minha opinião pode ser lida aqui.

Alemanha: uma geração decepcionante?

Publicado  terça-feira, 16 de outubro de 2012

Como explicar uma seleção com tanta tradição abrir quatro gols de diferença e sofrer o empate contra uma Suécia, inexpressiva há décadas? A Alemanha é o retrato da surpresa e decepção neste dia com um resultado inexplicável até para quem mais lutou por ele.

Na Eurocopa, a esquadra Germânica já havia decepcionado justamente em um momento decisivo. Demonstrou falta de brio, mística e personalidade, a antítese da Itália vice-campeã do torneio. Repetiu esses defeitos nesta tarde. Os suecos agradecem a chance de presenciarem um resultado histórico.

Fica o medo de que a geração, que pintava como uma brilhante candidata para 2014 há dois anos, caminhe para se tornar uma decepção para seu torcedor. Há algo errado com os alemães.

E o Brasil se achou?

Publicado  

Contra um adversário passa longe daquele Japão ingênuo que era sinônimo de goleadas, o Brasil fez uma partida como há anos se espera. Ainda faltam opções de jogada e de se impor quando gols demoram a sair, mas o jogo foi animador.

Assim como anima ver Kaká desenvolto como o ótimo 8 que é - e não um dez como Dunga quis em 2010 - ao lado de jovens como Neymar e Oscar. Passado e futuro de uma seleção que pela primeira vez em décadas não teve a chance de contar com referências como Bebeto e Romário em 94 e Ronaldo e Rivaldo em 2002.

Com um veterano confiável, a tendência é ver os novatos de Mano mais tranquilos, o que ainda não houve. Parece que o Brasil encontrou seu time e esquema ideais.

A derrota de Patrícia

Publicado  segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Tentando seu quarto mandato para manter doze anos de presença na câmara, a presidente do Flamengo fracassou. Retrato do seu desgaste com uma gestão descompromissada com 40 milhões de torcedores e interessada apenas em um projeto pessoal e político mesquinho.

Patrícia Amorim assumiu o Flamengo em 2010 campeão brasileiro e na melhor fase em décadas. Entregará um clube com duas campanhas medíocres e apenas uma aceitável, com dívidas que ainda não sabemos o tamanho. Como a com o meia-atacante Ronaldinho.

Todas as alas políticas lhe estenderam a mão e ela teve a chance de unir o clube várias vezes. Na primeira, jogou fora o Clube dos 13 e fez o futebol brasileiro retroceder em anos ao trabalhar contra a eleição de Kléber Leite como presidente da organização, enfraquecendo politicamente o rubro-negro e entregando o poder da CBF a dirigentes ligados ao futebol paulista. De quebra, desagradou cada corrente política rubro-negra que não pudesse chamar de sua.

Em três anos, Patrícia chamou o Flamengo de seu. Sonsa, ignorou o beabá para fazer de um clube competitivo e tomou cada decisão para apagar incêndios e se manter no futebol. Já no primeiro ano, usou e descartou Zico, Vanderlei Luxemburgo, Marco Braz, Andrade e este ano fez o mesmo com Adriano, que não deve ter vida longa na Gávea depois de outubro.

Nessas eleições, chamou Vágner Love para fazer o coraçãozinho, convocou atletas do clube para pedirem voto para si e chegou ao cúmulo de retwitar até mesmo elogio de torcedores do... Fluminense. Dá para ver que seus erros no futebol não são azar, mas um traço do perfil de colaboradores que escolhe.

Na manhã do dia 7 de outubro, atletas rubro-negros como César Cielo e Adryan manifestaram no twitter voto e apoio à então vereadora. Difícil pensar que foram ações espontâneas. Mais fácil crer em mais gente usada pelo sorriso simpático da presidente. Um dia a conta chega.

Mesmo com todo esse carisma, máquina e pessoas de bem apoiando, Patrícia sofreu a primeira derrota vigorosa esse ano. Vale pensar o que vai levar mais tempo: ela se recuperar desse baque ou perceber que esta deve ser apenas a primeira perda do ano. 2012 ainda não acabou, vereadora, ou melhor, presidente.

O torcedor votou "não"

Publicado  


Nem Patrícia e nem Marcelinho. Nada de Carlos Germano ou tampouco Andrade. Ainda que Tupãzinho, Washington, Marco Aurélio Cunha e outros poucas pessoas do mundo da bola tenham conseguido cargos públicos, em 2012 o torcedor e eleitor, de forma genérica, deu um basta para quem quer ser vereador com a proposta de receber voto de quem ama futebol.

Nada mais justo. Ex-jogadores, ex-dirigentes ou pessoas ligadas de alguma forma a clubes de futebol fazem da Câmara um espaço para muito folclore e vontade de aparecer, mas pouco trabalho pela sociedade. Em alguns casos, sequer pela torcida que os elegeu ignorando estádios desconfortáveis e o desrespeito usual que os torcedores estamos todos acostumados.

Pode ser que seja um processo momentâneo. Mas repare que mesmo quando vascaínos disseram não a Eurico Miranda, ainda havia gente como Patrícia e outros que representavam com força a bancada da bola. Este ano, os perdedores superam os vencedores como mostra essa matéria do Globoesporte. Esperança de um esporte melhor. Não só porque o torcedor vetou esses candidatos, mas porque demonstrou critério e vontade de pedir mais do que torcer pela mesma camisa. Nossos homens públicos vão precisar fazer mais se querem receber o nosso dinheiro.

Um Kaká confiável

Publicado  quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Nos 4 x 1 implacáveis do Real Madrid frente ao Ajax, sombra do time que impressionava há 20 anos, Kaká não superou a boa atuação do brasileiro Marcelo e o excepcional Cristiano Ronaldo, em mais um hat-trick (o décimo-sétimo pelo clube merengue e décimo-oitavo na carreira). Mas depois de enfrentar dúvidas sobre sua convocação, provou que só precisa entrar em campo para ser mais confiável do que oscilante.

Muito afim de jogo, o meia comandou o Real Madrid, driblou, criou chances e demonstrou a capacidade de ser o jogador que o Brasil ainda não tem. E talvez o atleta que falte à Neymar e Oscar tabelarem em campo.

Tudo que Kaká precisa é que seu corpo colabore. É mais uma evidência de que seu comprometimento com oscilações físicas é mais confiável do que o talento puro e quase perfeito totalmente descompromissado de Adriano e Ronaldinho.

O Fla-Flu à cara do time campeão?

Publicado  domingo, 30 de setembro de 2012


O Fluminense venceu. Mais uma vez nos detalhes e sem jogar bem, mas também sem exatamente contar com o azar do adversário. Não há sorte, mas um esquema competitivo com duas linhas de quatro, o regular Edinho entre elas e jogadores do meio pra frente que raramente não resolvem.

O voleio de Fred seria um lance do acaso? Ou algo comum para o melhor centroavante do campeonato brasileiro? Onde está essa tal de sorte que insistem jogar com a camisa dez verde, branco e grená?

O tricolor carioca conta com um esquema sólido que quando falha conta ainda com um grande goleiro. Diego Cavalieri interrompeu de vez décadas de arqueiros medíocres vestindo as três cores que representam tradição. Quando a tática falhou ao chamar demais o rubro-negro para seu campo, o camisa 1 resolveu o jogo ao defender o pênalti de Bottinelli.

E nas poucas vezes em que nada funciona, o Fluminense conta com a estatística, que confundem com sorte. Se o adversário terá só cinco chances claras de gol em quantas delas Cavalieri não vai bastar? E nessas, quantas a qualidade do rival não é suficiente para marcar? Um meia há dois anos sem se firmar perde um pênalti que Love, péssimo batedor, também poderia bater.

Não é sorte. É trabalho e competência.

O Fluminense vence e lidera porque tem os melhores jogadores, no esquema mais sólido e consegue tornar difícil a tarefa de marcar gols contra ele. Em contrapartida, Deco, Thiago Neves e Fred raramente não resolvem. No turno, a vitória deixava claro como seria difícil bater esse time. Hoje, o Fla-Flu apenas dá o toque final em um tricolor cada vez mais campeão brasileiro. Com ou sem sorte.

Só Juninho bastará ao Vasco?

Publicado  sábado, 29 de setembro de 2012


Mesmo após resolver um jogo contra o Figueirense, o Reizinho pode não ser o suficiente. Demonstrando sérios problemas de marcação o Gigante da Colina venceu o jogo por um 3X1 que diz menos sobre as dificuldades que enfrentou na partida do que parece.

Com Juninho e Felipe o Vasco ganha uma enorme qualidade na criação e faz qualquer bola que sobre ser perigosa. Na frente, Tenório parece compensar a incapacidade de Alecsandro em decidir, mas fico na dúvida se até mesmo Éder Luís em uma fase tão ruim não melhoraria as coisas. Mas e o resto?

A falta de marcação aberrante do time quase exige um terceiro volante. Hoje, por pouco não sofreu um novo empate ou uma virada antes do terceiro gol. Thiago Feltri ainda não parece ser o lateral-esquerdo que o clube precisa e nenhum volante ainda compensou a ausência de Rômulo. Marcelo Oliveira tem muito trabalho a fazer, mas precisa começar impedindo que só Juninho resolva os jogos. Bastou hoje contra um dos piores times do campeonato, mas com esse futebol será muito pouco.


COB X CPO: o que aprender?

Publicado  

Resumindo: há algumas semanas nas Paraolimpíadas os atletas paraolimpícos brasileiros superaram a campanha dos atletas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Não houve muita contestação da imprensa para algo bem simples: as verbas do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPO) são infinitamente menores.

Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, argumentaria que cuida de uma gama de atletas bem maior. Pode ser. Mas isso ainda não justifica resultados tão ruins com bilhões em investimento. Curioso ver pouca repercussão disso na imprensa semanas após o fim dos Jogos. Só mesmo este post de Alberto Murray, que bate bastante nessa tecla.

No mínimo, nossos atletas paraolímpicos tem muito a ensinar aos seus colegas sobre como não pipocarem em decisões.

Kaká e a geração perdida

Publicado  

Mano Menezes chamou Kaká com a intenção de ajudar a amadurecer uma das seleções mais jovens que o Brasil já teve desde o início da era Luxemburgo, anos atrás. Faz todo sentido nesse contexto. O meia do Real Madrid é exemplo pelo que já conquistou e pelo seu comportamento dentro e fora de campo. Foi melhor do mundo, se cuida na vida pessoal e jamais deixou de chamar a responsabilidade em qualquer jogo.

Mas hoje Kaká não tem futebol para voltar à seleção no banco do time merengue e alternando contusões e boas atuações desde 2010. Sua convocação não vale pelo que pode apresentar atualmente.

Por outro lado, o ex-são paulino talvez seja a última esperança de dar continuidade à sua geração. Ao lado de Adriano (que faltou a mais um treino hoje após se esbaldar na boate) e Ronaldinho (em um declínio perigoso), jamais deu evidências de estar mentalmente cansado de se cuidar para competir em alto nível. O problema sempre foi seu corpo. Com o avanço da medicina esportiva, é torcer para que às vésperas da Copa Kaká esteja apto a entrar em campo.

Por lá sabemos que podemos contar com ele. É torcer para que seu corpo colabore.

Cinco passos para o Galo se recuperar!

Publicado  quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A fase não é boa, mas nada está perdido para o Galo. Mesmo com a derrota para o Flamengo, o Atlético-MG pode se recuperar e voltar à liderança. Mas precisa repensar algumas coisas:

Evitar improvisações: No jogo de ontem, Cuca notou Léo Moura ocupando as costas de Ramon formando a primeira de duas linhas de quatro em um 4-4-2. Para acabar com isso, ele pôs o lateral Carlos César e jogou Marcos Rocha para a esquerda colocando Richarlyson como um terceiro zagueiro e Escudero como ala-esquerda.

O resultado foi que Richarlyson não se antecipou a Wellington Silva, que passou livre pelo meia que atuava como dublê de lateral. Um gol inteiro graças a jogadores desacostumados às funções que exerciam. Improvisações podem ajudar a mudar um estilo do jogo, mas o técnico tem histórico de exagerar...

Ronaldinho: O camisa 49 ontem demonstrou um pouco do que fez em alguns momentos de Flamengo. Ou seja, nada. Ainda não demonstrou com a camisa do Galo o que fez em seu melhor momento pelo rubro-negro, no primeiro turno do brasileiro de 2011.

Se chegar lá, será campeão.

Cuca: No semblante um misto de tristeza com irritação. O técnico lembrou do adiamento da partida, de Réver ter sido expulso sozinho e de outras coisas. Tem razão sobre muitas delas (especialmente pelo jogo não ter ocorrido quando deveria), mas precisa encontrar seu próprio equilíbrio e seguir em frente.

Nervos: Jô quase saiu de campo junto com Réver, que deu uma cotovelada injustificável em um adversário. Richarlyson em um carrinho em cima de Wellington Silva deveria ter sido expulso. O time mineiro inteiro deu sinais de descontrole em outros momentos do jogo. Não será campeão contra um Fluminense tão mais frio...

Metas: Pensar sempre no próximo jogo. Cuca e cia. precisam parar de falar de título e começar a focar apenas em três pontos. O cenário é difícil, mas o Galo só depende de si.



Fla X Galo: como Dorival Jr. venceu Cuca

Publicado  


Se a entrada de Wellington Silva (em noite inspirada na marcação e fazendo o cruzamento do gol da vitória) resolveu os espaços pelo lado direito, a Avenida Ramon ainda continuava ativa e o reserva Magal não resolvia. Dorival Jr. começou a ganhar o duelo contra uma equipe em fase infinitamente melhor quando optou pelo volante Amaral, mais marcador que Luiz Antônio.

O posicionamento do bom lateral-direito Marcos Rocha indicava que Cuca contava com aquele espaço. Mas no meio do caminho havia outro lateral, ou melhor, ex-lateral. Léo Moura. Acostumado a jogar pelo lado direito o agora meia se posicionou como um terceiro homem pela esquerda. Muitas vezes usou a sua boa noção de posicionamento para cobrir as costas do lateral-esquerdo rubro-negro.

Com os espaços fechados bastava se impor. O que quer que tenha ocorrido na preleção, o Flamengo entrou fazendo o jogo da sua vida (como o Atlético-GO fez na rodada passada) e rapidamente fez o primeiro gol. Mesmo quando sofreu o empate jamais deixou a impressão que sairia sem a vitória.

Em uma noite rara em que não poderia ser favorito jogando em casa, o rubro-negro soube usar ao máximo o que tem de melhor. Dorival acertou na escalação - que eu mesmo julgava incorreta. Dois volantes marcadores, dois meias com boa noção de posicionamento defensivo e dois atacantes com boa finalização. E muita, muita raça.

A onze pontos de garantir a permanência na série A, o Flamengo pode estar perto de sonhar com vôos mais altos. Difícil, mas não impossível. Por hora, vale manter o foco e pensar no Fla-Flu.

O silêncio ao redor de Fernandão

Publicado  domingo, 23 de setembro de 2012

Não foi a vitória incontestável contra o fraco Bahia ou o imbróglio envolvendo o meia Jajá que me chama a atenção. Também não foi a lembrança da revolta do técnico colorado ou sua responsabilidade na zona de conforto de alguns jogadores do Internacional que acredito que valha alguma reflexão.

É o silêncio dos dirigentes do clube após as críticas de Fernandão a um elenco que há anos começa o Brasileiro como favorito e sempre acaba se contentando em ser coadjuvante. É o presidente Giovanni Luigi não falar absolutamente nada, o vice de futebol, Luciano Davi, não ter considerações sobre as críticas e nenhum deles apoiar publicamente o comandante e ídolo colorado.

Porque se hoje o técnico venceu após as críticas é ilusão pensar que boleiros vão esquecer quem os tirou da zona de conforto. E se ninguém apóia quem reclama, difícil crer que os incomodados vão mudar para sempre.