Os meias que viram atacantes

Publicado  quarta-feira, 21 de dezembro de 2011



Muito se comenta sobre a ausência do camisa dez no futebol brasileiro. O jogador que vem de trás articulando jogadas e apoiando junto com os atacantes ou simplesmente o meia-armador. O que temos hoje é um excesso de meias-atacantes - que nada mais são senão atacantes que jogam mais recuados - ou segundos atacantes, homens de frente que jogam mais recuado para buscar jogo.

Me espanta que ninguém nunca tenha percebido que esse problema passa pela predileção dos técnicos em adiantar esse tipo de meia, que nunca marcará como um cabeça-de-área, para optar por um volante ou um outro jogador menos técnico e mais marcador. Os camisa dez são adiantados para se transformarem em pontas ou centroavantes. Foi assim com Bebeto, antes com Careca e bem depois com Renato Augusto, que só conseguiu jogar um ano em sua profissão na Alemanha, país com a melhor seleção do momento. Ganso chegou a jogar tal qual um centroavante com Muricy.

E pode ser assim também com o jovem meia Adryan. Talento da Copa São Paulo de Juniores como camisa dez, passou a ser escalado como ponta na seleção e no Flamengo em todos os jogos. Vale ler o que o mestre Lucio de Castro nota a respeito:

Veja o atual brasileiro sub-20. Existem algumas pistas. Adryan, talentoso meia, transformado em homem de frente, aberto num 4/2/3/1, espelhando o esquema da moda por pura macaquice, e mais um talento se esvaindo. O mesmo é verificável nas demais equipes. Algum talento, sufocado em esquemas-espelho da mediocridade do time de cima.

Nessa posição o lançamento e a visão de jogo são menos importantes que a força para chegar à linha de fundo e o cruzamento preciso. Não é conspiração, não é maldade... É uma miopia coletiva que leva nosso futebol a ver os elegantes camisa dez jogarem cada vez menos.


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