Perder Ronaldinho não é bom para o Flamengo

Publicado  quinta-feira, 24 de novembro de 2011



Final da Copa do Brasil de 1997. O Flamengo consegue um resultado que lhe dá o título com gols do baixinho Romário, mas a pressão do Grêmio é insuportável. O camisa 11 não ajuda na marcação, segue com sua movimentação fria esperando a bola no pé para resolver o jogo. A bola vem, mas não para o baixinho e sim para Carlos Miguel. O Grêmio é campeão da Copa do Brasil.

Na saída do estádio, torcedores criticam a falta de gana de Romário. O comparam a Zico. Exigem raça. "Se ele corresse mais, teríamos levado". Pedem sua saída pois sem ele, o Flamengo terá um time com onze guerreiros. Seu desejo será atendido. Romário sairá do Flamengo, que irá conquistar três estaduais e uma Mercosul, enquanto o "artilheiro de chute oblíquo e dissimulado" conseguirá a mesma taça internacional em uma final épica, um brasileiro de 2000 em altíssimo nível e vai valorizar demais a camisa cruzmaltina. O Flamengo levará mais nove anos para obter este título.

O caso acima me foi lembrado pelo leitor Bruno BCB, ilustra bem a atual fase do Flamengo. Torcedores já esqueceram de seus gols e momentos de brilho e pedem que o camisa dez seja regular, raçudo, líder e que tenha mais personalidade. Pedem um Ronaldinho que nunca existiu.

Sem Ronaldinho, o Flamengo continuará sendo um clube em ebulição política, com uma torcida tão capaz de levar nas costas quanto de destruir implacavelmente e conviverá com dirigentes pífios como Patrícia Amorim. Esses problemas explicam muito mais a oscilação do Flamengo.

O que o rubro-negro precisa fazer é aproveitar o jogador de passe único, capaz de dribles imprevisíveis e com precisão na finalização, mas sem depender exclusivamente dele. Romário e Ronaldinho jamais seriam ícones como o Galinho ou o Maestro Junior, mas podem complementar o brilho de grandes times. Resta ao Flamengo a competência de montar uma equipe com jogadores capazes de correr,  resolver e aproveitar um talento único em campo. Caso contrário, a torcida pode viver o gosto amargo de continuar sem vitórias e vendo um possível ídolo brilhando em outro lugar. Já imaginaram Ronaldinho campeão da libertadores pelo Corinthians ou vencendo um brasileiro pelo Fluminense, por exemplo?

Adriano ainda está devendo. E muito!

Publicado  domingo, 20 de novembro de 2011





Para os comentaristas de resultado, o placar é o argumento definitivo e o futebol um detalhe desnecessário. Esses adeptos do casuísmo mudam ao sabor do som do torcedor, do flashe da câmera e do drible improvável. Esqueça compromisso com a opinião, sua obrigação é apenas justificar suas obviedades. Hoje, muitos deles encontraram em Adriano sua nova defesa do óbvio.

Não, eu não acho que todo mundo que disse que Adriano pagou seus salários é assim. Há pessoas que defendem o Imperador desde que ele se contundiu - pela terceira ou quarta vez em dois anos - e elas assumem sua opinião. Mas há aquelas que enchem a boca para exigir profissionalismo dos clubes, lançam toda sorte de maldades sobre a forma física de jogadores como o próprio Adriano e hoje já falam que o boleiro - não dá para chamá-lo de atleta -  justificou o seu salário.

Adriano ainda deve e muito para a torcida do Corinthians. Seu gol importantíssimo deixou o Timão na liderança há dois jogos do fim do Brasileiro, mas não compensa todas as rodadas que deixou o alvinegro na mão. Há quantos jogos os corintianos não poderiam estar mais tranquilos com seu talento? Quantos momentos decisivos o time do Parque São Jorge não perdeu por não contar com seu jogador tecnicamente mais qualificado?

Não é razoável ver um campeonato de pontos corridos apenas pelas rodadas finais. Adriano não participou do grande momento do Corinthians no campeonato e não foi sequer capaz de ajudar no pior momento da equipe. A dívida é tão grande que apesar do gol ele se apresenta com a velha barriguinha e um quadril incompatível para um atleta do Corinthians. Mesmo que marque um gol por rodada até o fim do campeonato, só irá amenizar seu débito. E os comentaristas e torcedores devem ter isso em mente para cobrar o jogador até o fim de seu contrato ou será fácil receber por doze meses e render menos da metade.

Mais uma vez é indispensável lembrar: há quem sempre tenha defendido Adriano como uma vítima de azar - argumento que discordo já que suas lesões são compatíveis com a vida incompatível para um atleta que ele leva - entre outras coisas. Quem sempre defendeu o jogador, ganhou mais um argumento. Quem sempre defende o resultado ganhou mais uma patética bandeira para falar sem conteúdo. Meu compromisso é com o futebol e não somente com o placar.

Jênio do Dia: Paulo Odone

Publicado  segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Acho que ele vem"




Paulo Odone, presidente do Grêmio, que ainda culpa Ronaldinho Gaúcho pelas caixas de som no Olímpico, mas confia em Kléber Gladiador. Todo castigo é pouco.

Jorginho ainda tem muito a provar

Publicado  domingo, 13 de novembro de 2011


O Figueirense é a grande surpresa do campeonato. Em uma arrancada extraordinária chega a menos de cinco rodadas do fim do Brasileiro com chances reais de obter um título inédito para o time catarinense. Boa parte desse mérito vem para o excelente trabalho tático do técnico Jorginho.

O ex-auxiliar de Dunga montou um coletivo de ex-jogadores de outros clubes da série A e jovens atletas em um 4-4-2 (ou 4-2-2-2 se preferirem) muito consolidado. Os jogadores deixam pouco espaço na defesa e atacam muito rápido. Quando o nome mais conhecido talvez seja o de Túlio (ex-Botafogo) não dá para negar que Jorginho é o grande responsável pela campanha. Daí, vemos pedidos exagerados de que ele já é uma realidade e que daria certo em qualquer clube grande.

Jorginho está na mesma colocação que técnicos como Silas e Caio Jr. já ocuparam com Avaí e Paraná, respectivamente. As (poucas) conquistas de ambos depois que foram para outros clubes grandes mostra o tamanho da precipitação. Em clubes pequenos há mais dificuldades, mas há também menos vaidade e, em clubes como o Avaí e Figueirense, a infraestrutura é melhor do que em muitos clubes grandes.

Se Jorginho tiver sua chance em um time de grande expressão vai enfrentar jogadores com salários e egos maiores, um número maior de conselheiros-síndicos e, acima de tudo, muito mais pressão. É nesse cenário que ele provará que é capaz de se adaptar a elencos mais heterogêneos em técnica, vontade e humildade do que o Figueirense. Ele tem um trabalho tão promissor quanto o que demonstrou no América e vai dando pinta de que pode ser uma boa novidade. Mas ainda é muito cedo para transformá-lo em uma realidade para grandes times.





Romário é rei!

Publicado  terça-feira, 8 de novembro de 2011



Vivemos em um país onde o relacionamento e o voto viram armas para tráfico de influência onde cada político não costuma brigar por interesses ideológicos ou da sociedade. Almejam cargos e afins pelo poder e não pelas mudanças sociais que podem obter. Em época de Copa do Mundo a coisa piora. Sabemos que ela vai resolver a vida de muita gente, exceto a da maioria dos brasileiros.

E é em um país assim com uma política dessas, que temos Romário ensinando ao Brasil o que esperar de um estadista. Falo muito que nada de bom vem da mistura entre política e futebol, mas ele é a exceção que confirma a regra.

O eterno camisa onze recebeu seus votos pelo que fez em campo, mas os elogios são pela defesa dos interesses do povo brasileiro e não de A ou B. Sempre achei que Romário foi melhor que Ronaldo, embora boa parte da imprensa paulista insista que não. O fenômeno foi mais midiático, mas o baixinho caminha para ser melhor também fora dos campos.

Caio Jr. & Cuca: no divã

Publicado  domingo, 6 de novembro de 2011






O primeiro já disse publicamente que gosta de armar times começando pelo ataque. Teve um mês brilhante no Flamengo em 2008 e repetiu o brilho com o Botafogo em boa parte do Brasileiro esse ano. Já o segundo leva vantagem não só por ter títulos para chamar de seus como também por ter ajudado a montar o São Paulo campeão mundial - de onde saiu por vontade própria - e diversos times competitivos com bem menos investimento. Cuca ainda conseguiu um milagre ao salvar o Fluminense de um rebaixamento iminente em 2009 e vai fazendo o mesmo pelo Galo esse ano.

Por motivos diferentes, os dois patinam e patinam mas não emplacam suas carreiras. Caio jr. deu um tempo de Brasil, passou pelo Japão e depois pelo Oriente Médio e voltou para repetir os momentos hesitantes e de invencionices táticas no alvinegro. Começa a culpar os jogadores, a torcida... Sem olhar para si mesmo e perceber que é ele quem hesita, é ele quem inventa. O Botafogo corre o risco de ser o único carioca a não estar na Copa Santander Libertadores.

Cuca não deu tempo. Assimilou um trabalho após o outro, teve uma péssima passagem pelo Santos, mas parecia ter encontrado seu caminho no Cruzeiro líder da CSL e vice-campeão brasileiro. Não conseguiu. Os ótimos trabalhos, nem sempre premiados com títulos, permanecem ofuscados pelo seu desequilíbrio na reta final que passa ao elenco sempre tenso, preocupado e com aquela tristeza inconsolável em campo.

Tanto Cuca quanto Caio Jr. precisam entender que o problema está neles. Brilhantes em esquemas táticos e muitas vezes capazes de conversar com jogadores, precisam superar suas hesitações e desequilíbrios. Na era dos pontos corridos, o futebol premia os equilibrados.

Exagerado do dia: Caio Jr.

Publicado  sábado, 5 de novembro de 2011

"Acho que o jogo foi dentro do previsto. O Figueirense é um adversário veloz, joga no contra-ataque. Era para ser um placar apertado mesmo. O fator gol no início foi decisivo. Foi um gol atípico e nós sentimos. Finalizamos muito mais, mas se criou um clima tenso, normal para uma torcida que não ganha um Brasileiro há 16 anos. O nervosismo foi para dentro do campo, mas depois houve uma reação positiva, o time tentou sempre o gol, que não saiu."

Caio Jr., técnico do Botafogo, que tirou um atacante para pôr mais um volante e adiantou o excelente volante Renato para usá-lo como um meia normal. A bola pune.