Gestão Patrícia Amorim também tem seus acertos

Publicado  domingo, 25 de setembro de 2011

Todos que lêem este blog sabe o que penso da gestão Patrícia Amorim, mas é preciso colocar algumas coisas em perspectiva. Especialmente seus acertos. Se erra em muitas coisas que não discutirei aqui, pode inaugurar uma era de mudanças em alguns pontos problemáticos na história do Flamengo.

Em primeiro lugar, a presidente promete - e precisa cumprir antes que se aplauda - a construção do Centro de Treinamento do clube. Depois de anos em que isso foi colocado de lado - Kléber Leite chegou a dizer uma vez que ninguém teria problemas em dormir em um hotel fretado pelo clube - parece que a comissão técnica e a direção estão comprometidos com o tema.

Ao contrário do que boa parte dos torcedores pensa um CT é imprescindível para clubes de ponta. A instalação consegue recuperar jogadores mais rápido, otimizar seu descanso - há pouco tempo os jogadores do clube passavam a tarde em um shopping quando o treino era integral sujeitos a outro cardápio, encontro com qualquer pessoa fora do clube, etc - e afasta os jogadores da agitada vida política do quadro social do clube.

E Patrícia parece determinada a não demitir Vanderlei Luxemburgo, inaugurando uma nova era na forma do clube enxergar os trabalhos. Por 17 anos - e até antes - o Flamengo atendeu os pedidos da torcida e demitiu técnicos inaugurando um longo jejum de títulos. O resultado é que Paulo Autuori e Abel venceram a Copa Santander Libertadores em outros clubes e o próprio Luxemburgo criou uma hegemonia de Brasileiros longe da Gávea, que parou em 92.

Alguns torcedores lembram que o hexacampeonato só veio após uma demissão de técnico, o que é verdade. Mas é também uma exceção na inflexível regra que a cada demissão o trabalho recomeça e o clube perde espaço para clubes que enxergam a longo prazo. Perceba que agora o Flamengo disputa e perde para times que começaram seu trabalho, com técnicos ou diretores, há mais tempo enquanto o rubro-negro mudou sua proposta de futebol três vezes apenas em 2010 (quando Marco Braz, Zico e Luxemburgo estiveram a frente do departamento). Além disso, apenas duas vezes demissões de técnicos culminaram em títulos, mas já desencaderam uma luta inglória pela permanência na série A.

Ao manter o técnico, Patrícia pode ensinar a outras gestões a enxergar mais longe do que o imediatismo. Boa parte dos problemas que o rubro-negro enfrentou em 2010 vieram da saída de Cuca, que pretendia formar um elenco jovem. Luxemburgo, aos trancos e barrancos, tenta encontrar um time novo para a liderança de Ronaldinho Gaúcho. Seja qual for o resultado do ano, o Flamengo pode melhorar a partir daí por um longo período ao invés de viver de lampejos.

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