Ex-vice do Inter confirma factóide Fernandão

Publicado  quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em entrevista ao Sul 21, Roberto Siegmann, ex-vice de futebol do Internacional, fala sobre vários temas espinhosos. Vale a pena ler sua visão sobre o futebol e a mudança de rumos do grupo político que reergueu o colocado, após décadas de pequenez. Me chamou a atenção porém a opinião do ex-dirigente sobre a contratação do ídolo Fernandão para diretor, ação que sempre me pareceu um factóide para compensar o desgate da demissão do ídolo-mor Falcão. Os grifos são meus:

Sul21 – O que o senhor acha da presença do Fernandão como diretor técnico?

Roberto Siegmann – Acho trágica. Há uma cultura de idolatria no Internacional. Tudo o que voltar a 2005-2006 é uma maravilha. Vários jogadores foram contratados – Renan, Tinga, Bolívar, Sóbis – no anopassado, na mesma ideia do De Volta para o Futuro I, II, III, etc. O futebol está aí para nos desafiar, para que inventemos novos modelos e posturas, não para a gente ficar se repetindo. No imaginário do presidente, ele pensava em alguém que pudesse discutir a escalação com o treinador, interferir na contratação de jogadores e tivesse uma boa relação com eles. Nós já temos o Fábio Mahseredjian, o Élio Caravetta (preparadores físicos) e mais duzentas pessoas que têm relação com os jogadores. Não precisa mais gente. Sobre discutir a escalação: nenhum técnico com quem eu já tenha trabalhado que admita uma pessoa como o Fernandão dando pitacos sobre escalação. Até é admitida a intromissão de um dirigente quando as coisas estão ruins, mas de um ex-jogador que recém se aposentou? Nenhum treinador reconhecerá e admitirá a legitimidade nesta figura. O Inter, então, criou um monstro.

Sul21 – Então o Dorival Junior não aceitará o Fernandão?

Roberto Siegmann – Claro que não. Eles terão problemas a não ser que o Fernandão aceite ficar fazendo nada. Se ele ficar numa zona de come-dorme, pode ser que funcione.

Sul21 – O Fernandão não é burro…

Roberto Siegmann – Mas, olha só, o Celso Roth não falaria com o Fernandão, tenho certeza. Fossatti e Falcão idem. O Chumbinho ainda tinha uma função de infra-estrutura, logística e nas contratações, o Fernandão é jogador de futebol. Qual é sua experiência com contratos? Ele vai analisá-los? Sua presença só pode ser explicada pela necessidade de substituir o Falcão por outro ídolo para amenizar a insatisfação da torcida. Mas que ele não terá função, eu tenho toda a certeza.

O grupo de Fernando Carvalho fez de um clube então quase irrelevante no cenário nacional em uma potência sul-americana e papa-títulos internacionais. Como todo partido político, lentamente dá sinais de estagnação e dificuldades em abrir mão do poder e de conduzir o clube para seguir inovando. É uma pena. O uso de ídolos para acalmar a torcida e disfarçar crises internas nunca acaba bem.

Vale lembrar que sempre torci pela vitória de Falcão no Beira-Rio e fiquei muito feliz com a sua conquista do Gauchão. Curiosamente, a demissão do técnico parece ter começado quando o rival Grêmio contratou seu assistente, Julinho Camargo. Rumores indicam que Julinho era o responsável pelos treinamentos no campo que traduziriam o que Falcão queria. Sua saída acabou sendo ruim tanto para o Colorado quanto para o Imortal. Ao menos, o técnico conseguiu seu primeiro título. Que tenha sorte em outros times.

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