Gols de Ronaldinho no Brasileiro 2011

Publicado  terça-feira, 27 de setembro de 2011



É algo mágico ter de volta ao Brasil um jogador como Ronaldinho Gaúcho no Brasil. Faça um favor a você mesmo e confira alguns gols desse retorno até aqui.

Brasileiro 2011 consolida projetos

Publicado  segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Desde que os pontos corridos começaram a promessa sempre foi de obrigar os clubes brasileiros a se organizarem. Embora no início do formato muito se tenha discutido a respeito a supremacia do São Paulo, de longe o mais estruturado do Brasil, entre 2006 e 2008 pareceu confirmar o que este ano consolida. Os times que estão melhores posicionados começaram seus projetos não no início do ano, mas há três anos.

Repare que a liderança do Vasco não começa esse ano, mas vem de 2008 com a chegada do diretor Rodrigo Caetano e a reformulação de todo departamento de futebol que culminou com uma ascenção que chega ao seu clímax este ano. Da mesma forma, o Botafogo, há tempos com o melhor presidente de um clube carioca, iniciou sua campanha com a chegada de Maurício Assunção. O dentista e cartola encontrou um clube sem elenco e em seu primeiro ano repetiu o vice-campeonato da decepcionante gestão Bebeto de Freitas e mantendo uma média de deixar os técnicos completarem ao menos um ano de trabalho colhe os frutos com o melhor futebol do campeonato brasileiro.

O Corinthians é que atravessa o maior ciclo, culminando com a gestão Sanchez que também começou quase em 2008 - na verdade, André Sanchez chegou em 2007 tarde demais para impedir o rebaixamento do alvinegro - e que vem em alto nível desde 2009. O Timão superou a aposentadoria de Ronaldo, a saída de Mano Menezes e mesmo assim ainda busca um título de impacto após as duas eliminações na Copa Santander Libertadores e a perda do Brasileiro de 2010.

Atrás dos três o Palmeiras oscila demais embora Felipão tenha um ano no cargo, mas o alviverde sempre brigou posições acima. Assim como o Flamengo e Fluminense, que começaram seus trabalhos praticamente esse ano. Não vejo a imprensa esportiva fazer essa ressalva quando comenta a oscilação desses times e é justo ver que o torcedor também não. Mas seria bom que se comentasse. Os três times podem crescer nos próximos anos se Felipão, Luxemburgo e Abel (talvez o único que não seja o "manager" do projeto) tiverem chance de completarem esse ciclo.

Será que o torcedor vai jogar junto?

Gestão Patrícia Amorim também tem seus acertos

Publicado  domingo, 25 de setembro de 2011

Todos que lêem este blog sabe o que penso da gestão Patrícia Amorim, mas é preciso colocar algumas coisas em perspectiva. Especialmente seus acertos. Se erra em muitas coisas que não discutirei aqui, pode inaugurar uma era de mudanças em alguns pontos problemáticos na história do Flamengo.

Em primeiro lugar, a presidente promete - e precisa cumprir antes que se aplauda - a construção do Centro de Treinamento do clube. Depois de anos em que isso foi colocado de lado - Kléber Leite chegou a dizer uma vez que ninguém teria problemas em dormir em um hotel fretado pelo clube - parece que a comissão técnica e a direção estão comprometidos com o tema.

Ao contrário do que boa parte dos torcedores pensa um CT é imprescindível para clubes de ponta. A instalação consegue recuperar jogadores mais rápido, otimizar seu descanso - há pouco tempo os jogadores do clube passavam a tarde em um shopping quando o treino era integral sujeitos a outro cardápio, encontro com qualquer pessoa fora do clube, etc - e afasta os jogadores da agitada vida política do quadro social do clube.

E Patrícia parece determinada a não demitir Vanderlei Luxemburgo, inaugurando uma nova era na forma do clube enxergar os trabalhos. Por 17 anos - e até antes - o Flamengo atendeu os pedidos da torcida e demitiu técnicos inaugurando um longo jejum de títulos. O resultado é que Paulo Autuori e Abel venceram a Copa Santander Libertadores em outros clubes e o próprio Luxemburgo criou uma hegemonia de Brasileiros longe da Gávea, que parou em 92.

Alguns torcedores lembram que o hexacampeonato só veio após uma demissão de técnico, o que é verdade. Mas é também uma exceção na inflexível regra que a cada demissão o trabalho recomeça e o clube perde espaço para clubes que enxergam a longo prazo. Perceba que agora o Flamengo disputa e perde para times que começaram seu trabalho, com técnicos ou diretores, há mais tempo enquanto o rubro-negro mudou sua proposta de futebol três vezes apenas em 2010 (quando Marco Braz, Zico e Luxemburgo estiveram a frente do departamento). Além disso, apenas duas vezes demissões de técnicos culminaram em títulos, mas já desencaderam uma luta inglória pela permanência na série A.

Ao manter o técnico, Patrícia pode ensinar a outras gestões a enxergar mais longe do que o imediatismo. Boa parte dos problemas que o rubro-negro enfrentou em 2010 vieram da saída de Cuca, que pretendia formar um elenco jovem. Luxemburgo, aos trancos e barrancos, tenta encontrar um time novo para a liderança de Ronaldinho Gaúcho. Seja qual for o resultado do ano, o Flamengo pode melhorar a partir daí por um longo período ao invés de viver de lampejos.

Ceni demonstra porque é ídolo de um clube apenas

Publicado  domingo, 11 de setembro de 2011

Rogério é um goleiro muito melhor do que a maioria dos torcedores de clubes rivais gosta de admitir. Sem brilhantismo, é um atleta com poucos ou nenhum defeito para a posição. Boa estatura, reflexos, agilidade, saídas de gol e preciso com a bola nos pés, ajudando a redefinir o posicionamento de um bom goleiro.

Na semana em que atingiu a épica e assustadora marca de mil jogos pelo seu clube, Rogério também demonstrou porque um goleiro em tão alto nível jamais foi um ídolo nacional. Ao comentar a derrota para o Grêmio, Ceni mostrou um ponto em comum em sua carreira: a de agir como um torcedor do São Paulo e não como um atleta do clube. Talvez mais do que apaixonado, o goleiro age até como um dirigente afirmando que o tricolor paulista não será campeão por perseguição da arbitragem. Foi algum juiz que fez Luiz Fabiano se machucar? Alguma arbitragem fez Lucas jogar mal tantas rodadas? É patético.

É ponto comum dos cartolas tricolores questionarem a legalidade quando perdem e exaltarem seu planejamento quando vencem. Não são os únicos, mas é um costume detestável em um clube que deveria assumir seu papel de líder do futebol brasileiro. É curioso notar que ao desrespeitarem regularmente o momento positivo de outros clubes São Paulo e Ceni podem ter agradado à sua torcida, mas perderam a chance de representar algo mais para todo mundo que gosta de futebol.

Após derrota incontestável, Fla precisa mudar

Publicado  sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Flamengo tem chances matemáticas de brigar pelo título, mas sem dúvida muito atrás de outros times que não estão só a frente (como o São Paulo), mas que jogam melhor (como o Botafogo e o próprio Corinthians). Ao contrário de outros jogos não vi ninguém de sacanagem. Vi burrice (Willians cabeceando para o meio da área, Gustavo dando motivo para ganhar um gancho do STJD, por exemplo) e vi incompetência. Muita.

O rubro-negro chegou hoje ao jogo sem três titulares (Airton, Luiz Antonio e Alex Silva) e um reserva importante (Jael), mas o que tem sido mais decisivo é a má fase. Thiago Neves hoje correu, chutou duas bolas perigosas e... Só. Léo Moura enfrentou um ala que jogava de lateral, mas mal apoiou. E, por fim, Bottinelli entrou para armar e fez Ronaldinho recuar porque o argentino nada fez. Você soma e são cinco desfalques e três jogando mal. Não há time que resista. Aliás, oito jogadores dá quase um time.

Um jogador mal é má fase, dois é azar e três é muito azar. O Flamengo tem três titulares, alguns reservas jogando mal... Não existe má fase coletiva. Tem algo errado aí.

A rigor, hoje o Flamengo se defendeu bem enquanto teve Maldonado, mas nunca esteve bem no ataque. Fez o primeiro gol em falha da defesa corintiana. O chileno em campo segurou as pontas, fechou bem o meio atrapalhando e muito o meia Alex. Mas Maldonado vinha de meses sem ritmo e cansou. Entrou Muralha, totalmente perdido em campo, e que forçou Willians a recuar para a posição de primeiro volante. Tendo que se posicionar ao invés de correr, o pitbull se perde. Corre sem direção, toca para qualquer lugar.

Com a saída de Maldonado, Fla parou de defender bem e a virada era inevitável. Erros de Luxemburgo? Era melhor recuar Ronaldinho e colocar Negueba no lugar de Thiago Neves. Fierro entrou porque não havia volantes e pelo que entendi W8 estava machucado. Não havia muitas opções. O técnico deve ser cobrado, mas a culpa não é só dele e tem muitos jogadores devendo.

O que fica é isso: se os que jogam mal, fizessem o que deveriam, Fla não teria perdido hoje. Pior é ver que Luxemburgo tem poucas opções para mexer. Galhardo é imaturo e era terceira opção como lateral na sub-20, Bottinelli nunca se firmou e Negueba voltou mal da seleção.

Talvez o que reste ao Fla seja apenas buscar a libertadores. Menos pelo trabalho do técnico e mais pela irregularidade de alguns jogadores.

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Mais do que a derrota, preocupa o discurso pessimista dos jogadores. Matematicamente, o título é totalmente possível. Em 2009, por exemplo, Fla tinha 30 pontos. Hoje, tem 36.

Não dá para entender tantos jogadores já falando em libertadores. Domingo tem outra decisão.

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Embora Luxemburgo não seja o maior culpado, não há como negar: Tite foi superior esta noite. Seu time sempre atacou mais e foi mais consistente, equilibrando defesa e ataque de uma forma surpreendente quase em todos os 90 minutos.

É muito injusto cogitarem sua demissão e não lhe elogiarem. O Corinthians venceu porque foi taticamente muito superior e impediu que a superioridade técnica de Thiago Neves e Ronaldinho aparecesse. Méritos do comandante gaúcho, cada vez mais favorito ao título brasileiro.

Precisamos de mais e demais de Dr. Sócrates!

Publicado  terça-feira, 6 de setembro de 2011

Internado no hospital, o Dr. Sócrates inspira cuidados e preocupa. Não falta quem torça para que ele saia com saúde dessa, movimento talvez próximo do número de pessoas que torceu por ele em campo, com a camisa da seleção brasileira ou do timão. Como meia, inigualável e como ídolo, imprescindível.

Porque falar de Sócrates é falar sobre um jogador que comentava e lutava pelo fim da ditadura militar sem temer as consequências disso. Brigou pela democracia e talvez poucas vezes um jogador tenha se doado tanto pelo seu Brasil. Em tempos onde o torcedor sorri com derrotas da seleção, é fundamental lembrar sempre do eterno magrão e seu orgulho em lutar pelo melhor para terras tupiniquins.

Precisamos de mais exemplos e na nossa geração de egoístas isso é cada vez mais difícil. Não é só dos comentários e da sobrevivência de Sócrates que dependemos, mas também de seu exemplo. Necessitamos demais dele. Força, Sócrates.

Ex-vice do Inter confirma factóide Fernandão

Publicado  quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em entrevista ao Sul 21, Roberto Siegmann, ex-vice de futebol do Internacional, fala sobre vários temas espinhosos. Vale a pena ler sua visão sobre o futebol e a mudança de rumos do grupo político que reergueu o colocado, após décadas de pequenez. Me chamou a atenção porém a opinião do ex-dirigente sobre a contratação do ídolo Fernandão para diretor, ação que sempre me pareceu um factóide para compensar o desgate da demissão do ídolo-mor Falcão. Os grifos são meus:

Sul21 – O que o senhor acha da presença do Fernandão como diretor técnico?

Roberto Siegmann – Acho trágica. Há uma cultura de idolatria no Internacional. Tudo o que voltar a 2005-2006 é uma maravilha. Vários jogadores foram contratados – Renan, Tinga, Bolívar, Sóbis – no anopassado, na mesma ideia do De Volta para o Futuro I, II, III, etc. O futebol está aí para nos desafiar, para que inventemos novos modelos e posturas, não para a gente ficar se repetindo. No imaginário do presidente, ele pensava em alguém que pudesse discutir a escalação com o treinador, interferir na contratação de jogadores e tivesse uma boa relação com eles. Nós já temos o Fábio Mahseredjian, o Élio Caravetta (preparadores físicos) e mais duzentas pessoas que têm relação com os jogadores. Não precisa mais gente. Sobre discutir a escalação: nenhum técnico com quem eu já tenha trabalhado que admita uma pessoa como o Fernandão dando pitacos sobre escalação. Até é admitida a intromissão de um dirigente quando as coisas estão ruins, mas de um ex-jogador que recém se aposentou? Nenhum treinador reconhecerá e admitirá a legitimidade nesta figura. O Inter, então, criou um monstro.

Sul21 – Então o Dorival Junior não aceitará o Fernandão?

Roberto Siegmann – Claro que não. Eles terão problemas a não ser que o Fernandão aceite ficar fazendo nada. Se ele ficar numa zona de come-dorme, pode ser que funcione.

Sul21 – O Fernandão não é burro…

Roberto Siegmann – Mas, olha só, o Celso Roth não falaria com o Fernandão, tenho certeza. Fossatti e Falcão idem. O Chumbinho ainda tinha uma função de infra-estrutura, logística e nas contratações, o Fernandão é jogador de futebol. Qual é sua experiência com contratos? Ele vai analisá-los? Sua presença só pode ser explicada pela necessidade de substituir o Falcão por outro ídolo para amenizar a insatisfação da torcida. Mas que ele não terá função, eu tenho toda a certeza.

O grupo de Fernando Carvalho fez de um clube então quase irrelevante no cenário nacional em uma potência sul-americana e papa-títulos internacionais. Como todo partido político, lentamente dá sinais de estagnação e dificuldades em abrir mão do poder e de conduzir o clube para seguir inovando. É uma pena. O uso de ídolos para acalmar a torcida e disfarçar crises internas nunca acaba bem.

Vale lembrar que sempre torci pela vitória de Falcão no Beira-Rio e fiquei muito feliz com a sua conquista do Gauchão. Curiosamente, a demissão do técnico parece ter começado quando o rival Grêmio contratou seu assistente, Julinho Camargo. Rumores indicam que Julinho era o responsável pelos treinamentos no campo que traduziriam o que Falcão queria. Sua saída acabou sendo ruim tanto para o Colorado quanto para o Imortal. Ao menos, o técnico conseguiu seu primeiro título. Que tenha sorte em outros times.