UFC & clubes de futebol: nada a ver!

Publicado  sábado, 27 de agosto de 2011

Minotauro tinha tudo para perder. Em um desses momentos mágicos que só o esporte nos proporciona encaixa uma série de golpes e derrota um adversário que parecia fisicamente superior. A platéia delira. Emocionado, o herói puxa uma bandeira brasileira. Verde, amarelo e o logo do Internacional Sport club aparecem. Imagine o que gremistas e torcedores do Corinthians (segunda maior torcida do Brasil e que têm uma rivalidade com o clube gaúcho por conta do polêmico torneio de 2005) devem ter pensado.

Nada de bom virá para o UFC dessa união com clubes de futebol. Estamos perdendo a chance de formar toda uma nova legião de torcedores e apaixonados por outro esporte em busca de soluções fáceis e que só interessam a instituições que já lucram bastante com seu esporte. O país da bola tem proporções continentais que nos obrigam a olhar para outros esportes e dar a eles chances que ao menos lembrem o que qualquer reserva de um time da série A consegue. Não vamos conseguir isso transformando gente como Anderson Silva de um ídolo nacional - talvez só comparável à Ayrton Senna - em um herói regional, clubístico e de uma só torcida.

Quando Ronaldo trouxe "O Aranha" para a carteira clientes de sua empresa, não se preocupou com a formação do esporte no Brasil. Além de explorar a imagem do maior lutador do mundo talvez buscasse valorizar a marca Corinthians, o que é seu dever como ídolo e parceiro do clube. A questão toda é se o Brasil precisa criar admiradores e fãs de um novo esporte ou levar uma rivalidade, que liga cada vez menos para o esporte e mais para resultados, à possível nova paixão nacional.

Será que a Fórmula 1 seria o que é no Brasil se Emerson Fittipaldi corresse com o uniforme do time que você mais odeia? Será mesmo que nenhum esporte pode ganhar torcida no Brasil sem ser ligado aos clubes de futebol?

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