Caso Fred expõe extremos de um debate cinza

Publicado  segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Se foram 60 ou 27 caipisaquês, pouco importa. Não são os torcedores que bancam os fiscais da noite ou mesmo as acusações previsíveis - e bem contestáveis - contra o jornalista Caio Barbosa que deveriam ser o foco das discussões que a situação trouxe. O debate é outro. A vida pessoal de jogadores interessa ou não?

A resposta correta é o bom e velho bordão do Seu Madruga: pode ser que sim, pode ser que não. O mais provável é... Quem sabe?

Jogador tem direito de fazer o que quiser na vida pessoal e volta e meia há exageros. Adriano teve toda sorte de perversões convertidas em informação pública. Mesmo que suas orgias afetassem seu rendimento, não é de interesse público saber quais brinquedos ou brincadeiras o jogador preferia. É um exemplo dos erros do assim batizado jornalismo-manja, termo que vi pela primeira vez nas colunas do brilhante Lucio de Castro.

Por outro lado, a função do jornalismo é responder as perguntas que ninguém consegue sozinho. Fred apareceu de forma arrebatadora no Cruzeiro, jogou uma Copa em que muita gente boa acha que ele jogou pouco apesar da concorrência com Adriano e Ronaldo e de repente... Sumiu. Atuações irregulares na Europa e uma volta ao futebol brasileiro marcada por gols e contusões. Muitas contusões.

Se o futebol contemporâneo exige um esforço atlético dos músculos me parece óbvio que jogadores que não dormem o bastante e nem se alimentam corretamente, não cumprem suas obrigações. Ou será que existe alguma dúvida de que a época onde um Garrincha poderia beber e arrebentar no dia seguinte acabou?

Parece óbvio, mas tem quem insista que não é: quando a vida pessoal interfere no rendimento em campo, é interesse público. Não importa a nenhum torcedor quantas vezes seu atacante pulou a cerca e traiu a esposa, mas ele vai querer saber se aquele craque, cuja camisa pensa dar ao filho, gasta seu salário virando a noite e bebendo o bastante para não ter o rendimento de atleta.

Jornalista algum precisa gostar disso como é tedioso cobrir as sessões do STJD ou as eleições de conselhos de clubes de futebol. Mas para obter as respostas as vezes é bom saber da vida pessoal. Não há preto ou branco... É um debate em tons de cinza onde muitas vezes jornalistas errarão, mas espera-se, acertarão bem mais vezes e pedirão desculpas pelos seus excessos.

O único erro é imaginar que há uma única resposta pronta, binária e suprema.
Cada caso é um caso.

******

Reparem, mesmo Mané sofreu muito na carreira pelos seus hábitos. Encerrou a carreira de forma precoce, bem abaixo do que poderia render. Já naquela época, o futebol exigia um condicionamento físico.

******

Não há erro na cobertura que Fred "sofre". Se isso foi usado por gente má intencionada para motivar perseguições e ameaças, é outro papo. Prendam os criminosos e vida que segue. Se o atacante quer que lhe deixem em paz em suas folgas, que trate de cumprir o que deve fora delas.

Gols e bons jogos são o melhor álibi para Fred.

0 comentários: