Por que torcemos tanto pela Celeste?

Publicado  domingo, 24 de julho de 2011

Raça, craques ou uma camisa bonita? Tudo isso é pouco. O Uruguai tem jogadores que nos impressionam, mas que não têm o protagonismo de um Messi ou Ronaldinho Gaúcho, ainda que taxá-lo de uma seleção de bons jogadores seja um exagero invejoso. A Celeste campeã da Copa América não tem jogadores dos níveis que já tivemos ou voltaremos a ter, mas tem uma alma e personalidade que sentimos falta.

Anos atrás, Oscar Tábarez começou a esculpir esse diamante bruto. A essência do que era o futebol uruguaio se perdeu em times que corriam e batiam muito com a desculpa de serem valentes. Foi Tábarez que comandou um processo em que transformou meninos em homens e jogadores em atletas. A educação física andou de mãos dadas com a cultura e formação moral desses heróis. Heróis? Sim, mas são a ponta de uma enorme caminhada épica de muitos heróis. Oscar talvez não seja o guerreiro, mas sem dúvida, é o mestre dessa jornada.

Uma vez o atacante francês Henry chegou a dizer que o futebol brasileiro era o melhor porque nossas crianças não iam para a escola todos os dias e praticavam futebol o dia inteiro. O jogador francês estava certo. Mas vendo as declarações ponderadas de Lugano, que parece capaz de se comunicar melhor do que qualquer técnico brasileiro, e a forma como os celestes se vêem (não me recordo de nenhum destaque para um penteado singular ou uma declaração no twitter) , me pergunto se o resto mundo sabe como sofremos por termos jogadores tão despreparados como homens.

Por isso gostamos do Uruguai. Queremos mais homens e menos meninos. Mas o que fazemos por nossos meninos nos torna merecedores de uma seleção assim?

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