Falta de centroavante explica empate?

Publicado  domingo, 3 de julho de 2011

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Mano Menezes não quis impor nenhuma revolução tática na seleção. Pelo contrário. Seu 4-3-3 é um Brasil conservador na melhor tradição ofensiva brasileira e uma tentativa de reemplacar seu melhor trabalho em clubes: o Corinthians, campeão da Copa do Brasil de 2010. Nesse esquema, o camisa dez (Ganso/Douglas) joga recuado para lançar os dois pontas (Jorge Henrique & Dentinho/Robinho & Neymar) e aproveitar as arrancadas dos dois volantes (Christian & Elias/ Ramires & Lucas).

Tudo buscando um centroavante que joga o mais próximo possível da área ou ainda atrás dos volantes para aproveitar lançamentos e cruzamentos. No Corinthians, era Ronaldo. Na Seleção, Pato. Há motivos para a demora desse esquema emplacar na seleção, mesmo tendo alguns jogadores em comum (Elias, que não tem jogado tanto, e André Santos). Um deles é a falta de velocidade e participação tática dos pontas e laterais.

Embora muita gente aposte também na falta de uma saída de bola mais rápida, acredito que o maior problema dessa seleção seja justamente a aposta exagerada nessa formação Arco-e-Flecha em que temos um dez clássico e um grande atacante esperando seus passes. No caso, Ganso é o Arco e Neymar, a Flecha, pela esquerda:

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Nesse desenho, Lucas, que para mim deveria ocupar a posição de Robinho na competição, seria a "segunda Flecha". Esse esquema depende demais do brilho de Ganso e dos passes e arrancadas de Ramirez e Lucas para combater o espaço entre os jogadores de frente. Desde a Copa Santander Libertadores, me parece que Neymar exageradamente aposta em seu posicionamento como ponta que entra em diagonal, mesmo em jogos que não contou com Ganso. Repare no que Pelé disse sobre sua posição:

Acho que o Neymar precisa de um pouco mais de maturidade. Ele está se preocupando muito em jogar para a torcida. Outra coisa que eu estava comentando também, e que acho que o Muricy vai tirar esse vício dele, é que o Neymar virou ponta-esquerda. E um jogador com a habilidade dele não pode ficar só parado ali.

Ou seja, Neymar precisa aprender a buscar menos a ponta, onde tem mais espaço mas depende mais dos passes, e centralizar mais seu posicionamento, onde estará mais próximo do gol e de uma área onde pode usar a sua mortal finalização.

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Em um desenho tático dessa forma, o Brasil passa a atuar em um 4-4-2 mais tradicional, com Neymar e Lucas se revezando ao lado de Pato e com Ganso tendo mais companhia para armar as jogadas. Nesse período de experiências vale pontuar:

- Vejo Robinho na Copa de 2014, mas não como titular.

- André Santos e Daniel Alves precisam ser mais laterais e menos alas nesse esquema, o que pode não ser exatamente o que ocorre em seus clubes.

- Mais do que velocidade, a seleção precisa de volantes que saibam armar para não isolar Ganso nesse papel. Ou apostar nas infiltrações de Ramires nas costas dos laterais brasileiros.

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