Quem é rei nunca perde a majestade!

Publicado  quinta-feira, 28 de julho de 2011


Nunca duvidei do potencial do moleque Neymar, cria atrevida e habilidosa da Vila Belmiro. A Vila, cenário e casa de tantos craques e do maior dele. Este celeiro que já aplaudiu Pelé, já se impressionou com Robinho e louva Neymar, hoje se rende ao último romântico do futebol. É Ronaldinho quem atrai os holofotes belmirianos, é quem dá a bola é o coroado da noite.

Só há um rei no futebol. E ele é eterno como a camisa de grandes clubes. Mas seu reino é caridoso o bastante para reconhecer entre súditos dezenas de reis por algumas noites. A dez do Flamengo já viu Arthur Antunes Coimbra, Dejan Petkovic e Adriano Imperador. A dez do Flamengo é de vez de Ronaldo, Ronaldinho Carioca, dentuço, ora bolas, Ronaldinho Gaúcho, sua majestade.

Ainda haverá a era de Neymar e de outros. Veremos seus dribles e comemoraremos suas jogadas pelo Brasil. Mas ainda vivemos outro momento. Tal qual um Rocky Balboa obcecado a atuação de Ronaldinho Gaúcho no épico Flamengo 5 X Santos 4 é muito mais do que um jogo bom. É um grito de um rei que se recusa a abandonar sua coroa, o canto de uma geração que ainda não quer se despedir. É um lembrete. Nunca duvidem de mim. Nunca duvidem de seu rei. Deus salve o rei. E muito obrigado por esta noite.

Quem foi melhor Zico ou Zizinho?

Publicado  segunda-feira, 25 de julho de 2011


O Rodrigo Studart divulgou este vídeo no twitter. Airton, ex-jogador do Botafogo, fala sobre Zizinho, para ele o maior jogador que o Flamengo já teve. Será?

Tenho muito respeito pelo passado que não vi no futebol e acho um grande desserviço o que alguns jornalistas fazem ao colocarem Neymar a frente de Garrincha, entre outras heresias. Lamento muito não poder ter mais evidência para responder a pergunta do título. Conto com a ajuda de vocês, leitores.

Por que torcemos tanto pela Celeste?

Publicado  domingo, 24 de julho de 2011

Raça, craques ou uma camisa bonita? Tudo isso é pouco. O Uruguai tem jogadores que nos impressionam, mas que não têm o protagonismo de um Messi ou Ronaldinho Gaúcho, ainda que taxá-lo de uma seleção de bons jogadores seja um exagero invejoso. A Celeste campeã da Copa América não tem jogadores dos níveis que já tivemos ou voltaremos a ter, mas tem uma alma e personalidade que sentimos falta.

Anos atrás, Oscar Tábarez começou a esculpir esse diamante bruto. A essência do que era o futebol uruguaio se perdeu em times que corriam e batiam muito com a desculpa de serem valentes. Foi Tábarez que comandou um processo em que transformou meninos em homens e jogadores em atletas. A educação física andou de mãos dadas com a cultura e formação moral desses heróis. Heróis? Sim, mas são a ponta de uma enorme caminhada épica de muitos heróis. Oscar talvez não seja o guerreiro, mas sem dúvida, é o mestre dessa jornada.

Uma vez o atacante francês Henry chegou a dizer que o futebol brasileiro era o melhor porque nossas crianças não iam para a escola todos os dias e praticavam futebol o dia inteiro. O jogador francês estava certo. Mas vendo as declarações ponderadas de Lugano, que parece capaz de se comunicar melhor do que qualquer técnico brasileiro, e a forma como os celestes se vêem (não me recordo de nenhum destaque para um penteado singular ou uma declaração no twitter) , me pergunto se o resto mundo sabe como sofremos por termos jogadores tão despreparados como homens.

Por isso gostamos do Uruguai. Queremos mais homens e menos meninos. Mas o que fazemos por nossos meninos nos torna merecedores de uma seleção assim?

O que Mano e nós devemos aprender?

Publicado  domingo, 17 de julho de 2011

A era Dunga deixou como legado após o fracasso de 2010, a mais velha seleção brasileira que já disputou o torneio. A senha era clara: hora de renovar. A começar por Ganso e Neymar, atendendo a um clamor popular precoce. Repare que o Brasil tetra em 94 era formado pela base de Lazaronni e gerou jogadores para a Copa da França, depois os pentacampeões formaram boa parte do time que fracassou em 2006 e 2010. O Brasil de 2011 começa quase do zero.

É tentador julgar Mano Menezes pelos seus resultados ruins, ignorando a evolução do futebol. A seleção pela primeira vez em muito tempo joga com três atacantes, há um trabalho claro de integração entre o sub-20 e os profissionais e, pela primeira vez em tempos, o Brasil tenta jogar de forma ofensiva. Mesmo com o técnico volta e meia insistindo com os três volantes.

A praga dos comentaristas de resultados é real. Para eles Mano perdeu uma competição e merece sair, ainda que seja o menos importante dos torneios que disputaremos até 2014 e pouco importa as consequências trágicas que isso terá sobre a nossa escola. O Brasil do drible, país do futebol, ainda não tem um centroavante à altura de Romário ou Ronaldo e já tem poucos meias para usar. Não é coincidência que damos cada vez mais importância ao resultado e menos ao futebol.

De um lado, Mano deve contestar algumas de suas posições. André Santos consolidou a impossibilidade de jogar pelo Brasil e nomes como Ramirez, Thiago Silva e Julio César, outrora incontestáveis, saem em baixa da Copa américa. Sob outro ponto de vista, todos os que pedem a queda de Mano devem se perguntar se queremos na seleção Muricy e seu futebol repleto de volantes e jogadas aéreas, dissociado de nossas tradições. Ainda prefiro perder uma Copa América jogando bem do que vencer uma final contra a Argentina com três volantes para fazer feio no que realmente importa.

Crônica de uma balança desfavorável

Publicado  quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nos anos 90 o Vasco tinha entre seus melhores jogadores o meia Ramon (há até pouco tempo no Vitória), craque que fazia parte de um dos melhores times que o clube já teve. Todos os anos, o jogador sentava para negociar seu contrato e todas as vezes a renovação se estendia mais do que o normal. Em algum momento o vice de futebol Eurico Miranda encerrava as negociação, deixava Ramon treinando e se recusava a vendê-lo até que ele aceitasse a oferta vascaína a contragosto. Era a época do passe. Clubes mandavam e desmandavam na vida dos atletas que tinham muito pouco poder exceto o de ficarem encostados e sem poderem jogar ou receber.

Anos depois essa era acabou. A Lei Pelé globalizou o futebol brasileiro e tornou o contrato e sua multa rescisória a âncora frágil que nortearia as relações entre clube e jogadores. Hoje o que vemos é que o poder mudou de mãos com empresários ditando os rumos das negociações e decidindo o destino de jogadores que as vezes nem mesmo conseguem jogar pelos seus clubes ou cruzam os braços com uma desfaçatez que talvez fizesse o próprio Ramon se indignar com tanto poder.

Esta semana, o atacante Kléber passou a exigir aumento no Palmeiras ao receber uma proposta do Flamengo. Conhecido como "Gladiador" por sua entrega em campo e exageros em divididas, ele chegou a faltar jogos alegando uma contusão descartada por médicos. A imprensa se refere a esse mal como "contratite", quando atletas alegam dores para negociar aumentos e não chegarem ao número de jogos que inviabiliza uma transferência nacional. Tudo isso recebendo salários. Após o Flamengo retirar sua proposta o Gladiador contra-atacou e deixou claro: não entraria em campo até resolver tudo.

Tudo o quê? Kléber tem contrato, recebe centenas de vezes o sonho salarial de boa parte das pessoas do mundo e o Palmeiras pagou caro para retirá-lo do Cruzeiro. Tem todo o direito de pleitear ganhar mais, mas não se recusar a cumprir seu trabalho por isso. E ele não é o único.

Em 2010 o jovem e promissor Valter insistiu e saiu do Internacional para desaparecer no Porto, Keirrison bateu o pé duas vezes seguidas para largar Coritiba e o próprio Palmeiras entre outros casos. E veja que nesses dois exemplos a transação pode ter resolvido a vida financeira de jogador e empresário, mas foi péssima para a carreira dos atletas.

Quando a lei do passe regulava as negociações contratuais criticava-se o excessivo poder dos clubes. Hoje pouco se fala dos quase onipotentes empresários com capacidade para fazer pouco de torcidas e instituições centenárias. Talvez seja a hora de repensarmos novamente essa relação e incluir um novo peso em uma balança tão desfavorável. Tratar o futebol exclusivamente como um negócio onde tudo se resume a quem paga mais vai matar exatamente o que torna ele tão lucrativo: a paixão.

Um clube com algo muito errado...

Publicado  domingo, 10 de julho de 2011



Não vivi a fase áurea do primeiro time a ser campeão brasileiro (antes da canetada da CBF) e nem conheci os melhores times do Galo. Dizem que Reinaldo foi um centroavante tão bom quanto Romário e há quem diga que foi muito melhor e poderia ter sido do tamanho de Pelé, não fossem as contusões que destruíram seus joelhos.

Do Atlético-MG como grande time lemmbro de um time treinado por Leão em um 4-3-3 que contava com Marques e Valdir lá pelo fim dos anos 90 e depois o Galo que liderou o Brasileiro e terminou em quinto lugar com Celso Roth e Diego Tardelli. Desanimado com a queda do time que o eliminou até da Copa Santander Libertadores, o presidente Alexandre Khalil demitiu o técnico. De lá pra cá, o Galo brigou pra não cair com Luxemburgo e promete fortes emoções esse ano com Dorival Júnior, já crucificado pela torcida.

E já virou rotina. O Atlético-MG tem torcida, uma das melhores estrutura do País e nos últimos anos monta bons elencos, mas segue sem assustar ninguém e vivendo de lampejos. O time tem uma das torcidas mais apaixonadas que já vi. E nada disso adianta. Em comum apenas o próprio clube e seus dirigentes. Tem algo muito errado no Atlético e não acho que seja mística ou azar. Há algo de podre nesse galinheiro.

Falta de centroavante explica empate?

Publicado  domingo, 3 de julho de 2011

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Mano Menezes não quis impor nenhuma revolução tática na seleção. Pelo contrário. Seu 4-3-3 é um Brasil conservador na melhor tradição ofensiva brasileira e uma tentativa de reemplacar seu melhor trabalho em clubes: o Corinthians, campeão da Copa do Brasil de 2010. Nesse esquema, o camisa dez (Ganso/Douglas) joga recuado para lançar os dois pontas (Jorge Henrique & Dentinho/Robinho & Neymar) e aproveitar as arrancadas dos dois volantes (Christian & Elias/ Ramires & Lucas).

Tudo buscando um centroavante que joga o mais próximo possível da área ou ainda atrás dos volantes para aproveitar lançamentos e cruzamentos. No Corinthians, era Ronaldo. Na Seleção, Pato. Há motivos para a demora desse esquema emplacar na seleção, mesmo tendo alguns jogadores em comum (Elias, que não tem jogado tanto, e André Santos). Um deles é a falta de velocidade e participação tática dos pontas e laterais.

Embora muita gente aposte também na falta de uma saída de bola mais rápida, acredito que o maior problema dessa seleção seja justamente a aposta exagerada nessa formação Arco-e-Flecha em que temos um dez clássico e um grande atacante esperando seus passes. No caso, Ganso é o Arco e Neymar, a Flecha, pela esquerda:

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Nesse desenho, Lucas, que para mim deveria ocupar a posição de Robinho na competição, seria a "segunda Flecha". Esse esquema depende demais do brilho de Ganso e dos passes e arrancadas de Ramirez e Lucas para combater o espaço entre os jogadores de frente. Desde a Copa Santander Libertadores, me parece que Neymar exageradamente aposta em seu posicionamento como ponta que entra em diagonal, mesmo em jogos que não contou com Ganso. Repare no que Pelé disse sobre sua posição:

Acho que o Neymar precisa de um pouco mais de maturidade. Ele está se preocupando muito em jogar para a torcida. Outra coisa que eu estava comentando também, e que acho que o Muricy vai tirar esse vício dele, é que o Neymar virou ponta-esquerda. E um jogador com a habilidade dele não pode ficar só parado ali.

Ou seja, Neymar precisa aprender a buscar menos a ponta, onde tem mais espaço mas depende mais dos passes, e centralizar mais seu posicionamento, onde estará mais próximo do gol e de uma área onde pode usar a sua mortal finalização.

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Em um desenho tático dessa forma, o Brasil passa a atuar em um 4-4-2 mais tradicional, com Neymar e Lucas se revezando ao lado de Pato e com Ganso tendo mais companhia para armar as jogadas. Nesse período de experiências vale pontuar:

- Vejo Robinho na Copa de 2014, mas não como titular.

- André Santos e Daniel Alves precisam ser mais laterais e menos alas nesse esquema, o que pode não ser exatamente o que ocorre em seus clubes.

- Mais do que velocidade, a seleção precisa de volantes que saibam armar para não isolar Ganso nesse papel. Ou apostar nas infiltrações de Ramires nas costas dos laterais brasileiros.