Tentando entender a posição ideal para RG10

Publicado  segunda-feira, 27 de junho de 2011


O tempo passa, o tempo voa... E mesmo passando para Ronaldinho Gaúcho muita gente ainda acha que ele é um jogador muito diferente da maioria absoluta do que vemos por aí. Estou entre eles. Como diz o açougueiro, vamos por partes:

- Ronaldinho foi um meia-atacante jogando pela esquerda bem aberto e entrando em diagonal em velocidade quando jogava no Barça. Nas seleções de Base e Grêmio chegou a jogar quase de atacante, até porque a definição "clássica" da posição dele seria ponta-esquerda.

Nessa posição, o jogador pode ser lento se for do tipo tático (que marca o lateral, por exemplo) e se for um jogador de toque. Danilo do Corinthians é assim. Desnecessário dizer que RG10 não é esse tipo de jogador. Bate ao invés de marcar, mas poderia ser um grande ponta-esquerda de toque se jogasse com um lateral-esquerdo que fosse um grande marcador e apoiador, o que não é o caso de Junior César, mais ala que lateral.

- Se o boleiro joga lá na frente, PRECISA ser rápido porque os espaços são curtos: é zagueiro (as vezes três), lateral e, dependendo do adversário, pelo menos um volante. Airton já jogou dando o primeiro combate no atacante Edmundo em 2008, por exemplo, e Celso Roth joga com três zagueiros atrás, liberando os alas, e um volante a frente da zaga. Se o atacante não for trombador e for lento, vai perder a bola toda hora a não ser que seja muito, mas MUITO habilidoso mesmo. O Felipe, que está no Vasco, SEMPRE foi um jogador lento, mas driblava fácil. Ainda assim, pegava a bola lá do meio como um ala e não exatamente como um ponta.

Ronaldinho É muito habilidoso? Sem dúvida, mas sempre driblou em velocidade. É claro que no nível dele o atleta se vira e se adapta, mas é muito diferente e normalmente é um estilo pouco objetivo. No caso do Ronaldinho dificilmente o adversário vai deixar um contra um, será sempre um na sobra e aí é bem difícil de jogar. No Estadual cheguei a ver jogos em que o lateral dava o primeiro combate no ex-jogador do Barça, um volante ficava na sobra e ainda um zagueiro encostava. Sem velocidade, nem o Messi conseguiria sair de uma stuação dessas.

- Se o jogador fica de meia sem precisar marcar, quando o time recupera a bola ele se posiciona pra receber a frente dos volantes adversários ou atrás (desde que haja volantes que saibam jogar, como é o caso de Renato Abreu e Airton, por exemplo). É muito complicado de marcar homem a homem porque qualquer movimentação do meia deixa um buraco ali.

Agora, se o meio-campo tiver dois volantes que não saibam jogar o meia sempre recebe a bola a frente da marcação adversária e aí taticamente fica mais difícil. Se tecnicamente o meia for muito bom e/ou os volantes marcarem mal, fica fácil, mas aí não tem esquema que resolva. Mas perceba como é essencial que o Flamengo tenha pelo menos um volante que apóie para ele render.

- Ronaldinho esse ano jogou bem apenas quando recuado para a posição de organizador de jogadas porque ali tem muito espaço. Se driblar um volante, dificilmente haverá outro na sobra (a não ser que o adversário jogue com 3 volantes). Thiago Neves sempre costuma estar do outro lado, o que atrai a marcação e agora com Junior César ele ganha uma opção a mais para tocar rápido. E jogador desse nível não perde nunca a qualidade do passe. Assista a uma pelada de Zico nos dias de hoje.

A questão é que o Flamengo tem poucos jogadores de velocidade. Vai lançar ou enfiar a bola para Deivid lentíssimo ou Vanderlei trombador? Não tem como. Agora, em uma linha de dois ou três com pelo menos um sendo bem rápido ele vai dar trabalho.

- Antes Ronaldinho era um ponta-esquerda que entrava em diagonal na área. Em uma generalização pra lá de geométrica (heh), a posição ideal dele parece ser a de um meia-esquerda que busca o jogo da esquerda pro centro e pra frente. Ora meia-armador (jogador centralizado que organiza o time), ora ponta de lança (meia-atacante que encosta nos atacantes e ajuda a concluir) e mais raramente ponta-esquerda (jogador de lado que cruza ou chega na área).

Dificilmente o camisa dez vai recuperar sua velocidade e jogar de costas para os zagueiros é inviável. Ronaldinho precisa se manter em forma e estar descansado para entrar em campo sempre com o máximo de reflexos e velocidade de pensamento. Todo craque antevê as jogadas e com Gaúcho, o Flamengo pode começar toda jogada ofensiva como um extraordinário meia, desde que Ronaldinho não esteja com a cabeça cheia pela ressaca ou o corpo cansado pela "night". Apoio a torcida demonstrou que ele sempre terá, desde que faça a sua parte.

5 Motivos para Romário ser melhor que Ronaldo!

Publicado  terça-feira, 7 de junho de 2011


O clichê da semana é a comparação pra lá de esdrúxula entre dois mitos do futebol brasileiro: Romário e Ronaldo. O Fenômeno é o incomparável craque midiático dentro e fora de campo. Talvez só Pelé tenha sido tão universal, expansivo e reverberador como o ex-atacante do Barcelona e Real Madrid. Ronaldo foi um dos primeiros craques a serem vendidos antes dos 20 anos e emplacar lá fora, jogou em alto nível justamente durante a ascensão da mídia e globalização e isso justifica que torcedores pensem que ele foi o maior desde Pelé (uma heresia repetida à exaustão nesses dias), mas esperava-se mais de formadores de opinião e pessoas que vivem o esporte diariamente.

Pra fechar esse assunto, vamos aos cinco motivos que tornam o baixinho um jogador incomparavelmente melhor:

Times: Ronaldo jogou com Zidane, conviveu com Rivaldo, Ronaldinho e outros expoentes. Romário desequilibrou ao lado do decepcionante Sávio, consagrou o superestimado Iranildo e por aí vai. Se Copa do Mundo é o argumento definitivo (apenas para preguiçosos, diga-se) Romário foi rei com um meio campo com Mauro Silva, Dunga e Mazinho. Ronaldo dividiu seu reinado com Rivaldo e Ronaldinho e pôs abaixo o ótimo time de 98 na final.

Perfeição: O primeiro argumento para consagrar Pelé como o deus supremo do futebol é o fato dele dominar todos os elementos. Romário era um exímio cabeceador - compensando o tamanho com uma impulsão e posicionamento impressionantes - e chegou a jogar de meia com um desempenho muito acima dos jogadores da posição, demonstrando um passe milimétrico e inteligência afiadíssima. Ronaldo cabeceava mal (embora o tamanho ajudasse) e sempre dependeu demais da velocidade. Se virou sem ela, mas com cada vez mais dificuldade.

Durabilidade: Ronaldo talvez tenha alcançado níveis mais altos em momentos muito específicos da carreira e em times extraordinários. Fracassou na seleção em 98, no Milan e sempre saiu em baixa de seus clubes. Para com pouco mais de 30 sem fazer grandes partidas pelo Corinthians há dois anos. Romário parou aos 41, sem velocidade e dependendo só de inteligência e posicionamento para seus gols. Foi artilheiro do brasileiro com mais idade que Ronaldo para. Até o fim o jargão "de muletas ele desequilibra" compensou as inevitáveis lesões na panturrilha.

Ele parou aos 41. Ronaldo foi parado aos 34, se rendendo às lesões, protestos da Fiel e a falta de cuidado com sua silhueta.

Importância: Ronaldo foi um ídolo midiático. Romário foi o ídolo que tivemos e deixou o Barcelona porque preferia o Brasil em uma idade onde ainda jogava no auge. Nos deu o seu melhor futebol, mesmo que nem sempre tenha sido seu melhor. Ronaldo nos deu seu resto. Isso não torna nenhum jogador melhor, mas põe por terra qualquer número que os entusiastas da Champions League gostam de levantar ao falarem da falta de títulos europeus do ex-camisa 11. Romário jogou na melhor idade no mais competitivo campeonatos. Fez a diferença aqui, com todas as dificuldades e amadorismos que nosso futebol traz.

Pressão: Se você tem menos de 25 anos hoje, dificilmente entende o que foi a Copa de 94. O Brasil era desacreditado, estávamos há 20 anos sem uma Copa do Mundo e não parecia que seria ali. Nunca jogadores da seleção passaram por tanta pressão. E entre eles ninguém respondeu tão bem quanto Romário. Ronaldo jamais teve que passar por isso e deveria agradecer ao ex-companheiro.