Toda culpa que Adriano tem

Publicado  quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Imperador pode até mesmo reclamar de azar, acaso ou das pessoas ruins. E conta com a sorte da dúvida. Não há jornalista no mundo capaz de fazer uma reportagem definitiva sobre quem é culpado pelo rompimento de tendão que tirou o jogador dos campos por cinco meses. O que nos resta é julgar Adriano pelo seu retrospecto.

O futebol é pródigo em personagens que não conseguem render o que podem, vítimas de um corpo mais fraco do que a rotina massacrante do nosso calendário exige. Adriano teve quatro contusões graves em menos de dois anos - de uma queimadura de proveniência duvidosa até seu calcanhar de aquiles passando por uma lesão no ombro e contusões musculares. E pode ser que os motivos sejam dignos de pena como o meia Pedrinho (ex-Vasco e Palmeiras), refém de uma dividida maldita, mas é preciso um esforço sobre-humano para não julgá-lo com a mesma vista que percebeu Romário eterno contundido nas panturrilhas desgastadas pelo futevôlei na Orla.

Adriano pedirá piedade, se dirá vítima dos deuses do futebol ou da sorte. E talvez seja. Mas ano após ano, alguma desculpa se repete. Crescemos com um alerta de nossos pais: não dê falsos alarmes ou não acreditarão no dia que for verdade. O Imperador escondeu ressacas, brigas conjugais e sabe-se lá mais o quê com as desculpas que não disfarçavam seus resultados cada vez piores. É Adriano que se torna refém de sua culpa porque já faz tempo que ele não parece dar mesmo a mínima para o que seus atos fazem com sua carreira e, principalmente, com quem comete o pecado de acreditar nele.

Romper o tendão de Aquiles está naquelas lesões trágicas do futebol. Porque se tendinites e contusões são recuperáveis, o calcanhar é ponto vulnerável por onde se guia o drible imprevisível, se forma o chute oblíquo... O tornozelo é mais importante no futebol ou na dança do que o próprio pé, mesmo sendo menos discutido do que o joelho. Da mesma forma, Adriano talvez tenha mais talento do que sua carreira demonstra. Tomara que em cinco meses os dois tenham a fama que todos gostariam, mas para isso "Didico" precisa ser mais Adriano: dar mais exemplo e menos desculpas.

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