Algo que deve ser dito sobre Ronaldo

Publicado  segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Haverá inúmeras elegias ao fenômeno e é bom que se diga: ele merece todas. Ronaldo foi um centroavante que deixou um enorme brilho em cada time que esteve e isso inclui o maior de todos: a seleção brasileira. Sua carreira nesse ponto merece um nove tão firme quanto o da camisa que vestiu tantas vezes. E é comum no mundo do jornalismo que mortes e aposentadorias transformem seres multidimensionais em deuses. E é aí que entra este post.

Porque tão formidável quanto seus gols foi a irresponsabilidade crescente que marcou sua carreira. Para muita gente o desleixo com a forma física é recente, mas no fim dos anos 90 ele já fazia dupla com Christian Vieri nas noites e em lanches inoportunos e excessivos. E foi nessa época que Buffon observou o que faria pensar em Ronaldo como o melhor do mundo, se quisesse. O "se" sempre esteve junto com sua qualidade. A verdade é que já naquela época ele era menor do que poderia por não aliar seu talento à mentalidade de um grande atleta. Aquela gana de ser sempre melhor que marcou estrelas como Michael Phelps e Michael Jordan, lado a lado com seus dons.

Ronaldo foi brilhante em diversos momentos. Suas superações podem ser encaradas tanto como uma prova de sua força de vontade, quanto uma evidência do que ele poderia fazer em longos períodos se não fosse tão descuidado. É por isso que para cada título que obteve, há outros em que decepcionou por algo diferente de azar: irresponsabilidade. Foi assim em 2006 e de forma cada vez menos mascarada no Corinthians, a partir daquele semestre mágico de 2009. Sempre foi decisivo, mas nem sempre esteve preparado para usar seu talento ao máximo.

Ronaldo sempre será lembrado como Ronaldo, três vezes melhor do mundo e como o maior artilheiro do Brasil em Copas do Mundo. Sua carreira merece o nove pelo seu talento, mas não merece dez pelos seus descuidos. Entre tantas homenagens merecidas e aplausos indispensáveis é preciso que se diga que Ronaldo tinha o talento de um deus mágico, mas o espírito de um mortal qualquer. Talvez seja o que o torne um personagem tão marcante mesmo quando parar de jogar. Alguém singular, raro ou, simplesmente, um fenômeno pra lá de humano. Negar isso é negar Ronaldo. E deve ser lembrado.

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