Por que jornalista não pode ter time?

Publicado  quinta-feira, 20 de janeiro de 2011


É uma dissimulação combinada. Jornalistas que trabalham com esportes evitam ou simplesmente não falam para que times torcem. Os torcedores parecem fingir que acreditam ou pior: adivinham para quem o coração daquele crítico torce a cada opinião desfavorável ou notícia incômoda. Frequentemente o clube dele é sempre rival do seu, certo? "Ah, aquele azulão cretino!"

É um erro dos dois lados. O profissional que não diz o time fatalmente evita o debate contribuindo para a falta de esclarecimento. E o torcedor que usa essa preferência como argumento parece achar que só ele tem o direito de torcer. Um nome como Juca Kfouri (foto), ídolo de gerações de jornalistas e com diversos prêmios, é menos competente por se revelar corintiano?

Todos sabem que existem sim comunicadores que torcem com o microfone. A questão é achar que todo repórter se comporta como a equipe de comentaristas do Jogo Aberto, da Bandeirantes. Pode apostar que não.

Por que não deixamos de lado a preferência esportiva e nos concentramos na competência profissional? Porque, acreditem, há muitos debates importantes para o jornalismo esportivo. O clube do repórter que você menos gosta não é um deles. Por outro lado, enquanto houver jornalistas que omitam isso, mais difícil será convencer os torcedores que isso não importa.

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