Por que as ações de Peruano viram pauta?

Publicado  quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quando Ronaldo Fenômeno parecia estar certo para vir para o Flamengo, alguns veículos noticiaram uma campanha supostamente movida pela torcida para que ele fosse para a Gávea. No fim, os torcedores rasgaram cada cartaz com a "traição fenomenal". Na verdade, a origem das manchetes foram organizadas pelo torcedor e sócio-proprietário José Carlos Peruano. Inexplicavelmente, uma fonte de informações para a imprensa.

Até aí, beleza. Não sou editor e nem empresário de comunicação para decidir quem vai publicar o quê. Não dá para entender é a representatividade que o sujeito tem. Ano passado, vocês lembram dessa manchete: Torcida do Flamengo prepara novo protesto contra Ronaldo nesta quarta-feira? Ao contrário do que o título indica, não era um movimento representativo de 35 milhões de torcedores. Era uma idéia do Peruano, assim como a Fla-Boca em 2008 e outras presepadas.

Em seu "currículo", a fonte "altamente relevante" (mais de nove mil resultados em uma busca no google) é líder de uma organizada menos expressiva do que a Raça Fla ou Jovem Fla, é sócio proprietário, como outros milhares de rubro-negros, e não possui nenhum currículo de serviços prestados ao clube além de suas "marketerias".


Normalmente, uma matéria escolhe uma fonte pela sua representatividade em relação ao assunto. Peruano tem pouca ou nenhuma, embora uma matéria do Extra afirme que ele tenha livre acesso a todas as instâncias de poder do Flamengo. Isso pode transformá-lo em uma boa fonte off the records ou um conhecedor da política interna, mas não o torna um dirigente. Logo, ele não pode falar pela instituição. E sendo apenas um líder de uma pequena torcida organizada, também não é mais representante da torcida do Clube do que, por exemplo, uma celebridade como a cantora Sandra de Sá.

O motivo para os nove mil resultados de uma busca pelo seu nome é simples. As campanhas e o barulho que Peruano causam rendem boas manchetes e barulhos para a imprensa. Inclusive - ou principalmente - para quem lê notícias do Flamengo com o objetivo de gozar um amigo ou rival rubro-negro. Será que realmente usar esse cara como fonte informa, objetivo maior do jornalismo, alguma coisa?

Gerar audiência ou barulho é, sem dúvida, uma das tarefas da comunicação. Porém jornalismo é bem mais do que isso. Todo bom repórter e editor quer uma matéria que repercuta, que se torne "bomba". Isso não justifica textos que dêem destaque para quem quer aparecer as custas de um clube tão importante.

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