Expectativas para 2011: o São Paulo

Publicado  quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


Três títulos brasileiros, uma libertadores e um mundial. É inegável que a gestão Juvenal levou o São Paulo a uma nova era de glórias. Infelizmente, o presidente arrogante não percebeu o início da decadência de um time que desde 2007 não jogava bem, embora obtivesse excelentes resultados.

Essa miopia cobrou seu preço com um 2010 bem abaixo da média que a torcida se acostumou. Para o próximo ano, a torcida pode esperar novas caras, referências e formações. Com o menino Lucas a frente da reformulação do time e com Paulo César Carpegianni no comando tático, o Morumbi deve ver um time com menos volantes e mais ofensivo do que o esquadrão defensivo que ditou o futebol brasileiro por três anos.

Pode não ser uma equipe que dê os resultados que os são paulinos se acostumaram, mas é o time que o São Paulo precisa para uma nova era. Uma eventual conquista da Copa do Brasil ou do Paulista pode ajudar a dar mais tranquilidade nesta nova estrada.

O líder que Juvenal que poderia ter sido!

Publicado  quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Em 2008 não havia clube capaz de enfrentar o São Paulo. A gestão Juvenal havia tornado o título o maior vencedor de campeonatos brasileiros, completando três títulos do brasileiro, uma libertadores e um mundial. O presidente do Flamengo, Márcio Braga, chegou a dizer que o desafio dos grandes clubes brasileiros seria justamente o de descobrir uma forma de destronar o tricolor

Juvenal Juvêncio tinha nas mãos a chance de transformação do clube brasileiro. Naquele ano, já tinha tornado o São Paulo uma instituição antipática e arrogante, que gostava de se posicionar como um time europeu no Brasil. Momentos antes, o tricolor gozava não só de respeito, mas da admiração incondicional de outros clubes. Poderia ter liderado um grande movimento pela profissionalização do futebol brasileiro.

Poderia ter tornado o São Paulo o mais importante clube da história do nosso esporte.

Mas Juvenal não quis ser este líder. Perdeu-se em colocações cada vez mais prepotentes em que chegava a garantir que o SPFC se tornaria a maior torcida em dez anos (já se passaram três e nada) e parecia crer que havia conseguido o planejamento perfeito. Com o tempo o ciclo natural dos clubes brasileiros fez o Morumbi mergulhar em uma reestruturação que já resultam em dois anos de título, a antipatia da CBF e de boa parte dos clubes brasileiros.

Apesar disso, Juvenal já garantiu sua reeleição. No fim das contas, ele poderia ser o melhor cartola de todos os tempos, mas será um dirigente como qualquer outro. Interessado no poder e em usufruir de seu clube. Pior para ele mesmo. E para o São Paulo.

Cadê você, Carlos Alberto?

Publicado  segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sobre dispensas e contratações

Publicado  sábado, 22 de janeiro de 2011

Finalmente a temporada começa e todos os clubes já mostram caras novas ou ao menos o torcedor sente saudades de algumas mais antigas. Antigamente, não havia muito mistério. Mas o futebol mudou, evolui comercialmente e perdeu em significado, e hoje qualquer saída ou chegada de jogador é acompanhado de equações que parecem indecifráveis para qualquer planilha de excel. A época do passe era tão mais simples...

Em termos, a saída de um jogador tem no melhor dos mundos a venda. O clube que perde recebe dinheiro e o clube que contará com o atleta paga. Na prática, é comum uma saída de graça para minimizar um prejuízo com alguém que não emplacou. O pior dos mundos é uma saída em que o clube não ganha nada e ainda precisa pagar algo ao jogador. O Flamengo fez isso devendo luvas ao atacante Diogo e ainda pagando o valor do empréstimo ao Olimpiakos, sem que o Santos assuma nenhum ônus. Não é exclusividade da Gávea. O Corinthians paga a maior parte dos salários de Souza, emprestado ao Bahia.

Contratação pode parecer mais simples, mas não é. Com todos os clubes endividados nem sempre é possível comprar os direitos federativos então é comum a formação de times de aluguel, onde muitos chegam por empréstimo. Deixando o custo de cada transação de lado, já que é uma discussão à parte, eu costumo pensar no seguinte critério: se o jogador não está pronto para resolver na posição em que joga, mas pode estar algum dia deve ser comprado. Se o cara já pode assumir a posição com facilidade, então pode vir por empréstimo.

O pior dos mundos é trazer por empréstimo um jogador imaturo que irá amadurecer no período de empréstimo, mas vai alternar bons e maus momentos. O Palmeiras viveu isso em 2009, com um time formado por muitos jovens (Keirrison, Marquinhos etc.) que não conseguiram segurar a barra de um time que viveu uma década bem ruim. O Flamengo cometeu um erro parecido ao comprar apenas parte dos direitos do volante Airton e receber muito pouco pela saída de um jogador tão importante. Espera-se que tenham aprendido com o erro e já tenham alguma garantia com os direitos do jovem Vander, destaque no início da temporada.

Vale a pena acompanhar qual o critério de certos dirigentes nos dois casos. Eles não costumam aprender com os próprios erros.

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Originalmente publicado no Flamengonet. E readaptado para este espaço.

Expectativas para 2011: o Atlético-MG

Publicado  sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O ano passado prometia ser melhor para o Atlético-MG do que 2009 quando o time alcançou o quinto lugar no campeonato brasileiro. A demissão do irregular Celso Roth para o vitorioso Vanderlei Luxemburgo parecia indicar que o Galo alçaria vôos maiores.

A conquista do mineiro consolidaria isso, mas o erro em reformular o time no meio do ano quase transformou a esperança em um pesadelo. Mas veio Dorival Junior, despejado pelo Santos, e o pesadelo se transformou em esperança. Para o próximo ano, a base que iniciou a épica arrancada já é reforçada pelo habilidoso Jóbson e os operários Toró e Richarlyson. Não é muito, mas a permanência de Dorival já é bem auspiciosa.

Onde aparece Dorival faz trabalhos sólidos e que deixam sempre um legado positivo. Foi assim no Vasco, no Santos e promete ser assim no Atlético-MG. Com um Cruzeiro mais lento nas contratações e com um técnico com poucos títulos, o Galo pode tentar começar um 2011 melhor já no campeonato mineiro. E Dorival vai querer o bi da Copa do Brasil.

Por que jornalista não pode ter time?

Publicado  quinta-feira, 20 de janeiro de 2011


É uma dissimulação combinada. Jornalistas que trabalham com esportes evitam ou simplesmente não falam para que times torcem. Os torcedores parecem fingir que acreditam ou pior: adivinham para quem o coração daquele crítico torce a cada opinião desfavorável ou notícia incômoda. Frequentemente o clube dele é sempre rival do seu, certo? "Ah, aquele azulão cretino!"

É um erro dos dois lados. O profissional que não diz o time fatalmente evita o debate contribuindo para a falta de esclarecimento. E o torcedor que usa essa preferência como argumento parece achar que só ele tem o direito de torcer. Um nome como Juca Kfouri (foto), ídolo de gerações de jornalistas e com diversos prêmios, é menos competente por se revelar corintiano?

Todos sabem que existem sim comunicadores que torcem com o microfone. A questão é achar que todo repórter se comporta como a equipe de comentaristas do Jogo Aberto, da Bandeirantes. Pode apostar que não.

Por que não deixamos de lado a preferência esportiva e nos concentramos na competência profissional? Porque, acreditem, há muitos debates importantes para o jornalismo esportivo. O clube do repórter que você menos gosta não é um deles. Por outro lado, enquanto houver jornalistas que omitam isso, mais difícil será convencer os torcedores que isso não importa.

Expectativas para 2011: o Santos!

Publicado  quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Avassalador, o Santos começou o ano goleando em uma partida de alto nível técnico. Com um Palmeiras em reformulação (e ebulição) e um São Paulo refazendo um time com vários garotos, apenas o Corinthians surge como o grande rival para o campeonato paulista. Mesmo na libertadores, os meninos da Vila prometem ser o grande time da Libertadores com o ótimo reforço de Elano.

O que preocupa no Santos é a crise interna com denúncias de corrupção na Vila Belmiro e a possível saída de seu melhor jogador: Ganso. Por um lado, o novo presidente enfrenta a desconfiança de não ser muito melhor do que seu antecessor e do outro a hipótese de perder o grande camisa dez do alvinegro praiano.

Se conseguir superar esses problemas, é difícil pensar em um Santos que não obtenha títulos em 2011. O futebol agradeceria.

A chance definitiva de Cuca

Publicado  terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ano passado, o Cruzeiro era o meu time favorito ao título. Não simplesmente por simpatia, mas pelo futebol que a equipe mineira apresentava naquele momento. E não dá para negar: as variações táticas de Cuca empolgam em todos os seus times, mas geraram poucos resultados. É a antítese de Muricy: muito futebol e poucos títulos.

Após chegar a mais um vice-campeonato, ele tem a chance de melhorar seu desempenho a frente de grandes times com a disputa do campeonato mineiro, Libertadores e Brasileiro. Para isso, precisa superar seus principais problemas: o mau relacionamento com seus comandados e a marcação quase kamikaze de times afobados que marcam por pressão e sempre dão espaço demais nos minutos finais.

A estrutura do Cruzeiro pode ajudar a minimizar as queixas de jogadores contra o técnico. Adílson Costa durou três anos graças a isso. Resta saber se Cuca vai conseguir relativizar suas convicções táticas e não só formar um Cruzeiro com mais equilibrado, mas também se tornar um comandante menos passional.

Expectativas para 2011: o Botafogo

Publicado  segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

2010 pode ter sido mesmo um divisor de águas para o Botafogo. Vindo de uma série de vice-campeonatos para o rival Flamengo, o alvinegro se sagrou campeão estadual ao vencer os dois turnos do carioca incontestavelmente. E no campeonato brasileiro fez uma campanha infinitamente mais digna do que na decepcionante era Bebeto de Freitas.

Para o próximo ano, Maurício Assunção cumpriu o manual de gestão esportiva: manteve a base do time que chegou ao sexto lugar no Brasileiro e reforçou. De Leandro Guerreiro para Arévalo é uma enorme subida de nível e os promissores Lucas e Márcio Azevedo prometem subir o nível dos laterais Alessandro e Marcelo Cordeiro. E ainda pode haver o bônus do bom meia Éverton.

Embora ainda ache que falte um meia mais cerebral no meio com a saída do decadente Lucio Flávio - pelas evidências ainda duvido da contratação do meia Diego do Wolfsburg - é inegável que Mattos, Arévalo, Maicosuel e Renato são uma formação superior. Joel Santana terá mais opções neste ano.

E as minhas dúvidas se resumem justamente ao natalino. Joel tem pouquíssimas exceções de clubes onde conseguiu completar um ano nos clubes onde passou. Em 2010 conseguiu uma delas. Para 2011, precisará fazer mais do que o costume para repetir o feito. Com ou sem ele, acho que o Botafogo pode repetir o ano que se passou e disputar todas as taças que tiver chances.

Réquiem para Washington

Publicado  sábado, 15 de janeiro de 2011

Imagine só, por razões médicas você é impedido de continuar como jogador de futebol bem quando conseguia jogar em um time europeu e após chegar à seleção brasileira. Um filme passa pelos seus olhos. Pode desistir ou achar que isso não é uma escolha e buscar uma segunda opinião. Aí acha um médico que compra a sua esperança e trabalha para te colocar nos campos.

Dá trabalho, viu? Mas você consegue. E de jogador esforçado e ídolo de times pequenos ou médios, se torna um exemplo para todo Brasil e consegue jogar em um time internacional de novo para fazer sua independência financeira. É mais do que você tinha no momento que os médicos lhe desenganaram. Mas não basta.

Você ainda não tem um título importante e nem é ídolo por um grande time e resolve voltar para o Brasil. Disputa uma libertadores mágica em que faz o gol mais emocionante da competição, mas perde. Vem o Brasileiro, mas não dá também. Um pouco obcecado você resolve trocar de equipe para o papão de taças do seu país. Mas você chega bem quando o time começa a decair. Talvez seja melhor desistir? Nem pensar.

Você consegue voltar para seu time anterior, onde foi ídolo mas não teve uma taça. E a coisa começa bem... Você marca gols importantes, a liderança se mantém, mas vem a má fase, você para de golear e a liderança se alterna. Você não é de desistir, mas tenta, tenta e não sai o gol. Até a última rodada tem esperanças de marcar um gol. Quem sabe o decisivo? Não adianta. Mas em um lance com a sua cara você escora para o tento final. O do título. Você é ídolo. Você tem uma taça. Você conseguiu.

Hollywood perde. Parece coisa de filme. E passou bem pelos nossos olhos.

Expectativas para 2011: o Cruzeiro

Publicado  sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sempre achei uma ótima Cuca e Cruzeiro. A torcida celeste estava farta das formações defensivas de Adílson Costa e o ex-técnico de Flamengo e Botafogo precisava de um clube que acreditasse em seu trabalho com campanhas sólidas, mas de um único título (o estadual de 2009). A campanha de 2010 confirmou essa previsão não terminando com um brasileiro por pouco. Muito pouco.

No próximo ano, não haverá vida fácil. O Atlético-MG vem forte com Dorival Jr. e o Cruzeiro dividirá suas atenções com a Taça Libertadores. Se não houver nenhum título, Cuca conviverá novamente com as dúvidas que marcaram seu trabalho em times cariocas.

Mesmo assim o casamento do técnico e do clube celeste ainda pode fazer mais mal do que bem. O clube atravessa difícil momento financeiro e Cuca é conhecido como um grande revelador de talentos. Se a celeste comprar novamente a briga do clube, talvez não falte mais nada para o clube ser campeão nesta temporada.

O adeus dos perdedores!

Publicado  quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Com a saída de Leandro Guerreiro, o Botafogo dá um adeus para uma geração de jogadores que encantou, mas fez muito mal ao clube. Em 2007, por muito tempo o time de Cuca era visto como o de futebol mais empolgante daquele ano. Juninho, Lucio Flávio, Dodô e Leandro Guerreiro, renegados por grandes clubes, formavam a base daquela equipe que terminou uma final aos prantos, marcando uma era de muita frustração e nenhum título.

Por muito tempo, Guerreiro foi ídolo do clube assim como seus companheiros. Nos últimos meses, a ascensão do alvinegro elevou o patamar de exigência da torcida. Ele sabia que faltava apenas uma temporada para que a relação terminasse tão tumultuada quanto a que os torcedores já mantinham com Lucio Flávio, vaiado em todos os seus últimos jogos.

É bom para os dois lados. O Botafogo pode alçar vôos maiores e Leandro pode ser guerreiro em outra casa, o Cruzeiro. É hora de crescerem e se despedirem.

Expectativas para 2011: o Corinthians

Publicado  quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Uma frase minha que já se tornou batida por aqui é a de que grandes times nascem em grandes derrotas. Após toda pressão do centenário e ao manter a base que chegou ao terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, o Corinthians tem tudo para fazer uma temporada ainda melhor.

Além da equipe ter mais determinação para conquistar um título que não veio em 2010, o Timão promete ter aprendido algumas lições. Tite é um técnico que não sairá repentinamente e irá perseguir um título que apague sua temporada melancólica no Internacional. O grupo de matusaléns também já vem sendo renovado com a contratação de Wallace e a saída do capitão William. O número de contusões promete ser menor.

E, além disso tudo, 2011 marcará o adeus de Ronaldo Fenômeno. O maior artilheiro das Copas promete fazer todos esquecerem de um 2010 melancólico. Seu último ano não pode ser menos inesquecível do que sua carreira. É a última superação que ele precisa conseguir. Alguém duvida?

O mundo aos pés de Messi

Publicado  segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Diego Maradona certamente gostaria de ter feito um grande trabalho na Copa do Mundo, mas não foi o caso. Com uma estrutura tática suicida e bagunçada tudo o que conseguiu foi ofuscar o brilho do maior jogador argentino em décadas: Lionel Messi. Hoje, "o piolho" se tornou pela segunda vez o melhor do mundo com míseros 23 anos. 23 anos! É inacreditável.

Mais surpreendente ainda é ver o jovem meia sempre motivando e jogando em altíssimo nível. Messi não parece capaz de se submeter aos caprichos da noite espanhola e se descuidar dos treinos, o que causou a saída de seu amigo Ronaldinho Gaúcho.

O argentino terá 26 anos na próxima Copa e ainda pode estar no auge de sua forma na Copa de 2018. Até lá, pode ser o melhor do mundo mais vezes e ainda conseguir acabar com o jejum de copas da Argentina. Com o talento de um semideus aliado ao comportamento de um atleta, pode ser maior do que o próprio El Pibe. Uma geração de admiradores do futebol agradecerão. Viva Messi.

Ainda existe um Ronaldinho!

Publicado  sábado, 8 de janeiro de 2011

Romário se referiu a ele como "o último romântico do futebol" e houve quem falasse até mesmo em uma reencarnação de Garrincha, o que não chego a considerar um completo exagero. Ronaldinho Gaúcho foi duas vezes melhor do mundo com um futebol de arrancadas mágicas e dribles épicos.

O Barcelona descreveu a era Ronaldinho como "Quatro Anos Inesquecíveis". Foi a partir da Copa de 2002 que ele viveu sua melhor fase, aclamado como o melhor do mundo duas vezes e exibindo grandes atuações pelo seu clube e pela seleção brasileira (apesar do mito de que ele só jogou bem uma vez com a amarelinha). Este Ronaldinho é lembrado toda vez que o campeão do mundo de 2002 entra em campo, mas não existe mais.

Porém, ele ainda é um jogador que merece respeito e idolatria. Destaque do Milan no início do ano Ronaldinho Gaúcho ainda pode repetir seu desempenho pelo time italiano. Um futebol que depende mais do espaço que lhe derem em campo, mas ainda é muito acima da média e, principalmente, do que vemos no Brasil:

Por que as ações de Peruano viram pauta?

Publicado  quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quando Ronaldo Fenômeno parecia estar certo para vir para o Flamengo, alguns veículos noticiaram uma campanha supostamente movida pela torcida para que ele fosse para a Gávea. No fim, os torcedores rasgaram cada cartaz com a "traição fenomenal". Na verdade, a origem das manchetes foram organizadas pelo torcedor e sócio-proprietário José Carlos Peruano. Inexplicavelmente, uma fonte de informações para a imprensa.

Até aí, beleza. Não sou editor e nem empresário de comunicação para decidir quem vai publicar o quê. Não dá para entender é a representatividade que o sujeito tem. Ano passado, vocês lembram dessa manchete: Torcida do Flamengo prepara novo protesto contra Ronaldo nesta quarta-feira? Ao contrário do que o título indica, não era um movimento representativo de 35 milhões de torcedores. Era uma idéia do Peruano, assim como a Fla-Boca em 2008 e outras presepadas.

Em seu "currículo", a fonte "altamente relevante" (mais de nove mil resultados em uma busca no google) é líder de uma organizada menos expressiva do que a Raça Fla ou Jovem Fla, é sócio proprietário, como outros milhares de rubro-negros, e não possui nenhum currículo de serviços prestados ao clube além de suas "marketerias".


Normalmente, uma matéria escolhe uma fonte pela sua representatividade em relação ao assunto. Peruano tem pouca ou nenhuma, embora uma matéria do Extra afirme que ele tenha livre acesso a todas as instâncias de poder do Flamengo. Isso pode transformá-lo em uma boa fonte off the records ou um conhecedor da política interna, mas não o torna um dirigente. Logo, ele não pode falar pela instituição. E sendo apenas um líder de uma pequena torcida organizada, também não é mais representante da torcida do Clube do que, por exemplo, uma celebridade como a cantora Sandra de Sá.

O motivo para os nove mil resultados de uma busca pelo seu nome é simples. As campanhas e o barulho que Peruano causam rendem boas manchetes e barulhos para a imprensa. Inclusive - ou principalmente - para quem lê notícias do Flamengo com o objetivo de gozar um amigo ou rival rubro-negro. Será que realmente usar esse cara como fonte informa, objetivo maior do jornalismo, alguma coisa?

Gerar audiência ou barulho é, sem dúvida, uma das tarefas da comunicação. Porém jornalismo é bem mais do que isso. Todo bom repórter e editor quer uma matéria que repercuta, que se torne "bomba". Isso não justifica textos que dêem destaque para quem quer aparecer as custas de um clube tão importante.

Expectativas para 2011: o Fluminense

Publicado  segunda-feira, 3 de janeiro de 2011



O tricolor vive uma situação bem parecida com a do Flamengo de 2009. Campeão brasileiro, uma nova diretoria recém-eleita e que optou por manter boa parte dos profissionais e o vice de futebol responsável pela campanha de 2010. Essas semelhanças não prevêem o futuro do Fluminense, mas indicam o que precisa funcionar para o clube se manter em alto nível no ano que começa.

Afinal, em 2010 por pouco, muito pouco, e, principalmente, por Conca, a falta de comprometimento de Fred e o excesso de contusões de um time com alta idade quase tornou o final de temporada do clube bem melancólico. A manutenção de Alcides Antunes é válida até o ponto em que o novo comando não vai dar chance para os mesmos azares.

Para começar, o Fluminense chega em lua de mel com uma torcida ativa, um elenco fortíssimo e um técnico experiente. As expectativas são as melhores possíveis e, tradicionalmente, o clube tem dificuldade em lidar com isso. Cabe a Muricy e ao novo comando não deixarem a bola cair. Pessoalmente, ponho mais fé em Peter Siemsem do que tinha em Patrícia Amorim. Vamos ver se acerto de novo.