Os meias que viram atacantes

Publicado  quarta-feira, 21 de dezembro de 2011



Muito se comenta sobre a ausência do camisa dez no futebol brasileiro. O jogador que vem de trás articulando jogadas e apoiando junto com os atacantes ou simplesmente o meia-armador. O que temos hoje é um excesso de meias-atacantes - que nada mais são senão atacantes que jogam mais recuados - ou segundos atacantes, homens de frente que jogam mais recuado para buscar jogo.

Me espanta que ninguém nunca tenha percebido que esse problema passa pela predileção dos técnicos em adiantar esse tipo de meia, que nunca marcará como um cabeça-de-área, para optar por um volante ou um outro jogador menos técnico e mais marcador. Os camisa dez são adiantados para se transformarem em pontas ou centroavantes. Foi assim com Bebeto, antes com Careca e bem depois com Renato Augusto, que só conseguiu jogar um ano em sua profissão na Alemanha, país com a melhor seleção do momento. Ganso chegou a jogar tal qual um centroavante com Muricy.

E pode ser assim também com o jovem meia Adryan. Talento da Copa São Paulo de Juniores como camisa dez, passou a ser escalado como ponta na seleção e no Flamengo em todos os jogos. Vale ler o que o mestre Lucio de Castro nota a respeito:

Veja o atual brasileiro sub-20. Existem algumas pistas. Adryan, talentoso meia, transformado em homem de frente, aberto num 4/2/3/1, espelhando o esquema da moda por pura macaquice, e mais um talento se esvaindo. O mesmo é verificável nas demais equipes. Algum talento, sufocado em esquemas-espelho da mediocridade do time de cima.

Nessa posição o lançamento e a visão de jogo são menos importantes que a força para chegar à linha de fundo e o cruzamento preciso. Não é conspiração, não é maldade... É uma miopia coletiva que leva nosso futebol a ver os elegantes camisa dez jogarem cada vez menos.


É oficial: Ganso deixou de ser o que pensamos

Publicado  domingo, 18 de dezembro de 2011

É possível que amanhã Paulo Henrique Ganso seja o melhor jogador da Copa do Mundo de 2014 e se torne do tamanho de meias como Zidane e Zico. É possível. A realidade atual é outra. O camisa dez que deu tantas esperanças ao Santos e ao Brasil se transformou em um jogador que há pouco mais de um ano não joga bem e frequenta o departamento médico mais vezes do que os treinos.

Ganso tinha a obrigação de fazer mais no Mundial do que fez na Copa Santander Libertadores, quando não conseguiu três jogos do que se espera. Ao invés disso, foi apenas regular e se envolveu mais uma vez em um imbróglio envolvendo a briga entre o Santos e o grupo DIS.

Repare: as vésperas da final da CSL2011 anunciaram que ele iria para o Corinthians e depois estava de malas prontas para o Milan. Sempre que o alvinegro praiano estava em momentos decisivos, o meia encontrou espaço para cobrar uma valorização - que o clube lhe ofereceu, mas que ele queria acompanhada de facilitar sua saída para a Europa - mas correspondia cada vez menos em campo. Após aquela mágica final do campeonato paulista em que se recusou a sair e segurou o placar quase sozinho, Ganso se perdeu e foi se tornando um jogador menos brilhante.

Hoje parece piada, mas há dois anos diziam que ele era muito melhor que Neymar pelo que os dois apresentavam em campo. A diferença entre os dois é clara: o moleque Neymar amadureceu e permaneceu focado, mesmo com filho e contratos cada vez mais milionários, enquanto Ganso parou de evoluir e valorizar o que tinha de melhor: seu talento para jogar futebol. Em 2012, espera-se - se torce - que o meia olhe menos para o que não tem e busque conquistar mais coisas. Até aqui, Ganso é um jogador menor do que esperávamos há dois anos e precisa reconquistar a confiança de todos.

Santos paga sua dívida com o futebol brasileiro

Publicado  


O Santástico de Dorival Jr. passou muito tempo jogando contra grandes times com até mesmo um volante e um time repleto de jovens. Rápido, agressivo e ambicioso encantou o futebol brasileiro e já naquela época nos fazia sonhar com um confronto com o absoluto Barcelona.

Veio uma crise mal administrada pela diretoria alvinegra, o técnico caiu e o Santos demorou a se reencontrar. Na Copa Santander Libertadores jogou mal demais com Adílson Batista e foi substituído por Muricy e seus esquemas, delírio dos comentaristas de resultados, aficcionados por misturar análises de caráter e placares com de futebol.

O Santástico deixou de existir e com ele veio um time covarde, omisso e absolutamente incapaz de tomar a iniciativa do jogo. Mas contava com o maior craque de uma geração: Neymar. Foi o camisa 11 que desequilibrou a competição e trouxe a taça para a Vila Belmiro jogando quase sozinho no ataque enquanto Ganso se perdia entre confusões e polêmicas e seus dez companheiros se preocupavam em defender. Bico pra frente e bola pra Neymar. Bastou no primeiro semestre.

É possível que o Santástico perdesse a CSL2011, mas também poderia vencer e encantar a américa. Hoje, faria um duelo muito mais disputado porque era um time que buscava a iniciativa do jogo. Enfim, aquele Santos nos daria o duelo que esperávamos, mas o alvinegro praiano optou pelo caminho mais fácil do resultado para conquistar a Copa Santander Libertadores. Demorou, mas a fatura chegou e o Barcelona cobrou. Com todas as lágrimas que Neymar vai chorar, foi o melhor para o futebol brasileiro.

Rodrigo Caetano fará falta

Publicado  sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


Todo mundo que subestima o trabalho do Rodrigo Caetano vai ter a chance de assumir seu erro em 2012 com o ano que o Vasco fará. Ao invés de se manterem no topo, há grandes chances que terão um ano oscilante igual a 2010 - quando perderam o técnico Dorival Junior. 

Muita gente só vê os problemas do Vasco na gestão de Caetano e ignora os acertos. Em três anos ele quase fez o Vasco campeão brasileiro, estadual e da Copa do Brasil (foi o único clube que chegou com chances de título ao final das três competições, conquistando um). Com Kléber Leite, o Flamengo levou quase quatro anos para ter um brasileiro frustrante como foi em 2008 e com uma arrecadação bem maior. 

É claro, o Vasco é o Vasco. E não o Barcelona ou um gigante europeu. O projeto de Caetano tinha vários defeitos até por questões políticas. O diretor passou três anos reclamando da divisão de base que Roberto Dinamite entregou a aliados políticos. Saiu,entre outras coisas, por isso e em fóruns vascaínos ainda dizem que a culpa das divisões de base vascaínas estarem em sua pior fase em décadas é dele.

Eu aposto que em 2012 o Vasco vai piorar e muito, a não ser que o Dinamite consiga encontrar um substituto rapidamente. Em 2010 penou e só achou um técnico que emplacasse no segundo semestre. E começou este ano daquele jeito...

2014: Copa do Legado ou do Negado?

Publicado  segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Indispensável ler a reportagem da Agência Pública a respeito da Copa do Mundo de 2014. 2092 pessoas perderam seu lar para que empreiteiras, políticos e sei lá mais quem lucre com um evento que não é mais nosso (Se é que algum dia foi). Cada brasileiro tem obrigação de ler a matéria da agência de jornalismo investigativo e o dossiê sobre as desapropriações feito por comitês populares.

Entre outras barbaridades, o documento prevê mais de quinze mil pessoas atingidas em algum grau pelas obras. A Copa do Mundo é nossa?

Perder Ronaldinho não é bom para o Flamengo

Publicado  quinta-feira, 24 de novembro de 2011



Final da Copa do Brasil de 1997. O Flamengo consegue um resultado que lhe dá o título com gols do baixinho Romário, mas a pressão do Grêmio é insuportável. O camisa 11 não ajuda na marcação, segue com sua movimentação fria esperando a bola no pé para resolver o jogo. A bola vem, mas não para o baixinho e sim para Carlos Miguel. O Grêmio é campeão da Copa do Brasil.

Na saída do estádio, torcedores criticam a falta de gana de Romário. O comparam a Zico. Exigem raça. "Se ele corresse mais, teríamos levado". Pedem sua saída pois sem ele, o Flamengo terá um time com onze guerreiros. Seu desejo será atendido. Romário sairá do Flamengo, que irá conquistar três estaduais e uma Mercosul, enquanto o "artilheiro de chute oblíquo e dissimulado" conseguirá a mesma taça internacional em uma final épica, um brasileiro de 2000 em altíssimo nível e vai valorizar demais a camisa cruzmaltina. O Flamengo levará mais nove anos para obter este título.

O caso acima me foi lembrado pelo leitor Bruno BCB, ilustra bem a atual fase do Flamengo. Torcedores já esqueceram de seus gols e momentos de brilho e pedem que o camisa dez seja regular, raçudo, líder e que tenha mais personalidade. Pedem um Ronaldinho que nunca existiu.

Sem Ronaldinho, o Flamengo continuará sendo um clube em ebulição política, com uma torcida tão capaz de levar nas costas quanto de destruir implacavelmente e conviverá com dirigentes pífios como Patrícia Amorim. Esses problemas explicam muito mais a oscilação do Flamengo.

O que o rubro-negro precisa fazer é aproveitar o jogador de passe único, capaz de dribles imprevisíveis e com precisão na finalização, mas sem depender exclusivamente dele. Romário e Ronaldinho jamais seriam ícones como o Galinho ou o Maestro Junior, mas podem complementar o brilho de grandes times. Resta ao Flamengo a competência de montar uma equipe com jogadores capazes de correr,  resolver e aproveitar um talento único em campo. Caso contrário, a torcida pode viver o gosto amargo de continuar sem vitórias e vendo um possível ídolo brilhando em outro lugar. Já imaginaram Ronaldinho campeão da libertadores pelo Corinthians ou vencendo um brasileiro pelo Fluminense, por exemplo?

Adriano ainda está devendo. E muito!

Publicado  domingo, 20 de novembro de 2011





Para os comentaristas de resultado, o placar é o argumento definitivo e o futebol um detalhe desnecessário. Esses adeptos do casuísmo mudam ao sabor do som do torcedor, do flashe da câmera e do drible improvável. Esqueça compromisso com a opinião, sua obrigação é apenas justificar suas obviedades. Hoje, muitos deles encontraram em Adriano sua nova defesa do óbvio.

Não, eu não acho que todo mundo que disse que Adriano pagou seus salários é assim. Há pessoas que defendem o Imperador desde que ele se contundiu - pela terceira ou quarta vez em dois anos - e elas assumem sua opinião. Mas há aquelas que enchem a boca para exigir profissionalismo dos clubes, lançam toda sorte de maldades sobre a forma física de jogadores como o próprio Adriano e hoje já falam que o boleiro - não dá para chamá-lo de atleta -  justificou o seu salário.

Adriano ainda deve e muito para a torcida do Corinthians. Seu gol importantíssimo deixou o Timão na liderança há dois jogos do fim do Brasileiro, mas não compensa todas as rodadas que deixou o alvinegro na mão. Há quantos jogos os corintianos não poderiam estar mais tranquilos com seu talento? Quantos momentos decisivos o time do Parque São Jorge não perdeu por não contar com seu jogador tecnicamente mais qualificado?

Não é razoável ver um campeonato de pontos corridos apenas pelas rodadas finais. Adriano não participou do grande momento do Corinthians no campeonato e não foi sequer capaz de ajudar no pior momento da equipe. A dívida é tão grande que apesar do gol ele se apresenta com a velha barriguinha e um quadril incompatível para um atleta do Corinthians. Mesmo que marque um gol por rodada até o fim do campeonato, só irá amenizar seu débito. E os comentaristas e torcedores devem ter isso em mente para cobrar o jogador até o fim de seu contrato ou será fácil receber por doze meses e render menos da metade.

Mais uma vez é indispensável lembrar: há quem sempre tenha defendido Adriano como uma vítima de azar - argumento que discordo já que suas lesões são compatíveis com a vida incompatível para um atleta que ele leva - entre outras coisas. Quem sempre defendeu o jogador, ganhou mais um argumento. Quem sempre defende o resultado ganhou mais uma patética bandeira para falar sem conteúdo. Meu compromisso é com o futebol e não somente com o placar.

Jênio do Dia: Paulo Odone

Publicado  segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Acho que ele vem"




Paulo Odone, presidente do Grêmio, que ainda culpa Ronaldinho Gaúcho pelas caixas de som no Olímpico, mas confia em Kléber Gladiador. Todo castigo é pouco.

Jorginho ainda tem muito a provar

Publicado  domingo, 13 de novembro de 2011


O Figueirense é a grande surpresa do campeonato. Em uma arrancada extraordinária chega a menos de cinco rodadas do fim do Brasileiro com chances reais de obter um título inédito para o time catarinense. Boa parte desse mérito vem para o excelente trabalho tático do técnico Jorginho.

O ex-auxiliar de Dunga montou um coletivo de ex-jogadores de outros clubes da série A e jovens atletas em um 4-4-2 (ou 4-2-2-2 se preferirem) muito consolidado. Os jogadores deixam pouco espaço na defesa e atacam muito rápido. Quando o nome mais conhecido talvez seja o de Túlio (ex-Botafogo) não dá para negar que Jorginho é o grande responsável pela campanha. Daí, vemos pedidos exagerados de que ele já é uma realidade e que daria certo em qualquer clube grande.

Jorginho está na mesma colocação que técnicos como Silas e Caio Jr. já ocuparam com Avaí e Paraná, respectivamente. As (poucas) conquistas de ambos depois que foram para outros clubes grandes mostra o tamanho da precipitação. Em clubes pequenos há mais dificuldades, mas há também menos vaidade e, em clubes como o Avaí e Figueirense, a infraestrutura é melhor do que em muitos clubes grandes.

Se Jorginho tiver sua chance em um time de grande expressão vai enfrentar jogadores com salários e egos maiores, um número maior de conselheiros-síndicos e, acima de tudo, muito mais pressão. É nesse cenário que ele provará que é capaz de se adaptar a elencos mais heterogêneos em técnica, vontade e humildade do que o Figueirense. Ele tem um trabalho tão promissor quanto o que demonstrou no América e vai dando pinta de que pode ser uma boa novidade. Mas ainda é muito cedo para transformá-lo em uma realidade para grandes times.





Romário é rei!

Publicado  terça-feira, 8 de novembro de 2011



Vivemos em um país onde o relacionamento e o voto viram armas para tráfico de influência onde cada político não costuma brigar por interesses ideológicos ou da sociedade. Almejam cargos e afins pelo poder e não pelas mudanças sociais que podem obter. Em época de Copa do Mundo a coisa piora. Sabemos que ela vai resolver a vida de muita gente, exceto a da maioria dos brasileiros.

E é em um país assim com uma política dessas, que temos Romário ensinando ao Brasil o que esperar de um estadista. Falo muito que nada de bom vem da mistura entre política e futebol, mas ele é a exceção que confirma a regra.

O eterno camisa onze recebeu seus votos pelo que fez em campo, mas os elogios são pela defesa dos interesses do povo brasileiro e não de A ou B. Sempre achei que Romário foi melhor que Ronaldo, embora boa parte da imprensa paulista insista que não. O fenômeno foi mais midiático, mas o baixinho caminha para ser melhor também fora dos campos.

Caio Jr. & Cuca: no divã

Publicado  domingo, 6 de novembro de 2011






O primeiro já disse publicamente que gosta de armar times começando pelo ataque. Teve um mês brilhante no Flamengo em 2008 e repetiu o brilho com o Botafogo em boa parte do Brasileiro esse ano. Já o segundo leva vantagem não só por ter títulos para chamar de seus como também por ter ajudado a montar o São Paulo campeão mundial - de onde saiu por vontade própria - e diversos times competitivos com bem menos investimento. Cuca ainda conseguiu um milagre ao salvar o Fluminense de um rebaixamento iminente em 2009 e vai fazendo o mesmo pelo Galo esse ano.

Por motivos diferentes, os dois patinam e patinam mas não emplacam suas carreiras. Caio jr. deu um tempo de Brasil, passou pelo Japão e depois pelo Oriente Médio e voltou para repetir os momentos hesitantes e de invencionices táticas no alvinegro. Começa a culpar os jogadores, a torcida... Sem olhar para si mesmo e perceber que é ele quem hesita, é ele quem inventa. O Botafogo corre o risco de ser o único carioca a não estar na Copa Santander Libertadores.

Cuca não deu tempo. Assimilou um trabalho após o outro, teve uma péssima passagem pelo Santos, mas parecia ter encontrado seu caminho no Cruzeiro líder da CSL e vice-campeão brasileiro. Não conseguiu. Os ótimos trabalhos, nem sempre premiados com títulos, permanecem ofuscados pelo seu desequilíbrio na reta final que passa ao elenco sempre tenso, preocupado e com aquela tristeza inconsolável em campo.

Tanto Cuca quanto Caio Jr. precisam entender que o problema está neles. Brilhantes em esquemas táticos e muitas vezes capazes de conversar com jogadores, precisam superar suas hesitações e desequilíbrios. Na era dos pontos corridos, o futebol premia os equilibrados.

Exagerado do dia: Caio Jr.

Publicado  sábado, 5 de novembro de 2011

"Acho que o jogo foi dentro do previsto. O Figueirense é um adversário veloz, joga no contra-ataque. Era para ser um placar apertado mesmo. O fator gol no início foi decisivo. Foi um gol atípico e nós sentimos. Finalizamos muito mais, mas se criou um clima tenso, normal para uma torcida que não ganha um Brasileiro há 16 anos. O nervosismo foi para dentro do campo, mas depois houve uma reação positiva, o time tentou sempre o gol, que não saiu."

Caio Jr., técnico do Botafogo, que tirou um atacante para pôr mais um volante e adiantou o excelente volante Renato para usá-lo como um meia normal. A bola pune.

A entrevista de Kajuru com Zico

Publicado  quinta-feira, 27 de outubro de 2011



Nunca fui fã de Jorge Kajuru, mesmo no seu auge da comunicação no início da década passada. Mas deixando as críticas ao cara de lado, o vídeo acima é uma possibilidade de Zico poder falar de muita coisa que anda errada lá na Gávea. Boa parte delas a gente evita comentar porque, convenhamos, não é um assunto que a gente goste. Mas é um assunto que o Flamengo precisa.

Atenção nos 33 min e em especial aos 35 min quando o maior ídolo do Flamengo diz o óbvio - que precisa ser explicado a algumas pessoas: que não precisa pedir permissão para falar do clube.

"O Vanderlei pode recuperar a relação com você"
Zico: "Todo mundo pode".

"E a Patrícia?"
Zico: "Acho difícil".

Ninguém precisa dizer "amém" para o que Zico - repito, o maior ídolo que o clube já teve - diz. Mas respeito é o mínimo. Pena que seja artigo em falta para muita gente da Gávea. Tristes tempos em que quem fez em campo precisa pedir "licença" para quem sempre fez tão pouco fora dele.

Jênio do dia: Ronaldo

Publicado  sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"Passei um grande tempo na Europa. Quando voltei, escolhi a cidade onde queria morar, o time onde ia jogar e o jornal que iria ler"

Ronaldo Fenômeno, no comercial do jornal Diário da Tarde, confirmando, enfim, que optou pelo Corinthians e não pelo Flamengo por sua vontade.

Assista Andrew Jennings falando sobre a Fifa!

Publicado  terça-feira, 18 de outubro de 2011



O vídeo mostra um evento da Publica, agência independente de jornalismo investigativo. Vale a pena ouvir o que o repórter inglês fala.

Gols de Ronaldinho no Brasileiro 2011

Publicado  terça-feira, 27 de setembro de 2011



É algo mágico ter de volta ao Brasil um jogador como Ronaldinho Gaúcho no Brasil. Faça um favor a você mesmo e confira alguns gols desse retorno até aqui.

Brasileiro 2011 consolida projetos

Publicado  segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Desde que os pontos corridos começaram a promessa sempre foi de obrigar os clubes brasileiros a se organizarem. Embora no início do formato muito se tenha discutido a respeito a supremacia do São Paulo, de longe o mais estruturado do Brasil, entre 2006 e 2008 pareceu confirmar o que este ano consolida. Os times que estão melhores posicionados começaram seus projetos não no início do ano, mas há três anos.

Repare que a liderança do Vasco não começa esse ano, mas vem de 2008 com a chegada do diretor Rodrigo Caetano e a reformulação de todo departamento de futebol que culminou com uma ascenção que chega ao seu clímax este ano. Da mesma forma, o Botafogo, há tempos com o melhor presidente de um clube carioca, iniciou sua campanha com a chegada de Maurício Assunção. O dentista e cartola encontrou um clube sem elenco e em seu primeiro ano repetiu o vice-campeonato da decepcionante gestão Bebeto de Freitas e mantendo uma média de deixar os técnicos completarem ao menos um ano de trabalho colhe os frutos com o melhor futebol do campeonato brasileiro.

O Corinthians é que atravessa o maior ciclo, culminando com a gestão Sanchez que também começou quase em 2008 - na verdade, André Sanchez chegou em 2007 tarde demais para impedir o rebaixamento do alvinegro - e que vem em alto nível desde 2009. O Timão superou a aposentadoria de Ronaldo, a saída de Mano Menezes e mesmo assim ainda busca um título de impacto após as duas eliminações na Copa Santander Libertadores e a perda do Brasileiro de 2010.

Atrás dos três o Palmeiras oscila demais embora Felipão tenha um ano no cargo, mas o alviverde sempre brigou posições acima. Assim como o Flamengo e Fluminense, que começaram seus trabalhos praticamente esse ano. Não vejo a imprensa esportiva fazer essa ressalva quando comenta a oscilação desses times e é justo ver que o torcedor também não. Mas seria bom que se comentasse. Os três times podem crescer nos próximos anos se Felipão, Luxemburgo e Abel (talvez o único que não seja o "manager" do projeto) tiverem chance de completarem esse ciclo.

Será que o torcedor vai jogar junto?

Gestão Patrícia Amorim também tem seus acertos

Publicado  domingo, 25 de setembro de 2011

Todos que lêem este blog sabe o que penso da gestão Patrícia Amorim, mas é preciso colocar algumas coisas em perspectiva. Especialmente seus acertos. Se erra em muitas coisas que não discutirei aqui, pode inaugurar uma era de mudanças em alguns pontos problemáticos na história do Flamengo.

Em primeiro lugar, a presidente promete - e precisa cumprir antes que se aplauda - a construção do Centro de Treinamento do clube. Depois de anos em que isso foi colocado de lado - Kléber Leite chegou a dizer uma vez que ninguém teria problemas em dormir em um hotel fretado pelo clube - parece que a comissão técnica e a direção estão comprometidos com o tema.

Ao contrário do que boa parte dos torcedores pensa um CT é imprescindível para clubes de ponta. A instalação consegue recuperar jogadores mais rápido, otimizar seu descanso - há pouco tempo os jogadores do clube passavam a tarde em um shopping quando o treino era integral sujeitos a outro cardápio, encontro com qualquer pessoa fora do clube, etc - e afasta os jogadores da agitada vida política do quadro social do clube.

E Patrícia parece determinada a não demitir Vanderlei Luxemburgo, inaugurando uma nova era na forma do clube enxergar os trabalhos. Por 17 anos - e até antes - o Flamengo atendeu os pedidos da torcida e demitiu técnicos inaugurando um longo jejum de títulos. O resultado é que Paulo Autuori e Abel venceram a Copa Santander Libertadores em outros clubes e o próprio Luxemburgo criou uma hegemonia de Brasileiros longe da Gávea, que parou em 92.

Alguns torcedores lembram que o hexacampeonato só veio após uma demissão de técnico, o que é verdade. Mas é também uma exceção na inflexível regra que a cada demissão o trabalho recomeça e o clube perde espaço para clubes que enxergam a longo prazo. Perceba que agora o Flamengo disputa e perde para times que começaram seu trabalho, com técnicos ou diretores, há mais tempo enquanto o rubro-negro mudou sua proposta de futebol três vezes apenas em 2010 (quando Marco Braz, Zico e Luxemburgo estiveram a frente do departamento). Além disso, apenas duas vezes demissões de técnicos culminaram em títulos, mas já desencaderam uma luta inglória pela permanência na série A.

Ao manter o técnico, Patrícia pode ensinar a outras gestões a enxergar mais longe do que o imediatismo. Boa parte dos problemas que o rubro-negro enfrentou em 2010 vieram da saída de Cuca, que pretendia formar um elenco jovem. Luxemburgo, aos trancos e barrancos, tenta encontrar um time novo para a liderança de Ronaldinho Gaúcho. Seja qual for o resultado do ano, o Flamengo pode melhorar a partir daí por um longo período ao invés de viver de lampejos.

Ceni demonstra porque é ídolo de um clube apenas

Publicado  domingo, 11 de setembro de 2011

Rogério é um goleiro muito melhor do que a maioria dos torcedores de clubes rivais gosta de admitir. Sem brilhantismo, é um atleta com poucos ou nenhum defeito para a posição. Boa estatura, reflexos, agilidade, saídas de gol e preciso com a bola nos pés, ajudando a redefinir o posicionamento de um bom goleiro.

Na semana em que atingiu a épica e assustadora marca de mil jogos pelo seu clube, Rogério também demonstrou porque um goleiro em tão alto nível jamais foi um ídolo nacional. Ao comentar a derrota para o Grêmio, Ceni mostrou um ponto em comum em sua carreira: a de agir como um torcedor do São Paulo e não como um atleta do clube. Talvez mais do que apaixonado, o goleiro age até como um dirigente afirmando que o tricolor paulista não será campeão por perseguição da arbitragem. Foi algum juiz que fez Luiz Fabiano se machucar? Alguma arbitragem fez Lucas jogar mal tantas rodadas? É patético.

É ponto comum dos cartolas tricolores questionarem a legalidade quando perdem e exaltarem seu planejamento quando vencem. Não são os únicos, mas é um costume detestável em um clube que deveria assumir seu papel de líder do futebol brasileiro. É curioso notar que ao desrespeitarem regularmente o momento positivo de outros clubes São Paulo e Ceni podem ter agradado à sua torcida, mas perderam a chance de representar algo mais para todo mundo que gosta de futebol.

Após derrota incontestável, Fla precisa mudar

Publicado  sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Flamengo tem chances matemáticas de brigar pelo título, mas sem dúvida muito atrás de outros times que não estão só a frente (como o São Paulo), mas que jogam melhor (como o Botafogo e o próprio Corinthians). Ao contrário de outros jogos não vi ninguém de sacanagem. Vi burrice (Willians cabeceando para o meio da área, Gustavo dando motivo para ganhar um gancho do STJD, por exemplo) e vi incompetência. Muita.

O rubro-negro chegou hoje ao jogo sem três titulares (Airton, Luiz Antonio e Alex Silva) e um reserva importante (Jael), mas o que tem sido mais decisivo é a má fase. Thiago Neves hoje correu, chutou duas bolas perigosas e... Só. Léo Moura enfrentou um ala que jogava de lateral, mas mal apoiou. E, por fim, Bottinelli entrou para armar e fez Ronaldinho recuar porque o argentino nada fez. Você soma e são cinco desfalques e três jogando mal. Não há time que resista. Aliás, oito jogadores dá quase um time.

Um jogador mal é má fase, dois é azar e três é muito azar. O Flamengo tem três titulares, alguns reservas jogando mal... Não existe má fase coletiva. Tem algo errado aí.

A rigor, hoje o Flamengo se defendeu bem enquanto teve Maldonado, mas nunca esteve bem no ataque. Fez o primeiro gol em falha da defesa corintiana. O chileno em campo segurou as pontas, fechou bem o meio atrapalhando e muito o meia Alex. Mas Maldonado vinha de meses sem ritmo e cansou. Entrou Muralha, totalmente perdido em campo, e que forçou Willians a recuar para a posição de primeiro volante. Tendo que se posicionar ao invés de correr, o pitbull se perde. Corre sem direção, toca para qualquer lugar.

Com a saída de Maldonado, Fla parou de defender bem e a virada era inevitável. Erros de Luxemburgo? Era melhor recuar Ronaldinho e colocar Negueba no lugar de Thiago Neves. Fierro entrou porque não havia volantes e pelo que entendi W8 estava machucado. Não havia muitas opções. O técnico deve ser cobrado, mas a culpa não é só dele e tem muitos jogadores devendo.

O que fica é isso: se os que jogam mal, fizessem o que deveriam, Fla não teria perdido hoje. Pior é ver que Luxemburgo tem poucas opções para mexer. Galhardo é imaturo e era terceira opção como lateral na sub-20, Bottinelli nunca se firmou e Negueba voltou mal da seleção.

Talvez o que reste ao Fla seja apenas buscar a libertadores. Menos pelo trabalho do técnico e mais pela irregularidade de alguns jogadores.

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Mais do que a derrota, preocupa o discurso pessimista dos jogadores. Matematicamente, o título é totalmente possível. Em 2009, por exemplo, Fla tinha 30 pontos. Hoje, tem 36.

Não dá para entender tantos jogadores já falando em libertadores. Domingo tem outra decisão.

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Embora Luxemburgo não seja o maior culpado, não há como negar: Tite foi superior esta noite. Seu time sempre atacou mais e foi mais consistente, equilibrando defesa e ataque de uma forma surpreendente quase em todos os 90 minutos.

É muito injusto cogitarem sua demissão e não lhe elogiarem. O Corinthians venceu porque foi taticamente muito superior e impediu que a superioridade técnica de Thiago Neves e Ronaldinho aparecesse. Méritos do comandante gaúcho, cada vez mais favorito ao título brasileiro.

Precisamos de mais e demais de Dr. Sócrates!

Publicado  terça-feira, 6 de setembro de 2011

Internado no hospital, o Dr. Sócrates inspira cuidados e preocupa. Não falta quem torça para que ele saia com saúde dessa, movimento talvez próximo do número de pessoas que torceu por ele em campo, com a camisa da seleção brasileira ou do timão. Como meia, inigualável e como ídolo, imprescindível.

Porque falar de Sócrates é falar sobre um jogador que comentava e lutava pelo fim da ditadura militar sem temer as consequências disso. Brigou pela democracia e talvez poucas vezes um jogador tenha se doado tanto pelo seu Brasil. Em tempos onde o torcedor sorri com derrotas da seleção, é fundamental lembrar sempre do eterno magrão e seu orgulho em lutar pelo melhor para terras tupiniquins.

Precisamos de mais exemplos e na nossa geração de egoístas isso é cada vez mais difícil. Não é só dos comentários e da sobrevivência de Sócrates que dependemos, mas também de seu exemplo. Necessitamos demais dele. Força, Sócrates.

Ex-vice do Inter confirma factóide Fernandão

Publicado  quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em entrevista ao Sul 21, Roberto Siegmann, ex-vice de futebol do Internacional, fala sobre vários temas espinhosos. Vale a pena ler sua visão sobre o futebol e a mudança de rumos do grupo político que reergueu o colocado, após décadas de pequenez. Me chamou a atenção porém a opinião do ex-dirigente sobre a contratação do ídolo Fernandão para diretor, ação que sempre me pareceu um factóide para compensar o desgate da demissão do ídolo-mor Falcão. Os grifos são meus:

Sul21 – O que o senhor acha da presença do Fernandão como diretor técnico?

Roberto Siegmann – Acho trágica. Há uma cultura de idolatria no Internacional. Tudo o que voltar a 2005-2006 é uma maravilha. Vários jogadores foram contratados – Renan, Tinga, Bolívar, Sóbis – no anopassado, na mesma ideia do De Volta para o Futuro I, II, III, etc. O futebol está aí para nos desafiar, para que inventemos novos modelos e posturas, não para a gente ficar se repetindo. No imaginário do presidente, ele pensava em alguém que pudesse discutir a escalação com o treinador, interferir na contratação de jogadores e tivesse uma boa relação com eles. Nós já temos o Fábio Mahseredjian, o Élio Caravetta (preparadores físicos) e mais duzentas pessoas que têm relação com os jogadores. Não precisa mais gente. Sobre discutir a escalação: nenhum técnico com quem eu já tenha trabalhado que admita uma pessoa como o Fernandão dando pitacos sobre escalação. Até é admitida a intromissão de um dirigente quando as coisas estão ruins, mas de um ex-jogador que recém se aposentou? Nenhum treinador reconhecerá e admitirá a legitimidade nesta figura. O Inter, então, criou um monstro.

Sul21 – Então o Dorival Junior não aceitará o Fernandão?

Roberto Siegmann – Claro que não. Eles terão problemas a não ser que o Fernandão aceite ficar fazendo nada. Se ele ficar numa zona de come-dorme, pode ser que funcione.

Sul21 – O Fernandão não é burro…

Roberto Siegmann – Mas, olha só, o Celso Roth não falaria com o Fernandão, tenho certeza. Fossatti e Falcão idem. O Chumbinho ainda tinha uma função de infra-estrutura, logística e nas contratações, o Fernandão é jogador de futebol. Qual é sua experiência com contratos? Ele vai analisá-los? Sua presença só pode ser explicada pela necessidade de substituir o Falcão por outro ídolo para amenizar a insatisfação da torcida. Mas que ele não terá função, eu tenho toda a certeza.

O grupo de Fernando Carvalho fez de um clube então quase irrelevante no cenário nacional em uma potência sul-americana e papa-títulos internacionais. Como todo partido político, lentamente dá sinais de estagnação e dificuldades em abrir mão do poder e de conduzir o clube para seguir inovando. É uma pena. O uso de ídolos para acalmar a torcida e disfarçar crises internas nunca acaba bem.

Vale lembrar que sempre torci pela vitória de Falcão no Beira-Rio e fiquei muito feliz com a sua conquista do Gauchão. Curiosamente, a demissão do técnico parece ter começado quando o rival Grêmio contratou seu assistente, Julinho Camargo. Rumores indicam que Julinho era o responsável pelos treinamentos no campo que traduziriam o que Falcão queria. Sua saída acabou sendo ruim tanto para o Colorado quanto para o Imortal. Ao menos, o técnico conseguiu seu primeiro título. Que tenha sorte em outros times.

Anderson Silva precisa se decidir

Publicado  segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Você não pode reclamar da poluição se não se preocupa com o seu lixo e não tem condições de falar do trânsito se usa carro todos os dias da semana. São conceitos simples. Não podemos reclamar das consequências de ações que começamos.

Penso isso ao ler esta entrevista de Anderson Silva, chocado com as vaias que recebeu no UFC Rio. Vale o destaque:

Não é o time em si, é a combinação dos clubes estarem apoiando o esporte. Isso pode levar uma nova referência do esporte às crianças. A gente pode e consegue mudar muita coisa no nosso país. Não estamos aqui para defender a camisa de um time, mas para defender a bandeira do Brasil e buscar um futuro melhor pro MMA. Esse negócio de torcer contra e vaiar não é o caminho. Provamos hoje que o Brasil é uma potência do MMA.
Muito bem, Anderson. Seja bem vindo à paixão do futebol brasileiro onde queremos que a seleção jogue bonito e vença, mas no brasileiro vemos apenas o placar. As coisas são assim. Você assumiu a camisa do seu clube de coração, que não é visto com simpatia na cidade que deve sediar os próximos eventos. Não estranhe as vaias. Foi você que optou por defender um clube, quando poderia ser um ídolo nacional. Ainda dá tempo de mudar.

Como já disse antes: nada de bom para o UFC virá dessa união clubes - lutadores.

UFC & clubes de futebol: nada a ver!

Publicado  sábado, 27 de agosto de 2011

Minotauro tinha tudo para perder. Em um desses momentos mágicos que só o esporte nos proporciona encaixa uma série de golpes e derrota um adversário que parecia fisicamente superior. A platéia delira. Emocionado, o herói puxa uma bandeira brasileira. Verde, amarelo e o logo do Internacional Sport club aparecem. Imagine o que gremistas e torcedores do Corinthians (segunda maior torcida do Brasil e que têm uma rivalidade com o clube gaúcho por conta do polêmico torneio de 2005) devem ter pensado.

Nada de bom virá para o UFC dessa união com clubes de futebol. Estamos perdendo a chance de formar toda uma nova legião de torcedores e apaixonados por outro esporte em busca de soluções fáceis e que só interessam a instituições que já lucram bastante com seu esporte. O país da bola tem proporções continentais que nos obrigam a olhar para outros esportes e dar a eles chances que ao menos lembrem o que qualquer reserva de um time da série A consegue. Não vamos conseguir isso transformando gente como Anderson Silva de um ídolo nacional - talvez só comparável à Ayrton Senna - em um herói regional, clubístico e de uma só torcida.

Quando Ronaldo trouxe "O Aranha" para a carteira clientes de sua empresa, não se preocupou com a formação do esporte no Brasil. Além de explorar a imagem do maior lutador do mundo talvez buscasse valorizar a marca Corinthians, o que é seu dever como ídolo e parceiro do clube. A questão toda é se o Brasil precisa criar admiradores e fãs de um novo esporte ou levar uma rivalidade, que liga cada vez menos para o esporte e mais para resultados, à possível nova paixão nacional.

Será que a Fórmula 1 seria o que é no Brasil se Emerson Fittipaldi corresse com o uniforme do time que você mais odeia? Será mesmo que nenhum esporte pode ganhar torcida no Brasil sem ser ligado aos clubes de futebol?

É disso que o basquete brasileiro precisa?

Publicado  domingo, 21 de agosto de 2011

Kobe Bryant passou a ocupar o noticiário esportivo do Brasil com a possibilidade de atuar no Brasil. Torcedores multiplicam os boatos nas redes sociais e rezam para que o sonho de ver um jogador desse nível por aqui. E será que é isso mesmo que precisamos?

Pode ser que amanhã venha Kobe e quem sabe outros jogadores da NBA, nos deslumbrem com seu nível muito acima do nosso e, vá lá, atraiam novos torcedores até o fim do locaute nos EUA. Mas e depois? O que vão deixar aqui além de gente frustrada com a qualidade que realmente temos ao invés do sonho que teremos por alguns meses?

O basquete brasileiro completa uma década na mais absoluta irrelevância no cenário mundial. Perdeu espaço para o vôlei e não duvido que algum dia até o handebol tenha mais adeptos. O que o esporte precisa é um trabalho de base que forme mais gente que pratique e, principalmente, goste do esporte. Precisamos sim de ídolos, mas também que mais brasileiros se identifiquem com termos como cesta de três pontos.

E não deixa de ser perturbador ver que esse processo começa com um jogador que disse não à seleção brasileira. Será mesmo que é de mais Leandrinhos, brasileiros ou não, que o basquete precisa?

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Para quê um jogador norte-americano gostaria de vir jogar no Brasil? O Rio de Janeiro é assim tão mais lindo do que a Califórnia? Talvez. De qualquer jeito, não deixa de ser intrigante ver o que Leandrinho destaca como motivação para Steve Nash e outros basqueteiros:

Assim que saiu, ele (Nash) me passou uma mensagem dizendo que quer estar junto também, sabendo que o Ronaldinho está aqui, que o futebol é muito forte no Brasil. Não só ele, como outros jogadores. Recebi uns três ou quatro telefonemas (de jogadores) que também queriam vir para o Brasil. Os jogadores que são solteiros lá gostam muito do clima brasileiro, das praias, das mulheres.
Ou seja, venham para o Brasil, passem a mão em muitas bundas e joguem basquete. Depois vocês se vão e nós ficamos com o de sempre.

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Se há uma hipótese remota do Flamengo e outros clubes brasileiros terem Leandrinho ou outros jogadores da NBA, que tentem e busquem. O ganho de marketing que isso representa é incomensurável. Não sei se é algo viável, mas se for, é obrigação tentarem.

Só não me digam que isso vai mudar os rumos do basquete brasileiro. Não vai.

O futebol é dos meninos

Publicado  sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O futebol é pródigo em tornar homens em meninos. O sorriso cínico de um adulto em um choro emocionado de criança. A cada gol bendito, uma lágrima porque cada lembrança é feito o brinquedo favorito que você nunca joga fora.

E o porquê em cada choro não se explica nas instruções da caixa. Cada soluço é um obrigado aos heróis por aquela memória confusa. Confusão porque as lembranças se misturam, se completam e se fortalecem. Onde você estava, quem você era e de quem foi o gol? É o eterno pique-futebol: quem lembra mais, ganha. Mas o jogo dura mais do que 90 minutos.

E a cada emoção, mais choro. Os amigos queridos da infância, os sonhos perdidos dos meninos e os acasos inexplicáveis que insistimos em encontrar respostas: "foi a camisa" ou os clichês: "futebol é uma caixa de surpresas". Adultos sempre acham que têm respostas, crianças sempre sabem que têm perguntas.

As vezes, o chorar não é só obrigado. Quem sabe, a emoção não seja também uma resposta? E, sendo assim, obrigado, Lê. De um menino para outro.

Caso Fred expõe extremos de um debate cinza

Publicado  segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Se foram 60 ou 27 caipisaquês, pouco importa. Não são os torcedores que bancam os fiscais da noite ou mesmo as acusações previsíveis - e bem contestáveis - contra o jornalista Caio Barbosa que deveriam ser o foco das discussões que a situação trouxe. O debate é outro. A vida pessoal de jogadores interessa ou não?

A resposta correta é o bom e velho bordão do Seu Madruga: pode ser que sim, pode ser que não. O mais provável é... Quem sabe?

Jogador tem direito de fazer o que quiser na vida pessoal e volta e meia há exageros. Adriano teve toda sorte de perversões convertidas em informação pública. Mesmo que suas orgias afetassem seu rendimento, não é de interesse público saber quais brinquedos ou brincadeiras o jogador preferia. É um exemplo dos erros do assim batizado jornalismo-manja, termo que vi pela primeira vez nas colunas do brilhante Lucio de Castro.

Por outro lado, a função do jornalismo é responder as perguntas que ninguém consegue sozinho. Fred apareceu de forma arrebatadora no Cruzeiro, jogou uma Copa em que muita gente boa acha que ele jogou pouco apesar da concorrência com Adriano e Ronaldo e de repente... Sumiu. Atuações irregulares na Europa e uma volta ao futebol brasileiro marcada por gols e contusões. Muitas contusões.

Se o futebol contemporâneo exige um esforço atlético dos músculos me parece óbvio que jogadores que não dormem o bastante e nem se alimentam corretamente, não cumprem suas obrigações. Ou será que existe alguma dúvida de que a época onde um Garrincha poderia beber e arrebentar no dia seguinte acabou?

Parece óbvio, mas tem quem insista que não é: quando a vida pessoal interfere no rendimento em campo, é interesse público. Não importa a nenhum torcedor quantas vezes seu atacante pulou a cerca e traiu a esposa, mas ele vai querer saber se aquele craque, cuja camisa pensa dar ao filho, gasta seu salário virando a noite e bebendo o bastante para não ter o rendimento de atleta.

Jornalista algum precisa gostar disso como é tedioso cobrir as sessões do STJD ou as eleições de conselhos de clubes de futebol. Mas para obter as respostas as vezes é bom saber da vida pessoal. Não há preto ou branco... É um debate em tons de cinza onde muitas vezes jornalistas errarão, mas espera-se, acertarão bem mais vezes e pedirão desculpas pelos seus excessos.

O único erro é imaginar que há uma única resposta pronta, binária e suprema.
Cada caso é um caso.

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Reparem, mesmo Mané sofreu muito na carreira pelos seus hábitos. Encerrou a carreira de forma precoce, bem abaixo do que poderia render. Já naquela época, o futebol exigia um condicionamento físico.

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Não há erro na cobertura que Fred "sofre". Se isso foi usado por gente má intencionada para motivar perseguições e ameaças, é outro papo. Prendam os criminosos e vida que segue. Se o atacante quer que lhe deixem em paz em suas folgas, que trate de cumprir o que deve fora delas.

Gols e bons jogos são o melhor álibi para Fred.

Estudar valeu a pena para uruguaios

Publicado  quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Já questionei por aqui nossa hipocrisia de exigir uma seleção que nos orgulhe como o Uruguai, quando não buscamos nosso caminho. E hoje é um bom dia para falar a pena com a blogagem coletiva #estudarvaleapena. Sim, porque se você não sabe a Celeste Olímpica reencontrou seu caminho aliando a educação ao esporte.

Oscar Tabarez percebeu que a raíz de todos os problemas do futebol uruguaio passavam pelas divisões de base - alguém aí reclamou da falta de atacantes e meias? - inclusive a falta de identificação dos jogadores com a seleção brasileira. E para começar o técnico mudou a filosofia da formação de seus jogadores.

O Uruguai hoje não forma apenas jogadores, mas homens e se preocupa que nenhum abandone a escola para se dedicar ao esporte. A longo prazo, poucos se tornarão jogadores e sabemos a estatística cruel que isso deixa: ex-atletas despreparados para a vida. A evasão escolar deixou de existir para a Celeste formar líderes conscientes de seu papel e importância.

Lucio de Castro foi quem escreveu bem: A Maior Revolução do Futebol Está no Uruguai. E isso se vê não apenas em cada drible que Lugano defende, mas também em cada entrevista que dá, demo nstrando um nível intelectual que envergonharia boa parte de nossos técnicos. O mesmo com Forlán, Loco Abreu e outros. O Uruguai nos ensina que o caminho para o esporte, passa pela escola. Porque o esporte depende de ídolos e esses só nascem quando formamos homens ao invés de abandonarmos nossos meninos. Quantas clubes de futebol por aqui exigem que seus garotos se formem no segundo grau?


Visite o Estudar Vale A Pena e participe da blogagem coletiva. Tomara que CBF e governo entendam que não há País do Futebol se nossos meninos não jogam bola durante o recreio escolar.

Loco: craque & ombudsman

Publicado  quarta-feira, 10 de agosto de 2011


Muito mito o cara dar esporro no repórter ao vivo. E foi merecido...

Lancenet vira jornal policial e "incrimina" Fla

Publicado  terça-feira, 9 de agosto de 2011


Não há nenhum interesse público no mundo dos esportes em saber as gírias entre traficantes e criminosos. Se o líder do Comando Vermelho prefere Ganso a Neymar é totalmente irrelevante em termos jornalísticos, mas seria ótimo para agitar torcidas rivais do rubro-negro em busca de material para gozações de baixo nível. Você sabe muito bem o que o caso Bruno trouxe à tona, pois bem, esta noite o Lancenet conseguiu reviver todo esse clima inadequado para a civilidade do pior jeito possível e da forma mais descenessária.

Uma nota sobre uma batida policial (??) informa que uma foto da cantora Amy Winehouse e do volante Willians se tornaram "rótulo" (??? Tem bula também???) de papelotes de drogas. Willians foi usado para diferenciar o crack da Cocaína. Não há nenhuma relevância jornalística nisso. Willians talvez seja pai de família, jamais foi pego no antidoping e nem manifestou ligações com traficantes. Da noite para o dia, o Lance! cria uma relação indevida, ainda que fictícia, para toda sorte de provocações de baixo nível e afeta a imagem do jogador. Ou alguém duvida que as piadas com a fonética do termo "craque" irão atravessar a semana?

Insatisfeito, reclamei da irresponsabilidade de uma nota dessas, que talvez nem se justificasse em um caderno policial. Eu, por exemplo, não daria. Quantas celebridades são alvo do mesmo tipo de azar? Divulgar isso ataca sua imagem - e celebridades vivem dela - e ajuda a popularizar a informação para usuários e traficantes. Fato é que a emenda saiu pior do que o soneto:

Vejam, eu acho que curiosidade seria Willians aparecer com um novo corte de cabelo, como esta matéria menciona. Esta informação totalmente irrelevante para a editoria esportes não causa uma risadinha como a dança do João Sorrisão, não surpreende tal qual um sósia em treinamento e nem vira um trocadilho infame. Apenas revive um passado recente do clube envolvendo um goleiro acusado de assassinato e atacantes envolvidos com traficantes.

Certamente não foi a intenção do Lancenet. Acredito piamente que quem escreveu o texto tinha a convicção de estar redigindo uma informação relevante. Mas o jornalismo não é palco para inocentes. Essa informação "incrimina" o Flamengo que, com todos os defeitos que Vanderlei Luxemburgo e Patrícia Amorim possam ter, se esforça para deixar as manchas de 2010 para trás. Se houvesse um fato que justificasse... Às favas com a imagem do clube, informem (como fizeram com Adriano e Bruno). Mas não é o caso.

Repito: quantas celebridades são "homenageadas" dessa forma? O Lancenet passará a informar todas as vezes que um atleta for alvo desse ataque? Acho que quem gosta de esportes dispensa a informação.

PS: A tréplica final. Para o Lancenet, Willians "é chamado de craque pelos rubro-negros". Noves fora a brincadeira de "Black Messi", nunca vi alguém chamá-lo assim.


Saída de Dorival pode atrapalhar outro jovem?

Publicado  segunda-feira, 8 de agosto de 2011


Logo depois de vencer a Copa do Brasil com o Santos, Dorival Júnior perdia o jovem e promissor André para os dólares ucranianos. A solução foi obter o empréstimo do jovem Keirrison, com quem havia trabalhado no Coritiba. Infelizmente, o técnico caiu após desentendimento com a diretoria do Peixe e o atacante, tido como a revelação do campeonato Brasileiro de 2008, foi vendo as oportunidades diminuírem cada vez mais, especialmente com a ascenção de Zé Love.

É normal que alguns técnicos tenham mais facilidade para trabalhar com certos tipos de jogadores e dificuldades que vão no mesmo grau. Keirrison e André têm características em comum: são jovens, velozes e bons finalizadores, mas mais acostumados a jogar como centroavantes do que como pontas. Não é um estilo adorado pela maioria de técnicos, que costuma escalar atacantes altos e fortes. No Rio de Janeiro, por exemplo, todos têm alguém assim: Jael, Loco, Elton e Rafael Moura. O próprio Santos trocou Zé Love por Borges. Sem dúvida, Keirrison foi prejudicado pela queda de Dorival, mesmo que isso não justifique seu péssimo momento há quase três anos. Será que o mesmo pode acontecer com André, indicação do próprio Dorival para o Atlético-MG?

A posição é uma das grandes carências da seleção brasileira. Se Keirrison parece cada vez mais distante de confirmar o que se esperava dele, vamos torcer para que Cuca seja capaz de potencializar o talento da revelação. O Galo e o futebol brasileiro agradeceriam.

Condições de Kaká na Copa seguem misteriosas

Publicado  domingo, 7 de agosto de 2011


Em entrevista ao Portal Comunique-se, o jornalista Diogo Kotscho aborda a confusão envolvendo o meia Kaká e os jornalistas Juca e André Kfouri na última Copa do Mundo. Na ocasião, o jogador do Real Madrid respondeu a uma pergunta de André criticando seu pai, Juca. Kotscho comenta o caso assim:

Comunique-se: Na Copa da África, a atitude do Kaká em dirigir-se na coletiva de imprensa ao André Kfouri e rebater o que o Juca Kfouri (pai de André) havia escrito na Folha, lhe surpreendeu ou foi discutida entre vocês antes?

DK: Conversamos antes sobre uma coluna que o Juca tinha escrito, apontando uma série de dúvidas a respeito da carreira e físico do Kaká na época. Preparei o Kaká para todas as dúvidas que o Juca poderia ter. Eu achei que o Juca, por estar na Copa do Mundo, estaria na coletiva. A coluna dele era leviana, falava de uma contusão que o Kaká não tinha, no púbis. A contusão do Kaká não era no púbis, a gente sabia que não era aquilo.
As pessoas acham que ele respondeu ao André porque ele é filho do Juca. Isso também não é verdade. A pergunta do André foi baseada na coluna do pai. Então ele respondeu: “Você está perguntado isso porque seu pai escreveu isso...”.O Juca já tinha feito outras críticas à religião do Kaká. Não foi uma pergunta do André sobre abacate, e o Kaká falou “Já vou responder sobre abacate, mas seu pai é isso e isso”. Na verdade o André fez menção ao que o Juca escreveu.
Você pode rever o caso no vídeo abaixo e refletir sobre as declarações do assessor de Kaká. Ao contrário do que Diogo diz, em momento algum André faz referência à coluna de Juca embora a pergunta diga respeito à saúde do meia:


Juca chegou a responder às acusações de Kaká depois e, na minha opinião, foi vítima de uma injustiça. É notório que o colunista da Folha jamais desrespeitou opções religiosas, mas apenas contestou as manifestações impertinentes de fé de jogadores da seleção na Copa das Confederações - e que foram proibidas pela Fifa - e sua saúde, que sempre será alvo de atenção já que Kaká depende dela para fazer o que o torna célebre.

De qualquer jeito, seja pelo motivo que for, a Copa de 2010 parece ter marcado o último momento em que tivemos esperança de ver Kaká em alto nível. O meia do Real Madrid ensaia um retorno na pré-temporada que pode dar esperanças de um retorno à seleção, mas parece incapaz de explicar de forma definitiva o nível dos problemas físicos que sofria em 2010.

Quem é rei nunca perde a majestade!

Publicado  quinta-feira, 28 de julho de 2011


Nunca duvidei do potencial do moleque Neymar, cria atrevida e habilidosa da Vila Belmiro. A Vila, cenário e casa de tantos craques e do maior dele. Este celeiro que já aplaudiu Pelé, já se impressionou com Robinho e louva Neymar, hoje se rende ao último romântico do futebol. É Ronaldinho quem atrai os holofotes belmirianos, é quem dá a bola é o coroado da noite.

Só há um rei no futebol. E ele é eterno como a camisa de grandes clubes. Mas seu reino é caridoso o bastante para reconhecer entre súditos dezenas de reis por algumas noites. A dez do Flamengo já viu Arthur Antunes Coimbra, Dejan Petkovic e Adriano Imperador. A dez do Flamengo é de vez de Ronaldo, Ronaldinho Carioca, dentuço, ora bolas, Ronaldinho Gaúcho, sua majestade.

Ainda haverá a era de Neymar e de outros. Veremos seus dribles e comemoraremos suas jogadas pelo Brasil. Mas ainda vivemos outro momento. Tal qual um Rocky Balboa obcecado a atuação de Ronaldinho Gaúcho no épico Flamengo 5 X Santos 4 é muito mais do que um jogo bom. É um grito de um rei que se recusa a abandonar sua coroa, o canto de uma geração que ainda não quer se despedir. É um lembrete. Nunca duvidem de mim. Nunca duvidem de seu rei. Deus salve o rei. E muito obrigado por esta noite.

Quem foi melhor Zico ou Zizinho?

Publicado  segunda-feira, 25 de julho de 2011


O Rodrigo Studart divulgou este vídeo no twitter. Airton, ex-jogador do Botafogo, fala sobre Zizinho, para ele o maior jogador que o Flamengo já teve. Será?

Tenho muito respeito pelo passado que não vi no futebol e acho um grande desserviço o que alguns jornalistas fazem ao colocarem Neymar a frente de Garrincha, entre outras heresias. Lamento muito não poder ter mais evidência para responder a pergunta do título. Conto com a ajuda de vocês, leitores.

Por que torcemos tanto pela Celeste?

Publicado  domingo, 24 de julho de 2011

Raça, craques ou uma camisa bonita? Tudo isso é pouco. O Uruguai tem jogadores que nos impressionam, mas que não têm o protagonismo de um Messi ou Ronaldinho Gaúcho, ainda que taxá-lo de uma seleção de bons jogadores seja um exagero invejoso. A Celeste campeã da Copa América não tem jogadores dos níveis que já tivemos ou voltaremos a ter, mas tem uma alma e personalidade que sentimos falta.

Anos atrás, Oscar Tábarez começou a esculpir esse diamante bruto. A essência do que era o futebol uruguaio se perdeu em times que corriam e batiam muito com a desculpa de serem valentes. Foi Tábarez que comandou um processo em que transformou meninos em homens e jogadores em atletas. A educação física andou de mãos dadas com a cultura e formação moral desses heróis. Heróis? Sim, mas são a ponta de uma enorme caminhada épica de muitos heróis. Oscar talvez não seja o guerreiro, mas sem dúvida, é o mestre dessa jornada.

Uma vez o atacante francês Henry chegou a dizer que o futebol brasileiro era o melhor porque nossas crianças não iam para a escola todos os dias e praticavam futebol o dia inteiro. O jogador francês estava certo. Mas vendo as declarações ponderadas de Lugano, que parece capaz de se comunicar melhor do que qualquer técnico brasileiro, e a forma como os celestes se vêem (não me recordo de nenhum destaque para um penteado singular ou uma declaração no twitter) , me pergunto se o resto mundo sabe como sofremos por termos jogadores tão despreparados como homens.

Por isso gostamos do Uruguai. Queremos mais homens e menos meninos. Mas o que fazemos por nossos meninos nos torna merecedores de uma seleção assim?

O que Mano e nós devemos aprender?

Publicado  domingo, 17 de julho de 2011

A era Dunga deixou como legado após o fracasso de 2010, a mais velha seleção brasileira que já disputou o torneio. A senha era clara: hora de renovar. A começar por Ganso e Neymar, atendendo a um clamor popular precoce. Repare que o Brasil tetra em 94 era formado pela base de Lazaronni e gerou jogadores para a Copa da França, depois os pentacampeões formaram boa parte do time que fracassou em 2006 e 2010. O Brasil de 2011 começa quase do zero.

É tentador julgar Mano Menezes pelos seus resultados ruins, ignorando a evolução do futebol. A seleção pela primeira vez em muito tempo joga com três atacantes, há um trabalho claro de integração entre o sub-20 e os profissionais e, pela primeira vez em tempos, o Brasil tenta jogar de forma ofensiva. Mesmo com o técnico volta e meia insistindo com os três volantes.

A praga dos comentaristas de resultados é real. Para eles Mano perdeu uma competição e merece sair, ainda que seja o menos importante dos torneios que disputaremos até 2014 e pouco importa as consequências trágicas que isso terá sobre a nossa escola. O Brasil do drible, país do futebol, ainda não tem um centroavante à altura de Romário ou Ronaldo e já tem poucos meias para usar. Não é coincidência que damos cada vez mais importância ao resultado e menos ao futebol.

De um lado, Mano deve contestar algumas de suas posições. André Santos consolidou a impossibilidade de jogar pelo Brasil e nomes como Ramirez, Thiago Silva e Julio César, outrora incontestáveis, saem em baixa da Copa américa. Sob outro ponto de vista, todos os que pedem a queda de Mano devem se perguntar se queremos na seleção Muricy e seu futebol repleto de volantes e jogadas aéreas, dissociado de nossas tradições. Ainda prefiro perder uma Copa América jogando bem do que vencer uma final contra a Argentina com três volantes para fazer feio no que realmente importa.

Crônica de uma balança desfavorável

Publicado  quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nos anos 90 o Vasco tinha entre seus melhores jogadores o meia Ramon (há até pouco tempo no Vitória), craque que fazia parte de um dos melhores times que o clube já teve. Todos os anos, o jogador sentava para negociar seu contrato e todas as vezes a renovação se estendia mais do que o normal. Em algum momento o vice de futebol Eurico Miranda encerrava as negociação, deixava Ramon treinando e se recusava a vendê-lo até que ele aceitasse a oferta vascaína a contragosto. Era a época do passe. Clubes mandavam e desmandavam na vida dos atletas que tinham muito pouco poder exceto o de ficarem encostados e sem poderem jogar ou receber.

Anos depois essa era acabou. A Lei Pelé globalizou o futebol brasileiro e tornou o contrato e sua multa rescisória a âncora frágil que nortearia as relações entre clube e jogadores. Hoje o que vemos é que o poder mudou de mãos com empresários ditando os rumos das negociações e decidindo o destino de jogadores que as vezes nem mesmo conseguem jogar pelos seus clubes ou cruzam os braços com uma desfaçatez que talvez fizesse o próprio Ramon se indignar com tanto poder.

Esta semana, o atacante Kléber passou a exigir aumento no Palmeiras ao receber uma proposta do Flamengo. Conhecido como "Gladiador" por sua entrega em campo e exageros em divididas, ele chegou a faltar jogos alegando uma contusão descartada por médicos. A imprensa se refere a esse mal como "contratite", quando atletas alegam dores para negociar aumentos e não chegarem ao número de jogos que inviabiliza uma transferência nacional. Tudo isso recebendo salários. Após o Flamengo retirar sua proposta o Gladiador contra-atacou e deixou claro: não entraria em campo até resolver tudo.

Tudo o quê? Kléber tem contrato, recebe centenas de vezes o sonho salarial de boa parte das pessoas do mundo e o Palmeiras pagou caro para retirá-lo do Cruzeiro. Tem todo o direito de pleitear ganhar mais, mas não se recusar a cumprir seu trabalho por isso. E ele não é o único.

Em 2010 o jovem e promissor Valter insistiu e saiu do Internacional para desaparecer no Porto, Keirrison bateu o pé duas vezes seguidas para largar Coritiba e o próprio Palmeiras entre outros casos. E veja que nesses dois exemplos a transação pode ter resolvido a vida financeira de jogador e empresário, mas foi péssima para a carreira dos atletas.

Quando a lei do passe regulava as negociações contratuais criticava-se o excessivo poder dos clubes. Hoje pouco se fala dos quase onipotentes empresários com capacidade para fazer pouco de torcidas e instituições centenárias. Talvez seja a hora de repensarmos novamente essa relação e incluir um novo peso em uma balança tão desfavorável. Tratar o futebol exclusivamente como um negócio onde tudo se resume a quem paga mais vai matar exatamente o que torna ele tão lucrativo: a paixão.

Um clube com algo muito errado...

Publicado  domingo, 10 de julho de 2011



Não vivi a fase áurea do primeiro time a ser campeão brasileiro (antes da canetada da CBF) e nem conheci os melhores times do Galo. Dizem que Reinaldo foi um centroavante tão bom quanto Romário e há quem diga que foi muito melhor e poderia ter sido do tamanho de Pelé, não fossem as contusões que destruíram seus joelhos.

Do Atlético-MG como grande time lemmbro de um time treinado por Leão em um 4-3-3 que contava com Marques e Valdir lá pelo fim dos anos 90 e depois o Galo que liderou o Brasileiro e terminou em quinto lugar com Celso Roth e Diego Tardelli. Desanimado com a queda do time que o eliminou até da Copa Santander Libertadores, o presidente Alexandre Khalil demitiu o técnico. De lá pra cá, o Galo brigou pra não cair com Luxemburgo e promete fortes emoções esse ano com Dorival Júnior, já crucificado pela torcida.

E já virou rotina. O Atlético-MG tem torcida, uma das melhores estrutura do País e nos últimos anos monta bons elencos, mas segue sem assustar ninguém e vivendo de lampejos. O time tem uma das torcidas mais apaixonadas que já vi. E nada disso adianta. Em comum apenas o próprio clube e seus dirigentes. Tem algo muito errado no Atlético e não acho que seja mística ou azar. Há algo de podre nesse galinheiro.

Falta de centroavante explica empate?

Publicado  domingo, 3 de julho de 2011

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Mano Menezes não quis impor nenhuma revolução tática na seleção. Pelo contrário. Seu 4-3-3 é um Brasil conservador na melhor tradição ofensiva brasileira e uma tentativa de reemplacar seu melhor trabalho em clubes: o Corinthians, campeão da Copa do Brasil de 2010. Nesse esquema, o camisa dez (Ganso/Douglas) joga recuado para lançar os dois pontas (Jorge Henrique & Dentinho/Robinho & Neymar) e aproveitar as arrancadas dos dois volantes (Christian & Elias/ Ramires & Lucas).

Tudo buscando um centroavante que joga o mais próximo possível da área ou ainda atrás dos volantes para aproveitar lançamentos e cruzamentos. No Corinthians, era Ronaldo. Na Seleção, Pato. Há motivos para a demora desse esquema emplacar na seleção, mesmo tendo alguns jogadores em comum (Elias, que não tem jogado tanto, e André Santos). Um deles é a falta de velocidade e participação tática dos pontas e laterais.

Embora muita gente aposte também na falta de uma saída de bola mais rápida, acredito que o maior problema dessa seleção seja justamente a aposta exagerada nessa formação Arco-e-Flecha em que temos um dez clássico e um grande atacante esperando seus passes. No caso, Ganso é o Arco e Neymar, a Flecha, pela esquerda:

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Nesse desenho, Lucas, que para mim deveria ocupar a posição de Robinho na competição, seria a "segunda Flecha". Esse esquema depende demais do brilho de Ganso e dos passes e arrancadas de Ramirez e Lucas para combater o espaço entre os jogadores de frente. Desde a Copa Santander Libertadores, me parece que Neymar exageradamente aposta em seu posicionamento como ponta que entra em diagonal, mesmo em jogos que não contou com Ganso. Repare no que Pelé disse sobre sua posição:

Acho que o Neymar precisa de um pouco mais de maturidade. Ele está se preocupando muito em jogar para a torcida. Outra coisa que eu estava comentando também, e que acho que o Muricy vai tirar esse vício dele, é que o Neymar virou ponta-esquerda. E um jogador com a habilidade dele não pode ficar só parado ali.

Ou seja, Neymar precisa aprender a buscar menos a ponta, onde tem mais espaço mas depende mais dos passes, e centralizar mais seu posicionamento, onde estará mais próximo do gol e de uma área onde pode usar a sua mortal finalização.

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Em um desenho tático dessa forma, o Brasil passa a atuar em um 4-4-2 mais tradicional, com Neymar e Lucas se revezando ao lado de Pato e com Ganso tendo mais companhia para armar as jogadas. Nesse período de experiências vale pontuar:

- Vejo Robinho na Copa de 2014, mas não como titular.

- André Santos e Daniel Alves precisam ser mais laterais e menos alas nesse esquema, o que pode não ser exatamente o que ocorre em seus clubes.

- Mais do que velocidade, a seleção precisa de volantes que saibam armar para não isolar Ganso nesse papel. Ou apostar nas infiltrações de Ramires nas costas dos laterais brasileiros.

Tentando entender a posição ideal para RG10

Publicado  segunda-feira, 27 de junho de 2011


O tempo passa, o tempo voa... E mesmo passando para Ronaldinho Gaúcho muita gente ainda acha que ele é um jogador muito diferente da maioria absoluta do que vemos por aí. Estou entre eles. Como diz o açougueiro, vamos por partes:

- Ronaldinho foi um meia-atacante jogando pela esquerda bem aberto e entrando em diagonal em velocidade quando jogava no Barça. Nas seleções de Base e Grêmio chegou a jogar quase de atacante, até porque a definição "clássica" da posição dele seria ponta-esquerda.

Nessa posição, o jogador pode ser lento se for do tipo tático (que marca o lateral, por exemplo) e se for um jogador de toque. Danilo do Corinthians é assim. Desnecessário dizer que RG10 não é esse tipo de jogador. Bate ao invés de marcar, mas poderia ser um grande ponta-esquerda de toque se jogasse com um lateral-esquerdo que fosse um grande marcador e apoiador, o que não é o caso de Junior César, mais ala que lateral.

- Se o boleiro joga lá na frente, PRECISA ser rápido porque os espaços são curtos: é zagueiro (as vezes três), lateral e, dependendo do adversário, pelo menos um volante. Airton já jogou dando o primeiro combate no atacante Edmundo em 2008, por exemplo, e Celso Roth joga com três zagueiros atrás, liberando os alas, e um volante a frente da zaga. Se o atacante não for trombador e for lento, vai perder a bola toda hora a não ser que seja muito, mas MUITO habilidoso mesmo. O Felipe, que está no Vasco, SEMPRE foi um jogador lento, mas driblava fácil. Ainda assim, pegava a bola lá do meio como um ala e não exatamente como um ponta.

Ronaldinho É muito habilidoso? Sem dúvida, mas sempre driblou em velocidade. É claro que no nível dele o atleta se vira e se adapta, mas é muito diferente e normalmente é um estilo pouco objetivo. No caso do Ronaldinho dificilmente o adversário vai deixar um contra um, será sempre um na sobra e aí é bem difícil de jogar. No Estadual cheguei a ver jogos em que o lateral dava o primeiro combate no ex-jogador do Barça, um volante ficava na sobra e ainda um zagueiro encostava. Sem velocidade, nem o Messi conseguiria sair de uma stuação dessas.

- Se o jogador fica de meia sem precisar marcar, quando o time recupera a bola ele se posiciona pra receber a frente dos volantes adversários ou atrás (desde que haja volantes que saibam jogar, como é o caso de Renato Abreu e Airton, por exemplo). É muito complicado de marcar homem a homem porque qualquer movimentação do meia deixa um buraco ali.

Agora, se o meio-campo tiver dois volantes que não saibam jogar o meia sempre recebe a bola a frente da marcação adversária e aí taticamente fica mais difícil. Se tecnicamente o meia for muito bom e/ou os volantes marcarem mal, fica fácil, mas aí não tem esquema que resolva. Mas perceba como é essencial que o Flamengo tenha pelo menos um volante que apóie para ele render.

- Ronaldinho esse ano jogou bem apenas quando recuado para a posição de organizador de jogadas porque ali tem muito espaço. Se driblar um volante, dificilmente haverá outro na sobra (a não ser que o adversário jogue com 3 volantes). Thiago Neves sempre costuma estar do outro lado, o que atrai a marcação e agora com Junior César ele ganha uma opção a mais para tocar rápido. E jogador desse nível não perde nunca a qualidade do passe. Assista a uma pelada de Zico nos dias de hoje.

A questão é que o Flamengo tem poucos jogadores de velocidade. Vai lançar ou enfiar a bola para Deivid lentíssimo ou Vanderlei trombador? Não tem como. Agora, em uma linha de dois ou três com pelo menos um sendo bem rápido ele vai dar trabalho.

- Antes Ronaldinho era um ponta-esquerda que entrava em diagonal na área. Em uma generalização pra lá de geométrica (heh), a posição ideal dele parece ser a de um meia-esquerda que busca o jogo da esquerda pro centro e pra frente. Ora meia-armador (jogador centralizado que organiza o time), ora ponta de lança (meia-atacante que encosta nos atacantes e ajuda a concluir) e mais raramente ponta-esquerda (jogador de lado que cruza ou chega na área).

Dificilmente o camisa dez vai recuperar sua velocidade e jogar de costas para os zagueiros é inviável. Ronaldinho precisa se manter em forma e estar descansado para entrar em campo sempre com o máximo de reflexos e velocidade de pensamento. Todo craque antevê as jogadas e com Gaúcho, o Flamengo pode começar toda jogada ofensiva como um extraordinário meia, desde que Ronaldinho não esteja com a cabeça cheia pela ressaca ou o corpo cansado pela "night". Apoio a torcida demonstrou que ele sempre terá, desde que faça a sua parte.