Respeite uma nação: pergunte-me como

Publicado  quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Hoje é dia do Flamenguista. Infelizmente, não vou fazer uma elegia ao torcedor, falar do último jogo ou dos sonhos dos flamenguistas para 2011. Vou aproveitar a data para pedir respeito. Respeito a 35 milhões de torcedores. Respeito a quem tornou o Flamengo o que ele é: a torcida. E, acima de tudo, vou pedir transparência.

Recentemente surgiu na internet um blog Autodefesas Unidas do Flamengo, com a intenção de abordar os bastidores do clube. O espaço tem posts que repercutiram bastante na internet, em especial o que aborda o maior fracasso do clube no século 21: a saída de Zico do cargo de diretor-executivo. Não tem como negar quem quer que escreva naquele espaço é alguém (ou "alguéns", vai saber) com ótimo estilo e que deve saber bastante coisa da instituição. O problema é outro.

O Autodefesas Unidas do Flamengo já foi moderado e banido do blogspot uma vez e retornou em um novo endereço. Não sei se isso ocorreu por decisão judicial, mas não me importa. O que incomoda é ver um espaço falando dos bastidores do clube sem que o(s) autor(es) se identifique(m), ainda que os textos nos dêem uma idéia bem clara de qual ex-presidente apóia. É um símbolo da desunião e politicagens que fazem o campeão brasileiro brigar para não cair.

Trabalho com redes sociais há quatro anos (você pode conferir uma apresentação a respeito aqui) e sei que um dos maiores valores para começar o trabalho é a transparência. Já perdi trabalho porque disse ao cliente que ele não estava pronto para começar um trabalho assim. Não sei se o Flamengo está. Mas sei que não é com textos anônimos que vão construir o clube que a torcida quer, por mais que sejam opiniões verdadeiras.

Sou a favor que todas as alas do Flamengo tenham um blog. No ano passado, os principais candidatos criaram perfis no twitter para divulgar suas campanhas (o que melhor utilizou a ferramenta foi Plínio Serpa Pinto), mas simplesmente abandonaram depois da eleição. Seria ótimo todos os flamenguistas saberem o que pensam e o que planejam as alas políticas do clube. Mas, por favor, façam isso com respeito e transparência.

Não tentem manipular 35 milhões de apaixonados. A nação exige - e merece - respeito.

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Originalmente escrito para o Flamengonet e readaptado para este espaço.

A ética de Felipe

Publicado  terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rivelino foi amado pelo Fluminense e pelo Corinthians. Romário ainda é respeitado mesmo passando por Flamengo, Vasco e Fluminense. Jogar em outros times não é apenas normal em tempos de profissionalismo de futebol, mas digno para quem consegue ser respeitado por tantas torcidas. Não é tarefa fácil.

Felipe surgiu de forma brilhante no Vasco da Gama. Passou pelo Flamengo e depois por Fluminense. Em todos os clubes seus dribles deixou saudades, mas seu comportamento não. Atitudes polêmicas, longas passagens pelo departemento médico e indisciplina. Muita indisciplina. O Felipe de sempre se manifestou ao final do último clássico: 'Já joguei no Flamengo. Na dúvida, é deles' .

Este é Felipe. Enquanto esteve na Gávea não se manifestou, mas agora que está do outro lado põe sob suspeita tudo o que conquistou com a camisa rubro-negra. Infelizmente, o ex-lateral só não percebe que ao jogar essa parte do seu passado na lama também mancha seu nome. Afinal, quando Felipe não foi beneficiado? Quando não compactuou com o que acha errado? Quando não omitiu ou mentiu a respeito?

Gérson até hoje se arrepende do comercial onde dizia que "gostava de levar vantagem em tudo", o que gerou a expressão Lei de Gérson. Talvez agora, possamos criar a Ética de Felipe: aquela que só vale quando somos prejudicados. Seus defensores só lembram do que é errado quando são afetados. Ao menos é o que parece. Afinal, Felipe, nos diga: como funciona sua ética?

A liderança de Conca

Publicado  segunda-feira, 25 de outubro de 2010



O Fluminense talvez perdesse o jogo se Washington batesse mais uma vez um pênalti decisivo. Acostuma a sumir em momentos cruciais (como na final da libertadores de 2008 quando perdeu seu pênalti), W9 já havia sacrificado o time ao tentar bater uma penalidade máximo em um minuto tenso. Com isso na cabeça, o tímido argentino tomou a bola e bateu o pé. Quase como se imitasse o Capitão Nascimento ao dizer: "a responsabilidade é minha. O comando é meu"*.

Sim, o comando é de Conca.

É do melhor jogador do campeonato brasileiro o recorde de assistências e principais jogadas do líder do campeonato brasileiro. Ao contrário de Fred e Emerson, que passam mais tempo no departamento médico do que em campo, Conca jogou todas as partidas desse Brasileiro. Sua justificável queda de produção coincindiu com a ausência de resultados do tricolor.

Faltando poucas rodadas para o fim do brasileiro, Conca persiste, se esforça, luta e briga. O Fluminense é líder do campeonato brasileiro, e é o meia argentino que parece ser o coração do time. Representante de uma torcida que vem dando espetáculos há anos, ele não está disposto a deixar essa liderança mudar de mãos agora. Dêem a bola para Conca.

*Ótimo sacada do amigo Thales.

A ânsia destrutiva do torcedor

Publicado  quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais do que torcer, o torcedor sente. E ao sentir, muitas vezes a paixão cega qualquer torcida positiva. Mais do que vibrar, muitas vezes queremos que nossos jogadores sejam deuses quando são apenas humanos. E há quem não controle esse sentimento.

Pedimos garra, seriedade, corrida... Tratamos garotos que jogam futebol como se fossem nossos filhos travessos que precisam de puxões de orelha diários. Pedimos humildade, nenhum sorriso .... Características que são o avesso do drible e do craque. Exigimos que revelações não apenas joguem bola, mas defendam nossas bandeiras morais ou até mesmo religiosas. Transformamos o futebol em um duelo de ideologias.

Não aceitamos mais que errem. E quando erram, exigimos que peçam desculpas de joelhos, que chorem e, se possível sangrem para expiar seus pecados. Seus ou nossos? Buscamos messias em homens que deveriam apenas jogar bola. Passou do tempo de cada torcedor enxergar o futebol como uma diversão e não como uma disputa de metáforas de nossas inseguranças.

Queremos ver gol, drible e jogadas. Parem de transformar o futebol em uma guerra santa.

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Publicado também no Futirinhas.

G3 não virou G4

Publicado  terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não se iludam. Dificilmente seu time se classificará para a libertadores com o quarto lugar no Brasileiro. A Sul-Americana é uma competição de baixíssimo nível e, dificilmente, o Palmeiras de Felipão e o Atlético-MG de Dorival não conquistarão a vaga. Ricardo Texeira foi fraco e não conseguiu privilegiar o campeonato nacional. Times como o Vitória tiveram mais chances de chegar à Libertadores do que Flamengo e Corinthians.

A Conmebol há anos trata o futebol brasileiro abaixo do que merece. E a verdade é que o Brasil nunca teve a força política que acredita. É só lembrar que fim levou a questão da altitude. Times continuam expostos a esta aberração.

A conversão do G4 em G3 é apenas mais um triste capítulo de um futebol que não se respeita. Fossem sérios, os times brasileiros anunciariam sua retirada da Taça Libertadores e da Sul Americana. No fim das contas, cumpriremos o riscado e ainda haverá quem comemore a Sul-Americana. É triste.

O goleiro mais rápido do mundo!

Publicado  segunda-feira, 18 de outubro de 2010



Parece fake, mas é real. O cara é rápido mesmo.

O sistemático São Paulo

Publicado  sábado, 16 de outubro de 2010

Não lembraremos das escalações do tricampeão brasileiro entre 2006 e 2009. Mas lembramos dos títulos e de como ocorreram. Seja com campanhas absolutamente indiscutíveis até arrancadas avassaladoras em que o time encaixava e parava de perder. Não há clube mais perigoso em pontos corridos do que o São Paulo.

Após fazer o quarto gol no clássico San-São, Jean entregou que o elenco tricolor não se dá por vencido. "Essa vitória nos coloca de volta para tudo. Título, libertadores..." Quem sabe o que o SPFC ainda poderá fazer no campeonato brasileiro de 2010 após esta vitória?

É cedo para dizer, mas com líderes cada vez mais vacilantes, ninguém pode descartar o time. O Corinthians que se cuide. Pode ter um centenário pior do que parecia.

Cem anos por Ronaldo?

Publicado  sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Corinthians perdeu a liderança, o técnico e, aparentemente, o rumo. É improvável que retome dois desses elementos, quanto mais todos eles. André Sanchez já busca um técnico, mas para cada Parreira que recusa haverá sempre um Mário Sérgio disponível. Ainda que o presidente do Timão encontre um novo técnico que acerte os ponteiros a curto prazo, é improvável que sem um novo elemento o Parque São Jorge encontre uma taça para seu centenário.

Ainda que contratações não sejam mais possíveis, essa novidade pode surgir na pele de Ronaldo Fenômeno. Se ele recuperar a forma que alcançou no primeiro semestre de 2009 nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro será meio caminho andado para o Corinthians se recuperar. Não tomar gols será a outra metade.

Será que Ronaldo ainda tem tempo para essa superação? É improvável. Porém, poucos atletas já superaram o descrédito como o Fenômeno já fez. Uma nova arrancada para o tetra nacional pode ser o início de uma despedida digna dos gramados. É mais do que ele vem fazendo por merecer.

A base de Mano

Publicado  quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Com três listas de convocação Mano Menezes parece indicar quem serão os jogadores mais próximos da Copa do Mundo de 2014. Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Lucas, Ramires, Alexandre Pato e Robinho. Quase um time. Certamente um bom time.

Vamos analisar um por um?

Daniel Alves: o lateral-direito teve algumas chances com Dunga na Copa da África, mas nenhuma em sua real posição. É o artilheiro da era Mano até aqui e pode mudar o perfil da posição. Ao invés de um ala vigoroso como Cafu ou Maicon, entra um jogador mais inteligente, habilidoso e versátil. Pertence a mesma escola de Jorginho. Seu sucesso pode ajudar Léo Moura a ganhar uma chance como seu reserva, caso o técnico prefira um substituto com as mesmas características. É difícil pela idade do capitão do Flamengo, mas vale a esperança para os rubro-negros.

Thiago Silva: o "Monstro" do Fluminense talvez já pudesse ser titular na África do Sul com as constantes contusões do titular Juan. Ainda que a dupla da última Copa tivesse poucas ou nenhuma falha, não dá para deixar de pensar se um jogador mais jovem e rápido não poderia tornar tudo ainda melhor. Sorte do time que tiver ele em campo.

David Luiz: Talvez o elo mais fraco dessa base. David Luiz chegou sem alarde e não vem decepcionando. Mas acredito que possa perder a vaga para outros jogadores como o jovem Réver (Atlético-MG). Não duvido que termine fora da lista final.

Lucas: Há dez anos, era difícil achar volantes que soubessem fazer algo mais além de marcar. Hoje, isso virou padrão e é nessa geração que o ex-volante do Grêmio precisa disputar sua vaga. Muito acima do superestimado Hernanes ele vai ter que disputar a vaga com outros jogadores da posição como Jucilei, Elias, Willians e Airton. Qualidade e confiança do técnico ele tem. Sai na frente, mas vai ter que mostrar serviço.

Ramires: O que teria acontecido se o ex-volante do Cruzeiro não tivesse tomado aquele fatídico amarelo antes do jogo contra a Holanda? Ramires deixou um gostinho de quero mais com suas atuações vigorosas e técnicas. Difícil imaginar qualquer meio campo que não comece com um jogador que agregue tantas características positivas como altura, velocidade e técnico.

Alexandre Pato: Talvez seja a maior incógnita dessa nova geração. O atacante do Milan vem em boa fase, mas jogando em outra posição no seu clube, assim como Nilmar. Vai disputar posição com novos valores como Jonas e Diego Maurício e Mano não parece disposto a ver a Europa como critério.

Robinho: O novo capitão da seleção parece ser outra figurinha certa no Brasil em 2014. Com duas copas nas costas, um estilo versátil que lhe permite atuar em mais de uma função, é difícil pensar em um ataque que não tenha Robinho. Porém, não duvido que ele esteja entre os convocados, mas acabe de fora do time titular.

O momento de Cuca?

Publicado  segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Inegavelmente, Cuca tem diversas virtudes como técnico, mas todas caíram em descrédito. Com derrotas inacreditáveis e saídas tumultuadas, ele recebeu o pior pagamento de um profissional do futebol: o rótulo. Medroso, chorão, traíra, pipoqueiro e outros apelidos que colam, fizeram o responsável pela montagem do São Paulo campeão mundial em 2005 e o Flamengo campeão brasileiro de 2009 ser encarado como um profissional fraco.

Cuca arma seus times sempre jogando para frente. Consegue os ataques mais positivos das competições que disputa, descobre jogadores que muitas vezes só rendem em seus times (André Lima que o diga) e nunca escondeu sua predileção por jogadores jovens. Infelizmente, o nervosismo excessivo e a falta de tato no relacionamento com os jogadores lhe fez colecionar anos de fracasso até, finalmente, ser campeão pela primeira vez ao conquistar o carioca de 2009. Muito pouco para um técnico de ponta com anos de profissão.

A nove rodadas do fim do campeonato brasileiro, o Cruzeiro pega a liderança. O time tem anos de regularidade e presença no G4. Merece um título que honre essas colocações. Mas tanto quanto o time celeste, o trabalho de Cuca nesses anos também merece ser campeão brasileiro para sepultar de vez a era Muricy e os insuportáveis campeões com retranca. Torcer pela raposa é torcer pelo futebol que queremos.

O fim do "problema" de Patrícia Amorim?

Publicado  quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O futebol é o carro-chefe do Flamengo. Não há nenhuma dúvida quanto a isso entre torcedores e boa parte dos sócios. Por isso, é de se criar um enorme espanto constatar que a atual presidente nunca teve nenhum planejamento para o futebol. Muito pelo contrário, a postura de Patrícia Amorim sempre foi de encarar o ludopédio como uma batata quente a se passar para frente.

Ao chegar Patrícia Amorim contou com uma das passagens mais compreensíveis e honestas de um presidente do Flamengo. Márcio Braga abriu as contas um mês antes de sua posse, antecipou sua posse, ofereceu toda a ajuda e apoio para uma transição tranquila que tornasse possível gerenciar um time campeão brasileiro. Como em uma piada pronta para atletas de natação, a presidente nada fez e manteve o vice de futebol da gestão Delair no cargo. Após a primeira perda de título o demitiu, segundo ela mesmo, porque seu grupo exigia outra direção.

Após meses em que acumulou as funções, Patrícia enumerou um conselho formado por nomes bizarros como Luiz Augusto Veloso, símbolo vivo do bordão "craque o Flamengo faz em casa... E vende!", e afins. Nada mudou, as negociações não evoluíram e após ter seu nome gritado pela torcida do Fluminense em um Fla-Flu, a presidente agiu. Renovou com um ex-jogador em atividade por dois anos, trouxe um ex-atleta do clube com 32 anos e, pasmem, trouxe o maior ídolo do clube de volta. Afinal, a batata quente estava em boas mãos.

Agora, depois de ajudar a queimar publicamente um ídolo incontestável, Patrícia recebeu de volta esse problemão chamado futebol. Contratou Vanderlei Luxemburgo, trouxe de volta o bizarro Veloso e volta a lavar suas mãos, vocação irretocável de sua gestão. A presidente crê que pode gerenciar a sede social e demais esportes, deixando outros carniceiros se digladiarem pelo futebol. É um direito da candidata eleita pelos sócios gerenciar o clube como quiser. Ela só não pode achar que não será responsabilizada por todos os fracassos que seus funcionários vão deixar.

Aliás, já é.

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Originalmente escrito para o Flamengonet e reproduzido para este espaço.

O Flamengo está morto. Longa vida ao Flamengo!

Publicado  sexta-feira, 1 de outubro de 2010


Sei da queda de Zico desde a tarde de ontem. O que se falava já era que o próprio diretor pediria demissão, mas ainda não havia um prazo. Não se esperava que Arthur Antunes Coimbra anunciasse sua saída em uma madrugada e ainda não está certo o que o levou a sair neste momento. Talvez o nascimento do neto ou a perspectiva de ter um mínimo de mãos nas rédeas e poder falar a respeito da forma como quisesse. E não como muita gente queria.

A vinda de Zico sempre foi algo mítico porque remontava a momentos mágicos do Flamengo. Queriam que o ídolo voltasse sempre com um quê messiânico de que seu retorno faria as coisas melhorarem por si só. Sempre se olhou para Zico com ares de deus, mas se esquecendo que seus poderes divinos não poderiam mudar o inferno que é esse Flamengo como conhecemos.

Um protesto contra sua saída ocorrerá ainda hoje e deixará a presidente Patrícia Amorim em maus lençóis perante seus eleitores no Leblon. Porém, dentro da sede social do clube muda muito pouco o clima para quem realmente manda. São essas pessoas que pouco se importam com o número de citações negativas no Orkut ou com os gritos de ordem no Maracanã. Se acham os donos do Flamengo porque enxergam em um clube qualquer da zona sul do Rio de Janeiro o templo supremo de uma marca que fez mais de 35 milhões de pessoas se apaixonarem.

A verdade é que ao pedir demissão, Zico talvez tenha cumprido com seu maior papel como ídolo do clube: acabar com uma época de sonhos e fé para que se encare a realidade. O Flamengo não mudará mais com uma chegada milagrosa. Só mudará com muita união de sua torcida e com o aumento de sua participação na vida política do clube. Este Flamengo está fadado ao rebaixamento, apequenamento e morte. Porém, existe um rubro-negro maior do que qualquer patente militar e que pode sim voltar a retomar o caminho da grandeza.

Todos que poderiam travar o bom combate já caíram com uma assustadora serenidade da impresa que parece ver em Kléber Leite, Marco Brás, Delair e outros, nomes que mereçam uma dose muito maior de paciência.

Resta à torcida lutar por uma realidade melhor. Vamos, Flamengo.