O que esperar de Silas no Flamengo?

Publicado  terça-feira, 31 de agosto de 2010


Já falei por aqui da difícil missão de Silas ao treinar o atual campeão brasileira. Surpreendentemente, achei bem positivo seus primeiros dias no comando. Silas explicou muito bem o estado de letargia que engoliu o clube após o título brasileiro, falou em finalmente deixar Petkovic por menos tempo em campo e demonstrou ambição. Pelas declarações, está preparado para dirigir um clube da grandeza do Flamengo.

Admito que ainda tenho algumas dúvidas a respeito de como ele montava seus times. Zico disse que ele é adepto de esquemas ofensivos e no Grêmio me pareceu que não barrou alguns medalhões. Duas qualidades indispensáveis para um time forte na defesa, mas omisso no ataque e cheio de jogadores sem capacidade de serem titulares. Para não ter que esperar meses até julgar seu trabalho e de como vai usar as possibilidades táticas do Flamengo, resolvi pedir a ajuda de Gerson Santos, do Avaixonados, e Marcelo H. Cardoso, do Minha Vida Avaí, blogs especializados no Avaí. Gentilmente, os blogueiros responderam algumas perguntas minhas sobre a passagem de Silas por Santa Catarina e suas chances por aqui. Confira:

O jeito Silas de comandar
Enquanto esteve à frente do Avaí Silas soube arrumar um time mediano que se tornou a surpresa do campeonato brasileiro de 2009. Aliás, essa é a grande virtude do treinador: sabe arrancar o máximo do grupo que tem nas mãos. Por ter sido boleiro, sabe como funcionam as coisas nos bastidores e faz um trabalho de "pé-de-ouvido" com os atletas. Há jogador que precisa de um "colinho" de vez em quando, enquanto outros só funcionam na base da porrada. Pois Silas sabe como tratar os dois tipos.

Silas é realmente um técnico ofensivo?

Se não é ofensivo, para retranqueiro também não serve, o que não o poupou de críticas mesmo após o acesso à série A e a retomada da hegemonia estadual. Elevado a categoria de ídolo, ainda assim uma boa parte da torcida entende que o Avaí ficou em 6º no brasileirão passado APESAR de Silas. Isso porque, taticamente, é um treinador muito conservador (alguns usariam o termo"teimoso"). Mesmo com um grupo em ascensão e confiante, Silas se recusava a alçar vôos mais altos. Mais ousadia poderia também representar suicídio, mas isso o torcedor avaiano nunca saberá.

Isso foi bom ou ruim para o Avaí?

Talvez pelo tamanho do clube e por estar estreando na Série A, logo que conseguiu a pontuação para não ser rebaixado Silas jogou a toalha. Começou a fazer experiências, colocou atletas esquecidos para jogar (talvez para dar visibilidade e facilitar negócios futuros) e desistiu de algo possivelmente maior. A propósito, ele já havia feito isso na reta final da Série B de 2008.

A sua teimosia foi o que mais incomodou a torcida azurra. Insistia com alguns jogadores por acreditar ser possível tirar leite de pedra, só pode. Convicção para alguns, teimosia pura para outros. Por fim, há comentários "das internas" do clube dando conta que ele sempre deu preferência a atletas que professavam o mesmo ideal religioso, mas se isso permanece serão vocês rubronegros que terão que confirmar.


Em 2009, o que ficou marcado foi a série de derrotas do Avaí até que Silas encaixasse o time e começasse a vencer e arrancar. Houve alguma mudança tática no time?

Sim, e ela veio por pressão da diretoria que já o havia "segurado" por 10 intermináveis rodadas do Brasileirão com resultados patéticos. O Avaí tocou o fundo do poço numa lanterninha decepcionante, mas Silas continuava firme e forte em suas convicções no 4-4-2. Inexperiente, talvez tenha acreditado que o nível técnico do Campeonato Catarinense não fosse assim tão diferente da série A. O time jogava bonito mas quem se alegrava de verdade eram os adversários. Prensado contra a parede pela diretoria foi obrigado a adotar o 3-6-1 que se encaixou como uma luva no elenco disponível. Não sabemos o "bem" que a passagem pelo Grêmio possa ter causado a Silas, mas preparem-se para um cara que às vezes tem fé demais no que acredita.

Como você acha que o Silas vai render chegando no meio do ano e do trabalho?

Se for tomar como base a chegada dele ao Avaí, preparem-se para o bi-campeonato, pois foi esse o cenário que ele encontrou aqui em Floripa. Campeonato andando, time limitado, rival em alta e quase papamos o Estadual no primeiro semestre. No segundo ascendemos à série A e no ano seguinte "embolsamos" o estadual e a inacreditável 6ª colocação no Brasileirão.

Depois que saiu do Avaí, Silas fez juras de amor ao Grêmio, seu novo clube, desmerecendo o antigo "patrão". Mais que isso, tentou desmanchar o elenco avaiano, levando para o estado vizinho vários jogadores que sequer foram aproveitados por lá. Agora no Flamengo, já começa a fazer o mesmo levando o preparador físico avaiano Émerson Buck, que está no clube desde 2007 (antes de Silas). Por tudo isso, ele não é bem visto na Ressacada, onde pessoas que conviveram mais de perto com o treinador questionam sua ética.

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