O que esperar de Silas no Flamengo?

Publicado  terça-feira, 31 de agosto de 2010


Já falei por aqui da difícil missão de Silas ao treinar o atual campeão brasileira. Surpreendentemente, achei bem positivo seus primeiros dias no comando. Silas explicou muito bem o estado de letargia que engoliu o clube após o título brasileiro, falou em finalmente deixar Petkovic por menos tempo em campo e demonstrou ambição. Pelas declarações, está preparado para dirigir um clube da grandeza do Flamengo.

Admito que ainda tenho algumas dúvidas a respeito de como ele montava seus times. Zico disse que ele é adepto de esquemas ofensivos e no Grêmio me pareceu que não barrou alguns medalhões. Duas qualidades indispensáveis para um time forte na defesa, mas omisso no ataque e cheio de jogadores sem capacidade de serem titulares. Para não ter que esperar meses até julgar seu trabalho e de como vai usar as possibilidades táticas do Flamengo, resolvi pedir a ajuda de Gerson Santos, do Avaixonados, e Marcelo H. Cardoso, do Minha Vida Avaí, blogs especializados no Avaí. Gentilmente, os blogueiros responderam algumas perguntas minhas sobre a passagem de Silas por Santa Catarina e suas chances por aqui. Confira:

O jeito Silas de comandar
Enquanto esteve à frente do Avaí Silas soube arrumar um time mediano que se tornou a surpresa do campeonato brasileiro de 2009. Aliás, essa é a grande virtude do treinador: sabe arrancar o máximo do grupo que tem nas mãos. Por ter sido boleiro, sabe como funcionam as coisas nos bastidores e faz um trabalho de "pé-de-ouvido" com os atletas. Há jogador que precisa de um "colinho" de vez em quando, enquanto outros só funcionam na base da porrada. Pois Silas sabe como tratar os dois tipos.

Silas é realmente um técnico ofensivo?

Se não é ofensivo, para retranqueiro também não serve, o que não o poupou de críticas mesmo após o acesso à série A e a retomada da hegemonia estadual. Elevado a categoria de ídolo, ainda assim uma boa parte da torcida entende que o Avaí ficou em 6º no brasileirão passado APESAR de Silas. Isso porque, taticamente, é um treinador muito conservador (alguns usariam o termo"teimoso"). Mesmo com um grupo em ascensão e confiante, Silas se recusava a alçar vôos mais altos. Mais ousadia poderia também representar suicídio, mas isso o torcedor avaiano nunca saberá.

Isso foi bom ou ruim para o Avaí?

Talvez pelo tamanho do clube e por estar estreando na Série A, logo que conseguiu a pontuação para não ser rebaixado Silas jogou a toalha. Começou a fazer experiências, colocou atletas esquecidos para jogar (talvez para dar visibilidade e facilitar negócios futuros) e desistiu de algo possivelmente maior. A propósito, ele já havia feito isso na reta final da Série B de 2008.

A sua teimosia foi o que mais incomodou a torcida azurra. Insistia com alguns jogadores por acreditar ser possível tirar leite de pedra, só pode. Convicção para alguns, teimosia pura para outros. Por fim, há comentários "das internas" do clube dando conta que ele sempre deu preferência a atletas que professavam o mesmo ideal religioso, mas se isso permanece serão vocês rubronegros que terão que confirmar.


Em 2009, o que ficou marcado foi a série de derrotas do Avaí até que Silas encaixasse o time e começasse a vencer e arrancar. Houve alguma mudança tática no time?

Sim, e ela veio por pressão da diretoria que já o havia "segurado" por 10 intermináveis rodadas do Brasileirão com resultados patéticos. O Avaí tocou o fundo do poço numa lanterninha decepcionante, mas Silas continuava firme e forte em suas convicções no 4-4-2. Inexperiente, talvez tenha acreditado que o nível técnico do Campeonato Catarinense não fosse assim tão diferente da série A. O time jogava bonito mas quem se alegrava de verdade eram os adversários. Prensado contra a parede pela diretoria foi obrigado a adotar o 3-6-1 que se encaixou como uma luva no elenco disponível. Não sabemos o "bem" que a passagem pelo Grêmio possa ter causado a Silas, mas preparem-se para um cara que às vezes tem fé demais no que acredita.

Como você acha que o Silas vai render chegando no meio do ano e do trabalho?

Se for tomar como base a chegada dele ao Avaí, preparem-se para o bi-campeonato, pois foi esse o cenário que ele encontrou aqui em Floripa. Campeonato andando, time limitado, rival em alta e quase papamos o Estadual no primeiro semestre. No segundo ascendemos à série A e no ano seguinte "embolsamos" o estadual e a inacreditável 6ª colocação no Brasileirão.

Depois que saiu do Avaí, Silas fez juras de amor ao Grêmio, seu novo clube, desmerecendo o antigo "patrão". Mais que isso, tentou desmanchar o elenco avaiano, levando para o estado vizinho vários jogadores que sequer foram aproveitados por lá. Agora no Flamengo, já começa a fazer o mesmo levando o preparador físico avaiano Émerson Buck, que está no clube desde 2007 (antes de Silas). Por tudo isso, ele não é bem visto na Ressacada, onde pessoas que conviveram mais de perto com o treinador questionam sua ética.

A missão de Silas

Publicado  segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Rei deposto, rei posto. Rogério teve todas as chances de descobrir o elemento que faltava ao setor de criação do Flamengo, mas apostou todas as suas fichas nos reforços do ataque para compensar a covardia de seu esquema. Sua punição foi terrível: não teve a chance de usar os reforços em 100% de sua capacidade. Essa graça será concedida a Silas, técnico da nova geração do futebol brasileiro que é o novo comandante do Flamengo.

O ex-técnico do Grêmio tem pela frente uma pressão maior do que a que encontrou no Olímpico com uma semelhança perturbadora: o excesso de medalhões. Atletas que jogam por outros motivos além de seu rendimento. Um esgotado Pet, um Renato Abreu muito fora de forma e o fraquíssimo Jean, reserva em todos os times que passou, mas titular absoluto de Rogério Lourenço. No Rio Grande do Sul, ele deixou Adílson e outros garotos para escalar jogadores do seu Avaí. Será que a demissão lhe ensinou algo?

Em sua última partida, Rogério talvez tenha dado a senha de uma das mudanças para buscar um novo Flamengo. Pôs o jovem Galhardo, maior revelação das divisões de base, na meia-direita contra o Galo. A partir daí, o time atacou mais pela direita e teve até mais jogadas de linha de fundo, embora seus outros dois meias já estivessem exaustos. Habilidoso e acostumado à posição, Galhardo pode ajudar o capitão Léo Moura por aquele lado e o time a ter mais jogadas pelas pontas.

Cabe a Silas descobrir quem deve sair e ficar para que o ano de 2010 seja menos melancólico do que já se desenha para a nação rubro-negra. Com um avassalador Fluminense cada vez mais próximo do título o atual campeão brasileiro precisa encontrar os rumos de um final de ano digno.

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A um encaixe da arrancada

Publicado  quinta-feira, 26 de agosto de 2010


Pouco se fala das virtudes de Rogério Lourenço, mesmo porque ele insiste com muita vocação a apagá-las. Não é justo. O ex-zagueiro transformou um time com uma média abusiva de gols tomados no carioquinha em uma zaga eficiente que raramente toma gols em pleno campeonato brasileiro. Não é pouco, embora seja insuficiente.

Em relação ao desempregado Andrade, o atual técnico ainda demonstra uma fala mais firme e um rigor que parece combinar com os tempos que, dizem, a Gávea vive. É difícil imaginar um centroavante que não treine sendo relacionado para os jogos, por exemplo. Pode até ser que aconteça, mas ao menos Rogério passa uma imagem mais blindada do que o discurso hesitante do técnico campeão brasileiro. Será que com tantas virtudes, Rogério é um técnico tão ruim?

Apesar dos méritos, a insistência cega do técnico desequilibra qualquer balança ao seu favor. Rogério insiste com medalhões que parecem jogar com o currículo e ignora sucessivos jogos em que o time simplesmente não cria e, consequentemente, não ataca. Se o adversário concede espaços, a categoria de Pet se impõe. Mas basta uma marcação um pouco mais apertada e o sérvio some. É irrelevante se pela idade ou pela pouca categoria do meio-campo. Acontece. E o técnico não resolve.

A esperança fica por conta de um lampejo de Rogério. Que ele enxergue uma substituição que resolva esse problema e torne um time com defesa segura e um ataque promissor também capaz de ter um meio-campo equilibrado e eficiente. Vale dar uma lida neste post de André Monnerat sobre o Brasileiro de 2009 e lembrar que foi uma derrota para o Fluminense que mudou um esquema que já não dava certo desde 2008 e se transformou em uma tática mortal. Destaco este trecho:

A volta de Petkovic já era anunciada (embora ninguém pudesse medir na época o tamanho do impacto que ela teria no resto do Brasileiro). Mas outra mudança no time só foi descoberta no gramado, sem aviso prévio, quando a bola começou a rolar: pela primeira vez em muito tempo, o Flamengo entrava em campo abandonando o esquema com três zagueiros. Andrade, mesmo usando dois meias improvisados nas laterais, montou o time na tradicional linha de quatro defensores, com Fierro na direita e Éverton na esquerda. Aírton, que vinha jogando sempre improvisado na zaga, voltava a ser volante, à frente da defesa.

E então o time encaixou. Parando pra pensar, era tão simples que quase não se entende como ninguém fez antes. Andrade simplesmente avançou um volante que jogava de zagueiro, recuou os alas e colocou um meia com pouca mobilidade - reparem que até hoje as melhores atuações de Petkovic ocorrem quando ele tem espaço, seja pela marcação adversária ou pelo time jogar em contra-ataque - privilegiando um pouco mais de organização no meio. Mortal.

A partir dali os buracos pelas laterais diminuíram, pois os laterais não deixavam os mesmos espaços e ainda contavam com a ajuda de Zé Roberto e Willians por ali, e o time ganhou qualidade do meio para frente. E lá o ataque era um Adriano, que gordo e pesado ainda fazia uma enorme diferença.

Talvez seja esse detalhe que falta a Rogério. Mais ainda falta a humildade de perceber que algo precisa mudar. Com certeza novos atacantes vão melhorar o ataque individualmente, mas contar com três volantes e um sérvio com mais 365 dias nas costas já sacrifica o bastante a criação e vamos seguir contando com o desempenho individual da nova dupla. Pode bastar se eles forem iluminados até o fim do ano. Parece pouco? E é.

Falta o encaixe que torne o time digno do campeão brasileiro. E já passou da hora de Rogério encontrá-lo.

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Cinco lições que o Internacional ensina!

Publicado  quinta-feira, 19 de agosto de 2010

É comum que torcedores sempre minimizem o triunfo do rival alegando sorte, injustiça ou qualquer desculpa. O campeão da libertadores de 2010 deu uma aula e mostra que não é bem assim. Com muito trabalho e organização, Fernando Carvalho mostrou que caminhos cada clube grande deve seguir para crescer como o colorado cresceu nos últimos anos.

1- Divisões de base: Giuliano chegou do Paraná quando o meia Alex foi vendido há dois anos e foi preparado ainda nos juniores para substituí-lo. Na hora "h" o clube ainda contou com o retorno de um Sóbis, motivado e acostumado ao Beira-Rio, e o jovem Sandro, que mesmo já vendido jogou tudo o que podia. Não existe patrocinador forte que substitua garotos formados em casa e acostumados à camisa. O Santos concorda.

2- Nada de caça às bruxas em caso de insucessos. Mantenha seu planejamento, aposte na continuidade do time e seja forte nas crises. O Internacional que fracassou em 2008 e foi mal no centenário em 2009, se tornou absoluto em 2010. Com alguns reforços pontuais, se tornou um time melhor. O Flamengo, campeão da Copa do Brasil de 2006 e do Brasileiro de 2009, não faria melhor.

3- Não deixe que nenhum jogador seja dono do clube. Por mais que sejam vitoriosos e líderes, se livre dos acomodados e mantenha os que ainda querem mais títulos. O Internacionou deixou os ídolos Iarley e Fernandão saírem, não aceitou o capitão de 2006 de volta e transformou o irregular Clemer em treinador de goleiros. O Botafogo, que melhorou após não depender mais dos superestimados Túlio, Jorge Henrique e Lucio Flávio, seguiu essa linha e colhe os frutos hoje.

4- Aposte no talento. O Internacional saiu do lugar comum de times gaúchos e confiou em nomes como Kléber, D'Alessandro, Taison e outros. Mesmo sem perder a pegada típica de times do Sul, o colorado acreditou em jogadores habilidosos. E não podia mesmo ter outro resultado. A Espanha, campeã do Mundo, pensa igual.

5- Esqueça todas as lições anteriores. No fim das contas, a competência individual de cada dirigente conta demais. Fernando Carvalho demitiu o técnico que levou o time às semifinais para trazer um motivado Celso Roth que imprimiu força e personalidade para o clube passar pelo papão da taça Libertadores no Brasil. Uma demissão às vésperas de uma semifinal? Tudo contra qualquer livro de gestão esportivo, mas absolutamente decisivo para a vitória. O Internacional, campeão de tudo, agradece.

Você vai perceber que citei outros clubes no post em cada parágrafo. Na verdade, muitos dirigentes conseguem cumprir alguns desses elementos. Porém, se os pele-vermelhas estão mais felizes hoje é porque o colorado aprendeu todas essas lições. Quem pode superar o Inter?

Andrade precisa trabalhar!

Publicado  segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ele foi o primeiro técnico negro a ser campeão brasileiro em um país de maioria afro-descendente. Um dos volantes mais precisos de sua geração deixou de lado anos de ostracismo no Flamengo e conseguiu fazer o próprio clube retomar o caminho dos títulos. É difícil ver justiça na demissão tumultuada e com viés político de Andrade, mais complexo ainda é explicar que ele ainda esteja desempregado. Um técnico campeão brasileiro?

Não sei tanto dos bastidores do Flamengo quanto gostaria, mas percebo que boa parte das razões pode estar no início do ano. Na tensa renovação que o técnico teve com o clube. Andrade reclamou de não ser valorizado como achava que deveria ao mesmo tempo em que acreditava que o clube devia aceitar a sua pedida salarial. No fundo, o técnico me parece alguém ressentido com os anos em que foi pouco respeitado como auxiliar-técnico. Aí talvez esteja o motivo de ser campeão brasileiro e ainda estar desempregado.

Andrade conquistou o campeonato brasileiro com méritos justos e inegáveis. Porém, não pode esquecer que o título foi consequência de um trabalho que não só contribuiu, mas também aproveitou. Talvez se desmistificasse um pouco sua atuação em 2009 e valorizasse sua capacidade as coisas ficassem mais fáceis. Ele já recusou uma proposta do Atlético-GO, alegando que não poderia ganhar menos do que já recebia. Já estive desempregado antes e sei que devemos esperar em uma fração entre o que merecemos e o tempo que podemos esperar antes do mercado nos esquecer. Andrade não tem muito tempo antes de ser lembrado apenas como "o técnico do Flamengo de 2009" ao invés de um treinador de futebol.

Não é humilhação dirigir clubes menores e com orçamentos mais reduzidos. Andrade precisa escrever outras linhas de sua história como treinador. E não vai conseguir isso querendo impor ao mercado que o respeite por apenas um título.

Atenção imprensa: não proteja mais Ronaldo!

Publicado  sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ronaldo simplesmente abriu mão de qualquer compreensão. Após contrastar episódios contrangedores, incoerentes e derrotas históricas, o maior atacante que o mundo viu no final da última década (ao lado de Romário) parece disposto a receber o mesmo tratamento que seus pares Fred e Adriano receberam. Tudo isso ao completar duas décadas de uma carreira, que vem lentamente morrendo nos últimos cinco anos.

Ao se apresentar como uma paródia do "Seu Boneco", o Fenômeno confirma que não pode ser mais protegido. A imprensa deve investigar em quais restaurantes ou barracas de cachorro quente ele costuma comer, documentar cada vez que ele estiver com um copo de bebida que não seja energético nas mãos e, quem sabe, até descobrirem a razão de suas pigarreadas em entrevistas fora de campo.

Ele criou uma expectativa irreal no ano passado de que poderia ser uma sombra do jogador que já foi. Embora seus tendões não aguentem a mesma carga de exercícios, seu peso seria facilmente corrigido pela sua vontade e auto-controle ao se alimentar. Infelizmente, Ronaldo não ama o futebol tanto quanto aqueles que o amam pelo que fez em campo.

E se é assim, a imprensa deve desmistificar de uma vez por toda as razões do seu peso e falta de produtividade como fez com tantos outros jogadores. Ronaldo é ídolo, mas isso não pode torná-lo digno de uma cobertura mais privilegiada do que a dos demais mortais. Revelem o rei e o tratem como os demais plebeus.

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Chegou a vez do Fluminense?

Publicado  quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A era Unimed celebrou uma nova época para o tricolor carioca. Depois de anos vivendo o rebaixamento, o plano de saúde parecia ter curado o câncer das Laranjeiras e tornado o Fluminense um time temível novamente. Campanhas efetivas no Brasileiro (até 2007 tinha a maior média de pontos entre os cariocas) e na Libertadores não tornaram o clube campeão além dos horizontes da Copa do Brasil, mas alçaram o clube a outros horizontes.

O Fluminense se reforçou. Nunca esteve tão forte, seja pelo título brasileiro do rival Flamengo ou mesmo pelas vésperas de eleição no clube (o que é mais provável). O clube ainda não sofre as pressões de favoritismo, não passa por problemas internos e possui um técnico superestimado, mas acostumado a disputar títulos.

Uma defesa firme e coesa, um ataque sempre competente com as opções de Emerson, Fred e Washington. Na base do 1X0 ou da goleada em zagas incompetentes é difícil imaginar o tricolor largando a liderança. Disposto a não repetir os erros do Flamengo em 2008 (quando o rubro-negro largou bem, mas parou em seus próprios problemas) o Flu parece disposto a roubar o posto de campeão brasileiro do rival. A hora é essa.

Exagerado do dia: Fred

Publicado  quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Será que se o Fluminense estivesse na Segundona, no início da semana, o presidente anunciaria a contratação do Deco? O Sheik trocaria a camisa rubro-negra pela tricolor? O Belletti deixaria o Chelsea e viria para o Rio? O Washington sairia do São Paulo para voltar às Laranjeiras? O Conca permaneceria conosco? Talvez, quem sabe, sei lá...

Tenho o privilégio e a honra de ser o capitão um 'Time de Guerreiros' responsável pela maior reviravolta da história do futebol brasileiro e, talvez, mundial".

Fred, o épico

Ôoo... A seleção voltou!

Publicado  

Não era difícil. Só Dunga não sabia como. Seleção Brasileira? Jogando bonito? Não há tarefa mais fácil, mas é preciso coragem. Coragem de jogar o que sabe, coragem de se impor e coragem de se preocupar mais em ganhar do que em não perder. Mano Menezes tem coragem.

A seleção que jogou hoje é uma síntese dos sonhos de todo técnico. É jovem, moderna, ofensiva e, acima de tudo, corajosa. É cedo para fazer previsões, mas o Brasil enfrentou a melhor seleção que os EUA já criaram. Jogadores mais experientes, entrosados e também com vocação ofensiva. Saíram todos satisfeitos com o 2X0. Todos os americanos, porque o domínio do Brasil foi avassalador, incontestável e digno de gente grande e de uma goleada. E essa é uma lição para Dunga: meninos jogaram como homens e sem serem uma panela.

É apenas o primeiro passo, mas Mano conseguiu o que Dunga não conseguiu dar ao seu time: coragem e personalidade. Além disso, o conhecimento pelo futebol mundial ao aderir a tendência mundial do 4-2-3-1 (Esquema que usou no Corinthians de 2009) ao invés de um insípido 4-3-1-2. Serão dois zagueiros, dois laterais, dois volantes e três criadores atacando, armando e defendendo. A brecha pode estar no comando do ataque. Pato ainda é pouco incisivo e André ainda precisa ser mais testado. Pode ser que Adriano, Luiz Fabiano e Fred ocupem esta posição, mas eu apostaria minhas fichas em Nilmar.

De qualquer jeito, é bom voltar a ter prazer e expectativa por um jogo da seleção. No twitter e em outras redes sociais, todos aguardavam ansiosos o jogo. É ótimo ver a camisa amarelinha nossa de novo. O Brasil voltou. Viva o Brasil.

A hora e a vez de Zico!

Publicado  terça-feira, 10 de agosto de 2010

Todo rubro-negro sempre sonhou com o dia em que o maior ídolo do clube se tornaria presidente da instituição. Esse dia ainda não chegou. Mas Arthur Antunes Coimbra já está na Gávea e rege senão todo o reino ao menos o condado mais importante: o departamento de futebol do clube. O Flamengo é campeão brasileiro e faz campanha irregular no campeonato nacional em que defende seu título.

Zico sempre se notabilizou por não se omitir em momentos decisivos. Jamais foi pipoqueiro. Pagou por isso em 86 ao cobrar um pênalti em uma Copa em que sequer tinha condições físicas. Aceitou a proposta do Flamengo em um momento em que o clube parecia entrar em uma crise de difícil saída. A crise ficou opaca, obscura, mas ainda está à espreita.

A torcida manifesta apoio incondicional ao galinho. Enquanto isso, o ídolo que jamais fugiu de entrevistas oferece pouca transparência sobre seu trabalho, conforme justa crítica do jornalista Caio Barbosa. Fala em "um pouco de dor" para curar anos de descaso com o futebol rubro-negro, mas contrata sob um alto salário um jogador com sérias limitações técnicas que aceitou mala branca para vencer o próprio Flamengo. Um negócio digno de eras recentes e pouco saudosas do clube.

Não existe respeito maior a um ídolo do que o da torcida do Flamengo por Zico. O amor confunde-se com o do próprio time, como se fossem uma deidade. Nem Sócrates e nem Garrincha são tão amados porque essa idolatria é nivelada com o amor pelo próprio Manto. O rei Arthur tem essa moral com 35 milhões de torcedores e a capacidade de usá-la para novos tempos para o clube. É hora de usar esse poder e de agir. Ou explicar o porquê de não fazer o que pode. A Nação aguarda impaciente.

É esse o legado de 2014 e 2016?

Publicado  segunda-feira, 9 de agosto de 2010



Apenas o "prejuízo político" importa?

Fonte: Blog do Paulinho

Fla busca vencer um jogo que já ganhou!

Publicado  sábado, 7 de agosto de 2010

A partida do dia 5 de maio ainda não acabou. O Flamengo já não tem mais seu amor e tem com os humildes Borja e Val Baiano na frente. O Corinthians mal conta com Ronaldo e ainda não esqueceu a maior derrota do ano do contenário. Nem mesmo boa parte da imprensa. Apenas alguns dias depois da eliminação do rubro-negro para o Universidad do Chile já havia comentários dos jogadores corinthianos insinuando que não teriam sido eliminados por LaU.

No Pacaembu, o Flamengo não busca acabar com o jejum de vitórias dos último jogos ou mesmo de se aproximar do G4. Tudo o que o clube carioca almeja é confirmar sua vitória de semanas atrás, pois caso venha a derrota imediatamente o Corinthians será alçado ao cargo de classificado moral à libertadores de 2009.

É um pouco triste esse futebol onde se discute o que se passou. Tomara que o Flamengo nos dê a chance de discutir o que vem por aí e não o que já passou.

Por que torcer contra o Santos?

Publicado  quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Multiplicam-se no twitter, orkut e nas ruas o movimento de diversas pessoas dispostas a torcer contra os garotos da Vila na decisão de hoje à noite. Twitcam, arrogância e outras tantas razões são as explicações por tanta antipatia pelo mais simpático futebol que o Brasil viu desde... A geração de Robinho, Diego & cia. Será que faz sentido?

Afinal, não há razão para um brasileiro que não torça pelo Vitória torcer contra o Santos hoje à noite. Nenhuma além da rivalidade entre torcedores, que é uma questão menor diante do que mais um título do Santos significaria.

Dorival Jr. pode não conseguir mais nenhum título, mas fez o que muitos campeões mundiais jamais concretizaram. Criou um time que não para de atacar, ousar e... Que vence! Sepultando qualquer teoria equivocada sobre jogar bonito e obter resultados.

A vitória do Santos é a vitória do futebol brasileiro. Que o campeão paulista seja campeão da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro antes de sucumbir ao dragão conhecido como mercado europeu. Que ganhe driblando, atacando e fazendo gols. O esporte fica melhor com campeões que têm mais vontade de ganhar do que medo de perder.

O que houve com Jones Carioca?

Publicado  segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Não há como saber se revelações de times pequenos podem emplacar em clubes de massa. Walter Minhoca, Rodrigo Fabri e tantos outros comprovam que nem sempre boas temporadas e um talento evidente são o suficiente para que um atleta se transforme em um ídolo de um grande clube. Ainda assim, o Flamengo investiu não se sabe quanto no atleta Jones Carioca, que já havia despertado interesse há alguns meses.

Porém, embora o jogador já pudesse ser apresentado desde o início de julho ele ainda não foi integrado ao elenco rubro-negro. Jones Carioca é meia-atacante, mas pode jogar mais adiantado e demonstrou velocidade, uma certa deficiência em finalização e jogada pelas pontas. É um jogador que o time do Flamengo não possui, contando apenas com os irregulares Vinícius Pacheco e Michael, além de Marquinhos que ninguém sabe se permanecerá. Será mesmo que um dos três melhores meias em um campeonato estadual com Conca, Carlos Alberto e outros não seria uma opção relevante?

Embora a troca de comando tenha alterado a rotina de negociações do clube, há algo estranho aí. Especialmente porque ao contrário de outros, Jones sempre demonstrou vontade de atuar pelo clube embora Zico sequer soubesse do seu caso. Será mesmo que o departamento de futebol não poderia tentar apresentá-lo hoje junto com Leandro Amaral e Renato Abreu? Me pergunto o porquê da demora.



Atualização: obtive a informação de que o jogador vai para o Cruzeiro, indicado pelo técnico Cuca. Os dois lados negociaram o fim do contrato que estava assinado para liberar o jogador.

A decepção de milhões!

Publicado  domingo, 1 de agosto de 2010

Flamengo X Vasco já atraiu multidões épicas, consagrou craques para o sempre e já entrou no rol de grandes clássicos. Infelizmente, a partida desde domingo não estará na memória de ninguém, tamanha a sua mediocridade e má fase dos dois times.

O rubro-negro é campeão brasileiro, mas graças à omissão de sua presidente vê um time nitidamente desequilibrado. Patrícia teve desde janeiro para preparar o elenco para a saída do Império do Amor, mas cruzou seus braços e hoje a torcida precisa ver um roliço Val Baiano sair ofegante sem nada fazer e um desconhecido chamado Borja consagrar o goleiro adversário. É a consagração da gestão zero-título de Omissa Amorim, digo, Patrícia Amorim.

E o Vasco estreou seus maiores reforços, tinha um time em uma crescente e mais equilibrado, mas desperdiçou a maior chance de vencer o rival e recuperar parte da auto-estima vascaína. A torcida fez a sua parte, superou a maior torcida do mundo e saiu do estádio com o alívio de não ter perdido. Muito pouco para a Cruz de Malta que viu Felipe vencer um campeonato de canetas e não de gols.

O clássico não pode se tornar em uma partidade de showbol, dependente de jogadores de mais de 30 anos em fim de carreira como Pet e Felipe. Patrícia e Dinamite falharam e decepcionaram suas torcidas. De novo.

Vamos todos cantar de coração?

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Não existe expectativa maior para o clássico dos milhões senão da torcida do Vasco. Após um início ruim, PC Gusmão, eterna promessa de técnico, parece ter acertado o time que ganha mais confiança da sua torcida com a apresentação dos reforços. O Flamengo é o atual campeão brasileiro, mas seu time sem ataque, graças à omissão de sua diretoria, torna a cruz de malta favorita.

Depois de anos de vices quase constrangedores, derrotas incômodas e quase inesquecíveis, nunca houve uma oportunidade tão boa para o Vasco da Gama consagrar sua virada. Em 2008, Roberto Dinamite estreou no clássico como dirigente vendo o Flamengo derrotar o Vasco por 3X1. Agora ele vê Zico fazer o mesmo papel. Será que ele terá o mesmo êxito?

O rubro-negro é uma incógnita enquanto o Vasco vem nuna crescente e traz sua maior força: Carlos Alberto. Os reforços de Felipe e de Zé Roberto, preterido pelo Flamengo, aumentam ainda mais a chance de vitória. É difícil ver um momento melhor para o Vasco começar a empurrar o favoritismo do outro lado que ultimamente vinha parecendo quase eterno. Será a hora da torcida cantar mais alto ou do Flamengo confirmar sua mística novamente?