Time de operários

Publicado  quinta-feira, 1 de julho de 2010


O sonho de gols e estádios cheios acabou aos 25 anos por problemas no joelho. Ádamo Carvalho poderia não ter nem o futebol e nem a vida, mas aos 28 anos o atacante deixou para trás qualquer pesadelo graças a um programa de capacitação da metalúrgica Frum, credenciada pela Ford. Não apenas isso. Assim como outros 17 atletas, ele pode ser campeão do mundo de futebol, três dias antes da final da Copa do Mundo.

Hoje começa o torneio de futebol dos jogos da Confederação Esportiva Internacional do Trabalho (CSIT), em Tallin, na Estônia. A competição termina no dia 8. Trabalhadores-atletas representam o Serviço Social da Indústria (Sesi) na competição, entre eles, Ádamo.

“A adaptação foi muito tranqüila. Tive o suporte educacional e o apoio de colegas e da direção da empresa. Foi uma oportunidade de ouro”, diz o jogador, que faz tratamento especial no joelho para disputar o mundial.


A beleza do esporte bretão nunca foi apenas taças, competições milionárias ou craques metrosexuais. Sempre esteve nas voltas que a bola dá e permite a cada derrotado ser um vencedor, a cada driblador ser o driblado. Em algum momento, isso quase se perdeu ou diminuiu bastante. Os derrotados se consideram vencedores com salários fora da realidade e o drible é artigo raro no futebol. O business invadiu o futebol e tornou o campo, um escritório corporativo. Jogador bom é o que fala todas as línguas da versatilidade, mesmo que não conheça o parte-pra-cima do drible de várzea.

O trabalho tático é do técnico Anagib Rubens da Silva, ex-atleta, também diretor de recursos humanos. Ele dá a atletas sem clube a oportunidade de defender a metalúrgica. Silva jogou em times da segunda divisão paulista. “O esporte traz vantagens competitivas. Isso motiva os funcionários e mantém um bom ambiente de trabalho. Há ainda a identificação com a empresa”.

Zagueiros, volantes e atacantes passaram por times como Internacional, Guarani, Bragantino, Santa Cruz e São Paulo tornaram-se apontadores de produção, operadores de máquinas, controladores de forno, pintores e técnicos em segurança do trabalho. Não existem luvas ou salários milionários, mas talvez seja isso que torna o time algo instigante e diferente.

Toda esse texto foi baseado em fatos reais repassados pela assessora de imprensa. A única mentira é a respeito do fim de sonhos. O departamento da empresa encaminha os sonhadores para empresários ou dirigentes. O lateral-direito Nei, titular do Internacional, sonhou em 2005. Talvez o futebol não esteja tão chato assim.

Confira a escalação, por número, nome, posição e cargo:

Titulares

1- Carlo Henrique Godoy - Goleiro – assist. Engenharia

2- Rodrigo Donizete de Paula – Lat. Direito - Assist. produção fundição

3- Welington Andrade Viana – Zagueiro Central – Tec. Seg. Trabalho

4- Ronaldo Rodrigues Pereira – Quarto zagueiro – almoxarife

5- Marco Antonio Olegario – Volante - Lid Pintura

6- Carlos Eduardo da silva – Lat. Esquerdo – pintor

7- Walter laurentino Oliveira – 2º volante – Lide prod. Fundição

8- Diego Figueiredo – meia atacante – montador

9- Luiz Fernando da Silva – Centro avante – Aux. PCP

10- Heverton Cilas da Silva Meia esquerda – Op. Maq. CNC

11- Gesner Rodrigo da Silva - Atacante – aux, prod.

Reservas

12- Hilton Araujo – Goleiro – motorista

13- Diego Ferreira – atacante – op. Furadeira

14- Rogerio Teixeira – zagueiro - assist. financeiro

15- Adamo Carvalho – atacante – enfermeiro trabalho

16- Valterson da Silva - analista logística – zagueiro

17- Ramon Carlos de Lima – volante – assist. pcp

18- Marco Antonio De Sordi – atacante – vice presidente

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