O mártir Felipe Melo

Publicado  domingo, 4 de julho de 2010

Desde os primeiros jogos no Flamengo, o volante sempre foi subestimado. Felipe possuía bom porte físico, habilidade e boa noção de marcação, mas padecia de um mal comum em craques formados na Gávea: a empáfia. Se achava melhor do que era. O defeito o perseguiu em outros clubes assim como sua paixão por festas e pouco rigor com a carreira. Em algum momento, ele percebeu o erro que cometia, levou a sério sua carreira e se tornou outro jogador. Alcançou a seleção, improvável mesmo nas divisões de base onde conviveu com Jônathas e Ibson, bem mais técnicos e promissores do que ele.

Após um início promissor com a amarelinha, Felipe começou a ser contestado depois de uma temporada decepcionante na Juventus e lances que lembravam muito seu início de carreira. Mais uma vez Felipe era Melo. Irritado, afobado e alcançando o auge desse temperamento indigno para um titular do escrete canarinho em uma discussão sem razão ao vivo na ESPN com PVC.




A atitude pouco condizente com o cargo de Dunga, não ajudou a pressão que seu grupo sofreu. Pelo contrário, tornou suas escolhas com menos direito de errar. E Felipe Melo errou quando não poderia e em um jogo onde era tudo ou nada. Foi nada, mesmo estando tão perto. Isso o torna bode expiatório de boa parte de nossas críticas à seleção. Injusto.

No fundo, o volante paga por seus defeitos e pela insistência do técnico. Felipe poderia ser reserva de Gilberto Silva (deixando o inexplicável Josué de lado) e ceder espaço no time titular para um volante mais ofensivo como Julio Batista ou Ramires. Mas essa troca era dever do técnico. Dunga via o jogador como sua descoberta ou quase um filho ou ainda uma versão sua em uma nova era. Porém, Felipe era bem menos do que o incansável Dunga de 94.

É quase uma tragédia grega que seja este filho que tenha derrubado o time de Dunga. Os filhos sempre pagam os pecados dos pais e Felipe pagou pelas escolhas do ex-volante com a afobação de resolver um jogo onde não havia craques, porque eles não foram convocados. Herdou do nosso técnico toda ira e a uma marca triste e infeliz de alguns que insistem em denominar esta geração como "era Felipe Melo", um erro que já foi injusto uma vez.

É difícil ver em Felipe um jogador capaz de superar esses problemas, admitir sua falha gritante ao ser expulso (o que ainda não fez publicamente) e retomar seu posto de titular no grupo. A imprensa já deixa sua atuação em campo de lado para apurar notícias irrelevantes e baixas sobre sua vida pessoal.

Sem Gilberto Silva, ele poderia brigar por uma posição mais recuada com menos obrigações do que sua afobação permite. Apenas o jovem e técnico Airton, campeão brasileiro em 2009, parece ser um concorrente de peso para a posição. Mas é difícil ver no atleta a força para superar esse momento. Resta torcer para que ele prove sua semelhança com o capitão do time do tetra e volte para ajudar a liderar um time campeão. O futebol precisa de heróis, não de mártires.

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