E se Bruno for inocentado?

Publicado  segunda-feira, 19 de julho de 2010

O olhar distante, mas ainda com um quê de arrogante do atleta, as declarações apressadas de um delegado (que já se envolveu em criação de provas e condenação antes do julgamento) e a falta de confiança do próprio clube torna o atleta cada vez mais culpado. Mas e se a justiça brasileira, a mesma que já inocentou dezenas de criminosos à vista da opinião pública, decidir que Bruno não é culpado?

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, vista de forma excessivamente simpática pela imprensa, comunicou publicamente que mesmo inocente o goleiro não jogará mais pelo Flamengo. A torcida, que respirava tensa a cada cobrança de falta contra a meta rubro-negra, comemorou a execração pública do goleiro, que afasta seu nome do clube. A dirigente, que sempre se elegeu vereadora como "a candidata do Flamengo", ainda enviou uma carta avisando da demissão por justa causa. A decisão teria sido fundamentada por juristas do clube. Em 1987 o Flamengo foi campeão Brasileiro, mas perdeu o troféu na justiça porque seus advogados fizeram simplesmente... nada.

Carlos Eduardo Rangel, advogado especializado em Direito Desportivo, viu falhas na atuação do Flamengo que podem gerar um enorme prejuízo ao clube. O advogado criminalista e presidente da Comissão de Fiscalização e Defesa da Advocacia da OAB-SP, Mario de Oliveira Filho, já expôs as fragilidades desse caso. Antes mesmo de cogitar a demissão, profissionais como Juca Kfouri e Milton Neves (tão díspares quanto a água e o vinho) já pediam que parassem de ligar a imagem do goleiro ao Clube de Regatas do Flamengo. Será que era realmente necessária tanta execração pública culminando com uma carta de demissão enviada para a cadeia?

No país do futebol e da injustiça, Patrícia parece atender à ânsia da torcida e da imprensa ao invés de agir como uma estadista do tamanho de uma nação de 40 milhões de apaixonados. Se estiver errada, os seis milhões de euros da rescisão podem ser pouco além dos danos morais e de mais um exemplo de amadorismo rubro-negro. E certamente a ex-nadadora não pagará esta conta e nem sua gestão. Deixará para outro presidente, quem sabe alguém menos impulsivo.

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