O Brasil perdeu. Longa vida ao futebol brasileiro!

Publicado  sexta-feira, 2 de julho de 2010


O primeiro título que comemorei na vida foi o da Copa dos Estados Unidos que me fez ter aquele capitão enérgico e de muita gana pela taça como um ídolo. Apenas um adolescente, não percebi o custo que 94 ainda nos cobraria.

Desde então discutimos se vale mais ganhar como em 94 ou jogar bonito e perder como em 82. Como se em todas as Copas, seleções que jogam mal não caíssem na primeira fase e apenas poucas que não sabem jogar ficam e sempre são classificadas como zebras. Como se não fôssemos o maior vencedor de Copas do Mundo, único a vencer a competição fora do seu continente e não fizéssemos o mundo nos invejar pelo futebol que construímos.

Mas o título de 94 apagava todo esse debate e explicava todos os resultados. Os fins justificam os meios, mesmo que seja com um lateral improvisado de meia. Assim a Copa de 98 não perdemos para um time melhor, mas para alguma conspiração absurda e propagada em correntes de e-mail. Em 2002, foi apenas Felipão e não a efetividade de Ronaldo, os dribles de Denílson e de outros jogadores que nos deram o título. E em 2006 foi apenas o oba-oba. Só isso.

Então encerramos a empáfia, o time fechou com o futebol de resultados e seríamos campeões. Mas não fomos. E aí? Caímos nas quartas de final com uma falha bizarra de defesa do mesmo jeito.

Perder e vencer é imprevisível. Todos já perdemos e não há quem nunca tenha cantado alguma vitória. Mas nesses 16 anos aceitamos trair o que fez o futebol brasileiro ser patrimônio cultural em nome do placar. Aquele mesmo. O placar traíra, injusto, surpreendente... É isso que queremos?

Mais do que perder, precisamos aceitar que o fundamental é jogar como a gente gosta. É ter uma seleção que jogue a lá brasileira e não com a melhor defesa do mundo e sem um único craque no ataque. O importante não é participar, é representar o esporte em que você acredita. O esporte que representa você.

E se ganhar jogando feio é melhor do que perder jogando bonito, é inegável que perder sem jogar como se pode é sempre a pior e mais indiscutível das derrotas. Especialmente com um time que é tão a cara do nosso próprio técnico. Difícil trabalho da crônica esportiva explicar o que o resultado de hoje encerra neste capítulo do futebol brasileiro. O que se espera é que hoje tenhamos realmente terminado com uma era. Não a era Dunga, mas a era do futebol de resultados.

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