O pênalti que Neymar não perdeu!

Publicado  quinta-feira, 29 de julho de 2010



O futebol vive uma era chata onde o resultado apaga todas as discussões. Melhor do que se divertir com o jogo é ganhar, ganhar e ganhar. A era dos resultados ofusca o maior prêmio que o esporte traz: o abstrato. Nunca foi apenas a taça e as medalhas, mas a jornada. Hoje, torcedores se acostumaram a taxar de omissão quem tentou e não conseguiu. Bom é quem vence, mesmo que não seja da forma que o esporte pede.

E no meio de tudo isso está o time mágico do Santos. Garotos que se recusam a segurar o jogo, fazer a maldita falta técnica e outros recursos pouco éticos com a tradição futebolística. Meninos que insistem dizer "não" a todos os "mata a jogada" dos gramados. E é Neymar, muitas vezes superestimado, o que mais sofre com o peso dessa proposta. De dribles curtos e rápidos já é ofendido pelos adversários como se errado fosse quem dribla.

Você não verá nenhum torcedor reclamando do zagueiro que faz uma falta grave para impedir o gol adversário e ouvirá aplausos daquele jogador que admitiu algum recurso malandro como drogar um jogador do outro time. Porém, Neymar ouvirá todas as vaias do mundo. Afinal, ele cometeu um pecado imperdoável: cobrou um pênalti com jeito de moleque, batida de pelada e de forma ousada e alegre. Ouvirá todas as críticas. Afinal, errado é quem tenta fazer diferente da mediocridade atual. Os ditos amantes do futebol de hoje em dia queriam que Neymar cobrasse de bico, comemorasse esbravejando palavrões e batendo com força no peito.

Não faça isso, garoto. Chute com categoria e personalidade. Desse jeito, você não perderá nenhum pênalti mesmo que as bolas, esse objeto que nem sempre vem com senso de oportunidade, não entrem. O futebol agradece.

Sem coluna

Publicado  

Apenas recomendo o forte texto do jornalista Lúcio de Castro a respeito da nova realidade de Zico na Gávea. E lembre-se: quanto menos a torcida apoiar, mais fácil fica para as previsões sinistras se concretizarem em cada clube. Essa realidade não é exclusividade do Flamengo.

Então responda: você está a par da realidade do texto? E tem feito o quê contra ela?

Felipe Massa: o misericordioso dos domingos!

Publicado  domingo, 25 de julho de 2010

Virou hábito no país de futebol levantar um pouco mais cedo no sétimo dia da semana e não para ir à Igreja - para assistir as corridas de Fórmula 1. Ainda há quem lute o bom combate e continue assistindo os campeonatos mesmo que lamente as armações, mas eu já desisti há tempos. Hoje, Felipe Massa abriu mão da vocação para atleta e se revelou um ótimo cumpridor de contratos.

Massa, que ao chegar na Ferrari mostrava personalidade e negava enfaticamente a possibilidade de repetir os erros de Rubinho Barrichello. Pois repetiu. E deixou claro para quem ainda acorda cedo aos domingos: desista. Ou entenda que não verá um esporte, mas um negócio em tempo real. Onde, ao invés da superação, teremos sempre empresários astutos e negociadores hábeis, um mundo de babacas. Assistir a Fórmula 1 não revela mais nenhum momento mágico, apenas cláusulas minúsculas.

Esse é o legado do piloto brasileiro: se mostrou um covarde e nos poupou de acreditar nas manhãs de domingo. Foi o tiro da misericórdia em nosso amor por esse esporte.

Porque cada repórter que cobrir a competição de automobilismo não pode mais pensar em questionar quem será o melhor piloto da temporada. Hoje, a Fórmula 1 revela somente quem tem o melhor contrato.

A lição que Muricy deixa!

Publicado  sábado, 24 de julho de 2010


Um dia. Foi o tempo que Muricy Ramalho foi técnico da seleção brasileira. Não tenho dúvidas de que seria uma péssima escolha, mas não deixa de ser impressionante sua recusa e de ver que o Fluminense demonstrou uma grandeza à altura de seu aniversário. Afinal, deixar Ricardo Teixeira em uma situação tão desconfortável será sempre bom. Mas o legado do técnico é maior do que isso.

Muricy não abriu mão de trabalhar no projeto que se comprometeu. Claro que ele também será um dos três frustrados nessa história e vai ter sua dose de tristeza. Mas em um meio tão sujo e egoísta, o técnico foi limpo, justo e coerente.

Ele não foi capaz de treinar um time que jogasse um futebol empolgante. Nunca será o técnico dos meus sonhos para a seleção. Mas nesta sexta-feira, Muricy demonstrou que nada é mais importante do que ser correto. Nem nosso maior sonho. Que sirva de exemplo para o próximo técnico que deve valorizar o que somos e não ter medo de perder.

Obrigado, Muricy.

Era Muricy: um minuto de silêncio pela seleção!

Publicado  sexta-feira, 23 de julho de 2010

O futebol brasileiro já se notabilizou pelo drible desconcertante e pelo passe em profundidade. Havia ainda o chute da folha seca de Didi, as cobranças de faltas magistrais de Zico e o décimo-primeiro passageiro: Pelé, o extraterrestre atleta do século. Após o fim da Era Dunga, a CBF reafirma de vez seu compromisso com o futebol de resultados e efetivou Muricy Ramalho, o professor que foi tricampeão brasileiro sem conseguir fazer seu time jogar bola.

Muricy: aquele que sugeriu aos que queriam ver espetáculo que fossem ao show da Ivete Sangalo e que sacramentou o erro abissal comum entre técnicos brasileiros: transformar volantes brilhantes em meias medianos. Aquele que escalou o São Paulo inúmeras vezes com três zagueiros atrás, quatro volantes no meio e mais dois volantes pelas pontas e um solitário Borges entre os zagueiros. Muricy, aquele que não gosta de conversar com jogadores "pois não é psicólogo".

Ricardo Teixeira sai do posto de dirigente e assume seu compromisso com a antropologia. Afinal, somente o folclore explica essa escolha. Muricy bradará suas frases de efeito sobre trabalho, sorte e futebol-arte, os repórteres mais jovens vão achar engraçados e terão suas manchetes de graça e o espectador que não liga para futebol talvez até aplauda o jeito simplista do técnico. Pobre daqueles que gostam de futebol. Pobre do futebol brasileiro. Começou a era Muricy, mas a impressão que tenho é que algo que a era Dunga começou ainda não terminou como eu gostaria. Pobre de nós.

Por que o Flamengo não contrata?

Publicado  quinta-feira, 22 de julho de 2010

Independente de haver torcedores exagerando, parece fato que o rubro-negro ainda não teve contratações à altura do que se espera de um time campeão brasileiro. No sétimo mês do ano, o culpado parece ser sempre o dirigente da semana passada, a presidente do clube e até o pobre do twitter. Se a gente fizer uma retrospectiva rápida encontra os motivos.

A maioria das contratações começou a ser negociada pouco antes do início da Copa do Mundo. Boa parte delas, ainda antes. Há dois meses, a imprensa colocava Belletti próximo do Flamengo, uma contratação que começou a ser costurada antes do vice de futebol Marco Braz ser demitido. Hoje, o jogador é do Fluminense (pessoalmente, acho melhor assim).

Justamente no período em que a maioria dos times fecha 80 ou 90% do seu elenco, o clube ficou sem uma diretoria de futebol e nenhum comando. Perdeu a chance de fechar o seu pacotão que formaria um elenco competitivo e o constrangedor conselho montado um mês após a demissão do vice não retomou as negociações que Braz começou (com a exceção de Correa, que parece realmente ser útil) e sequer buscou outros caminhos. Falou-se em sondagens por jogadores como Thiago Humberto (que ontem seria útil para substituir Petkovic, por exemplo), mas o que se ouve e o que parece é que nunca houve negociações com jogador algum antes de Zico chegar. Apenas telefonemas. Afinal, quando o Vitória contrata um jogador que o Flamengo dizia ter interesse não dá para levar a sério o "interesse".

Nesse período, a diretoria acertou com Jean, que ninguém queria, Jones Carioca e Correa, negociações costuradas por um vice demitido há meses, e Val Baiano (que depois daquela declaração sobre mala branca, considero uma contratação no mínimo incoerente) e a incógnita chamada Borja. Há também o promissor Marquinhos, que não joga bem há pelo menos um ano. Com exceção do ex-volante do Atlético-MG, nenhum deles leva pinta de que será titular absoluto. Pode ser que emplaquem? Sim. Mas são todas incertezas que não estão à altura dos titulares que o clube perdeu.

De lá pra cá, o Palmeiras arrumou a casa pra lá de bagunçada e contratou Kléber, que o Flamengo negociou mas demorou a retomar e perdeu; o Internacional trouxe Rafael Sóbis (mesmo problema do Gladiador) e por aí vai. Reveja todas as contratações para ataque, meio e defesa de outros times e tente lembrar o que o rubro-negro fazia nessa ocasião. A diretoria se valeu da contratação de Zico e fez boa parte da torcida acreditar que era para esperar o Galinho tomar posse. Que ele resolveria tudo. Zico pode ser rei, mas não é milagreiro. Ninguém é capaz de alterar as leis práticas do mercado. Com menos de um mês de cargo, ele vê a maioria das opções já negociadas e tem a opção de endurecer ou fazer loucura. Felizmente, tem sido coerente com o que sempre pregou e mantido o pé no chão.

Independente do Brasileiro, a gestão atual falhou em outros pontos. Juan já pode assinar pré-contrato com qualquer outro clube e sair de graça, por exemplo. Bola cantada em qualquer fórum ou blog esportivo. Isso para não falar que desde o início do ano, todos sabiam que dificilmente o clube manteria sua dupla de ataque. A diretoria teve seis meses para aproveitar o sucesso do Império do Amor e negociar com calma os substitutos, mas simplesmente deixoupralá. Falou-se em Sóbis, Kléber, Sheik, Gaúcho e a realidade é apostar em um promissor atacante que há dois meses estava nos juniores.

O Flamengo perdeu o prazo para negociar. Um erro tão básico que qualquer torcedor que participa de fóruns de discussão já sabia e preveu. Agora, é fácil jogar nos ombros de Zico a responsabilidade por seis meses em que Patrícia Amorim não fez absolutamente nada senão cruzar os braços e assistir um time campeão brasileiro se desfazer. Resta ao maior ídolo do clube a serenidade de prestigiar quem está no clube e administrar com os pés no chão. Custe o que custar. Infelizmente, é o ônus que a omissão administrativa de diretores, conselheiros e presidente lhe deixou.

******

Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço.

Flu chega aos 108 anos com pouco da sua tradição!

Publicado  quarta-feira, 21 de julho de 2010


O Fluminense chega aos seus 108 anos gabando-se de ter conseguido um título no seu centenário, ao contrário de seu maior rival, o Flamengo. É pouco. É muito pouco. O mais tradicional tricolor do futebol brasileiro conseguiu durante os últimos seis anos apenas dois títulos: um desprezível estadual e uma copa do Brasil, saudada como se fosse um título nacional contra times da série A. Não é.

É pouco. É muito pouco.

Os 108 anos do Fluminense marcam o terceiro aniversário sem que o clube tenha a hegemonia de maior vencedor de títulos estaduais, como foi durante décadas. Há três anos, o clube era alcançado e depois superado pelo Flamengo. O maior oponente do time há tanto tempo sem ser campeão, é hexacampeão brasileiro com uma taça que uma geração inteira de tricolores nunca viu. Mal conhece.

É pouco. É muito pouco.

Este Fluminense é a cara de seu presidente: o cardiologista Horcades. Mais gordo que qualquer velho bufão, com uma fala estufada e com um aspecto que causa riso. Em 2010, o Flu gasta quantias vultuosas para finalmente parecer ter chances reais de ser campeão ao invés de brigar contra o rebaixamento como nos últimos dois anos. Ainda que seja o líder na última rodada, é pouco.

É muito pouco.

Ricardo Gomes: é hora de sair!

Publicado  terça-feira, 20 de julho de 2010

O sorriso simpático e a paciência nas entrevistas combinam com o estilo técnico quando zagueiro e com a imagem que o São Paulo sempre quer passar. Ricardo Gomes sem poder jogar futebol parece até mais um executivo brasileiro com hábitos franceses do que um técnico de futebol, mas não basta para o mercado brasileiro. Com cerca de vinte anos de carreira, ele possui apenas um único e inexpressivo título: uma Copa Nordeste pelo Vitória.

Gomes há tempos não é um técnico adequado para um clube grande como o tricolor paulista. Os esquemas hesitantes e os resultados fracos tornaram sua contratação uma decisão quase irresponsável do presidente Juvenal Juvêncio. Quase.

Após três anos de Muricy Ramalho, o Morumbi exalava a tensão do técnico que está no Fluminense. Os jogadores se dividiam entre a irritação e o acomodamento. Com sua fala mansa e jeito amigo, Gomes conquistou a todos e até conseguiu recuperar como Borges, Oscar (que teve suas melhores atuações pelo clube), Richarlyson e Dagoberto. Surpreendentemente chegou a disputar e a estar bem perto do título brasileiro em 2009, mas perdeu para um arrebatador e irresistível Flamengo.

As vésperas de uma semifinal de Libertadores, o SPFC perdeu dois jogos no campeonato Brasileiro e aguarda um embalado Internacional. As conversas de Gomes já melhoraram o ambiente tenso no Morumbi ao máximo que poderiam. Novos ares e novas idéias são indispensáveis para que o clube volte a crescer e encontre novas caras que o levem a disputar o hepta. Com Adílson Batista desempregado e Silas balançando no Grêmio faltam poucos jogos para que le professeur leve sua classe para outro lugar e dê lugar a um técnico de verdade.

E se Bruno for inocentado?

Publicado  segunda-feira, 19 de julho de 2010

O olhar distante, mas ainda com um quê de arrogante do atleta, as declarações apressadas de um delegado (que já se envolveu em criação de provas e condenação antes do julgamento) e a falta de confiança do próprio clube torna o atleta cada vez mais culpado. Mas e se a justiça brasileira, a mesma que já inocentou dezenas de criminosos à vista da opinião pública, decidir que Bruno não é culpado?

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, vista de forma excessivamente simpática pela imprensa, comunicou publicamente que mesmo inocente o goleiro não jogará mais pelo Flamengo. A torcida, que respirava tensa a cada cobrança de falta contra a meta rubro-negra, comemorou a execração pública do goleiro, que afasta seu nome do clube. A dirigente, que sempre se elegeu vereadora como "a candidata do Flamengo", ainda enviou uma carta avisando da demissão por justa causa. A decisão teria sido fundamentada por juristas do clube. Em 1987 o Flamengo foi campeão Brasileiro, mas perdeu o troféu na justiça porque seus advogados fizeram simplesmente... nada.

Carlos Eduardo Rangel, advogado especializado em Direito Desportivo, viu falhas na atuação do Flamengo que podem gerar um enorme prejuízo ao clube. O advogado criminalista e presidente da Comissão de Fiscalização e Defesa da Advocacia da OAB-SP, Mario de Oliveira Filho, já expôs as fragilidades desse caso. Antes mesmo de cogitar a demissão, profissionais como Juca Kfouri e Milton Neves (tão díspares quanto a água e o vinho) já pediam que parassem de ligar a imagem do goleiro ao Clube de Regatas do Flamengo. Será que era realmente necessária tanta execração pública culminando com uma carta de demissão enviada para a cadeia?

No país do futebol e da injustiça, Patrícia parece atender à ânsia da torcida e da imprensa ao invés de agir como uma estadista do tamanho de uma nação de 40 milhões de apaixonados. Se estiver errada, os seis milhões de euros da rescisão podem ser pouco além dos danos morais e de mais um exemplo de amadorismo rubro-negro. E certamente a ex-nadadora não pagará esta conta e nem sua gestão. Deixará para outro presidente, quem sabe alguém menos impulsivo.

E lá vem o Corinthians ?

Publicado  domingo, 18 de julho de 2010

Novamente um time de massa, um grande centroavante contestado mas com potencial e com um time sólido. Na força da Fiel, os comandados de Mano Menezes se mantém na liderança mesmo após a pausa da Copa do Mundo e querem repetir o feito flamenguista em 2009. Com muito mais força que o Fla em 2008 e demonstrando uma solidez equivalente à do Cruzeiro em 2003, o Corinthians parece disposto a apagar de vez o rebaixamento de 2007 e dois anos depois do título brasileiro na série B quer conquistar o penta, se a realidade deixar.

Sim, porque o Corinthians não joga apenas contra os adversários, mas contra a força dos acontecimentos. A maior folha salarial do campeonato Brasileiro se revelou insustentável após a eliminação na Libertadores e deve perder jogadores. Os reforços rareiam e no noticiário as disputas políticas de André Sanches e a possível saída de Mano Menezes para a seleção é uma ameaça. Afinal, o gaúcho vem de anos de trabalhos sólidos e será difícil conseguir um substituto à altura.

Ansiosa, a Fiel segue jogo à jogo torcendo e na expectativa. Resta ao Corinthians dar tempo ao tempo e contar com a paciência dos adversários. Tanto melhor se encararem o Timão como um cavalo paraguaio. Quando acordarem, pode ser tarde demais.

O épico Flamengo

Publicado  quinta-feira, 15 de julho de 2010


Deixe o time entrar com doze em campo, escale os titulares de uma final de Copa do Mundo e, se possível, faça Zico jogar alguns minutos. Tudo isso pode. Só não pode enfrentar um Flamengo enfraquecido. Jamais. Se recuse a entrar em campo contra um rubro-negro desfalcado, humilhado e em crise. Nunca. Nunca dispute uma partida contra o Urubu nessas condições. Postergue, adie, alegue que não é possível comparecer e fuja. Mas não apareça.

Prefira sempre o Flamengo fortalecido, cheio de reforços, com a torcida confiante e toda pompa. Estimule o oba-oba, conte com uma cobertura positiva da imprensa nessa semana e, se possível, grite "seremos campeões" com a magnética. Tudo, tudo isso é aceitável só descarte jogar contra um time desfalcado, com um atacante desconhecido ou com problemas extracampo. Não! Não aceite jamais jogar contra o Flamengo enfraquecido.

Porque é nessas horas que o gigante adormecido ressurge. É nas derrotas iminentes, prováveis e inevitáveis que o Flamengo aparece como um murro na cara para zombar das profecias inabaláveis. É justamente na certeza de sua derrota que o rubro-negro aparece e se firma como a única probabilidade. Não duvide disso nunca.

E é como se desprezasse todas as previsões clichês, o Manto ainda carrega a surpresa de transformar um desconhecido em craque, de fazer do subestimado um deus e de fazer daquele que entra com a camisa um avatar do seu poder. Vitória com gol de Paulo Sérgio? Nada mais previsível. Todo mundo sabe que não é bom enfrentar o Flamengo assim.

******

Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço.

Foto: Vipcomm

Qual Flamengo o Botafogo vai enfrentar?

Publicado  quarta-feira, 14 de julho de 2010

"É um rival terrível", foi a descrição do Flamengo que o técnico Joel Santana, com passagens marcantes pelo clube rubro-negro, fez ao comentar o duelo de hoje à noite. Natalino não é versado nos treinos táticos necessários para o 4-2-3-1 que se consolidou na Copa do Mundo, mas é o típico malandro carioca. Boleiro, sabe bem o que significa cada momento.

O atual campeão brasileiro é um time muito inferior ao seu primeiro semestre, graças à omissão de sua presidente. Ainda assim, talvez seja menos incompetente do que sua própria torcida acredite. O meio campo é de boa qualidade, a zaga é razoável, mas o ataque é digno da descrição de Joel: terrível. A incógnita Diego Maurício e o velocista Vinícius Pacheco são os responsáveis pelo gol. Dois jogadores que sequer têm um sobrenome desnecessário para quem conheceu os craques de antigamente.

Até parece desigual. O rubro-negro é um clube ainda em busca de recuperar sua identidade enquanto o rival alvinegro caminha a passos largos para recuperar a auto-estima da Estrela Solitária. O Botafogo confia nos pés do superestimado Maicossuel, da revelação em recuperação Jóbson e do ousado Loco Abreu. Para muitos pode ser pouco, mas é mais do que o Flamengo tem hoje. Porém, a mística do futebol tem inúmeros capítulos onde o fraco se tornou forte e vice-versa. O oráculo Joel sabe que a esfinge rubro-negra ainda não está morta e vai esperar até o último minuto em busca do fim de mais um tabu. Afinal, clássico é clássico.

Hesitante Espanha decide o futebol que queremos!

Publicado  domingo, 11 de julho de 2010

Em diversos times humildes ou estelares é fundamental o homem-gol. Aquele que transforma qualquer jogada no momento máximo de futebol. Ai daqueles times que não possuem este herói. Costumam ser fadados à mais cruel sentença esportiva: jogamos como nunca, perdemos como sempre.

A Espanha exerceu o melhor futebol dessa Copa do Mundo, mas sentiu bastante a falta deste tipo de craque. Torres jamais esteve à altura da responsabilidade, chegando ao ponto de sentir uma contusão em um momento da final onde precisava apenas puxar a marcação do adversário. E Villa foi um craque tão decisivo quanto hesitante, uma alegoria do próprio time da Espanha.

A Fúria jogou muito mais do que fez gols. O futebol costuma ser cruel com times assim.

E desta vez os deuses do esporte não aceitaram o clichê "quem não faz, leva" e se encarregaram de dar a taça à seleção que mais criou jogadas, mais atacou e que conseguiu vencer da poderosa e promissora Alemanha, talvez o mais perigoso adversário da competição.

A Espanha não foi um campeão que se impôs nos resultados, mas em um futebol melhor. Encantou em cada jogo, mas fez poucos gols. Quase como se zombasse do futebol de resultados: um a zero? Só se for com lançamentos, dribles e um time técnico. Sem pontapés ou chutões, a Espanha obteve os mesmos placares de outros times com seus onze volantes e venceu de uma Holanda mais mecânica e menos laranja, mais dunguista e menos cruyffiana. A injustiça que a Fúria obteve não foi nas vitórias, mas por estas não serem mais elásticas.

Com toda sua hesitação, os espanhóis envergaram o estilo que queremos: mais futebol, menos resultados e mais alegria. 2014 já começou. Parabéns, Espanha.

A Alemanha que virá em 2014

Publicado  sábado, 10 de julho de 2010

A derrota faz alguns times crescerem. Há diversos casos na história e os brasileiros sabem bem qual o final que a geração que fracassou na Copa de 90 teve. O espírito dos vencedores não é forjado nos momentos felizes, mas na dor da derrota.

É quando aprendem a se superar, embora a vitória molde a personalidade e a confiança. O grande atleta é o que sabe o quanto deve vender caro a decepção da derrota e como vale pagar tudo pela alegria da vitória. A personalidade pode nascer das vitórias obtidas, mas o foco e a vontade surgem de lutar contra derrotas que não acabam.

A poderosa Alemanha tem nove jogadores que terão menos de 30 anos quando desembarcarem no Brasil. É uma geração inteira que acertou e fracassou em um dia ruim para uma geração da Espanha que joga um grande futebol. Futebol de campeão.

O Brasil perdeu a chance que a Alemanha não desperdiçou. Em 2014 terão a mesma base, entrosada e competitiva. Com a derrota nas semifinais serão um time mais experiente, com a mesma qualidade e dispostos a apagar sua eliminação e obter mais do que os dois terceiro lugares. Esta pode ser a grande inimiga para o hexa em 2014, que pode apagar nosso maior fracasso esportivo ou consolidar nossa maior vergonha. O Brasil é o único que precisa não de um nascimento, mas de um título naquele ano.

Brasil: campeão mundial de 2010!

Publicado  



Há alguns dias, falamos do time de funcionários do Sesi que disputava o mundial da Estônia. Ao contrário da seleção de Dunga, os operários conseguiram o título. Não vai ter sequer uma fração da repercussão, mas que seja um bom auspício para 2010.

Todos os inocentes Brunos

Publicado  sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ele não é goleiro e ainda não jogou uma bola. É possível dizer que o bizarro caso da morte de sua mãe, pode afastá-lo de qualquer relação com a profissão do pai e é torcer muito para que seus avós, que abandonaram uma filha à própria sorte, lhe dêem uma boa criação. Bruninho, filho de Elisa Samudio e possivelmente do nosso (ex) goleiro, não é a única pequena vítima nesses dias tristes e negros. Há milhares de pequenos rubro-negros confusos e sem entenderem como um ídolo pode também ser um bandido, como um herói pode ser um vilão. E há quem diga que a confusão de seus pais não é menor.

Crianças são inocentes. Não entendem que dificilmente há somente o bem ou o mal, mas um universo imenso entre essas duas vertentes. Até que compreendam, precisam de exemplos sólidos dos dois lados para formar seu caráter. Pais fazem isso em primeira instância, mas são humanos. Atletas, cantores e outras celebridades costumam parecer mais do que isso, embora não sejam.

Ainda não sou pai, mas se quem lê este texto tem um filho flamenguista que não entende o que está acontecendo evite apagar a discussão. Converse. Explique que quem enverga a camisa é imperfeito, mas a condição de ídolo vem mais do manto do que do humano. Épicos são aqueles que se confundem e fazem a torcida se confundir. Era heróico pelas cores ou pelas atuações? Diga a ele que se alguém tem apenas uma boa passagem vai passar, mas o manto fica. E sempre haverá quem se confunda com ele e pareça ter nascido para jogar com aquela camisa.

Para todos os pais e adultos, por mais que haja uma mancha diga que as cores rubro-negra são fortes, absorventes. Retém qualquer sujeira e enfraquecem qualquer marca que queira se destacar. Todos nós cometemos nossos erros de avaliações, nossos pré-julgamentos e preconceitos. Aprendemos com eles. Porque nós passamos, mas o que acreditamos sempre fica. Independente de quem passe na nossa frente.

É melhor assim.


******

Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço.

Twitter: quem seguir para obter informações?

Publicado  quarta-feira, 7 de julho de 2010

São 140 caracteres o que permite pouco conteúdo, mas o suficiente para um link ou uma frase polêmica. Parece pouco, mas o Twitter, ferramenta de microblogging, é capaz de semear informações em uma velocidade absurda. E também boatos. É impressionante o número de retweets e citações em blogs e fóruns esportivos de perfis que simplesmente mentem, chutam ou divulgam informações de contratações ou envolvendo outros assuntos de esportes sem a menor apuração. De quem é a responsabilidade? Nossa.

Saiba aqui de três critérios simples e objetivos para evitar perfis fakes ou que não têm credibilidade:

1- Listas: Mais importante do que volume de seguidores (que pode ser adquirido por meio de scripts ou mesmo com um perfil fake, como faz o falso perfil do Pedro Bial), o número de listas indica quantos usuários confiam naquele usuário, mas não é só isso que vale conferir. Procure os perfis oficiais de jornalistas ou fontes de informação com contas verificadas ou que já tenham sido oficialmente confirmados como os verdadeiros. O jornalista Gustavo Poli fez uma lista de profissionais do Globo Esporte, por exemplo. O que permite que você tire a dúvida se o @joseilan é ou não o verdadeiro (a propósito: é o oficial mesmo).

2- Volume de seguidores: Esse é um critério complicado. O fake do Cléber Machado quase 60 mil seguidores e, embora use tweets irônicos, há sempre quem acredite. O ideal é tentar checar se alguém com credibilidade segue o perfil. Procure se informar com ele se aquela arroba é confiável.



3- Citações no twitter: Procure no search twitter e procure saber o que falam do perfil. Já fiz denúncias com um perfil que soltava especulações como se fossem apuradas ou informações verdadeiras, que apareceriam em uma busca assim. Também é possível usar ferramentas que indicam relevância como o tweetlevel e twitalizer e comparar com outros perfis oficiais para confirmar se a relevância daquele perfil está à altura do que ela promete oferecer.

4- Siga: Se tudo o mais falhar, acompanhe as atualizações e preste atenção no tom das mensagens, mas tome cuidado. Afinal, o fato de você seguir pode indicar para seus seguidores que aquele perfil é confiável. De qualquer jeito, se chegar neste critério evite retwitar qualquer mensagem. Lembre-se: é você dizendo aos seus seguidores que aquele tweet é relevante.

Dificilmente qualquer um desses critérios funciona sozinho. Faça uso deles em conjunto que se não serão 100% corretos (especialmente com perfis recentes), vão tornar beeeem difícil que você erre e siga alguém que te engane.

Um exemplo prático da importância de cada um fiscalizar as informações que lê: há algumas semanas, notei um twitter que se denomina SoccaNews, que é atualizado por um twiteiro chamado Ivan Pantaleão. Na bio do perfil os responsáveis dizem do que comentam: "SoccaNews, a rádio que soca notícias! Notícias exclusivas, transmitidas de maneira irreverente pela nossa equipe". Tudo mentira. O perfil é usado para roubar a informação de outros veículos ou repórteres e usar como se fossem suas e para divulgar chutes do autor. Mais de 220 pessoas seguem. São 220 usuários enganados. Um dos casos foi quando usou informações exclusivas de Fabio Levy, que é ligado à diretoria do Flamengo e que costuma acertar boa parte do que fala. Repare na timeline e perceba que o soccanews atualiza as mesmas informações com outro texto minutos depois:

Minutos depois, Levy avisava que a notícia poderia demorar mais do que havia deixado claro. E o que o SoccaNews faz?

Denunciei a semelhança ao @LevySRN que confirmou que não tinha nenhuma relação com o canal e chegou a reclamar dessa falta de crédito. Através do SoccaNews, Ivan Pantaleão reagiu insinuando que já tinha soltado informações exclusivas (que na verdade diversos veículos já haviam dado) e me respondeu (antes de me bloquear) insinuando que possui alguma fonte nos bastidores dos clubes. Pouco tempo depois, ele confirmou que chuta informações como se fossem de "fontes melhores do que as suas", ao comentar um tweet onde escreveu que a próxima edição de uma revista esportiva teria Zico na capa.


Assim como o SoccaNews, outros perfis jogam informações como se fosse a mais pura verdade. Não apenas de esportes, mas de outros segmentos. Evite seguir e passá-las para frente. Desse jeito, seus seguidores saberão que você é uma pessoa que filtra e não que está preocupada em passar fofocas ou chutes pra frente como se fossem informações.

O mártir Felipe Melo

Publicado  domingo, 4 de julho de 2010

Desde os primeiros jogos no Flamengo, o volante sempre foi subestimado. Felipe possuía bom porte físico, habilidade e boa noção de marcação, mas padecia de um mal comum em craques formados na Gávea: a empáfia. Se achava melhor do que era. O defeito o perseguiu em outros clubes assim como sua paixão por festas e pouco rigor com a carreira. Em algum momento, ele percebeu o erro que cometia, levou a sério sua carreira e se tornou outro jogador. Alcançou a seleção, improvável mesmo nas divisões de base onde conviveu com Jônathas e Ibson, bem mais técnicos e promissores do que ele.

Após um início promissor com a amarelinha, Felipe começou a ser contestado depois de uma temporada decepcionante na Juventus e lances que lembravam muito seu início de carreira. Mais uma vez Felipe era Melo. Irritado, afobado e alcançando o auge desse temperamento indigno para um titular do escrete canarinho em uma discussão sem razão ao vivo na ESPN com PVC.




A atitude pouco condizente com o cargo de Dunga, não ajudou a pressão que seu grupo sofreu. Pelo contrário, tornou suas escolhas com menos direito de errar. E Felipe Melo errou quando não poderia e em um jogo onde era tudo ou nada. Foi nada, mesmo estando tão perto. Isso o torna bode expiatório de boa parte de nossas críticas à seleção. Injusto.

No fundo, o volante paga por seus defeitos e pela insistência do técnico. Felipe poderia ser reserva de Gilberto Silva (deixando o inexplicável Josué de lado) e ceder espaço no time titular para um volante mais ofensivo como Julio Batista ou Ramires. Mas essa troca era dever do técnico. Dunga via o jogador como sua descoberta ou quase um filho ou ainda uma versão sua em uma nova era. Porém, Felipe era bem menos do que o incansável Dunga de 94.

É quase uma tragédia grega que seja este filho que tenha derrubado o time de Dunga. Os filhos sempre pagam os pecados dos pais e Felipe pagou pelas escolhas do ex-volante com a afobação de resolver um jogo onde não havia craques, porque eles não foram convocados. Herdou do nosso técnico toda ira e a uma marca triste e infeliz de alguns que insistem em denominar esta geração como "era Felipe Melo", um erro que já foi injusto uma vez.

É difícil ver em Felipe um jogador capaz de superar esses problemas, admitir sua falha gritante ao ser expulso (o que ainda não fez publicamente) e retomar seu posto de titular no grupo. A imprensa já deixa sua atuação em campo de lado para apurar notícias irrelevantes e baixas sobre sua vida pessoal.

Sem Gilberto Silva, ele poderia brigar por uma posição mais recuada com menos obrigações do que sua afobação permite. Apenas o jovem e técnico Airton, campeão brasileiro em 2009, parece ser um concorrente de peso para a posição. Mas é difícil ver no atleta a força para superar esse momento. Resta torcer para que ele prove sua semelhança com o capitão do time do tetra e volte para ajudar a liderar um time campeão. O futebol precisa de heróis, não de mártires.

O Brasil perdeu. Longa vida ao futebol brasileiro!

Publicado  sexta-feira, 2 de julho de 2010


O primeiro título que comemorei na vida foi o da Copa dos Estados Unidos que me fez ter aquele capitão enérgico e de muita gana pela taça como um ídolo. Apenas um adolescente, não percebi o custo que 94 ainda nos cobraria.

Desde então discutimos se vale mais ganhar como em 94 ou jogar bonito e perder como em 82. Como se em todas as Copas, seleções que jogam mal não caíssem na primeira fase e apenas poucas que não sabem jogar ficam e sempre são classificadas como zebras. Como se não fôssemos o maior vencedor de Copas do Mundo, único a vencer a competição fora do seu continente e não fizéssemos o mundo nos invejar pelo futebol que construímos.

Mas o título de 94 apagava todo esse debate e explicava todos os resultados. Os fins justificam os meios, mesmo que seja com um lateral improvisado de meia. Assim a Copa de 98 não perdemos para um time melhor, mas para alguma conspiração absurda e propagada em correntes de e-mail. Em 2002, foi apenas Felipão e não a efetividade de Ronaldo, os dribles de Denílson e de outros jogadores que nos deram o título. E em 2006 foi apenas o oba-oba. Só isso.

Então encerramos a empáfia, o time fechou com o futebol de resultados e seríamos campeões. Mas não fomos. E aí? Caímos nas quartas de final com uma falha bizarra de defesa do mesmo jeito.

Perder e vencer é imprevisível. Todos já perdemos e não há quem nunca tenha cantado alguma vitória. Mas nesses 16 anos aceitamos trair o que fez o futebol brasileiro ser patrimônio cultural em nome do placar. Aquele mesmo. O placar traíra, injusto, surpreendente... É isso que queremos?

Mais do que perder, precisamos aceitar que o fundamental é jogar como a gente gosta. É ter uma seleção que jogue a lá brasileira e não com a melhor defesa do mundo e sem um único craque no ataque. O importante não é participar, é representar o esporte em que você acredita. O esporte que representa você.

E se ganhar jogando feio é melhor do que perder jogando bonito, é inegável que perder sem jogar como se pode é sempre a pior e mais indiscutível das derrotas. Especialmente com um time que é tão a cara do nosso próprio técnico. Difícil trabalho da crônica esportiva explicar o que o resultado de hoje encerra neste capítulo do futebol brasileiro. O que se espera é que hoje tenhamos realmente terminado com uma era. Não a era Dunga, mas a era do futebol de resultados.

O hexa está perto!

Publicado  


O espetáculo patético da França e da Itália deixou o caminho mais fácil. Logo nas oitavas caiu a melhor geração da Inglaterra em anos e nas quartas de final Argentina ou Alemanha deixarão o caminho ainda mais fácil. Enquanto isso, o Brasil enfrentou uma seleção portuguesa desinteressada na vitória, e um Chile que ousou jogar como se fosse Brasil e perdeu como o Chile que é.

O Hexa está próximo. Passando da Holanda, o Brasil enfrentará a seleção dos esforçados uruguaios ou os alegres guerreiros de Gana, que já chegarão mais longe do que poderiam. Antes mesmos das quartas, o Brasil já está a um passo da final da Copa do Mundo. Dunga não deixará que o vírus do oba-oba contamine os jogadores. Afinal, ele é incapaz de relaxar ou descontrair e mantém todos ao seu redor no mesmo nível de estresse e concentração.

A imprensa ainda demora a entender o quão perto o Brasil está do título. Seja por sorte, competência ou destino, o escrete canarinho nunca esteve tão perto de consolidar a hegemonia brasileira em títulos mundiais. Falta pouco. Muito pouco.

Com todos os erros que Dunga cometeu, ele é o comandante desta seleção e pode ser o líder do hexa após simbolizar o tetra. Vai, Brasil.

Maicossuel: crônica de uma decepção anunciada!

Publicado  quinta-feira, 1 de julho de 2010


Um surgimento rápido no Paraná, a rápida ida para o Cruzeiro em uma transação conjunta com o Flamengo que nunca concretizou o negócio e a promissora ida para o Palmeiras, trabalhar com Vanderlei Luxemburgo. Tudo muito rápido. Talvez demais. As atuações irregulares o levaram ao Botafogo onde conheceu finalmente a idolatria e se tornou o jogador que todos esperavam durante o enganador campeonato carioca.

Maicossuel mais fracassou do que foi bem-sucedido na carreira. Sua transferência para a alemanha após poucos meses de sucesso no clube da Estrela Solitária apenas confirmou a pouca confiança que seus investidores tinham no talento de um atleta que o presidente Maurício Assunção chegou a dizer que "poderia chegar à seleção Brasileira". Ninguém queria esperar novas propostas. A primeira bastou.

E é esse o grande craque que o Botafogo está disposto a pagar a quantia exorbitante de R$ 9 milhões e anunciar com toda pompa. Vale a pena?

O atleta vem para o lugar que seria de Deco e até mesmo de Ronaldinho Gaúcho, segundo os planos ambiciosos dos dirigentes. Porém, o "mago", como é chamado por torcedores cariocas, não têm talento à altura dessa expectativa. Não foi capaz de classificar o Botafogo na Copa do Brasil contra o fraquíssimo Americano, não conseguiu vencer na Alemanha e não será o craque que a torcida espera. Por mais que haja boas intenções em sua vinda.

Ele tem tudo para manchar a boa imagem que deixou, assim como Lúcio Flávio fez após voltar do Santos. Melhor seria que tentasse vencer em outro centro europeu. O jogador voltará no meio da temporada e em um campeonato muito mais difícil que o carioquinha.

Maicossuel é de uma decepção tão previsível que já dói. O Botafogo não merece.

Time de operários

Publicado  


O sonho de gols e estádios cheios acabou aos 25 anos por problemas no joelho. Ádamo Carvalho poderia não ter nem o futebol e nem a vida, mas aos 28 anos o atacante deixou para trás qualquer pesadelo graças a um programa de capacitação da metalúrgica Frum, credenciada pela Ford. Não apenas isso. Assim como outros 17 atletas, ele pode ser campeão do mundo de futebol, três dias antes da final da Copa do Mundo.

Hoje começa o torneio de futebol dos jogos da Confederação Esportiva Internacional do Trabalho (CSIT), em Tallin, na Estônia. A competição termina no dia 8. Trabalhadores-atletas representam o Serviço Social da Indústria (Sesi) na competição, entre eles, Ádamo.

“A adaptação foi muito tranqüila. Tive o suporte educacional e o apoio de colegas e da direção da empresa. Foi uma oportunidade de ouro”, diz o jogador, que faz tratamento especial no joelho para disputar o mundial.


A beleza do esporte bretão nunca foi apenas taças, competições milionárias ou craques metrosexuais. Sempre esteve nas voltas que a bola dá e permite a cada derrotado ser um vencedor, a cada driblador ser o driblado. Em algum momento, isso quase se perdeu ou diminuiu bastante. Os derrotados se consideram vencedores com salários fora da realidade e o drible é artigo raro no futebol. O business invadiu o futebol e tornou o campo, um escritório corporativo. Jogador bom é o que fala todas as línguas da versatilidade, mesmo que não conheça o parte-pra-cima do drible de várzea.

O trabalho tático é do técnico Anagib Rubens da Silva, ex-atleta, também diretor de recursos humanos. Ele dá a atletas sem clube a oportunidade de defender a metalúrgica. Silva jogou em times da segunda divisão paulista. “O esporte traz vantagens competitivas. Isso motiva os funcionários e mantém um bom ambiente de trabalho. Há ainda a identificação com a empresa”.

Zagueiros, volantes e atacantes passaram por times como Internacional, Guarani, Bragantino, Santa Cruz e São Paulo tornaram-se apontadores de produção, operadores de máquinas, controladores de forno, pintores e técnicos em segurança do trabalho. Não existem luvas ou salários milionários, mas talvez seja isso que torna o time algo instigante e diferente.

Toda esse texto foi baseado em fatos reais repassados pela assessora de imprensa. A única mentira é a respeito do fim de sonhos. O departamento da empresa encaminha os sonhadores para empresários ou dirigentes. O lateral-direito Nei, titular do Internacional, sonhou em 2005. Talvez o futebol não esteja tão chato assim.

Confira a escalação, por número, nome, posição e cargo:

Titulares

1- Carlo Henrique Godoy - Goleiro – assist. Engenharia

2- Rodrigo Donizete de Paula – Lat. Direito - Assist. produção fundição

3- Welington Andrade Viana – Zagueiro Central – Tec. Seg. Trabalho

4- Ronaldo Rodrigues Pereira – Quarto zagueiro – almoxarife

5- Marco Antonio Olegario – Volante - Lid Pintura

6- Carlos Eduardo da silva – Lat. Esquerdo – pintor

7- Walter laurentino Oliveira – 2º volante – Lide prod. Fundição

8- Diego Figueiredo – meia atacante – montador

9- Luiz Fernando da Silva – Centro avante – Aux. PCP

10- Heverton Cilas da Silva Meia esquerda – Op. Maq. CNC

11- Gesner Rodrigo da Silva - Atacante – aux, prod.

Reservas

12- Hilton Araujo – Goleiro – motorista

13- Diego Ferreira – atacante – op. Furadeira

14- Rogerio Teixeira – zagueiro - assist. financeiro

15- Adamo Carvalho – atacante – enfermeiro trabalho

16- Valterson da Silva - analista logística – zagueiro

17- Ramon Carlos de Lima – volante – assist. pcp

18- Marco Antonio De Sordi – atacante – vice presidente