Vale a pena ganhar uma Copa com Dunga?

Publicado  domingo, 20 de junho de 2010




A pífia campanha da seleção brasileira dos anos 90 rendeu um apelido que falava bem quem era o culpado por aquela eliminação: a era Dunga. Quatro anos depois, o volante deu a volta por cima e ajudou o Brasil a ser tetracampeão. O jogador poderia ser grandioso e ter esquecido as ofensas que ouviu, mas foi humano - no mais baixo significado do termo - e xingou cada um de seus detratores em seu momento de glória.

Antes de Dunga, Carlos Alberto Torres escolheu beijar a taça. Depois dele, Cafu preferiu levantar o troféu enquanto se declarava para a esposa. Mas o capitão de 94 optou pelas ofensas.

Já são vinte anos desde a Copa de 90. Vinte anos. E dunga ainda gosta mais das ofensas do que o diálogo, a paciência ou a transparência. Dunga ainda vive sob seu auto-imposto ato institucional de regime militar.

Cego em sua loucura, o técnico da seleção brasileira consegue transformar uma vitória, que poderia fazer o torcedor voltar a gostar da seleção, em crise. Se acha sempre perseguido e parece crer que cumpre algum destino manifesto onde todos que o contestam são pilares de uma conspiração que almeja seu fracasso.

Não, Dunga.

O seu maior inimigo é você.

Foi você que viu - não se sabe onde - jornalistas pedindo Luiz Fabiano fora do time titular. Apenas você xingou Alex Escobar por um simples gesto que interpretou como reprovação. E se fosse? Será que só você tem direito a uma opinião, Dunga?

A superação pode vir pelo ódio, mas também pode chegar pelo amor ao esporte, pela gana de vencer e pelo respeito ao seu país. Dunga é mais exemplo para crianças e adultos do que o presidente da República. E ele prefere a raiva, a cara feia e os palavrões.

Ódio ou amor.

Nos dois casos, as vitórias não fazem ninguém acima de ninguém. É triste que o técnico do escrete canarinho faça parecer que gols são argumentos definitivos e que vitórias são salvo-conduto para a falta de educação. O futebol brasileiro se marcou no drible impreciso de Garrincha, na elegância de mestre Didi, na imprevisibilidade de Pelé, na objetividade de Romário e no poder de decisão de Ronaldo.

Dunga, o futebol brasileiro não é grande pelos palavrões. Vale a pena ganhar assim?

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